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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O CONTO mais lido no Kynoma



O VELHO ALEPH

Clara noite.

Lua cheia.

Deserto.

Silêncio.

Nada se move.

Nada está vivo.

Nas areias (prateadas pela luz)

Há sombras (nas carcaças)

Soterradas.

No horizonte, na contraluz da lua que morre, pode-se notar o sutil movimento da areia nas dunas distantes. Pode-se ouvir chegando o som do vento assobiando, vindo em velocidade, acompanhando a intrépida tempestade, contornando as dunas como um rastilho de fogo aproximando-se perigosamente.

Uma grande tenda negra armada no deserto. No se interior existe um único ambiente. Um grande cenário iluminado por um labirinto de néon. As paredes que dividem o espaço são compostas por vários panos pintados sobrepostos uns aos outros. Universo teatral. Ali caminha um velho enigmático homem pelas mil e uma noites do seu estranho mundo.

Neste cenário, todo traçado em labirintos disformes, sobressai os grandes panos pintados em azul, vermelho e verde, misturados às telas brancas e pretas, desenhando os corredores dos salões deste ambiente futurista.Todas essas mil e uma telas de grandes proporções encontram-se no infinito de suas perspectivas formando um túnel sem fim de luzes e cores.

Só e usando óculos de lentes espessas e verdes é que podemos aproximar de uma janela pintada no grande cenário. Brilhava a luz solar, atômica, por trás do cenário. Era preciso pegar no fecho de luz virtual para abri-la. Observa-se então o movimento da velha mão enrugada, branca e lenta. Lá fora, vinda do deserto azul, cortando o cenário, uma faixa da intensa luz amarela invade a janela.

O rastilho de fogo reaparece refletido nas lentes dos óculos fundo de garrafa. O velho, balançando a cabeça, para um lado e para o outro, desaprova o que havia observado na janela. Com os olhos fundos e cansados ele olha com pouco interesse para a tela azulada do monitor de tevê que está à sua frente.

Aquela era uma das muitas televisões ali espalhadas, era a maior entre as dezenas de telas que se interligavam, dividindo imagens e informações, formando uma grande rede de computadores e monitores.

Um rosto pálido, simpático, jovem, dividido em pedaços de luz, entra em todos os monitores. Um mosaico humano de formas digitais. O velho, que cultiva a barba e longos cabelos brancos, ao ver todos aqueles monitores com um rosto frio olhando em sua direção, sofre uma mutação: O velho, agora iluminado, vira o rosto amargo e passa a observar o piso do chão quadriculado. Olhando para o tabuleiro preto e branco, expressando ânsia de vômito, transtornado, vomita uma luz esverdeada. As luzes de néon apagam-se. Então ele se levanta apressado e corre tonto, torto, para um canto do labirinto escuro. Nervoso acende a luz de uma forte luminária clareando de amarelo o canto do cenário. Aproximando-se rapidamente das cores espalhada nos telões e a elas se misturando, o velho homem enlouquecido nos labirintos que formam juntos corredores de sombras multicoloridas em um espaço infinitamente branco. Estas sombras transformam-se em um quadro de luz repleto de frases, citações, aforismos, todas elas escritas e impressas no ar com letras e tintas de várias cores e tamanho. O velho observa com atenção aquelas frases que vão surgindo no espaço num gravitar mágico formando nuvens de letras. Entre algumas datas famosas, umas se destacam das outras. No outro canto da sala, está empilhado, como se fosse uma escultura cibernética, uma série de aparelhos eletrônicos, monitores e velhos computadores. Todos eles estão ligados e funcionando. No fundo, em uma torre alta decorada com pequenas luzes que piscam sem parar, funciona um grande ventilador de longas hélices girando em velocidade. Em outro cenário, os telões são pintados com desenhos de linhas geométricas que formam, no seu conjunto, perspectivas clássicas gregas, dando um sentido de profundidade às paredes distorcidas do pequeno quarto. O velho, este estranho ser, retira com cuidado da grande torre de luz que alimentam os computadores, com suas mãos trêmulas e enrugadas, uma fina placa de ouro. Sua pele branca, muito fina, carcomida pelo tempo, vai tornando-se aos poucos avermelhada. E seus olhos, antes opacos, brilham como que a vida, a luz e o calor, voltassem novamente ao seu corpo quase morto.

As luzes da torre, uma a uma, vão se apagando. O grande ventilador vai perdendo a velocidade e o movimento de suas pás torna-se lento. Suas veias, roxas e salientes, vistas nos mínimos detalhes, injetadas de sangue, saltavam-lhes aos olhos como se fossem explodir. O fenômeno acontece por todo o seu corpo. O calor aumenta. O sangue pulsa. Os seus dedos afilados, com largas unhas esculpidas no marfim, delicadamente pegam o charuto apagado levando-o até à boca avermelhada. Tudo agora em volta do cenário nos parece muito mais velho. Teias de aranhas mortas se espalham pelas pesadas curvas do teto da tenda de lona negra. O rosto do velho homem está se deformando. O monitor que está à sua frente continua funcionando. Na tela o número 3010 se transforma no número 2010.

O velho torna-se um pouco mais jovem, saboreando o momento reacende novamente o charuto apagado e comemora a mudança das datas, timidamente, esboçando um sorriso. Aproveita para esticar as pernas e saborear a fumaça daquele que parece ser a sua última tragada. De repente muda de posição em direção à mesa, pega no teclado e com firmeza, com uma rapidez espantosa, passa a digitar as teclas do computador que está à sua frente.

A voz perdida, baixa e grave do velho, acompanha o diálogo impresso na tela do monitor:

- Estamos retornando um milênio e fumo esse charuto apagado pela milésima vez. Não desejo a imortalidade, nunca a desejei, sei disso hoje e não vai mais adiantar mostrar-se no monitor com esse seu sorriso de que tudo vai bem, que hoje eu vou... Vou morrer no deserto e me libertar para sempre de você... (O rosto no monitor tenta falar, mas não se ouve a voz)... Você pode falar à vontade que não estou te ouvindo, aqui o silêncio é mortal. Esta situação tornou-se insuportável. Não quero mais me comunicar, não quero mais receber mensagens, não quero mais esse pesadelo. Tenho esse direito... Por mais que eu me afaste desse tormento, mais ele vem ganhando terreno. Porra chega! Hoje o merda aproximou-se um pouco mais... sinto à sua vinda, o seu cheiro de enxofre, sua energia é o seu mal. Vendo você estampado no último monitor que deixei ligado, tenho ânsia de vômito e o meu ser e os meus sentidos perdem-se num deserto de maldades... Hoje é a última vez que escrevo nesta merda. Não! Não quero mais escrever as minhas experiências para depois vivê-la. Não acredito em nada disso... Sei bem quem você é... Você me fez perder a noção do tempo - já não sei quem eu sou e nem o porquê permaneço aqui. Quero apenas morrer. Esquecer tudo. Partir para sempre. Desliga-se o monitor. A escuridão total. O mais profundo silêncio.

