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segunda-feira, 8 de março de 2010

Novamente um conto

As Três Raças Tristes No País Do Futuro

Uma metáfora brasileira

O mar e a floresta.

Composição musical

América sol
América sal
América só

Nheengatu caraíba
Acoaba potacatu
Ecopucu morubixaba...

Brasil 1500

Cenas das caravelas portuguesas no filme “O Descobrimento do Brasil” de Humberto Mauro. Música de Villa Lobos.

A festa dionisíaca e teatral do primeiro encontro das Índias com os portugueses.

- A meia légua da terra alguns homens andavam pela praia. Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos e compridos, e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha. Uma delas era toda tingida, de baixo a cima de vermelho, e certo era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha (que ela não tinha) tão graciosa, que muitas mulheres da nossa terra, vendo-lhe tais feições, fizera vergonha, por não terem a sua como ela.

O Paraíso.

Os brancos portugueses com as pardas índias
O desembarque dos Padres Jesuítas

O Trágico

Na praia um padre jesuíta carrega uma grande cruz feita de madeira.
Na mata um índio carrega a sua borduna.
Da praia, entrando na mata, caminha o padre com a cruz.
Na mata o índio aproxima-se da praia e observa o movimento dos portugueses.
O jesuíta vê o índio.
O índio vê o Jesuíta.
O Jesuíta mostra a cruz.
O índio vê a cruz e mostra a sua borduna.
O Jesuíta se aproximando vê a borduna e mostra novamente a cruz.
O índio mostra agressivamente a sua borduna.
O Jesuíta levanta a cruz ao céu mostrando ao índio a sua redenção.
O índio levanta a borduna ao céu e, com precisão e força no seu golpe, ataca o Jesuíta na cabeça. O mártir jesuíta cai sobre a cruz desfalecido.
O índio corre na mata.
O Jesuíta gravemente ferido tenta se levantar, não consegue e esticando o braço, numa cena dramática, com a mão aberta, trêmula, em direção do céu, o padre ensangüentado pede pela vida do índio dizendo: - perdoa-lhe meu pai, ele não sabe o que fez...

As armas portuguesas cortam, dilaceram e matam o índio.
Os índios fogem na mata. Os mosqueteiros cospem fogo atrás.
Índios acorrentados. Escravos dolentes.

A mata atlântica.

Anchieta escreve seus versos na areia e depois levita na mata.

Os bandeirantes cortam as montanhas de Minas.

- Brasil! Terra do futuro! Do futuro das grandezas! O manto verde que te cobre, perde-se no infinito...

O manto verde das montanhas.

O amarelo do ouro, o verde das esmeraldas, o negro do ferro.
As velhas cidades e o barroco das artes.
O primeiro povoado brasileiro. A miscigenação das três raças tristes.

- As pedras sagradas; as montanhas e as serras; o ouro; as flores e os frutos milagrosos da mata; as esmeraldas; as cachoeiras; os rios, lagoas e toda a beleza natural deste paraíso e seus habitantes - os homens - depois de cem anos de civilização, já mostram as feridas do inenarrável progresso a que foram, a força, submetidos...

Navio Negreiro!
Escravos acorrentados.
O chicote, o sofrimento e a morte.

Composição musical

Refrão
QuilombolaZumbiQuilombo
ZumbiGangaZumbaZumbi

No ferro e na chibata.
Morto o índio preguiçoso
Suas riquezas escondidas

De ouro e da prata
Véio nêgo musculoso
Nesta terra maldita

Numa escravidão vergonhosa
300 anos se passaram
Um espinho se fez rosa
Quando Zumbi encontraram

Fugiam para a Liberdade
chegaram a Palmares
onde os quilombos cresciam

Em Pernambuco, mais da metade
ficaram com Zumbi, era tarde
Ganga Zumba e a paz morriam

Ó Liberdade!

O mulato Antônio Soares
Encontrou o nêgo solitário zanzando na mata
e matou, assim, sem piedade,
a facadas, salvo engano,
O Zumbi dos Palmares.

A cana de açúcar. O Engenho. Os portugueses matam os negros que fugiam. O negro no trabalho dos engenhos. O Batuque. Macumba. Terreiro. Despacho.

O padre jesuíta pregando aos escravos de uma plantação de cana.

- Sois imitadores de Cristo porque padeceis em um modo muito semelhante o que o mesmo senhor padeceu na sua cruz e em toda a sua paixão... A paixão de Cristo parte foi de noite sem dormir, parte de dia sem descansar... Cristo despido e vós despidos;

Reportagem mostra a pobreza atual em que vive o povo brasileiro.

