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sábado, 30 de junho de 2012

POESIA


 LIBERDADE
Emiliano Sette

O Japão tá no lado oposto do mapa
O Sol aparece lá e a Lua resplandece cá
Queria beber saquê pra ver se saco a paciência e disciplina nipônica
Vou ver se amarelo
Não quero mais o despautério
Vou pra Sampa fazer um Samba na Liberdade
Chega de balneário carioca
Farei minha oca em plena Paulista
Não mudarei de ideia, não insista
Quero mudar de país sem sair do Brasil
Paulicéia me aguarde
Novo bandeirante dando bandeira na cidade


A VELHICE PEDE DESCULPAS
Cecília Meireles
Tão velho estou como árvore no inverno,
vulcão sufocado, pássaro sonolento.
Tão velho estou, de pálpebras baixas,
acostumado apenas ao som das músicas,
à forma das letras.
Fere-me a luz das lâmpadas, o grito frenético
dos provisórios dias do mundo:
Mas há um sol eterno, eterno e brando
e uma voz que não me canso, muito longe, de ouvir.
Desculpai-me esta face, que se fez resignada:
já não é a minha, mas a do tempo,
com seus muitos episódios.
Desculpai-me não ser bem eu:
mas um fantasma de tudo.
Recebereis em mim muitos mil anos, é certo,
com suas sombras, porém, suas intermináveis sombras.
Desculpai-me viver ainda:
que os destroços, mesmo os da maior glória,
são na verdade só destroços, destroços.
Cecília Meireles, in ‘Poemas” (1958)

  
Conheci Roberta Pires quando morei em Juiz de Fora. Filmei com ela alguns dos meus filmes produzidos na cidade. Em um ela foi produtora e no filme onde falo do memorialista Pedro Nava, ela foi atriz. Era uma menina encantadora, pena ter nos deixados tão cedo e de uma maneira tão dramática. Esses poemas são as últimas coisas que dela recebi.

8 TENTATIVAS

Roberta Pires

Filha de carioca com sanjoanense, nasci em Tiradentes em 82. Fui acolhida por Juiz de Fora em 85 e solta em Paris em 2007 onde atualmente faço mestrado em sociologia na Sorbonne - Paris V. Nesse meio tempo rabisquei muito papel... uns foram rasgados... outros guardados... outros embriagados... muitos perdidos. Dentre eles, dois foram premiados e publicados pela Feeling Cards, alguns outros integraram o fanzine URGH! E para os leitores dos três pontos deixo agora 8 tentativas de vôo. Boa sorte.


CONTEMPORANEIDADE

o desespero do desempregado
é não ter tempo pra nada

 JUIZ DE FORA ALTO BAIRÚ

O tempo chorava lá fora
E aqui dentro só se ouvia a voz do piano por papai
Nenhuma nota vermelha

PARIS 2008

ah! a vida...
às vezes muda
às vezes grita

PRIMEIRA TENTATIVA

a  riscar
a  vida
arriscar
a  vida
há  risco
há  vida
arrisco
a vida
risco
a vida

RUA CONGONHAS C/ CARANGOLA

o lampião na entrada da casa construiu minha história cheia de expectativas.
era quando eu, criança, vinha a ter com ele aceso.
não raro, apagava, só pra ficar sozinha com as estrelas.
ou talvez pra esperar mamãe desesperada:
acende isso menina!
no início, a brincadeira se estendia em porradas e lágrimas.
depois, curtindo o medo, voltava com a luz e imediatamente fechava os olhos.
nesse momento, vivia minha maior independência de menina.
sabia que ninguém conseguiria apagar as estrelas que nasciam no céu da minha boca.
era assim que eu assassinava mamãe um pouquinho todo dia.
ela nunca soube disso.
e eu não sabia que junto com ela
estava indo o medo, a brincadeira, o lampião, as estrelas.
as lágrimas não,
ainda que de olhos fechados.

SEGUNDA TENTATIVA
... corro.
o ponto final é você

ÚLTIMA TENTATIVA
fuDeus

sexta-feira, 29 de junho de 2012


(transcrito da Tribuna da Imprensa)

 

RIO+20 nas toneladas de esgotos lançados ao mar sem tratamento

Welinton Naveira e Silva
É muito complicado falar em RIO+20 deixando de abordar um gigantesco crime ecológico e econômico contra o Rio de Janeiro. Estranhamente, nem o governo, nem empresários, nem ONGs, nem mesmo, a grande mídia, ousam tocar nesse assunto, vital para o turismo do Rio de Janeiro e para o Brasil.
Trata-se de um gravíssimo problema contra a indústria do turismo, contra a nossa economia, contra a ecologia carioca decorrente da contaminação de nossas praias por conta de 85% dos esgotos lançados ao mar sem tratamento sanitário. Tamanho descalabro prossegue, impunemente, sob um total silêncio e, em pleno RIO+20.
Por essa inexplicável insanidade econômica, turística e ecológica, todas as praias do Rio de Janeiro estão contaminadas, inviabilizando aquelas águas limpas e cristalinas que faziam a felicidade dos banhistas e dos turistas, outrora existentes nas praias do Leme, Copacabana, Arpoador, Ipanema, Leblon, Barra da Tijuca, e outras mais, perdidas nas memórias de quem as frequentou na década de 50 e início de 60.
Atualmente, somente 15% do esgoto sanitário lançado ao mar pelos emissários submarinos recebem efetivo tratamento. Toneladas por segundo de esgoto sanitário e industrial são impunemente empurrados para o mar, via emissários. Mas ninguém fala nada. Gigantesco absurdo, turístico, econômico, social e ecológico, até agora não percebido por nossos políticos e empresários.
Se fosse aproveitada toda a disposição do Governo na preparação da Copa do Mundo e das Olimpíadas para investir uma parte desses recursos na construção das necessárias instalações de tratamentos de esgoto sanitário e industrial, por certo que estarão prestando um fantástico presente para a cidade do Rio de Janeiro e para o Brasil, atraindo o turismo internacional e nacional, puro ouro para a nossa economia.
A água do mar, uma vez isenta de esgotos, em poucos anos a própria natureza se encarregaria de torná-la limpa e cristalina, fazendo de nossas praias, as mais belas do mundo, de invejáveis abundantes areias finas e brancas, situando-as em imbatíveis condições de atrair milhões de turistas do exterior e de todo o Brasil, o ano inteiro.
Melhor e mais potente atrativo não poderia existir. Seria a plena felicidade de nossos comerciantes, da hotelaria, de nossa indústria turística, com a abertura de milhares de oportunidades para o nosso povo nos bilhões de recursos trazidos por milhares de turistas. Seriam fantásticos recursos para tornar a nossa cidade a mais bela do mundo, acabando com a miséria, com as favelas, com os excluídos, com as sujeiras, com as violências e inseguranças que tanto conhecemos.
Com toda a grana advinda dos turistas de todas as partes do mundo, seria possível em poucos anos resgatar tudo que foi investido na construção e instalação das estações de tratamento de esgotos. É a oportunidade para o embelezamento geral da cidade do Rio de Janeiro, tornando-a de fato, bela e humana, em poucos anos. Passaremos a ter plenas condições de concorrer no bilionário mercado do turismo internacional, obtendo fantásticos recursos para erradicar a miséria e a pobreza, em curto espaço de tempo, bem como as diversas melhorias que o nosso povo merece. O momento é agora.