domingo, 27 de janeiro de 2013

UM PONTO UM CONTO



PRISIONEIROS DA ARTE
José Sette

Sobre fundo negro algumas explosões de luzes e imagens. Cenas de tiros trocados por policiais e marginais na noite escura dos morros; os clarões provocados pelo movimento nervoso das luzes de várias lanternas; o fogo mortal das metralhas nos detalhes de uma guerra cruel; os rostos assustados da equipe de vídeo que trabalhava no local. Acuado entre policiais e bandidos, a repórter registra em sua câmera de vídeo às muitas cenas de violência e de terror que ali ocorrem. Dia amanhecendo, o sol entre as pedras históricas, a serra e as montanhas que o circundam assoberbam o oceano atlântico. Do alto dos quadros expostos da arte brasileira se podem observar os interiores, os detalhes dos ateliês dos artistas plásticos escolhidos para representarem os seus personagens nesta ficção, com suas cores, objetos, pincéis e quadros multicoloridos. Detalhes do interior das prisões onde estão detidos os presos, todos adolescentes. Campo de concentração. Muros do Presídio. Uma repórter de tevê está de frente dos altos muros de uma penitenciária: - Este é o retrato cruel do nosso sistema penal. Um fotógrafo entusiasmado: - Como, com encanto e arte, os nossos artistas e intelectuais podem ajudar aos jovens excluídos? – Como menores marginalizados, mal formados socialmente, sem nenhum tipo de informação cultural, desconhecendo por total falta de experiência existencial e cultural o mundo em que vive, podem tornar-se prisioneiros de alguma arte e através dela se libertarem?... Ela: - Este é o desafio que queremos fazer a todos vocês. Ele: - Este vai ser, sem dúvida, o nosso melhor programa! Acertar na mosca com cheiro do sucesso. Olhando o relógio: - Você está atrasada para o encontro! Ela sai sem se despedir e arranca em disparada. Ele entra no gabinete da empresa beijando a mão da senhora de cabelos brancos que está sentada atras de uma mesa cheia de telefones: - Como vamos todos? A senhorita está cada vez mais bonita... Passagem de tempo. Ele está sentado atrás de uma grande mesa onde se encontra três objetos: um telefone, uma câmera de vídeo, um livro de autoajuda.  Fumando um charuto ele escreve com uma velha caneta sobre um papel em branco. Frases soltas. Assim ele permanecendo distraído, mesmo quando fica à sua frente a jovem repórter. Ela então retira uma pasta e coloca o projeto sobre a mesa. Ele: - Fale-me destes artistas que se envolveram no seu novo projeto. Ela: - A proposta que eu tenho para esse grupo de artistas é colocar esses jovens excluídos da sociedade em contato com a arte brasileira, partindo-se do contato com o papel e as tintas - às artes plásticas - como parte de uma cultura que se pretende livre, achegando-se às palavras, desenhadas através do trabalho secular da formação dos textos tipográficos e assim estimulando-se parte do intelecto ainda em formação, a compreender, com encanto e arte, à sua época e o seu mundo. Ele: - Mas você não acha que já saímos a muito do século de Gutenberg e seus tipos móveis? Já saímos da renascença, do modernismo, do abstrato e vivemos um novo mundo, o mundo da eletrônica, da física quântica, do computador... É preciso ser prático e produtivo no mundo de hoje. Ela: - Você quer me pegar uma troça? Não vim até aqui para te propor um tratado acadêmico sobre a história da comunicação. Trabalho com reportagens perigosas, investigativas, você se esqueceu? Qual é o nosso momento histórico? Ou se é o novo ou se é o velho, pouco me importa. As injustiças continuam as mesmas e assim só conversando nós caminhamos para trás, para o problema, logo quando eu venho lhe falar do futuro e das soluções!  Ele: - Tudo bem! Gosto de suas idéias, das que eu li em seu projeto. Mas não vá comprometer nossa emissora com seus discursos panfletários. Lembre-se que o mundo, no despertar desse novo milênio, é ainda regido pelas leis da livre concorrência. Ela: - Acredite! Você não vai se arrepender, o programa é bom e será um sucesso... E não é dos aplausos dos miseráveis que se constitui a arte do fazer e do receber fortunas? Ele: - É realmente muito interessante essa sua idéia de envolver os artistas em seu projeto. Ela: - O programa será construído nas conversas diária, lúdica, com os criadores, os artistas e seus sonhos abolicionistas, libertários para com os meninos infratores. Então estando no ateliê, Ela pergunta a todo país: - Qual é o seu nome e o que representa para você viver, criar e conviver com as desigualdades sociais de uma grande cidade brasileira? Não obtém nenhuma resposta. Os meninos continuam presos atrás das grades. Ela então pergunta ao menino de rosto marcado pela tristeza: - Qual é o seu nome e por que você está preso? Detalhes das máquinas de impressão e da tipografia. Ela continua: - Qual é a cor, e qual é o som que você mais gosta? Você pode reproduzi-los? E depois pergunta para os psicólogos que trabalham com os adolescentes:- Como o senhor vê a situação dos menores presos à margem da sociedade? Não haveria outra maneira de reintegrá-lo socialmente? O menino então chora e conta a história de Hosana Frederico da Cruz, um menino brasileiro pobre que vive e mora na rua das grandes cidades. Todo mundo chora e roga a Deus para retirar de Hosana esse enorme flagelo. As máquinas de impressão começam a trabalhar. Cenas externas que documentam a narrativa do empregado. O Papel é impresso com tintas fortes. A volta dos meninos para a prisão. A prisão amontoada. As chaves. As grades. As camas. As celas. Ele para Ela: - A desumanização do mundo moderno é real. O sistema nega esta constatação. Os homens negam a sua desumanização, pois se dizem vocacionados a fazer o bem. Vocação negada, mas também afirmada na própria negação. Vocação negada na injustiça, na exploração, na opressão, na violência dos opressores. Mas afirmada nos anseios de liberdade, de justiça, de luta dos oprimidos pela recuperação de sua humanidade roubada. Os Prédios Públicos. O Juizado do menor. Os representantes do estado. Os Secretários. O Delegado de plantão e a polícia de rua. Os promotores, etc. Ela pergunta para um Juiz: - Senhor Juiz, quando o senhor julga um menor, em quais critérios, o passado da criança, o presente ou o futuro, o senhor se baseia para pronunciar a sentença? O trabalho humilde na agricultura de uma família pobre. A periferia da cidade e seus habitantes. Os catadores de lixo. Os meninos que pedem esmola com suas famílias. Os menores trabalhando na rua das grandes cidades. O parque gráfico frequentado pelos menores sobre a supervisão dos artistas ali presente. A repórter pergunta para os artistas: - Como está à relação de vocês com estas crianças, cite o nome de algumas delas e nos diga como você a vê? Cenas de mendicâncias pelas ruas. Detalhes de pessoas nos carros parados numa esquina e o medo estampado no rosto dos seus passageiros quando se aproxima deles uma criança, uma família esmolando. A senhora abre o vidro elétrico do seu carro último tipo e dá uma esmola a uma criança. A repórter: - O oprimido quer de volta a sua humanidade roubada pelo opressor e por isso, cedo ou tarde, irá à luta contra quem o fez desumano. Assim é que o poder dos opressores, quando se pretende amenizar ante a revolta dos oprimidos, quase sempre se expressa em generosidade passageira. Milagres econômicos, reconhecimento, empregos, tudo vai melhorar! Eles têm a necessidade, para que sua generosidade continue tendo oportunidade de realizar-se, da permanência da injustiça social. A ordem injusta é a fonte geradora, permanente, desta falsa generosidade que se nutre da morte, do desalento e da miséria... É como disse São Gregório: - “Talvez dês esmolas... Mas, de onde as tiras, senão de suas rapinas cruéis? Se o pobre soubesse de onde vem o teu óbolo, ele o recusaria. Ele te diria: não sacies a minha sede com as lágrimas de meus irmãos. De que vale consolar um pobre, se tu fazes outros cem?” Crianças pobres vendo aparelhos de televisão nas vitrinas da cidade. Gangue de moleques de rua fumando craque ou cheirando cola. Pequenos assaltos (criança rouba na rua a bolsa de uma senhora). Um assalto seguido de assassinato. Sangue, muito sangue no asfalto. Ela então pergunta para um juiz sobre os problemas carcerários do país: - Porque a cada dia aumenta a violência e aumenta a utilização de menores em práticas criminosas? Os menores que estão nas ruas e quando não são presos, cometendo pequenos delitos, são barbaramente sacrificados, assassinados. Quando são presos, busca-se nas prisões a solução para um problema que é social, cultural e não penal, pois não é a violência familiar, a miséria, a fome e a total ausência de garantia mínima de dignidade humana que leva esses menores às ruas, às drogas e à criminalidade.  Na gráfica alguns menores infratores trabalham com o desenho, com a gravura, descobrem as cores e a prática de impressão. Manipulam os tipos, construindo frases e pensamentos, vendo assim de pronto o resultado dos seus impulsos artístico impresso nas mais diversas formas. A repórter pergunta para os menores aprendizes: - Conte para nós o que você está achando de fazer isso aqui... Você está fazendo arte? Todos os menores falam sobre o que estão fazendo. A arte e o ser artistas os orientam. Ele, levantando-se de uma cadeira: - São muitas as questões que se sucedem! Desenvolverão estes jovens, um novo pensamento, uma nova moral, uma nova busca existencial, mais equilibrada e mais saudável? Como poderá influenciar o ser, o saber, o ver, a informação paradoxal que você quer passar, nesta nova realidade, numa mudança de atitude social desses meninos? Ela: - Só o tempo nos dirá. Chega de criança marginal, sem lei e sem alma! É com certeza isso que eu pretendo expor, estudar, concluir, na realização desse retrato cruel, desse retrato vivo de um Brasil já há muito esquecido, onde ainda podemos libertar um prisioneiro do sistema penal e transformá-lo tornando-o com um simples decreto um “Prisioneiro da Arte”. Ele: - Evidentemente, todos conhecem bastante bem a lei e eles estarão sempre dispostos a cumpri-la, à risca, mas você sabe que tudo pode quando se trata de salvaguardar os direitos dos poderosos o melhor é construir mais presídios... Já com relação aos pobres, esse é outro assunto, não é mesmo? Ela:- Já se constatou que a construção de novos presídios, até hoje não deu solução a outro grande problema: a superlotação, o que quer dizer promiscuidade, violência e corrupção. Quanto mais presídios, mais presos, mais superlotação, mais violência e mais corrupção. Precisamos modificar as leis e suas punições, mediante a aplicação real das penas sem prisão - as penas alternativas - as crianças e os adolescentes são os que mais sofrem este tratamento desumano, com a violação flagrante da Convenção Americana de Direitos Humanos, quando a internação é, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, o último recurso que se deve lançar mão. Ele: - O sistema penal, como método para prevenir o crime e ressocializar o criminoso, não fracassou em diversos países e em diversas épocas dos países civilizados. Ela: - Jamais se viu alguém sair de um cárcere melhor do que quando entrou, provando que o encarceramento do homem não o melhora, nem o aperfeiçoa, nem corrige a falha cometida, nem o limpa de culpa para um retorno à vida da sociedade que ele perturbou com sua conduta delituosa. Ele: - O sistema penal proclama os benefícios do efeito dissuasivo da punição, subscrevendo-se sob a política soberana do medo. Ela: - O sistema quando cria e reforça, de tempo em tempo, as desigualdades sociais, conserva a estrutura vertical de dominação e de poder pelo medo e isso não é justo e nós sabemos que só uma revolução social anticapitalista, futurista, anárquica, libertária, que seja feita pela e para a educação cultural, pode definitivamente tudo isso transformar.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

CURIOSO

    ETA CAVERNA COBIÇADA
A Maldição de Tecumseh, Maldição de Tippecanoe ou Maldição dos 20 anos

refere-se a uma maldição profética segundo a qual, a partir de 1840, os presidentes dos Estados Unidos da América que vencessem as eleições num ano terminado em zero (p.ex., 1840, 1860, 1880, etc.) morreriam durante o exercício do cargo.