- Cristo sem comer e vós famintos. Cristo em tudo maltratado e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas, os nomes afrontosos, de tudo isso se compõe a vossa imitação

As montanhas das Minas Gerais.
Ouro Preto e as cidades históricas.

As imagens seguem em parte a letra da música.

Composição musical

O Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles.

Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem
acontece a Inconfidência.
Liberdade, ainda que tarde
ouve-se em redor da mesa.
E a bandeira já esta viva
e sobe na noite imensa.
E os seus tristes inventores
Já são réus pois se atreveram
a falar em liberdade.
Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda.

Tiradentes e a Inconfidência mineira.
Aleijadinho - Congonhas – Passos.
A Paixão de Cristo com figuras em tamanho natural.

Cena do Julgamento de Tiradentes.
Na corte a sentença do Juiz.

- Condenamos o alferes Joaquim da Silva Xavier que seja conduzido pelas ruas públicas ao local da forca, e nela morra morte natural, para sempre, e que, depois de morto, lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, aonde, em lugar mais público dela, seja pregada em um poste alto, até que o tempo a consuma e o seu corpo será dividido em quatro quartos e pregados em poste pelo caminho de Minas... Declaro o réu infame, e seus filhos e seus netos, e sua casa será arrasada e salgada, para que nunca no chão se edifique...

As fazendas coloniais.
As plantações de café.

Composição musical

- O Brasil é o inferno dos negros. Purgatório dos brancos. Paraíso das mulatas.

Casa Grande e a Senzala.
O branco brasileiro-português faz amor com a mulher negra escrava-africana.

O quadro de Pedro Américo do grito da Independência compõe a cena.
D. Pedro estava sentado a sombra de uma grande árvore. Ao seu lado estava o Padre Belquior e mais atrás, distante dos dois, alguns fazendeiros.

D. Pedro I : - Eles me perseguem, querem me deserdar.., me rebaixaram a mero delegado das cortes... O rei D.João me quer de volta a Portugal e ainda quer mandar prender o José Bonifácio...E a Igreja o que quer? O que pensa disso, Padre Belquior?
Padre: - Se Vossa Alteza não se faz rei do Brasil, será, prisioneiro das cortes portuguesas e talvez deserdado por elas. Não há outro caminho senão a Independência e a separação. É o que o povo quer. E a voz do povo é a voz da igreja.
D. Pedro I, levantando-se: - Pois se é isso que todos querem... De hoje em diante estão quebradas as nossas relações; nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal... Independência ou Morte (sussurrou baixinho).

Depois vem o assassinato de Joana Angélica de Jesus.

Na cena do assassinato dela os soldados, fieis a Portugal durante a luta pela Independência, entram no convento a procura do seu irmão, um patriota inflamado, Joana Angélica, protegendo o arrombamento da sua clausura, é morta a golpes de baioneta.

No interior de uma Igreja barroca um padre e um homem conversam:

O homem: - Mas Padre, na Bahia a franciscana Joana Angélica de Jesus morreu em nome da Independência! O bajulador do Bonifácio está com o poder e com a amizade de D. Pedro. A repressão anda cada vez mais violenta. Estamos perdendo os nossos companheiros... Meu Deus será que foi para isso que aconteceu a Independência? Para que o conservadorismo, o latifúndio e o comércio exportador pudessem mandar sozinhos, sem os estrangeiros, nesta terra infeliz?! ... A nossa bandeira nacional deveria ser a da Inglaterra! Afinal não são os interesses britânicos que vão, com sua insaciável ganância, comandar a nossa economia? Os homens do governo só faltam falar inglês de tão contentes, pois agora já podem negociar diretamente com eles. É pra isso que o povo da Bahia tem ainda derramado o seu sangue?

O Padre: - Pare com isso, seu idiota! Se quiser fazer um comício sai na rua! O que você está pensando? Que a sua gritaria vai alterar alguma coisa? ...

D. Pedro, sentado no trono, recebe com sono varias pessoas e depois, levantando-se vagarosamente, fala para corte:

D.Pedro I: - O Governo, dado aos últimos acontecimentos, pois um fim a Confederação do Equador, que conspirava contra a união nacional tentando formar um estado independente, republicano, dentro do Brasil. Comandadas no mar pelo Almirante inglês Cochrane e na terra pelo Brigadeiro Francisco de Lima e Silva, as forças imperiais dominaram a cidade do Recife e o chefe rebelde republicano Paes de Andrade fugiu a bordo de um navio. Os outros revoltosos já foram presos e condenados...