UM BOM ROTEIRO - UM GRANDE FILME - REBELDE - POLÍTICO - CONTESTADOR

O SER OCULTO

“Mais importante que a beleza interior é a riqueza exterior.”
PC Faria

Acusado por Pedro Collor de Mello, irmão do na ocasião Presidente da República do Brasil, em matéria de capa da revista Veja, em 1992, PC Farias seria o testa de ferro em diversos esquemas de corrupção divulgados de 1992 em diante. Em valores atuais, o “esquema PC” arrecadou exclusivamente de empresários privados o equivalente a US$ 8 milhões, equivalente a R$ 15 milhões, em dois anos e meio do governo Collor (1990-1992).


(Transcrito do Estadão - Jornal de São Paulo)
No ano em que o primeiro processo de impeachment de um presidente na América Latina completa 20 anos, a morte de um personagem importante dessa história completa 16 anos ainda à espera de julgamento. Paulo César (PC) Farias, o tesoureiro da campanha eleitoral de Fernando Collor de Mello, foi morto com um tiro no peito em 23 de junho de 1996 na praia de Guaxuma, em Maceió, junto com a sua então namorada Suzana Marcolino.
Na época, PC estava em liberdade condicional e era réu em inúmeros processos por crimes financeiros, sonegação de impostos, falsidade ideológica e enriquecimento ilícito. Tinha audiências marcadas e poderia fazer revelações sobre a participação de outras pessoas nas atividades ilícitas que comandava. Por isso, sua morte foi investigada como queima de arquivo.
A cena do crime tentava simular um assassinato seguido de suicídio, mas as circustâncias nunca foram de fato esclarecidas. Embora o Ministério Público Estadual tenha feito a denúncia sem apontar o autor para o crime, os quatro seguranças que trabalhavam na noite do crime são suspeitos pelo crime: Adeildo Costa dos Santos, Reinaldo Correia de Lima Filho, Josemar Faustino dos Santos e José Geraldo da Silva. Todos vão a júri popular.
A 8ª Vara Criminal da capital, onde o caso corre, ainda não tem um juiz titular, o que atrasa ainda mais o julgamento, ainda sem data para acontecer. Há expectativa de que o caso seja julgado no segundo semestre deste ano, mas nenhuma data foi divulgada ainda.
PEDRO COLLOR
O emblemático PC Farias foi um dos personagens mais marcantes do caso do impeachment do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). A denúncia feita por Pedro Collor à Veja, que acabou por derrubar o presidente, citava PC como sócio do presidente em negócios ilícitos para levantar recursos que custeavam gastos pessoais e campanhas políticas. Pedro se referia a PC como “lepra ambulante”.
Pedro Collor vinha revelando uma série de denúncias contra PC Farias. Na entrevista, ele afirmou que PC Farias era o “testa de ferro” do presidente e que os dois atuavam em “simbiose profunda”. Ele também disse que o presidente tinha um apartamento em Paris e sabia que PC Farias agia em seu nome para realizar tráfico de influência.
Pedro ainda foi mais à frente. Depois da denúncia à Veja, ele afirmou ao ‘Estado’ que PC havia lhe oferecido US$ 50 milhões para que desistisse das denúncias contra o presidente, mas ele não aceitou o dinheiro porque sua luta “não tinha preço”
AS INVESTIGAÇÕES (?)
A primeira versão para o caso – apresentada pelo delegado Cícero Torres e pelo legista Badan Palhares – foi de crime passional. Para os defensores da tese, Suzana teria matado PC e depois se suicidado. Essa versão foi contestada pelo médico George Sanguinetti e depois derrubada por uma equipe de peritos convocados para atuar no caso, fornecendo às autoridades policiais um contralaudo.
Em 1998, a equipe dos peritos Daniel Munhoz, da Universidade de São Paulo (USP), e Genival Veloso de França, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), derrubou a tese de crime passional e concluiu pela tese de duplo homicídio. Com isso, nova investigação foi iniciada, tendo à frente os delegados Antônio Carlos Azevedo Lessa e Alcides Andrade, que contaram com a colaboração do perito Ailton Vila Nova.
Foi com base na segunda perícia que os delegados indiciaram os 4 seguranças como autores materiais e apontaram o então deputado federal Augusto Farias como o autor intelectual do duplo homicídio. O ex-deputado nega envolvimento na morte do irmão e continua dizendo que acredita em crime passional.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

TUDO É POSSÍVEL NO BRASIL


TV Globo domina o cinema brasileiro

Por Amanda Cotrim

Era preciso investigar o assunto. Em 1998 surgiu aquela que seria a maior
coprodutora e distribuidora do cinema nacional, um fenômeno de bilheteria
nos últimos anos, a Globo Filmes. "No setor audiovisual sempre houve a ideia
de monopólio. No entanto, era preciso investigar com números e dados
oficiais de mercado. A minha pesquisa apontou que não só as maiores
bilheterias do cinema nacional, nos últimos anos, têm a participação da
Globo Filmes, como os parceiros com os quais ela se associa, como produtoras
e distribuidoras, são, na maioria, aqueles que dispõem dos maiores
recursos", revela a jornalista Juliana Sangion.