Supostamente, a maldição teve sua origem na batalha de Tippecanoe, ocorrida em 1811 entre forças do exército dos EUA - sob o comando do posteriormente candidato presidencial, William H. Harrison -, e os Shawnee, tribo ameríndia liderada por Tecumseh e seu irmão Tenskwatawa, também conhecido como "O Profeta".

Registra-se que Tenskwatawa lançou-a públicamente contra Harrison e os futuros ocupantes da Casa Branca em 1836, enquanto posava para um retrato e os presentes discutiam o possível resultado das eleições:

"Harrison não ganhará este ano o posto de Grande Chefe. Mas ganhará da próxima vez. E quando o fizer não terminará o seu mandato. Morrerá no cargo."

Quando um dos presentes objetou que nenhum dos presidentes dos EUA. morrera durante o cargo, retrucou "O Profeta":

"Digo-vos que Harrison morrerá no cargo de Grande Chefe e quando ele morrer vós recordareis a morte do meu irmão Tecumseh. Vós credes que perdi os meus poderes, eu que faço escurecer o Sol e que os peles-vermelhas deixem a aguardente. Digo-vos que ele morrerá e, depois dele, morrerão no cargo todos os Grandes Chefes escolhidos a cada 20 anos. E quando cada um deles morrer, todos recordarão a morte de nosso povo."

A maldição foi rigorosamente cumprida até a eleição de Ronald Reagan em 1980, que não foi seguida de sua morte durante seis dois mandatos, apesar de que a poucos meses de tomar posse do primeiro, logrou sobreviver milagrosamente a uma tentativa de assassinato.

Cabe notar que, durante sua hospitalização, Nancy Reagan recorreu secretamente à ajuda de astrólogos, magos e indígenas feiticeiros, havendo informações de que um deles conseguiu romper a maldição.

O presidente seguinte na linha da maldição, George W. Bush, eleito em 2000, sobreviveu sem problemas a seus dois períodos presidenciais.

Até hoje, são os seguintes os presidentes incluídos na linha da maldição:

Eleição Presidente Mandato Causa da Morte Falecimento

1840 William Henry Harrison

Primeiro Pneumonia 1841

1860 Abraham Lincoln

Segundo Assassinado 1865

1880 James Garfield

Primeiro Assassinado 1881

1900 William McKinley

Segundo Assassinado 1901

1920 Warren Harding

Primeiro Não completamente esclarecido; possível ataque cardíaco 1923

1940 Franklin Roosevelt

Quarto Hemorragia cerebral

1945

1960 John Kennedy

Primeiro Assassinado 1963

1980 Ronald Reagan

Causa natural (pneumonia). Em 30 de março de 1981 sofreu uma tentativa de assassinato; foi o único presidente dos EUA atingido por uma bala no exercício do cargo que tenha sobrevivido. 2004

2000 George W. Bush Sobrevive
São também notáveis as coincidências entre as vidas de dois dos presidentes dos EUA atingidos pela maldição: Abraham Lincoln e John Kennedy

Abraham Lincoln foi eleito para o congresso em 1846

John Kennedy foi eleito para o congresso em 1946

Lincoln foi eleito presidente em 1860

Kennedy foi eleito presidente em 1960

Os nome Lincoln e Kennedy tem 7 letras

As esposas de ambos perderam filhos enquanto viviam na Casa Branca

Ambos foram baleados numa sexta feira

A secretaria de Lincoln se chamava Kennedy

A secretaria de Kennedy se chamava Lincoln

Ambos foram assasinados por sulistas

Ambos foram sucedidos por sulistas

Os sucessores de ambos se chamavam Jonhson:

Andrew Johnson, que sucedeu a Lincoln, nasceu em 1839

Lyndon Johnson, que sucedeu a Kennedy, nasceu em 1939

Os assasinos de ambos eram conhecidos por seus tres nomes:

John Wilkes Booth e Lee Harvey Oswald

Os nomes dos assasinos de ambos têm 15 letras

Booth saiu correndo de um teatro e foi apanhado em um depósito

Oswald saiu correndo de um depósito e foi apanhado em um teatro

Booth e Oswald foram assasinados antes de seu julgamento

Uma semana antes de Lincoln ser morto, ele estava em Monroe, Maryland

Uma semana antes de Kennedy ser morto ele estava em Monroe, Maryland

Lincoln foi morto na sala Ford, do teatro Kennedy

Kennedy foi morto num carro Ford, modelo Lincoln

(copilado por Mario Drumond em diversos sites da internet)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

NOTÍCIAS

Entrevista com meu amigo o escritor e produtor Yeyo LLagostera (em 3 partes)


http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=9JcGSF8Vw4E

Os EUA poderá espionar qualquer pessoa em qualquer parte do mundo

Estados Unidos - No final de 2012 renovou-se nos EUA a polemica lei que permite espionar cidadãos sem ordem judicial. Agora esta lei também autoriza a vigilância de qualquer cidadão do mundo cujos dados figurem em companhias como Google. Defensores das liberdades civis veem esta lei como um atentado à privacidade

A FISA foi aprovada em 1978 pelo mandatário estadunidense Jimmy Carter e tinha como objetivo estabelecer procedimentos para a vigilância física e eletrônica além de coletar todo o tipo de informação relacionada com cidadãos estadunidenses e residentes permanentes suspeitos de atividades de espionagem. No 2008 a FISA foi aprovada com caráter retroativo e no final do 2012 renovou-se até o 2017.

Os defensores das liberdades civis que advertem que esta lei é um atentado à privacidade dos cidadãos.

Segundo Caspar Bowden, ex-assessor chefe em matéria de privacidade de Microsoft na Europa e um dos redatores deste relatório, «a emenda criada outorga aos Estados Unidos um poder de vigilância em massa especificamente dirigida aos dados de pessoas não estadunidenses localizadas fora do país que utilizem serviços na nuvem».

Esta lei assinala que as empresas estadunidenses com presença na União Europeia podem ser obrigadas através de uma ordem secreta de vigilância -ditada à sua vez por um tribunal de forma secreta- a entregar dados que pertençam a qualquer cidadão europeu.

Segundo afirma Bowden, a maioria das agências de espionagem dos países controlam as comunicações em tempo real, como e-mails ou telefonemas, daqueles grupos sob suspeita com motivo da segurança nacional.

FISA, em troca, autoriza expressamente o controlo destas comunicações em tempo real e os dados na nuvem vinculados com sede no estrangeiro. Inclusive mais, já que permite que Estados Unidos possa obrigar os fornecedores de serviços na nuvem como Google a oferecerem os dados que requeiram dos utentes europeus (Koldo Landaluze)


Pesquisa mostra que 69,1% dos venezuelanos querem continuidade de Chávez

Uma pesquisa da consultoria International Consulting Services (ICS) feita na Venezuela mostrou que 69,1% dos entrevistados respaldam a continuidade do governo de Hugo Chávez e do regime bolivariano. Ainda segundo o levantamento, 75% confiam nas instituições do Estado.

A sondagem mostrou também que 25,7% dos entrevistados questionam a decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que declarou como legal a continuidade do governo do presidente da Venezuela e postergou o seu juramento para quando estiver recuperado do tratamento ao qual está sendo submetido em Havana (Cuba), por conta de um câncer na região pélvica.