Cenas que antecederam o fuzilamento de Frei Caneca.

Populares revoltados são presos. Torturas. Chibatadas. Ninguém consegue colocar a corda do enforcamento no pescoço do frei. Um soldado oferece com a mão, em cena dramática, a corda da forca para algumas pessoas que se recusam a pegá-la. Condena-se o frei ao fuzilamento.

Fuzilamento do Frei Caneca.

- Os castigos infligidos por D. Pedro aos rebeldes foram tão severos como os que costumavam ordenar as antigas autoridades portuguesas. De nada valeram os pedidos de clemência. A execução do Frei Caneca no Recife foi dramática: todos os carrascos se recusavam a enforcá-lo, como determinava a sentença da condenação, sendo necessário recorrer ao fuzilamento pela tropa.

Pessoas conversam em vários pontos da cidade.

A oposição se organizava em várias províncias. Diante da ameaça de uma guerra civil, aconselhado pelos ingleses, D. Pedro sai com sua família do Brasil para Portugal e no seu lugar deixa o príncipe D. Pedro de cinco anos sob a tutela de José Bonifácio de Andrade e Silva.

A Revolução Liberal de 1842.

Cena do deputado Teófilo Ottoni, saindo de sua casa no Rio de Janeiro, deixando a mulher grávida, na calada da noite, montado em sua besta Montanha, disfarçado com um grande chapéu, sai na direção das Minas Gerais.
Teófilo Ottoni se aproxima dos dois soldados que guardam uma velha ponte de madeira mostrando o seu passaporte. Enquanto os soldados olham para o documento, ele, de súbito, esporeia violentamente o animal, lhes solta à rédea, e investe num galope, frenético e furioso, através da ponte intransponível que corta o rio Paraibuna aos gritos de Viva a revolução! Viva a república! E, ao se encontrar com os revolucionários mineiros, espalha a falsa notícia heróica que São Paulo ainda resistia com bravura a revolução, conseguindo com uma mentira manter o espírito revolucionário dos mineiros.

Teófilo Ottoni e Davi Canabarro, General-em-chefe do exército farroupilha da república de Piratini.

Davi Canabarro: - Vai para dez anos que a República de Piratini, fora da comunhão do Império, se bate, galhardamente, no improviso dos entreveres. Agora o Governo Imperial, mais uma vez, oferece a paz aos farrapos. As negociações estão sendo conduzidas por Caxias. Queremos a paz com o reconhecimento da República de Piratini, mediante a federação com o Império. Se, porém, a condição for recusada, ofereço-lhe os melhores oficiais rio-grandenses para reacendermos a revolução na província de Minas. Sem embargo, antes do mais, o governo de Piratini quer ouvir a palavra do líder liberal, do mineiro Teófilo Ottoni.
Teófilo Ottoni: - A resolução é difícil. De um lado a tendência do meu espírito republicano e revolucionário. Do outro lado, a unidade nacional. Se me assusta uma guerra civil, mais me assusta ainda o aparcelamento do Brasil. Nunca fui separatista. Digo-lhe com lealdade: de Minas e de São Paulo não devem os farroupilhas esperar nenhum retorno revolucionário. E chamo-lhe a atenção para o fato de, no poder, os chefes liberais de Minas e São Paulo fazerem aos revolucionários do sul a mesma guerra que lhes movem os conservadores.

Pinturas, desenhos e retratos que retratam a Guerra do Paraguai.

A guerra do Paraguai foi a página mais sangrenta da história militar brasileira. D. Pedro II já havia completado 46 anos quando foi assinado o tratado de paz de uma guerra onde morreram quase meio milhão de pessoas. Do Paraguai, com uma população estimada em 600 mil habitantes, sobreviveram 200 mil dos quais 30 mil homens. O país foi aniquilado. Para o Brasil, que perdeu 100 mil homens nos campos de batalha, nenhuma recompensa de ordem material que compensasse tanto sacrifício e atos de heroísmo. Nesta guerra não houve vencedores, nem vencidos, só sobreviventes.

Com o fundo do último quadro retratado no plano anterior faz parte da sala onde dois senhores, um velho fazendeiro e um jovem burocrata conversam.