O mercado cinematográfico apresenta uma concentração nunca registrada antes
no Brasil. Segundo a pesquisa de doutorado da jornalista, defendida no
Instituto de Artes (IA) da Unicamp (Universidade de Campinas), no ano de
2003, as 10 maiores bilheterias foram de filmes coproduzidos pela Globo
Filmes. Atualmente, a empresa já passou a marca de 120 milhões de
espectadores, com cerca de 150 filmes lançados. Surge, então, uma mudança: O
Brasil passa a ser visto pelos brasileiros também através do cinema. Mas o
que o país passa a reconhecer como o "seu cinema" é questionado na pesquisa
da jornalista. "Tanto séries e programas da Globo viraram filmes, como o
contrário", conta. O cinema nacional recebeu as séries A grande Família, Os
Normais, Lisbela e o Prisioneiro e Caramuru, entre outros.

Também foi possível ver filmes que viraram séries como Cidade de Deus e
Chico Xavier. Todos tiveram a participação da Globo, seja como emissora de
TV, divulgadora ou como coprodutora. "Não dá mais para dividir a linguagem
televisiva da cinematográfica, neste contexto, sem falar de Globo Filmes",
destaca a jornalista.

quarta-feira, 27 de junho de 2012


PROVA DE AMOR OU CARTAS PARA O AMANHÃ

Já dizia o fado português “...que olhos negros são queixumes de uma tristeza sem fim...”- eu já digo que os olhos negros, que eu conheço, são lumes, estrelas noturnas dos jardins, iluminando, em seus movimentos ziguezagueados, o amanhã alegre da Nina, minha netinha querida. Esta moreninha de espírito forte, filha das artes e do ofício, dormindo ou acordada, está sempre atenta a este novo mundo, repleto de novidades que pra ela se anuncia, navegando sobre ele com distinção pelo primeiro ano de sua longa jornada. Eu a vi  se organizando,  em busca do equilíbrio e do entendimento, dando os seus primeiros passos, achando suas primeiras flexões verbais, no seu olhar doce e cativante e em sua maneira singular de descobrir o seus arredores: cores, casa, botões de luzes, brinquedos. Neste novo espaço, só o gato, injuriado por perder o seu reino, se esconde desconfiado entre cadeiras e poltronas, mas se impõe, pelas afiadas garras, a devida e segura distância da sua nova hospedeira. Os humanos querem abraçá-la, senti-la, desfrutar do seu calor. Eu sinto, todos os dias, a presença dela e me desmancho em pedacinhos românticos de felicidade quando a vejo.  Meu olhar cruza o seu quando os seus bracinhos são abertos no ar para receber o carinho do visitante pegajoso. Uma  vez ela chorou quando eu cheguei e chorou quando fui embora. O meu coração ficou partido em sete pela saudade. Chamo isso de amor e é tão raro amar assim. Só ela me dá esperança em um mundo melhor. Não sei se conseguirei, mas tenho uma vontade danada de dançar com ela a valsa dos quinze anos – valsa? Mas que coisa mais antiga! Ponderou Raquel aos meus ouvidos -  aos 79 anos só se Deus quiser! - Se Ele existir, Ele há de querer! Respondi. Mas se não for possível, caminharei com ela pela praia e, entre uma comilança e outra, falaremos sobre as minhas experiências existenciais, meus causos, meus amigos e amores que tive por entre aquelas mesmas ruas que cortam o velho bairro praieiro onde eu ontem vivi e hoje ela vive. Outro dia, me contou a mãe: - Nina descobriu a lua no céu e se encantou por aquela longínqua bola de luz. Que coisa extraordinária é a descoberta dos signos que nos guiarão por toda a vida. Faltam ainda de cinco a seis anos para ela começar a ler, a ver, a ouvir e a descobrir tudo que o mundo tem ainda guardado para lhe mostrar:  livros, filmes, poesia, fotografias, textos, pinturas e objetos, que estarão aqui  lhe esperando. Você, minha doce criança, só tem que descobrir, durante a vida, todo o legado do saber, que não o tenho para lhe dar, pois ainda procuro essa virtude, esse conhecimento,  que pertence a todos e de quem quer dele usufruir e não a uma só pessoa. Nina te amo para sempre - é o que de melhor lhe posso oferecer.

terça-feira, 26 de junho de 2012


CENTRO CULTURAL DO CORREO
SALA DE VÍDEO  DIA 28 / QUINTA FEIRA
18h - • Djalioh • 92 min.

DJALIOH

Djalioh é um ser estranho. Nascido no Brasil vai para França aos 16 anos, revelando-se
“o idiota da família”. Incompreendido pela sociedade, sofre por amar Adèle, que está
de casamento marcado com o primo Paul, pai de criação de Djalioh.

 DJALIOH é uma adaptação livre do conto QUIDQUID VOLUERIS de Gustave Flaubert 


DIREÇÃO: Ricardo Miranda ELENCO: Bárbara Vida, Mariana Fausto, Otávio Terceiro, Helena
Ignez, Tonico Pereira DURAÇÃO: 76 min.

 (Transcrito do FaceBook)

Vera Barreto no filme AMAXON

OpinArte Produção Artística 

Saudação ao artista

           Léo Ribeiro tem sua origem no recanto histórico das Minas Gerais, “São João Del Rei”. Talvez dali, tenha adquirido sua vocação contestadora, mas com a capacidade nata dos mineiros de serem conciliadores de extremos. Isso se reflete em seu trabalho no qual o artista agrega talentos de áreas diversas em função conjunta para realizar uma obra “multi mídia”, como é o caso do Filme de animação.
2    Se produzir dinheiro “capital” é honesto; por que quem o produz esconde o resultado: o produto.      Um imbecil ou um gênio; é sempre o foco da minha mira.
4    Sou susceptível demais ao belo para encará-lo de frente, por isso me esforço com afinco pra criar coisas belas fugindo assim das que já existem...
5    O disco AVA Diurno traz consigo uma gama de texturas sonoras que realçam o timbre particular da cantora. Com arranjos de extremo bom gosto o disco mescla canções autorais com alguns clássicos da MPB.
6    O   livro - Carnaval - O enredo criado sobre a viagem de uma adolescente a Recife é repleto de sonhos e fantasias. Com uma narrativa fluida o livro seduz o leitor em cada situação proposta pela autora, que se inicia maravilhosamente bem no mundo das letras que falam.
7    O belo olhar de Mariana de Moraes de Moraes sobre o tema FOTOGRAFIA do maestro Antônio Carlos Jobim.
8    SOBRE EDISON MACHADO (1934-1990) - A bossa nova trouxe os instrumentistas para o primeiro plano e alguns viraram estrelas do movimento como o baterista Edison Machado ( Tárik de Souza) Um dos mais importantes e esquecidos bateristas brasileiros, Edison Machado é considerado o inventor do samba no prato, foi ele quem começou a tocar samba e bossa nova usando cymbal e pratos. Figura central no surgimento da bossa nova, Edison participou do movimento que surgiu no Beco da Garrafas, demonstrando sua inventividade e técnica em importantes álbuns ao lado de músicos como Tom Jobim, Sérgio Mendes,Victor Assis Brasil, Elis Regina, Edu Lobo, Hélio Delmiro, Don Salvador, entre outros.