O estudo chegou à conclusão de que a população venezuelana conhece os artigos da Constituição, especificamente o artigo 5, que diz que “a soberania reside intransferivelmente no povo”; e o 231, que explica a forma de posse e juramento do presidente eleito. “As pessoas leram a Constituição. Há um conhecimento claro da Carta Magna e uma conscientização política da população”, disse o coordenador do ICS, Lorenzo Martínez, entrevistado pelo canal privado de televisãoVenevisió

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Cabo Frio - Reflexãoes de um candidato do Psol

PREVIDÊNCIA SOCIAL É DIREITO DA CIDADANIA

Claudio Leitão

Uma intensa campanha tem se repetido no Brasil há quase vinte anos. Foi criada no início, pela direita conservadora, mas que, infelizmente, nos últimos anos vem ganhando adeptos também em setores que se diziam progressistas.
Estes segmentos costumam dizer que a Constituição de 1988 teria criado obrigações impagáveis e que torna-se necessário modificar sua essência populista e perdulária. O alvo é a Previdência Social e de forma mais abrangente todo o sistema da Seguridade Social. Políticas elitistas e privatistas tentam atacar um alargamento dos direitos sociais e da cidadania que a nossa Carta Magna traz em seu bojo, fruto do sangue e de muita luta por parte dos trabalhadores.
A Seguridade Social composta de Previdência Social, Assistência Social e Saúde, têm fontes de financiamento amplas e diversificadas, constituindo-se no segundo maior orçamento do setor público. O primeiro, infelizmente, é o pagamento dos juros da dívida pública, uma questão que sempre passa ao largo das discussões por que não interessa ao “status quo“ desenvolver qualquer debate.
Estes valores do sistema previdenciário acabam se constituindo em objeto de cobiça para os representantes do capital financeiro, escondendo lá no fundo, um desejo de ver a previdência privada crescer sob a falácia de um suposto déficit da previdência pública.
A Previdência Social não deve ser analisada isoladamente, e sim, todo o contexto da Seguridade Social que é seguramente superavitária, conforme mostraremos num artigo posterior.
A construção do discurso conservador que a Lei Maior criava obstáculos a administração pública ocorreu com o processo de financeirização da economia brasileira, a partir das seguidas crises iniciados nos Governos Sarney e Collor de Mello. Reformas urgentes na Seguridade Social eram a tônica destes discursos, fato que ocorre até hoje em pleno “ governo dos trabalhadores”. Processo inflacionário, âncora cambial, taxas de juros elevadas, liberdade do fluxo de capitais, elevado grau de abertura econômica, desregulamentação do sistema tributário, déficit no balanço de pagamentos, etc..., todos são problemas menores. Os ataques à Previdência são sempre limitados aos aspectos contábeis e atuariais, nunca levando em conta o seu caráter social e distributivo de renda.
O governo neoliberal de FHC foi o ápice destes discursos. Veio a primeira reforma, criando, inclusive, o fatídico “ fator previdenciário “, um mecanismo surrupiador de direitos conquistados. Criou-se a DRU – Desvinculação de Receitas da União, que permitiu ao governo retirar 20% de qualquer imposto ou contribuição e destinar ao Tesouro Nacional e alocar estes recursos ao bel prazer do governante.
PIS/COFINS, a extinta CPMF, CSLL, receitas de prognósticos lotéricos, dentre outros, que eram fontes de financiamento da Seguridade Social foram afetados e tiveram desvios de finalidade, e até hoje, ajudam a bancar o tal falado superávit primário.
Não tenho e nunca tive a pretensão de ser dono da verdade, apenas luto para que um tema como este possa ser de mais domínio por parte da população, principalmente, aquela que é mais afetada por este processo. Precisamos de mais educação e informação para o debate.
A superação deste modelo econômico exige luta política por parte dos diversos seguimentos da classe trabalhadora. É preciso fortalecer as conquistas dos movimentos populares do passado. A Constituição de 1988 e seu mecanismo de Seguridade Social são partes desta vitória. Previdência Social é um direito da cidadania e não prestação de serviços.
Depois ainda dizem que não existe direita e esquerda na política e que acabou a luta de classes. Respeito a opinião, porém democraticamente, não concordo.
“A história da sociedade até os nossos dias é a história da luta de classes.” (Karl Marx)
Cláudio Leitão é economista e membro da executiva municipal do PSOL em Cabo Frio.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

ASSIM CAMINHA O CINEMA

Transcrevo aqui carta do cineasta Sílvio Tendler para a ministra Marta

Suplicy, reproduzida no boletim Planeta Tela, de Celso Sabadin

"Ilustre Ministra,

Em primeiro lugar, parabéns por ter aceito o Ministério de Cultura do
Brasil, um dos países de maior diversidade cultural do Mundo. Considere um
privilégio e um desafio.

Me dirijo diretamente a Sra porque estou chegando às raias do desespero em
ter que enfrentar amarras e entranhas Kafkianas que tentam a qualquer custo
impedir que o cineasta exerça sua profissão com conforto e dignidade.

A todo momento temos que enfrentar, como se fosse uma gincana ou uma prova de esforço, algum entrave por parte de funcionários da Ancine que tentam a todo custo nos impedir de filmar. Desta vez trata-se de transportar para o Cinema e para a Televisão a adaptação de uma das maiores obras-primas da Cultura Universal que é o "Poema Sujo" do Poeta Ferreira Gullar.

Depois de ter perdido concurso de roteiro porque o funcionário parecerista
entendeu que o "povo brasileiro não gosta de poesia", finalmente consegui
vencer um concurso para fazer episódios para a Tv. Por meios próprios e com
o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro consegui os recursos para
além dos episódios de Tv, transformar num longa metragem, o Poema.

Cumprimos todas as etapas da burocracia da Ancine e nossa solicitação de
liberação de verbas deveria ser apresentada na próxima reunião de diretoria,
na primeira semana de janeiro. Tudo preparado, vencidos todos os obstáculos
de cartas, solicitações , carimbos, selos e estampilhas, ontem recebo por e-mail um ofício pedindo desculpas pelo mal-entendido mas que devido a "um
acordo operacional" entre a superintendência de fomento e de desenvolvimento econômico - responsável pelo FSA - da Ancine os recursos destinados à produção de programas televisivos não podem ser transformados também em filmes!!!!!!!!

Se me comprometo a entregar as emissões contratadas com a devida qualidade, o que pode me impedir de também transformá-las em filme?
Não existe nenhuma lei, decreto ou instrução que me impeça em otimizar
verbas mas simples acordos entre funcionários dispostos a barrar o cinema
brasileiro, custe o que custar. Temos farta documentação mostrando que o
processo caminhou conforme as solicitações dos analistas e que cumprimos
todas as exigências.

No meu entendimento trata-se da mais grotesca censura jamais aplicada a uma
obra de arte ou desejo que meu contrato que expira em março, não seja cumprido.

Socorro Ministra, ajude-me a vencer a burrice e a burocracia e que eu possa
fazer um bom filme, uma verdadeira "Canção do Exílio"!

Atenciosamente,
Silvio Tendler
Donde aproveito o ensejo e faço duas perguntas para a Ancine:
1- Num país que já viu Joaquim Pedro de Andrade transformar um belo poema de Drummond, "O padre, a moça" num dos mais belos filmes de nosso cinema, "O padre e a moça" (1965) - e considerando-se que qualquer tema, bem roteirizado pode virar um bom filme - por que a Ancine decide que não
interessa a ninguém um filme sobre poesia?

2- Escrevo esta mensagem algumas horas depois de assistir, na Globo, ao
último capítulo da minissérie "Gonzaga, de pai para filho", de Breno
Silveira - que antes foi filme para cinema.
E no fim do ano, a Globo exibiu outro filme transformado em minissérie,
"Xingu", de Cao Hamburger. E lembremo-nos do "Auto da Compadecida", que virou filme DEPOIS de ser exibida como minissérie na TV.

POR QUE A GLOBO PODE TRANSFORMAR FILMES EM MINISSÉRIES E VICE-VERSA, E O SÍLVIO TENDLER NÃO PODE?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

NOTÍCIAS NOVAS



O JARDINEIRO URUGUAIO

Mauro Santayana
O New York Times publicou, no fim de semana, um perfil do presidente do Uruguai, José Mujica. Não é a primeira vez que seus hábitos modestíssimos ocupam alguns importantes jornais do mundo. Mais instigante do que o estranho chefe de Estado e de governo, que doa quase todos os seus subsídios presidenciais aos pobres, e que cultiva crisântemos, é o próprio Uruguai, que chegou a ser comparado com a Suíça nas primeiras décadas do século passado.
A comparação foi injusta para com o Uruguai, embora o país meridional tenha servido também de paraíso fiscal para os meliantes de sempre: lavadores de dinheiro e ladrões de recursos públicos dos países vizinhos.
O Uruguai se destacou, na América Latina, pela coragem de um grande presidente, José Battle y Ordoñez. Quando o continente se encontrava sob a influência reacionária da Igreja Católica, ainda em 1906, o presidente, que era homem da poderosa oligarquia uruguaia (seu pai foi presidente da República e a família continuou poderosa até recentemente), mandou retirar os crucifixos dos hospitais, promoveu a legislação que instituiu o divórcio, e proibiu a evocação de Deus e dos Evangelhos nos juramentos oficiais.
Mais ainda: determinou o sufrágio universal, reformou, ampliando-o, o sistema de ensino, na confessada e obstinada decisão de construir uma poderosa classe média. Em seu segundo mandato, de 1911 a 1915, Battle se declarou contra o imperialismo, estabeleceu o seguro desemprego, com a lei de compensação contra a falta de trabalho, ao mesmo tempo em que acabou com os grandes monopólios privados, estatizando-os.
UM PAÍS PRIVILEGIADO
O Uruguai era, e continua a ser, país privilegiado pela fertilidade de suas terras, o que o fez um dos maiores exportadores de carne e de lã do continente. A população sempre foi reduzida, e urbana: no campo só ficavam os vaqueiros e os cultivadores de trigo. Isso favoreceu a evolução do país, e contribuiu para que a sua sociedade fosse a menos desigual do continente, até a onda golpista dos anos 60 e 70 na nossa América Latina, promovida pelos norte-americanos, e a adesão ao neoliberalismo.
Com os recursos obtidos no comércio internacional, o Uruguai foi o pioneiro no mais exitoso sistema de bem-estar social do hemisfério. A aposentadoria era precoce para os trabalhadores mais sacrificados, fosse pelas condições físicas da atividade, fosse pela sua pressão psicológica (como os pilotos de aviões, por exemplo).
José Mujica talvez exagere em seus hábitos, ao desprezar a residência oficial dos chefes de Estado e mesmo, como fez, usá-la como abrigo para os moradores de rua, que o neoliberalismo está produzindo em seu país. Mas, com isso, ele – como de alguma forma já fizera seu antecessor, Tabarez Vázquez – despe o poder de seus ornamentos costumeiros. Constantino, o grande imperador, vestia roupas novas e cobertas de ouro, todos os dias. Mujica, o antigo guerrilheiro tupamaro, que passou 14 anos preso, não usa gravatas.
Ao receber, em sua casa (sem empregados domésticos) o repórter que o entrevistou, Mujica ofereceu-lhe um trago de cachaça uruguaia, enquanto demonstrava a sua cultura, citando Spinoza. Lembrou uma passagem de Dom Quixote e Sancho Pança, que, hóspedes de pastores de cabras, bebem vinho e comem cabrito assado, com seus anfitriões, e observou que os pastores são os homens mais pobres da Espanha.
“Provavelmente, por isso mesmo, sejam os mais ricos”, completou o presidente, que é contra a reeleição, e pretende voltar a plantar flores, quando seu mandato terminar.