O Fazendeiro: - A Princesa libertou os escravos e os colocou aonde?
O Burocrata: - São milhares de negros vagando por ai sem rumo, sem casa, passando miséria. Que abolição é essa que retira do negro o direito a casa e a comida.
O Fazendeiro: - Mesmo sem liberdade, na minha fazenda, a senzala era ainda assim um abrigo e havia sempre algumas regalias, você sabe! ...
O Burocrata: - O Brasil vai de mal a pior. Não temos mais mão de obra barata, o salário nos cafezais está tornando a colheita, a cada safra, mais cara... E o Imperador está descansando em Petrópolis!
O Fazendeiro: - E esta reunião, nunca mais que acaba?
O Burocrata: - O Visconde não vai resistir à pressão dos militares heróis da guerra do Paraguai.

Sai por uma porta um militar dizendo:

Militar: - O Visconde de Ouro Preto telegrafou ao Imperador apresentando a sua renúncia!

Exterior de um pátio de uma guarnição militar.
Montado num cavalo está o marechal Deodoro da Fonseca.
O marechal retirando o boné da cabeça grita:

Marechal: - Viva a República!

O Visconde de Ouro Preto surge no pátio defrontando-se com o marechal, cavalo a cavalo, fazendo o Marechal desmontar do seu cavalo. O marechal vendo-o começa a falar em sua direção.

Marechal: - Nos pântanos do Paraguai, muitas vezes atolado, sacrifiquei minha saúde em benefício da pátria...
Ouro Preto: - Muito maior sacrifício faço eu, marechal, em ouvi-lo falar...
Marechal: - Vossa Excelência quis fazer do cadáver moral de sua pátria o pedestal de suas tristes glórias.
Ouro Preto: - Algum dia me fará justiça.
Marechal: - Justiça eu estou lhe fazendo agora! Considere-se preso!

Um lago de águas claras, onde se reflete o azul, a luz de um céu nordestino com poucas nuvens.

Cenas fantasmagóricas dos personagens passando pelos acontecimentos, pelas imagens relacionadas a Canudos. Todas elas são refletidas no espelho d”água.

- Aqui, nesta represa, aconteceu o massacre de Canudos - O sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão! - A profecia de Antônio Conselheiro estava certa. A cidade destruída de Canudos com todos seus habitantes mortos já não mais existe. O sertão virou mar e o mar virou sertão no açude de Cocorobó.

Aqui, neste palco, onde morreram milhares de brasileiros, começa o Brasil moderno.

Brasil 1900

Na mata o lago. No monte Santo o céu azul. Nas nuvens escuras o relâmpago.
Subindo o monte Santo as três raças tristes: O índio, o branco e o negro.
O céu com o mar na mata.

Composição musical
Sousândrade em homenagem à república nascente

Novo Éden
Banidos do paraíso: olhando para trás,
D’espelho que se parte o relampagueamento
D’estampido seguido e que cegueira faz
Que d’alma a dor profunda apaga no momento,
Viram... um lago! ao longe ... um monte! ... nada mais.
Iam pensando: essa onda... o monte... o céu que estronda ...
Quem dessa água a desgraça? ... quem desse monte a graça ? ... traz...

Sobrados em ruas antigas do Rio de Janeiro.

O Clima é soturno.

No interior do sobrado varias pessoas participam de um velório.
O morto está deitado em sua cama cercado de personagens femininos que liam versos.
Alguém bate na porta.
Um dos presentes vai abri-la.
Surge do exterior um jovem poeta que entra para visitar o morto.
Todos olham para o desconhecido.

- Na noite em que faleceu Machado de Assis, quem penetrasse na vivenda do Poeta, em Laranjeiras, não acreditaria... No quarto do escritor um grupo de senhoras - ontem meninas que ele carregara nos braços carinhosos, hoje nobilíssimas mães de família - reliam-lhe antigos versos. No salão de visitas viam-se alguns discípulos dedicados. Não se compreendia que uma vida que tanto viveu outras vidas desaparecesse no meio de tamanha indiferença, num círculo limitadíssimo de corações amigos... Neste momento ouvem-se umas tímidas pancadas na porta principal. Abriram-na. Apareceu um adolescente de 18 anos no máximo.

Um dos presentes pergunta para o jovem que segue em passos lentos em direção da cama onde dorme o poeta adorado.

- Qual é o seu nome jovem poeta?

- É desnecessário dizê-lo: Aqui ninguém me conhece; e eu não conheço ninguém; não conheço nem o dono da casa, a não ser pelas leituras dos seus livros, que me encantam. Por isso ao ler nos jornais da tarde que o escritor se achava em estado gravíssimo tive o pensamento de visitá-lo. Relutei contra essa idéia, não havia quem me apresentasse, mas não logrei vencê-la. Desculpem-me! Portanto, se não me é dado ver o enfermo, dê-me notícias certas do seu estado.