segunda-feira, 25 de junho de 2012


APELO AO PRESIDENTE EQUATORIANO 

O braço longo da nova Inquisição ameaça Julian Assange de extradição para os EUA. A sanha persecutória da CIA e dos serviços diplomáticos do governo Obama pressiona governos servis como o do Reino Unido e da Suécia a entregarem Assange. Valem-se para isso dos mais ridículos pretextos. 
O fundador da WikiLeaks acaba de pedir asilo político na Embaixada do Equador, em Londres. Assine o apelo ao Presidente Rafael Correa para que o asilo seja concedido. 
Para assinar clique 
aqui

ÚLTIMOS FATOS RETRATADOS

sábado, 23 de junho de 2012

CARTAS

ATENÇÃO


No próximo sábado, dia 23, irá ao ar, às 17h, pela Brasília Super Rádio FM, a ópera de rua AUTO DO PESADELO DE DOM BOSCO, de Jorge Antunes.
Programa “Vesperal Lírica”- produção de João Taveira.
No mesmo programa será apresentada a ópera Le Grand Macabre, de György Ligeti.
Você pode ouvir o programa ao vivo, pela Internet, cadastrando-se em
http://www.superfm.com.br/

RELEITURA

O GRAMÁTICO
Humberto de Campos

Alto, magro, com os bigodes grisalhos a desabar, como ervas selvagens pela face de um abismo, sobre os cantos da funda boca munida de maus dentes, o professor Arduíno Gonçalves era um desses homens absorvidos completamente pela gramática. Almoçando gramática, jantando gramática, ceando gramática, o mundo não passava, aos seus olhos, de um enorme compêndio gramatical, absurdo que ele justificava repetindo a famosa frase do Evangelho de João:

— No princípio era o VERBO!

Encapado pela gramática, e às voltas, de manhã à noite, com os pronomes, com os adjetivos, com as raízes, com o complicado arsenal que transforma em um mistério a simplicíssima arte de escrever, o ilustre educador não consagrava uma hora sequer às coisas do seu lar. Moça e linda, a esposa pedia-lhe, às vezes, sacudindo-lhe a caspa do paletó esverdeado pelo tempo:

— Arduíno, põe essa gramatiquice de lado. Presta atenção aos teus filhos, à tua casa, à tua mulher! Isso não te põe para diante!

Curvado sobre a grande mesa carregada de livros, o cabelo sem trato a cair, como falripas de aniagem, sobre as orelhas e a cobrir o colarinho da camisa, o notável professor retirava dos ombros a mão cariciosa da mulher, e pedia-lhe, indicando a estante:

— Dá-me dali o Adolfo Coelho.

Ou:

— Apanha, aí, nessa prateleira, o Gonçalves Viana.

Desprezada por esse modo, Dona Ninita não suportou mais o seu destino: deixou o marido com as suas gramáticas, com os seus dicionários, com os seus volumes ponteados de traça, e começou a gozar a vida passeando, dançando e, sobretudo, palestrando com o seu primo Gaudêncio de Miranda, rapaz que não conhecia O padre Antônio Vieira, o João de Barros, o frei Luís de Sousa, o Camões, o padre Manuel Bernardes, mas que sabia, como ninguém, fazer sorrir as mulheres.

— Ele não prefere, a mim, aquela porção de alfarrábios que o rodeiam? Então, que se fique com eles!

E passou a adorar o Gaudêncio, que a encantava com a sua palestra, com o seu bom-humor, com as suas gaiatices, nas quais não figuravam, jamais, nem Garcia de Rezende, nem Gomes Eanes de Azurara, nem Rui de Pina, nem Gil Vicente, nem, mesmo, apesar do seu mundanismo, D. Francisco Manuel de Melo.

Assim viviam, o professor, com seus puristas e Dona Ninita com o seu primo, quando, de regresso, um dia, ao lar, o desventurado gramático surpreendeu a mulher nos braços musculosos, mas sem estilo, de Gaudência de Mianda. Ao abrir- se a porta, os dois culpados empalideceram, horrorizados. E foi com o pavor no coração que o rapaz se atirou aos pés do esposo traído, pedindo súplice, de joelho:

— Me perdoe, professor!

Grave, austero, sereno, duas rugas profundas sulcando a testa ampla, o ilustre educador encarou o patife, trovejando, indignado:

— Corrija o pronome, miserável! Corrija o pronome!

E, entrando no gabinete, começou, cantarolando, a manusear os seus clássicos...

sexta-feira, 22 de junho de 2012

JÁ LI ESSE LIVRO!

UM POEMA E UMA REFLEXÃO DO POETA E MÚSICO JOSE VIEIRA


POEMA MISERÁVEL
A vida me jura de morte
Enquanto ao fundo
Minha sombra me cura

O TEMPO DA ARTE E A REVOLUÃO SOCIALISTA

INTRODUÇÃO

Este texto retrata, com poucas palavras, direto ao fato, toda uma época vivida por uma geração que foi massacrada pela violência feroz de animais famintos de sangue e de poder. Alguns, principalmente artistas-intelectuais rebeldes e revolucionários, que se colocaram à margem do sistema, continuam ainda encurralados pela força do capital, pela ganância dos poderosos e pela soberba das famílias que dominam a mídia escrita, falada, televisionada e de todas as formas de produção e divulgação da nossa matéria cultural que seja essencialmente libertária... Só têm vez, neste mundo globalizado, aqueles que (se) servem ao sistema e ao poder estabelecido por uma casta de afortunados.