 

Empresa chinesa compra salas de cinemas nos EUA e vira líder mundial

Sílvio Guedes Crespo
A indústria americana de cinema, que está mais acostumada a se expandir rumo a outros países do que a ser engolida por concorrentes externos, teve nesse fim de semana uma experiência de inversão de papéis.
A AMC Entertainment, rede com 5.028 salas de cinema nos Estados Unidos e Canadá e público anual de 200 milhões de espectadores, foi comprada por um conglomerado privado chinês, o Dalian Wanda Group, por US$ 2,6 bilhões. A companhia americana é a segunda maior de seu país no setor; a chinesa é líder na Ásia e, com o negócio, tornou-se a maior rede de salas de cinema do mundo.
O grupo chinês disse que vai usar parte do dinheiro para pagar dívidas e ainda investirá mais US$ 500 milhões na empresa dos EUA, elevando o valor do negócio para US$ 3,1 bilhões.
O jornal Los Angeles Times notou que esse foi o maior investimento já feito por uma empresa chinesa na indústria de entretenimento dos EUA.
Normalmente, nesse setor o capital faz o caminho inverso: sai dos EUA e vai para a Ásia. Por exemplo, as americanas News Corp,Walt Disney e DreamWorks fizeram investimentos na China recentemente.
Para o LA Times, o negócio entre o grupo Wanda e a AMC vai aumentar o poder de barganha da China nas negociações com os estúdios de Hollywood “ávidos por se expandirem em um mercado de crescimento rápido como o chinês”.
Os grandes estúdios de cinema dos EUA tentam aumentar a exibição de seus filmes na China, país com 1,3 bilhão de habitantes. Porém, os chineses ainda têm restrições a esse movimento. Uma reportagem recente do New York Times informava que o governo dos EUA estava investigando pelo menos três empresas de Hollywood suspeitas de  subornar autoridades chinesas.

‘Filmes seguem a bandeira’
O investimento do grupo Wanda não representa simplesmente mais dinheiro no caixa de uma empresa asiática, mas, principalmente, a possibilidade de levar filmes chineses a outros países.
No anúncio oficial da compra da AMC, o grupo Wanda frisou que investe fortemente na indústria cultural, inclusive na produção de filmes. Agora, terá mais salas para exibir suas produções. Como já foi dito nos EUA, e o chineses certamente não ignoram isso, “films follow the flag” (os filmes seguem a bandeira), ou “aonde vão nossos filmes chegam nossos produtos“.

 


China se torna o segundo maior mercado de filmes do mundo


Os cinéfilos da China gastaram 17 bilhões de iuanes (2,7 bilhões de dólares) em ingressos de cinema no ano passado, transformando o país no segundo maior mercado de filmes do mundo, informou nesta quarta-feira a agência de notícias Xinhua.

As vendas subiram 30% desde 2011, informou a agência, citando a Administração Estatal de Rádio, Cinema e Televisão (SARFT) e ressaltando o rápido crescimento que há muito tempo atrai Hollywood, apesar das fortes restrições na China aos filmes estrangeiros.

Depois de anos de pressão, a China concordou em 2012 em aumentar o número de filmes provenientes dos Estados Unidos - que é o maior mercado de filmes do mundo - de 20 para 34 anuais, enquanto 893 obras nacionais foram produzidas no ano passado.

No entanto, os filmes estrangeiros geraram 51% das receitas, superando a venda de ingressos para filmes nacionais pela primeira vez em nove anos, e a parcela do cinema de Hollywood na China cresceu de 18% para 25%.
Mas Tong Gang, chefe do departamento de cinema na SARFT, disse à Xinhua que a porcentagem de filmes nacionais nas bilheterias "ainda excede as expectativas do mercado".

O vice-ministro da SARFT, Tian Jin, pediu em novembro de 2011 que os cineastas nacionais "aumentem a criatividade", afirmando que os filmes chineses enfrentavam grandes pressões e precisavam ser mais competitivos.

A China impõe regras estritas sobre quais filmes podem ser vistos pelo público, banindo tudo o que considera uma imagem negativa da política contemporânea ou questões que, segundo o governo, podem levar a protestos sociais.

Mas "Perdido na Tailândia", uma comédia de baixo orçamento chinesa, superou as expectativas em dezembro ao acumular 1,2 bilhão de iuanes (190 milhões de dólares) em um mês e se tornar o maior sucesso de bilheteria do país, disse a Xinhua.

 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

ANIVERSÁRIO

HOJE, 17 DE JANEIRO, É DIA DO MEU ANIVERSÁRIO - 1948 / 2013 / 65 ANOS - OBRIGADO A TODOS.




 Aqui está minha netinha NINA, o meu melhor presente neste dia de festa.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

INFORME-SE


LINK PARA TODOS OS FILMES DIGITADOS DE ROGÉRIO SGANZERLA.



Obs. Tudo muito bem, só não entendo o nome filmecos sganzerla (pejorativo) para designar a coleção de filmes.


Como são escolhidos os filmes que entram em cartaz?

Por ano são feitos aproximadamente 10 mil filmes no mundo, mas menos de 200 foram lançados no Brasil em 2002 - cerca de 2% do total. E a culpa não é só
da falta de mais salas de cinema, afinal, existem no país 1 600 delas. Um dos problemas é que a entrada em cartaz de uma fita badalada monopoliza o
mercado - apenas o filme As Panteras Detonando ocupou 300 salas. Por isso,para uma produção garantir vaga num cinema é preciso passar por uma grande peneira que fica nas mãos das distribuidoras, que compram o direito de comercializar um filme após ele ficar pronto, e dos exibidores, que são os
donos das salas. "O mundo do cinema é mesmo um mundo estranho. Para um filme entrar em cartaz, depende das negociações com o exibidor e da força do distribuidor", diz o cineasta Alain Fresnot, diretor do filme brasileiro Desmundo (2003).

Para se ter uma ideia da diferença que faz ser distribuído por uma grande companhia ou por uma de médio porte, basta dizer que Desmundo, que teve como
distribuidora a Columbia, uma gigante do mercado, entrou em cartaz em 40 salas no Brasil. Já o filme anterior de Fresnot, Ed Mort (1997), negociado
por uma empresa menor, a Riofilme, foi exibido em 15 salas. Agora, se não for fechado negócio nem com uma distribuidora pequena, a fita pode nem entrar no circuito comercial. Estreia difícil Depois de prontas, as fitas precisam agradar a distribuidores e donos de cinema

1. Assim que um filme fica pronto, seus produtores precisam atrair empresas interessadas em mostrá-lo no maior número de países do mundo. Se for um
candidato a campeão de bilheteria, as distribuidoras disputam a tapas o direito de revendê-lo. Mas isso é exceção. Na maioria dos casos é preciso fazer uma projeção especial do filme para as distribuidoras na tentativa de convencê-las a comprar os direitos

2. Enquanto acertam com os produtores, as distribuidoras também negociam com os donos das salas de cinema, os exibidores, garantindo um lugar para o filme. Nessa conversa, discute-se a data de estreia, que depende da disponibilidade das salas. Em geral, o dinheiro da bilheteria é dividido
meio a meio entre distribuidora e exibidor

3. Além de acertarem a data de estreia, a distribuidora e os exibidores definem onde a fita entrará em cartaz, levando em conta quantas pessoas
deverão vê-lo. Segundo a distribuidora Europa, os filmes do diretor Woody Allen, por exemplo, atraem 200 mil espectadores no Brasil, ocupando cerca de
20 salas

4. Com o número de salas definido, começa a divulgação, com a distribuidora mandando cartazes e trailer do filme. Uma semana antes da estreia, há uma "cabine"- sessão só para jornalistas que garante espaço na mídia para as críticas. Por fim, pode haver uma pré-estreia, em algumas salas, dias antes
da estreia oficial

Fora de cena

Mesmo entre os filmes que têm os direitos comprados existem os que jamais chegarão a um cinema. Eles podem ser lançados diretamente em vídeo, ou numa
rede de TV, se a distribuidora achar que interessam a um público muito específico. Já os filmes mais alternativos ainda, que não atraíram nenhuma
distribuidora, são exibidos em mostras e festivais

 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Poemas e Uma Nota



Morre aos 80 anos o diretor de cinema NagisaOshima, diretor do polêmico filme " O Império dos Sentidos".