O senhor que havia perguntado o seu nome pega no braço do jovem anônimo - vindo da noite – e o conduz ao quarto... Não disse uma palavra. Ajoelhou-se. Tomou a mão do mestre; beijou-a num belo gesto de carinho filial. Aconchegou-o depois de algum tempo ao peito. Levantou-se e sem dizer palavra, saiu. Na porta perguntaram-lhe novamente o nome... Ele diz: -.... Mas deve ficar anônimo.

Qualquer que seja o destino dessa criança, ela nunca mais subirá tanto na vida. Naquele momento o seu coração bateu sozinho pela alma de uma nacionalidade. Naquele meio segundo - no meio segundo em que ele estreitou o peito moribundo de Machado de Assis - aquele menino foi o maior homem de sua Terra.

Uma seleção de pinturas e artes gráficas dos principais artistas que participaram da Semana de Arte Moderna.

No palco do Teatro iluminado está Mário de Andrade, Villa Lobos, Oswaldo de Andrade, na platéia a elite paulista.

Música de Villa Lobos

- Cinco vezes o magricelo do Mário de Andrade tentou entrar no palco do Teatro Municipal e não achava coragem; cinco vezes o maestro Villa Lobos tentou iniciar a sua música e o seu calo doía; cinco vezes Oswaldo pediu silêncio e não foi atendido - a gritaria, a impaciência do público, a antropofagia dos famintos, a burguesia ensandecida com a explosão modernista, não se continha frente ao novo, a pateada perturbou o sarau, o sentimento conservador da elite paulista desejava enforcar um a um, nos finos assobios de suas vaias.

Revolução de 30.
Lampião, Maria Bonita e Corisco.
Getúlio e o Estado Novo.

- O Paraíso ainda não está preparado para o novo, a Europa, principalmente a França, a civilização vivia uma vibrátil e autêntica atmosfera vanguardista, aqui, com a economia baseada essencialmente na agricultura, sendo ainda o café o principal produto de exportação, com a crise do capital internacional - estocamos e queimamos toneladas de café - o Brasil pegava fogo. A crise se alastrava. Era a hora do novo, da transformação, da construção da justiça social, mas veio a guerra e a guerra se faz no Brasil de muitas maneiras...

Juscelino
Inauguração de Brasília
A Bossa Nova

- Finalmente, depois de muito tempo, os brasileiros acreditavam que agora o futuro estava chegando e que a felicidade, as oportunidades, estava sendo criadas para todos sem distinção. O País estava alegre, crescendo, o trabalho era respeitado e podia-se até sonhar com a utopia de Pindorama. Mas, de repente...

O Golpe Militar. A morte dos estudantes. Tortura. Prisões e atentados

A busca do ouro em Serra Pelada.

- Foram quase trinta anos de tristeza e sofrimento. Novamente a sociedade se organizou e passou a exigir os seus direitos perdidos, o Brasil precisava sair do subdesenvolvimento e finalmente emergir, com todo direito, como uma grande nação...

Grandes concentrações de gente nas praças. A festa da democracia.
As imagens jornalísticas seguem o texto:

- Miséria e banditismo! Atrocidades de todos os lados, da polícia e do ladrão! Mortes e mais mortes! Estas são as imagens das grandes cidades transformadas em metrópoles do medo e da covardia.

Cenas de Televisão - jornalismo.
O massacre de crianças na igreja da Candelária.
O Movimento dos sem terra.
A grande estrada corta a mata.
A destruição da floresta amazônica.
O suicídio dos índios, perdidos e sem identidade cultural, miseráveis pelas cidades e estradas de rodagem – terra dos sem fim

A educação dos miseráveis ou os miseráveis da educação?

Informará Luis da Câmera Cascudo:

- O Mar é o avô do homem.

- A Floresta Amazônica é a deusa da natureza.

O rio tortuoso leva o mar de merda em que tudo se transformou.

- Acabamos todos os dias com um pouco mais das florestas onde se escondem toda a beleza e a riqueza deste grande país. Paraíso tropical. 500 anos de civilização. A mata fechada, os homens, os índios, os sonhos, ainda resistem e às vezes, para nossa emoção, se confundem pequeninos, com o mar verde esmeralda da costa brasileira.

1000 anos depois do renascimento da esperança no país do futuro ainda não encontramos a deusa da liberdade cósmica que tantos de nós almejavam.

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