PREFÁCIL
José Vieira

Deixo aqui o texto redigido sobre a obra “Revolução Permanente” de Leon Trotsky por um senhor de 65 anos que me induz a seguinte reflexão: - Por que a maioria dos artistas, pensadores, filósofos remanescentes de outras gerações, mesmo tendo passado por períodos de drásticas e turbulentas transformações, ainda hoje se mantêm inquietos? Por que mantêm ainda a incessante busca pelo ideal inatingível do pleno ser, não só como indivíduo, mas como ser social, nunca admitindo um em detrimento de outro? Por que ainda hoje, mesmo contendo uma porção menor de vida, se mostram mais dispostos a idealizar formas e conteúdos do que nós? “Por que se colocam mais atentos e com menor capacidade de aceitação, diante da primeira “solução fácil” ou fórmula mágica”, do que nós? Por que temos nós, dessa geração, a exacerbada capacidade de ignorar as questões mais fundamentais e delas nos isentar? Atemo-nos a situações corriqueiras de consequências não transformadoras e na maioria das vezes individuais. O coletivo é composto de indivíduos, se o indivíduo não é priorizado, o coletivo também não o será...

SOBRE A REVOLUÇÃO PERMANENTE DE LEON TROTSKY

Quando eu era adolescente e comecei a pensar que podíamos mudar o mundo, descobri que naquela época a maioria de nós, jovens filhos da burguesia que estudavam em colégios públicos – eram os melhores, tínhamos a tendência, a necessidade, de fazer algo, alguma ação, para apressar o sistema, o governo, a nacionalizar toda a economia do nosso país a cada dia mais massacrado pelos interesses mesquinhos e reacionários da política imperialista made USA, que o governo trabalhista do presidente Jango começava a combater com as reformas de base e a necessária estatização de algumas empresas estrangeiras, o regime do colonizador, não havia dúvidas políticas, havia sim uma rebeldia latente naquela nova geração. Alimentávamos a necessidade de conhecer e saber sobre as experiências históricas de transformação e sobre e uma nova maneira de viver e de ver o mundo e essa fome de lucidez levou-nos a conhecer e a freqüentar rodas boemias de intelectuais e líderes estudantis da cidade, onde se discutia horas, noites a fio, em um tempo sem fim, as histórias dos movimentos políticos de libertação popular. Já existiam tendências e preferências por um ou por outro líder revolucionário: Che Guevara, Fidel e a revolução cubana de 1958, eram o mote das intermináveis conversas. A União Soviética e a China de Mao eram à base da segurança e da possibilidade de internacionalização do socialismo. Um só sentimento nos unia quando o golpe militar de 1964 matou os nossos sonhos românticos. Era agora, mais do que nunca, preciso fazer a revolução no terceiro mundo a qualquer preço.Líamos todos os livros que chegavam as escondidas em nossas mãos. Uma polêmica interminável entre os mais velhos militantes era qual foram os motivos que levaram Stálin a expulsar do país, e depois mandar assassinar Trotsky e toda a sua família no exílio do México. Como isso podia ter acontecido? Com este insano ato punha-se em jogo todo o destino dos movimentos socialistas pelo mundo. Stálin era um doente egocêntrico, ou um déspota feroz assassino? Era um assunto complexo e confesso que não conseguia entender mais profundamente o que havia passado. Não conseguia encontrar nenhum livro que me desse às respostas que a minha devoção pela justiça pedia. Só quando surgiu o filme de Joseph Losey “O Assassinato de Trostsky”, é que eu comecei a entender o que havia de fato acontecido com o genial pensador socialista. Em 1977 consegui comprar o livro que eu mais procurava. Livro fundamental para compreender o pensamento deste homem de luta, deste intelectual amigo de Breton, deste guerreiro que havia juntamente com Lenine feito a revolução russa de 1917 e que deveria substituí-lo. Livro que teorizava sobre as contradições do estado socialista e da necessidade de por em prática nas bases populares, entre o proletariado e o campesinato a sua revolução permanente. Acabei de relê-lo e digo a todos vocês que ainda vale à pena compartilhar o meu pensamento com esse grande homem que foi Leon Trotsky.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

MINAS IMPERDÍVEL

Hoje, 21 de junho, o extraordinário escritor brasileiro Machado de Assis (1839) estaria completando 173 anos.


HOJE SHOW AVA  no Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte- Local: Parque Municipal - Ponto de Encontro
Dia 21 de Junho - Quinta Feira 19:30/ 01:00
                                                    Emiliano Sette - Nana Carneiro - Ava Rocha - Daniel Castanheira

 NELSON EM OURO PRETO

Digital, 13 min, cor, 1994/2012
O cineasta Nelson Pereira dos Santos em visita à histórica cidade de Ouro Preto. Participações: Carlos Bracher e Anemary Soares. Direção e Fotografia: Fábio Carvalho. Montagem: Isabel Lacerda

 
ATENÇÃO CINÉFILOS!
(RECEBIDO POR EMEIO)

Olha o treiler do nosso documentário no you tube
Além de ser uma pesquisa inédita sobre a história e cultura brasileira nos
últimos 400 anos, realizada em cinco estados (MG, RJ, BA, PE e AL - veja release abaixo)
o documentário apresenta uma nova linha narrativa para o gênero, desenvolvida com conceitos semióticos.Nesse filme estou trabalhando com uma proposta narrativa documental, a
qual estou nomeando como multinarratividade filmica.

http://www.youtube.com/watch?v=rZVX2Qh4nFM&feature=g-upl

quarta-feira, 20 de junho de 2012

RIOMAISVINTE

AMAXON

VÍDEO REALIZADO (por Noilton Nunes) PARA A TV CÚPULA DOS POVOS QUE JÁ ESTÁ SENDO EXIBIDO NOS TELÕES DO ATERRO, DO RIOCENTRO E NA WEB.

COM A FINALIDADE DE ALIMENTAR O DEBATE SOBRE COMUNICAÇÃO NO BRASIL. BOM PROVEITO.
http://www.youtube.com/watch?v=9ZRibgkHUfk&feature=youtu.be


Viramos robôs de fazer dinheiro, critica Nobel da Paz na Rio+20

DENISE MENCHEN

DO RIO

Para o ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2006, Mohammad Yunus, o ser humano se tornou um "robô de fazer dinheiro" -- e essa obsessão o está impedindo de enfrentar de forma adequada desafios como a erradicação da pobreza.

Fundador do Grameen Bank, que contribuiu para a inclusão social de moradores de comunidades carentes de Bangladesh ao conceder a eles acesso ao microcrédito, o "banqueiro dos pobres" falou rapidamente com a Folha no fim da tarde desta segunda-feira (18), após participar de uma sessão dos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável, evento que integra a programação da Rio+20.