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JANEIRO
11 de janeiro, Oswald de Andrade (1890) estaria completando 122 anos.
13 de janeiro, Guaracy Rodrigues (1943) estaria completando 69 anos.
20 de janeiro, Euclides da Cunha (1866) estaria completando 146 anos
23 de janeiro, Serguei Eisenstein (1898) estaria completando 114 anos.


Sobre deus e o diabo na terra do sol
J.Veiria, no cu da madruga.

Aberto certo, sertão,
A água minguante
Traduz os valores  
Sobre os quais 
O homem não vive
Pelos quais o homem não morre.
O homem como homem aqui se vê
Perpetuamente nu.

O ÚLTIMO POEMA
Manoel Bandeira
Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

POLÍTICA


Resposta às afirmações de Arnaldo Jabor sobre a Venezuela
O comentário de Arnaldo Jabor nesta quinta-feira, 10 de janeiro, no Jornal da Globo, demonstra total desconhecimento sobre a realidade de nosso país 

12/01/2013

 Embaixada da República Bolivariana da Venezuela
 
Além de desrespeitar os venezuelanos, povo irmão do Brasil, e de proferir acusações sem base nos fatos reais, o comentário de Arnaldo Jabor nesta quinta-feira, 10 de janeiro, no Jornal da Globo, demonstra total desconhecimento sobre a realidade de nosso país.
Existe hoje na Venezuela, graças à decisão de um povo que escolheu ser soberano, um sistema político democrático participativo com amplo respaldo popular, comprovado pela alta participação da população toda vez que é convocada a votar em candidatos a governantes ou a decidir sobre temas importantes para o país. Desde que Hugo Chávez chegou ao poder, o governo já se submeteu a 16 processos democráticos de consulta popular - entre referendos, eleições ou plebiscitos.
Não nos parece ignorante ou despolitizado um povo que opta por dar continuidade a um projeto político que diminuiu a pobreza extrema pela metade, erradicou o analfabetismo, democratizou o acesso aos meios de comunicação e que combina crescimento econômico com distribuição de renda. Esse povo consciente de seus direitos não se deixa manipular pelas mentiras veiculadas por um setor da mídia corporativa - essa que circula livremente também na Venezuela.
Considerando o alto grau de organização e conscientização da população venezuelana, não são nada menos do que absurdas as acusações feitas por Jabor da existência de um aparato repressor contra o livre pensamento. Na Venezuela, civis e militares caminham juntos no objetivo de garantir a defesa, a segurança e o desenvolvimento da nação. É importante lembrar que se trata do mesmo comentarista que em 11 de abril de 2002, quando a Venezuela sofreu um golpe de Estado que sequestrou seu presidente durante 48 horas, saudou e comemorou este ato antidemocrático, durante comentário feito na mesma emissora, a Rede Globo.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Crítica de Filme


Onde o Ouvir é Ver        
Não Vejo Ouço
 Jose Sette

Não dê ouvidos a eles é como me parece ser o clamor da dicotomia entre o ser e o saber, muito bem expressa em imagens e som no filme de Leonardo Esteves. Tudo é de um realismo extremo, quase documental. A cidade, o homem e o corpo desnudo, são radiografados, estereotipados, esmiuçados, anarquizados por estas duas entidades sociais e culturais: o cinema e o teatro. Espetáculo da desconstrução onde todos os personagens, em todas as cenas, se repetem e praticamente invadem o quadro cinematográfico. Estão eles conforme o meio, muito bem caracterizados nas suas interpretações e em suas performances coletivas, registradas pela audácia e com a segurança de quem sabe o que quer. Não é a câmera que nos persegue, mas ao contrário, nós é que invadimos o espaço dela, com muito prazer em uma bela composição de edição. Leonardo Esteves me faz gozar de suas obsessões,  dos seus erros e acertos, dos seus vícios e virtudes e também de toda fragmentação da montagem autobiográfica do seu filme. Gosto das tomadas, da câmera livre, das angulações documentais, dos movimentos verticais, descritivos sobre os corpos sólidos de concreto armado, em contra ponto as formas femininas de belas e assoberbadas curvas da luxúria que de fato esconde, nas partes intimas de cada um de nós, os distúrbios sociais existentes entre o povão brasileiro futebolístico e o pálido escritor solitário, confuso e tarado, vivendo em sua caverna platônica. Filme dos contrários! O diretor e o produtor, que são os mesmos, disputam um mundo onde ninguém se entende, onde tudo é possível e onde as pessoas navegam nuas por ruas e pracinhas. Só o poeta Leonardo Esteves é capaz disso – retirar o luxo do lixo e nos vender biscoitos finos. Os atores amadores estão sensacionais. A edição da minha amiga Marta Luz é correta. A fotografia é boa. O ator e comediante Rogério Skylab, que eu tenho certeza de ser um grande ator, ou uma puta louca, foi muito pouco usado pelo nosso diretor, o que é uma pena. Vejo o que ele fez e digo que nestas circunstâncias qualquer um poderia ter feito o mesmo... Se o cara não fosse ele, eu teria adorado o filme, mas eu sempre fico, vendo o filme inteiro, esperando mais do protagonista. Mais esta única implicância, pode ser porque eu quero mais e mais ver o cinema do cineasta brasileiro Leonardo Esteves.


O grande cineasta Fábio Carvalho lança em Tiradentes (MG) o seu livro de estréia com um texto inovador (alguns publicados aqui no blog) e ainda se da ao luxo de nos presentear com esta deliciosa capa. Em breve nas melhores livrarias.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Critica de Cinema



Djalioh é um Filme do Absurdo e do Absoluto que eu Desejo e Vejo
“A medida de uma alma é a dimensão do seu desejo”
(Flaubert),
O careca Gustave Flaubert de Madame Bovary  deve ter explodido e brilhado no além quando Ricardo Miranda resolveu adaptar e filmar o seu texto mais confuso e mais infantil para o cinema. Transformar os vícios da tristeza infantil dos europeus nas virtudes da beleza feminina da juventude brasileira, eu tenho certeza, foi o seu maior prazer. Incorporar aos textos pesados e carregados de neurose europeia as belas imagens serranas e ressuscitar Djalioh gozando na mata atlântica é sem dúvida trabalho de fôlego de quem busca no insondável a poesia nossa de cada dia. O brasileiro idiota que chega à civilização e tem a mesma idade do autor, é mesmo um idiota, ou seria um ser incompreendido pela sociedade burguesa e careta que o escraviza  A mesma sociedade aristocrática europeia que faz uma negra copular com um macaco africano, nascendo dali o ser Djalioh, que quer nos deixar, paradoxalmente, nos elevar de amores e carícias, de vômitos e volúpias, de índios e portugueses. Ricardo Miranda não está e nunca esteve preocupado em narrar uma história, nem mergulhar no tempo passado, no épico autoral deste autor histórico. Filma como se vivêssemos todos esses absurdos agora, hoje no tempo real. Esta sua liberdade poética é que me encanta e me agrada muitas vezes no filme dos belos planos longos que por serem estáticos não formalizam sequências, não tem começo, nem fim. Os diálogos de Flaubert são curtos e cheios de ação em sua construção. contrapondo a eles imagens inertes e alongadas. Dialética cinematográfica de síntese einsteiniana do espaço-tempo. Movimento cinético de radiações do pensamento onde uma ideia que surge subitamente está associada a mil palavras. Mas o principal de tudo isso são as atrizes Bárbara Vida e Mariana Fausto que estão soberbas em suas atuações amorosas recriando, com toda dramatização necessária, às tristes musas da aristocracia francesa. Incapacidade intelectual e insensibilidade moral caracterizavam estas personagens que tentam escapar à realidade através de suas frias relações com Otávio III no papel de Djalioh, que esta brilhante em sua singeleza expressionista. A bailarina Cátia Costa encarna uma escrava e parte para um realismo chocante surreal e nojento. Helena Ignez e Tonico Pereira trazem em seus personagens a obsessão fantasiosa de quem em um simples gesto de abrir um leque, tal qual uma bailarina chinesa, uma bonequinha de cristal, nos eleva aos olhares mais atentos e em segundos a toda uma tradição milenar, contrapondo, do outro lado do espetáculo, com Tonico Pereira oculto na presença do simples médico mascarado, iconoclasta do absurdo, observando em silêncio o fim a história dos cadáveres estirados no chão, tal qual o pai cirurgião açougueiro, foi ele escrutador de algumas palavras, talvez com gemidos e choros retidos nos ruídos do perscrutador do absurdo, da falta de sentido, ou da justificação racional para a existência do homem neste universo tão bem iluminado e retratado pela magnífica lente e sensível fotografia de Antônio Luiz Mendes. O que mais podemos pedir de um diretor se ele apresenta-nos um radical filme de meditação suprema? Um filme, e não vídeo, de autor cinematográfico, que, sem medo, experimenta, inventa e realiza, sem nenhum recurso financeiro, uma obra de fôlego, sobre o fogo da vida.
Jose Sette
jan/2013