Yunus se mostrou cético em relação aos resultados da cúpula de chefes de Estado na conferência, mas disse que ela é importante para promover a troca de ideias entre a sociedade civil. "São os indivíduos, especialmente os jovens, que podem levantar as questões que não aparecem nos textos [das negociações]", diz.

Confira a entrevista:

Folha - O tema da erradicação da pobreza é um dos principais em discussão na Rio+20. O senhor acha que a questão está sendo tratada de maneira adequada nas negociações?

Mohammad Yunus - A estrutura econômica básica que temos hoje não contribui para acabar com a pobreza. Foi essa estrutura que criou a pobreza, e ela não pode solucioná-la. Eu sempre enfatizo que a pobreza não é criada pelo pobre; ela não é culpa da pessoa. Ela é culpa do sistema. Por isso precisamos de um sistema alternativo.

O sistema atual é fortemente baseado no dinheiro, tudo gira em torno de fazer dinheiro. A gente se tornou uma espécie de robôs de fazer dinheiro. Esquecemos que somos seres humanos. Então precisamos redescobrir a nós mesmos, lembrar que somos seres humanos. O dinheiro é parte de nossas vidas, não é nossa vida. Quando percebermos isso vamos ser capazes de resolver as coisas.

Mas o dinheiro é justamente o tema central das discussões atuais na Rio+20...

Exatamente, e esse é o problema. Porque eles não conseguem pensar fora dessa estrutura. Alguém aqui citou a mão invisível que resolve todas as coisas. Eu digo que essa mão não é só invisível, ela não existe. É um mito que não resolve os problemas, mas a gente continua dizendo que vai resolver. Isso nos dá esperança, mas continua criando problemas.

O senhor acha então que conferências como a Rio+20 são perda de tempo?

Elas são muito importantes, porque é uma chance de as pessoas se encontrarem e pensarem sobre o mundo que elas querem para si mesmas. Porque os governos vêm com seus textos já preparados e ficam tentando empurrar esses textos uns para os outros. Eles ficam presos a suas posições. São os indivíduos, especialmente os jovens, que podem levantar as questões que não estão incluídas nesses textos. É aí que as coisas começam a acontecer.





terça-feira, 19 de junho de 2012

INTERREGNO

O PERIGO DA CRENÇA NO HUMANO E A LIÇÃO DE NIETZSCHE                                                   Mauro Julio Vieira (tribuna da imprensa)
O princípio da desvalorização de si mesmo ou pior, da própria anulação e submissão ao próximo, começa com a crença no humano. Todo cuidado é pouco com o humano, demasiado humano. Nascemos com mecanismos de nos relacionar com a verdade: os sentidos. Mais instintos visíveis e invisíveis, como por exemplo a ambição, a competição, o medo, a cautela etc. É o corpo e suas determinantes. Biologia de milhões de anos. Antes do advento da mente, da fala e das palavras o Homem, animal que é, vivia a verdade como qualquer outro animal ainda hoje. Depois disso, com a mente, vieram as mentiras. As ilusões. E por aí vai até o auge delas com as filosofias criadas nos séculos XVIII e XIX e que deram origem a teorias da salvação da humanidade como o socialismo. Nieztsche, dessa época, foi a exceção e percebeu também como Shakespeare, que existiam mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia. Percebeu a complexidade humana e sua grande parte indecifrável. Por essas e outras, humilde, evitou criar filosofias e até se denominou um antifilósofo, dedicando todo o seu trabalho a demonstrar que as religiões e ideologias, cuja essência é a mentira, só têm um fim: a escravização de um humano pelo outro.                                                                         
Oswaldo Goeldi                                                                                                               

Trazido à luz

Por  Marina Vaz                                                                                                                                                                                                   Mostra reúne 250 obras, entre gravuras e desenhos produzidos a partir de 1920 - Cenas melancólicas dominam as gravuras de Goeldi - Nem mesmos as cores que aparecem cá e lá nas xilogravuras de Goeldi (1895- 1961)são capazes de lhes tirar o ar pesado, melancólico. Elas o amenizam, claro – são momentos de leveza em meio às grandes áreas pretas, feitas a partir das matrizes de madeira talhada. Estão no guarda-chuva do homem solitário, na calçada diante de casarões tenebrosos, na saia da mulher sonâmbula. Cenas que a exposição Oswaldo Goeldi: Sombria Luz reúne em cerca de 250 obras. Na maior mostra já feita sobre o artista carioca, estão gravuras e desenhos produzidos por ele a partir da década de 20 – momento em que Goeldi se tornou Goeldi, como define o curador Paulo Venancio Filho. Nos trabalhos, é possível identificar diferenças entre ele e os outros expressionistas. “Goeldi usa elementos mínimos, não é panfletário nem sentimental; suas obras têm certa sobriedade”, observa o curador. Ainda assim, explora temas recorrentes entre os artistas do movimento, como a tensão entre a vida e a morte.Em relação ao modernistas brasileiros, Goeldi também destoou. Ao retratar a vida urbana do Rio de Janeiro e de seus personagens, revelou um lado mais obscuro do País – um “Brasil subterrâneo”, como diz Venancio. “Ele é uma nota dissonante dentro do modernismo, que tende ao tropical, ao exuberante; e talvez o lado revelado por Goeldi seja mais verdadeiro. Depois de desvendar a trajetória do artista ao longo de quatro décadas, você pode ainda saber mais sobre o ambiente em que elas foram produzidas. Na Sala Paulo Figueiredo, o ateliê que ele mantinha em seu apartamento no Leblon foi reconstituído. Objetos pessoais, fotografias, cartas e documentos foram espalhados pelo espaço, com a ajuda de sua sobrinha-neta, Lani. É mais uma forma de revelar outra faceta de Goeldi – que, até então, era tão obscura quanto suas obras.
ONDE: MAM. Pq. do Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3, 5085-1300.
QUANDO: 10h/17h30 (fecha 2ª). Até 19/8. 
QUANTO: R$ 5,50 (dom., grátis).

segunda-feira, 18 de junho de 2012

UMAS E OUTRAS


COMEMORAÇÃO
Amanhã, segunda-feira, a atriz Maria Gladys estará recebendo, juntamente com o ator Tonico Pereira, a medalha Tiradentes na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro das mãos do Deputado Roberto Henriques. Vai ser uma noite de festa. Logo após as medalhas iremos todos a pré-estreia do filme do Claudio Assis: ”Febre do Rato”, onde Maria,segundo dizem, dá um show de interpretação. Para fechar a noite uma grande festa na Comuna do Botafogo. É o bicho vai pegar!...
RIOMAISVINTE
Os poderosos estão chegando. A cidade está tomada de forças policiais. Continua a embrulhação, a mentira, o engodo, e nada vai ser realmente resolvido pelos governos dos países ricos. Gasta-se milhões em festas, hotéis, comidas, bebidas, segurança,transporte e altas mordomias desnecessárias para um eco-acontecimento que mais uma vez se perde no vento quente dos trópicos.                                                                                                                       
 


O livro “O DIREITO DA HUMANIDADE A EXISTIR”, do líder da Revolução cubana, Fidel Castro, foi apresentado na Cúpula dos Povos, reunião dos movimentos sociais paralela à conferência Rio+20. O diretor de Meio Ambiente do Ministério cubano de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Citma), Orlando Rey, destacou que a obra recolhe uma seleção das reflexões de Fidel Castro sobre desenvolvimento sustentável e inclui seu discurso na Cúpula da Terra (Rio-92), vigente hoje ainda mais que há duas décadas. "A situação denunciada pelo líder da Revolução cubana nessa reunião e seu alerta sobre o perigo de extinção da espécie humana são mais atuais que há duas décadas", afirmou Rey.O diretor assinalou ainda que em escritos posteriores - que aparecem no livro - Fidel Castro se referiu a sua intervenção na Rio-92 e indicou que então se pensava que havia mais tempo, mas que agora a preocupação de Fidel é maior, porque sente que esse tempo está se acabando. Rey indicou que o autor também denuncia os responsáveis pela deterioração do meio ambiente: os padrões de produção e de consumo, impostos pelo sistema capitalista.O diretor de Meio Ambiente do Citma apontou que na obra aparecem também as análises e comentários de Fidel Castro sobre as reuniões mais recentes efetuadas no mundo relacionadas ao tema ambiental, e mencionou em particular a Conferência de Copenhague, na Dinamarca, em 2009. "Apesar da grave situação atual, Fidel Castro transmite-nos em seu livro uma mensagem otimista quanto a que outro mundo melhor é possível e que ainda a espécie humana tem potencialidades para reverter as enormes dificuldades que enfrenta hoje", sustentou Rey.Os participantes coincidiram em ressaltar a vigência do alerta do líder da Revolução cubana sobre o perigo de extinção sob o qual o sistema capitalista tem colocado a humanidade. (Prensa Latina)
QUANDO ANALISO A CONQUISTADA FAMA                                   Walt Whitman


Quando analiso a conquistada fama dos heróis e as vitórias dos grandes generais,
não sinto inveja desses generais nem do presidente na presidência                                                                                                                nem do rico na sua vistosa mansão;                                                                                                                                                                                     mas quando eu ouço falar do entendimento fraterno entre dois amantes, de como tudo se passou com eles,de como juntos passaram a vida através do perigo, do ódio, sem mudança por longo e longo tempo atravessando a juventude e a meia-idade e a velhice sem titubeios, de como leais e afeiçoados se mantiveram— aí então é que eu me ponho pensativo e saio de perto à pressa com a mais amarga inveja.                                                                                                                              

domingo, 17 de junho de 2012

POESIA E CONCURSO


Para Maiakovski 
Jose vieira

Que me desculpem os Reis da falácia
Sacripantas da patifaria
Capciosos em pensamento vil
Magos da moral alheia sobre a qual
Não podem ver-se acuados no abismo torpe da hipocrisia.

Que se calem na boca do meu canhão
Pois só aqui vos falo o que em minha boca grita,
só aqui eu morro do que pode me matar;

Amoral burguesa



CONCURSO

Ganhe um DVD do "AUTO DO PESADELO DE DOM 
BOSCO", ópera de rua do maestro Jorge Antunes no
1º Concurso "PESADELOS DOS POVOS"
Leia o regulamento do Concurso no blog :

http://jorgeantunespsol.blogspot.com.br/

sábado, 16 de junho de 2012

ARTE POÉTICA

Bigode Alado

Emiliano Sette

O bigode são duas asas
Pra levar pro céu bem longe
Dos olhos que estão tão perto
Da cara que não se enquadra
No retrato de estar errado ou certo

O corpo esgueira na multidão da Lapa
Empurrando o muro
Esmurrando a faca
Na boca urrando aos berros
Quixote encaixotando cervejas de garrafas

Os pés dão risadas
Dançando no frenesi da idade
Da moçada que não é fácil
Calçada é palco
Ritmo do ruido
Que se faz quando se pensa alto

TUDO PODE SER ARTE. E NADA O É. O que é arte? O que é ser artista? Que história você tem para contar com sua arte?
Paulo Laender
http://www.domtotal.com/noticias/detalhes.php?notId=457409


Para A MARX “com carinho”

Capital

Verme que corrói o ser de quem não é
Que de fato não gera o prazer de gerar
Só a ele ele agrada na falta de amar.

José Vieira 13 junho 2012

Carlos Reichenbach
O cineasta Carlos Reichenbach morreu na tarde de hoje em São Paulo. Carlão (como era conhecido por todos no meio do cinema) acabara de completar 67 anos exatamente no dia de hoje, 14 de junho de 2012. Reichenbach deixa um legado de filmes, textos e muitas ações como incentivador e divulgador do cinema e da cultura. O diretor também foi professor de cinema na ECA – USP durante muitos anos. Carlos Reichenbach nasceu em Porto Alegre mas viveu toda sua vida na cidade de São Paulo, cenário de suas principais obras e local em que participou de diversos movimentos de vanguarda como o Cinema Marginal e as experiências mais autorais do cinema da Boca do Lixo. Premiado nos principais festivais do país, como Brasília e Gramado, Reichenbach teve sua obra reconhecida internacionalmente e chegou a ser tema de uma mostra com seus filmes no prestigioso Festival de Roterdã, na Holanda, nos anos 80. O mesmo festival holandês apresentou em sua última edição, realizada no início deste ano, uma cópia restaurada de “Liliam M – Relatório Confidencial”, de 1975, um dos principais filmes de Carlão.Carlão deixa 22 filmes assinados como diretor, 21 roteiros filmados e 38 películas em que dirigiu a fotografia. Seu último trabalho foi “Falsa Loura”, lançado em 2007. Entre seus principais filmes como diretor estão “A Ilha dos Prazeres Proibidos” (1979), “Império do Desejo” (1981), “Filme Demência” (1985), “Anjos do Arrabalde” (1987), “Alma Corsária” (1993) e “Garotas do ABC” (2003).Carlos Reichenbach era sócio da produtora Dezenove Som e Imagens ao lado de Sara Silveira e Maria Ionescu e apresentava, desde 2004, a Sessão do Comodoro no CineSesc, que exibia todo mês filmes raros e inéditos no circuito brasileiro. Reichenbach era casado com Lygia Reichenbach e deixa três filhos e uma neta.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