LATINOAMERICA


O impacto de Chávez na Venezuela e na América Latina

Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)
Não é fácil para o leitor brasileiro entender Hugo Chávez. Jornais e revistas da grande mídia quase sempre se referem a ele de uma forma extraordinariamente negativa. As críticas a Lula parecem afagos quando se vê a forma como Chávez é tratado pela mídia nacional.
Ditador. Tirano. Caudilho. Primitivo. Dinossauro. Estes são apenas alguns dos adjetivos que já parecem estar prontos quando um editorialista ou colunista brasileiro vai escrever sobre Chávez. Entender tamanha agressividade à luz da pura lógica é impossível.
Ditador, por exemplo. Chávez chegou ao poder e nele ainda está – provavelmente em seus últimos dias, dada a virulência do câncer que ele combate – por causa das urnas. Se ele fosse ditador, para continuar neste adjetivo, as grandes empresas de jornalismo da Venezuela que o atacam tão ferozmente estariam caladas.
Stálin não era atacado pela imprensa russa, nem Hitler pela alemã. Na América do Sul, Pinochet não era chamado pelos jornais chilenos de ditador. Nem Geisel, ou Médici, ou até Figueiredo, no Brasil. Em ditadura é assim. Mas na Venezuela de Chávez não é assim. Como chamá-lo, então, de ditador?
VOZ AOS MISERÁVEIS
O que Chávez fez, essencialmente, foi dar voz a milhões de venezuelanos miseráveis, que ao longo do tempo foram simplesmente ignorados por uma elite minúscula que fazia compras em Miami e controlava o poder e as benesses oriundas dele. Eles monopolizaram os frutos do petróleo, em que a Venezuela é excepcionalmente rica.
Se os homens que dirigiram desde sempre a Venezuela tivessem demonstrado interesse pela sorte dos desvalidos e portanto construíssem uma sociedade menos iníqua, Chávez simplesmente não existiria. Pelo menos não como o conhecemos.
Ele só emergiu por causa da obra lastimável dos que o antecederam no poder. Chávez se diz socialista, como o presidente da França, François Hollande. Mas, como no caso de Hollande, é um socialismo que pouco ou nada tem a ver com o marxismo. Marx, por exemplo, dizia que a religião é o ópio do povo.
No pronunciamento em que anunciou que tivera uma recaída no câncer e designou um sucessor para o chavismo, Chávez beijou um crucifixo. Ele invoca Deus com uma frequência notável. Marx jamais diria: “Este é um dos meus”. E nem Stálin: ele jamais admitiria um sistema político nos moldes de Chávez, que pode ser removido por meio de votos livres.
Chávez, em sua trajetória, se indispôs com os Estados Unidos de Bush. Disse que combatiam o terror com o terror. Mas, conhecida hoje com mais detalhes a obra de Bush, se pode dizer que Chávez estava falando um absurdo?
Considere. A Guerra do Iraque, sabe-se hoje, foi decretada sob a falsa premissa de que Saddan Hussein possuía armas de alto poder de destruição. Pessoas sem julgamento foram encerradas em Guantánamo e submetidas a torturas. Crianças, mulheres, velhos foram mortos em grande quantidade no mundo árabe, na era Bush, por drones, os aviões sem tripulação que aterrorizam até hoje os civis na região.
PROGRAMAS SOCIAIS
E então? Chávez colocou foco nos pobres, pela primeira vez na história da Venezuela. Se o poder pode ser comparado a um brinquedo, ele tirou o brinquedo das mãos de quem estava com ele desde sempre.
E isso semeou um ódio virulento, que extrapolou as fronteiras da Venezuela e foi dar nos amigos daqueles que monopolizaram o brinquedo. Mas também semeou votos, reconhecimento e lealdade entre os que foram excluídos da brincadeira.
Sobre o impacto de Chávez, nada conta tanto quanto o fato de a oposição a ele, nas últimas eleições, ter incorporado muitos dos programas sociais que tinham sido desprezados como “assistencialistas”, como se dar educação e saúde a quem jamais teve se enquadrasse nisso.
Como notou o reputado jornalista e escritor inglês Richard Gott em seu excelente livro “A Revolução Bolivariana”, Chávez colocou no mapa múndi a Venezuela, ao longo dos tempos um mero quintal dos Estados Unidos.
Talvez a maior lição do caso Chávez seja a seguinte: a única maneira que uma elite dirigente tem para impedir que apareça em seu caminho alguém com as características dele é não usar o brinquedo apenas em benefício próprio.
Para quem quer exemplos práticos de aplicação disso, é só esticar os olhos para a Escandinávia – onde o bem estar não é para um punhado privilegiado apenas, mas para a sociedade como um todo. A grande revolução de Chávez foi dar voz aos pobres venezuelanos. Por isso é tão amado por eles, e por isso será uma referência perene na história da Venezuela e da América Latina.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013


COMENTÁRIO DE UM CINEASTA AMIGO SOBRE MEUS FILMES NA NET.

Bravo Sette
Você sempre poeta, inventivo, criativo, remando contra a maré de uma burocracia kafkiana que tem como único objetivo dominar a arte e enforcar artistas.
Teu home theater é lindo, cheio de poesia e bom gosto. Como aprendo quando vejo cada obra tua e vc passando olímpico pelos temporais dos domadores de artistas. Obrigado por essa dádiva
Silvio Tendler
PS. Peguei carona e trouxe alguns penetras para teu cinema


Um Deus é Um Ser Revolucionário que não Pode 
Ser de Quinta Grandeza a Não Ser na Igreja do Diabo
Jose Sette
Tenho ouvido ultimamente em diferentes segmentos da sociedade, não só pelos jornais, como também por alguns amigos, jornalistas, escritores, cineastas, professores, alunos, médicos e vagabundos, em textos escritos ou falados, os maiores impropérios sobre pessoas como Brizola, Jango, Juscelino, Prestes, Getúlio, Mariguela-Lamarca, Lula-Dilma, falam de Mao a Lenine, de Fidel a Guevara e tudo aquilo que representa a vanguarda política da minha existência.  Agora o mais mal falado de todos é o dito ditador venezuelano Hugo Cháves, este bateu todos recordes do mal dizer! Falar de Chávez é invocar o diabo, satã... Caralho! São poucos os que se interessam para o que acontece de fato aquém de nossas fronteiras, do além poucos que leem os jornais sabem dizer, mas todos são geralmente mal informados e muitas vezes direcionados pelo noticiário de interesses políticos econômicos da televisão, do rádio e de toda a mídia brasileira.
Uma característica que noto em todos esses contestadores é que eles são religiosos e professam seu Deus, dentro de sua moral oculta, flutuando na sua Igreja, vociferando suas esperanças em dias melhores.  São muitos os deuses adorados e poucos os homens que sabem o que adoram.
Deuses generosos que proporcionam muitas riquezas para obter a falsa cultura do que é o melhor retirando o luxo do lixo – Essa é a verdade que sempre lhe é oferecida. Eles estarão ofuscando o seu parco conhecimento de poder consumir o pior nas sobras do grande banquete. É assim, mal alimentado, envenenado na mesa, agrointoxicado, que você obtém a licença de entrar nesse paraíso capitalista que é vendido diuturnamente pelo sistema e se sentir recompensado. É que você está acostumado a viver e a sonhar doando aos seus líderes espirituais o seu tempo- templo de adoração e muitas vezes a sua vida. Você não tem e não consegue ver – viver o futuro. Você está morto e ainda não sabe!
Meu amigo é nisso que eles se apegam! Na religião como cenáculo, templo de adoração e exorcismo, campanário do fanatismo e do terror! E você morrendo dia a dia de doenças incuráveis. Perdido em partidos e em políticos predadores, tornando-se sacerdotes e ovelhas de lobos famintos,  temente ao que não pode ser visto ou tocado, ao mistério de uma tradição que não pode discordar..
Palavras e sentimentos que em qualquer instância representam “O Ser Supremo, O Deus” – seja Ele quem for – é, no meu entender, um buraco negro e quem cair nesta lorota tem um nó na cabeça e precisa ser cuidado, ser curado e a partir daí, no desespero, vale qualquer coisa. Oh Madalena! – Se ela resistir na cultura Oriental, Ocidental ou Acidental, na explosão de tanta informação truncada, mentirosa, enganadora, esses deuses nascerão mortos ou estarão morrendo porque renasce na civilização o matriarcado novamente das Amazonas – Amaxon! E o mundo resistirá aos tiranos.
Faz parte da natureza fraca do homem destruir os seus mitos que já duraram muito e elevar-se dando o próximo passo revolucionário no universo em direção de si mesmo.
Uma força que se quer universal, ilimitada, absoluta, não pode ser contida em um frasco, pois explode lâmpadas, derruba paredes, destrói cidades e castelos, afunda continentes e divide os mares. Uma força como esta não pode ter limites, muito menos na terra, pois ela esgarça o espaço conhecido, rompe todas as fronteiras do cosmo, das galáxias de luz revela o oculto negro da solidão, e faz brilhar a maior de todas as estrelas que é mais luminosa quase 10 milhões de vezes do que o Sol e reina impávida Nesse conto, o Diabo funda uma Igreja e consegue obter adeptos e ouvintes todos os dias. Então, segundo as leis do Diabo, o mais importante na vida é promover prazeres de todos os tipos e não e preciso ter éticas nos negócios e nem tao popuco na política. Havendo condições para ganhar, mesmo que seja de forma desonesta, para a tal Igreja isso e que era válido.Também não seria preciso ajudar os outros ou então preocupar-se com os amigos e familiares. Que cada um cuide de si, diziam os padres da Igreja do Diabo. Com o andar do tempo, por mais apegados que os crentes estivessem no novo credo, as pessoas começaram a não acatar as tais leis. Às escondidas passaram esmolar aos mais pobres, e escutavam com certa atenção e cuidado os lamentos dos conhecidos e ofereciam os seus préstimos e amizade. Também os casados evitavam trair seus parceiros e os comerciantes e políticos honravam seus compromissos, mesmo que declarassem seguir à risca a hedonista lei do Diabo. Realmente o que Machado de Assis nos revela, é que todas as pessoas têm duas facetas e posições. Podemos ser amorosos com alguns e zangados com outros; honestos em certas circunstancias e ludibriar em outros aspectos. Qualquer que seja a lei, portanto, jamais se poderá compreender essa disparidade do ser humano. A lei escolhe um lado da oposição como certo e o outro como sendo errado, e isto demonstra que o nosso coração possui sempre dois aspectos antagônicos.