RELATOS REBELDES



SARTRE E SIMONE
(Texto enviado pelo poeta e músico Jose Vieira)

Uma história de vida fascinante e enlouquecida. Mentes brilhantes explorando o jogo dos sexos, confrontando a mentalidade hipócrita dos mortais e a oposição entre masculino e feminino. "Encontrar um marido é uma arte; Manter é um trabalho." (Simone de Beauvoir).

Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir foram, talvez, o casal mais influente do século 20. Eles nunca se casaram, mas juraram devoção mútua um ao outro com total liberdade, uma tentativa de derrubar a hipocrisia sufocante que, por tanto tempo, tinha ditado a vida das pessoas. Sempre empurrando novas fronteiras, eles exploraram os seus pensamentos em romances, peças de teatro e obras filosóficas. Ele ganhou o maior prêmio literário do mundo, o Prêmio Nobel. No entanto, ele se recusou a aceitá-lo porque pensou que faria dele uma figura estabelecida e, portanto, silenciar sua mente inquiridora. Ambos foram umas das mentes mais brilhantes que já existiram. Com inúmeros livros e sabedorias que nos ensinam até hoje. Ela, sua companheira ao longo da vida, pioneira do feminismo. Ele, um mito filosófico, um verdadeiro gênio.Suas vidas privadas eram totalmente experimentais. Simone de Beauvoir teve casos com homens e mulheres, enquanto Sartre, apesar de sua estatura atrofiada e vesgo, sempre foi cercado por musas adoráveis, felizes por cuidar de seu gênio. Quando morreu, em 1980, mais de cinquenta mil pessoas saíram às ruas de Paris. Mas isso não foi o fim da história. Sua influência continua até hoje, nos livros de sabedoria duradoura.

Por outro lado, Beauvoir se tornou uma figura emblemática do feminismo e da luta pela igualdade entre os sexos. Ela pregava seu ideal de independência feminista e da igualdade, evitando tais 'burgueses' conceitos como casamento e filhos, e reivindicando que as mulheres devem se comportar exatamente como os homens, a verdade é que tal estilo de vida a deixou amargamente infeliz e ela tornou-se obsessivamente ciumenta de incontáveis conquistas de Sartre.
Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir se conheceram como estudantes em Paris em 1929. Simone havia decidido se formar professora do ensino médio, uma posição apenas para as mulheres. Ela foi uma das primeiras mulheres a fazer os exames na Universidade Sorbonne de Paris. Sartre, três anos mais velho e impulsionado por um ódio de seu padrasto, era um ladrão e um adolescente rebelde, até que ele percebeu que os seus resultados escolares brilhantes o tornaram um ímã para as mulheres. Na Sorbonne, Sartre gostava de chocar seus colegas. Em um baile, ele apareceu nu, em outras ocasiões, ele desfilou uma prostituta em um vestido vermelho. Mas quando conheceu a bela e jovem Simone estava em transe. Ela era tão inteligente quanto qualquer homem e, também desencantado com sua família burguesa, ela compartilhou o seu fascínio com o submundo de Paris. No último teste da universidade, em que ele passou em primeiro lugar, e ela em segundo lugar, Sartre propôs casamento. Simone se recusou, não por qualquer razão filosófica, mas porque ela estava dormindo com um de seus melhores amigos. E assim, em 1 de outubro de 1929, Sartre sugeriu seu pacto: eles teriam um amor permanente "essencial". Eles juraram fidelidade, um ao outro, mas teriam casos em um relacionamento aberto.Até que durante a Segunda Guerra Mundial, quando Sartre foi chamado, os seus jogos de sexo continuaram através de cartas.

Deixada para trás em Paris, Simone continuou a seduzir homens e mulheres, escrevendo as descrições excitantes de suas atividades para Sartre, que revelam sua crueldade e a vulnerabilidade de suas conquistas. Quando ele finalmente voltou a Paris, ele a ignorou completamente e foi morar com sua mãe. Simone jogou-se no trabalho e, depois de uma visita pela América em 1947, escreveu seu livro mais importante, O Segundo Sexo.

Os americanos não gostavam dela, ela bebia, zombavam de suas roupas e perceberam que ela não gostava das faces insípidas das mulheres americanas que faziam de tudo para agradar seus homens. Porém a mulher americana que ela realmente não gostava era, naturalmente, a sua rival: Dolores Vanetti.
E foi para se vingar de Dolores e Sartre que ela caiu na cama com o escritor Nelson Algren. Os dois tinham muito em comum. Algren era um boêmio, um rebelde, um esquerdista e bebia tanto quanto Simone. Quando Simone descobriu a união de Sartre e Dolores, atordoada pela sua rejeição, se deixou levar por Algren. Ela tinha 39 anos, sem um amante durante muitos meses, e agora, pela primeira vez em sua vida, ela se apaixonou. Algren lhe comprou um anel de prata barata que ela usaria pelo resto de sua vida. Mas ele não estava preparado para a fidelidade de Simone a Sartre. Embora ela professou em muitas cartas que ela o amava apaixonadamente, ela não deixaria Jean-Paul. Simone e Sartre continuaram a se comunicar por cartas, depois encontros e escapadas. Eles nunca se abandonaram. Mesmo ambos terem relações sólidas e passageiras, a amizade e a admiração pela mente os uniam."Eu sou muito gulosa", escreveu ela. "Eu quero tudo da vida, eu quero ser uma mulher e ser homem.”

Após sua morte, Sartre foi deixado sozinho com Simone no hospital, e ela se se deitou sob o lençol para passar uma última noite com ele. Foi então que ela escreveu o seu epitáfio para o túmulo niilista que acabaria por partilhar, desolada - "Sua morte nos separa, minha morte não nos reunirá".

Finalmente, ela seguiu seu próprio caminho, mas em seu coração, sabia que seguia sozinha apenas por ter vivido além dele.