 Eu tinha 16 anos quando fui apresentado ao poeta Arthur Rimbaud e li o seu livro . Une Saison en Enfer - Uma Temporada no Inferno ou ainda Uma Estação no Inferno. Um poema extenso e extraordinário que influenciou artistas e poetas, em todas as épocas, pelo mundo afora.  Só algum tempo depois fui saber de sua história. Do seu romance com Verlaine e da sua investida na Comuna de Paris.

Você sabe o que foi a Comuna de Paris?
“Os teóricos que reconstituem a história deste movimento, colocando-se do ponto de vista omnisciente de Deus que caracterizava o romance clássico, mostram sem dificuldade que a Comuna estaria objetivamente condenada, que não teria superação possível. Mas para os que viveram o acontecimento, a superação estava ali. A guerra social de que a Comuna constitui um momento continua sempre (por muito que tenham mudado algumas condições superficiais). Sobre o trabalho de tornar conscientes as tendências inconscientes da Comuna” (Engels) ainda não foi dita a última palavra.” Apesar do curto período de existência, de março a maio de 1871, a Comuna de Paris inspirou um romance de Émile Zola (La Débacle, 1892), filmes de Grigori Kozintsev e Peter Watkins, e várias análises propostas por pensadores socialistas, a começar por A Guerra Civil na França, de Karl Marx, sobre o que o curto sucesso e o estrondoso fracasso da Comuna têm a ensinar aos muitos, sobre como reorganizar a sociedade.De fato, a única correção que Marx e Engels fizeram ao Manifesto Comunista brotou de lição da Comuna, a qual, escreveram eles, demonstrara que “a classe trabalhadora não pode apenas ocupar a máquina já existente do Estado para usá-la para seus próprios objetivos. A narrativa da Comuna tornou-se profundamente ideologizada, depois que as tropas da 3ª República francesa a esmagaram, ainda furiosas pela derrota da França na guerra franco-prussiana e pelo acordo punitivo de janeiro de 1871. A palavra “comuna” sugere “comunismo”, mas já era usada para designar o conselho da cidade, como autoridade local autônoma. A denominação tem raízes na Revolução Francesa, e já houvera uma comuna de Paris entre 1789 e 1795, a qual, sob controle dos jacobinos, recusara-se a obedecer ordens do governo central depois de 1792. A Comuna de 1871 aconteceu depois de Paris ter sido sitiada pelos prussianos, cerco que começou em setembro de 1870, depois do colapso do Segundo Império de Napoleão III. Preparando para o ataque iminente, a Guarda Nacional Francesa foi aberta para a classe trabalhadora parisiense, que elegeu seus próprios líderes do Comitê Central da Guarda. Muitos desses líderes eram radicais, republicanos ou socialistas jacobinos, sobretudo no norte, os mesmos que, adiante, tornaram-se líderes da Comuna.Essa guarda parisiense destinava-se a defender a cidade contra a invasão prussiana e pela restauração da monarquia, sobretudo depois que, nas eleições para a Assembleia Nacional, em fevereiro de 1871, os monarquistas perderam a maioria. Cada dia mais radical, a Guarda Nacional parisiense acumulou armamento pesado; até que, no dia 18/3/1871, Adolphe Thiers, eleito recentemente “Autoridade Executiva” do novo governo, e temeroso das consequências de a municipalidade em Paris estar tão pesadamente armada, ordenou que os soldados confiscassem toda a munição que havia em Montmartre. Os parisienses revoltaram-se; dois generais foram assassinados; Thiers recolheu-se, com todo o gabinete administrativo, para o Palácio de Versailles, deixando um vácuo de poder, que foi rapidamente preenchido pelo Comitê Central da Guarda Nacional parisiense. A Comuna nasceu sitiada, o que tornou absolutamente urgente e necessário distribuir comida, dinheiro e armas entre os communards; nasceu também constituída de trabalhadores; e a constituição operária do Comitê Central da Comuna de Paris tornou-o excepcionalmente interessante para Marx e seus seguidores. Embora separasse estado e igreja; tenha cancelado aluguéis a pagar durante o sítio; tenha abolido o trabalho noturno nas padarias e todos os tipos de juros sobre dívidas; e admitisse que os operários ocupassem lojas e fábricas abandonadas, a Comuna nunca foi formalmente socialista – as ideias de Marx ainda não haviam penetrado na esquerda francesa; e, em 1871, os teóricos utopistas, como Charles Fourier, já haviam saído de moda. Louis-Auguste Blanqui – que tentara assumir o poder em outubro de 1870; que viu seu projeto sobreviver apenas 12 horas; e que foi preso um dia antes de as tropas chegarem a Montmartre para desarmar a guarnição local – era, então, ainda, o pensador mais influente. Por isso os Communards fizeram várias tentativas para libertá-lo, tentando uma troca de prisioneiros: Blanqui, em troca de padres que os Communards tomavam como reféns. Thiers rejeitou todas as propostas. Mas eram poucos, entre os Communards, os que partilhavam o desejo blanquista de implantar uma ditadura do proletariado; a maioria tendia a eleger membros para o Comitê e o novo Conselho Executivo. Para Lissagaray, o principal problema parecia ser a falta de ideologia e de organização. As eleições elegeram radicais, moderados e conservadores, e não havia qualquer linha partidária por trás da atividade da Comuna; os líderes consumiam tempo preciso em infindáveis discussões, quando o mais urgente seria agir contra a mobilização dos soldados de Thiers em Versailles. Lissagaray aponta, logo à primeira página, para a divisão insuperável entre a esquerda radical e a esquerda parlamentar (a esquerda parlamentar já aliada, de fato, a Thiers).  A desunião tornar-se-ia afinal pública, entre o Comitê Central e o Conselho Executivo da Comuna; separação provocada, pelo menos em parte, por o Comitê não se decidir a assumir o controle sobre Banco da França. “Naqueles cofres (...) há 4,6 milhões de francos” – Lissagaray lamenta –, “mas as chaves estão em Versailles; e, dada a tendência do movimento para conciliar-se com os prefeitos [delegados Varlin e Jourde, do Comitê Central da Comuna], ninguém se atreve a arrombar os ferrolhos e fechaduras.” Essa decisão tornou-se a mais amplamente criticada em todas as histórias que se escreveram depois. Foi bem claramente a decisão, considerada isoladamente, que Lissagaray mais profundamente lamenta. Escreveu que o governo da Comuna optou por “submeter-se ao Banco da França”, opção que potencializou o fracasso mais amplo de só fazer aprovar “legislação insignificante (...), sem plano militar, sem programa (...), deixando-se arrastar em discussões em que nada se decide e a partir das quais nada se faz.” O caos assim gerado – que se percebe no tom de absoluta urgência que há no texto de Lissagaray e, até, na dificuldade que o leitor encontrará, ainda hoje, para compreender e acompanhar as rápidas modificações na estrutura da Comuna – levou à ditadura. Em pouco tempo, um novo Comitê de Segurança Pública Soon sobrepujou o Conselho, que cometeu o erro de não admitir que o povo participasse de suas reuniões, o que gerou a imagem de que seria paranoico e antidemocrático; e assumiu a responsabilidade pela defesa de Paris. Daí em diante, a Comuna ficou à mercê dos líderes militares, cuja negligência e insuficiente competência tática – sobretudo ao instalar barricadas, já tornadas inúteis depois que o Barão Haussmann reformara Paris nos anos 1860s – a condenaram à derrota. A retaliação foi violenta: 3.000 parisienses mortos ou feridos nas batalhas de maio de 1871; e Lissagaray estima que cerca de 20 mil morreram até meados de junho – três mil a mais do que admitidos pela justiça militar do governo. Muitos mais foram presos, na França e nas colônias; só foram anistiados em julho de 1880. Os Situacionistas Guy Debord, Attila Kotányi e Raoul Vaneigem, em suas Teses sobre a Comuna de Paris[4] publicadas em março de 1962, procuraram separar a experiência da Comuna, de tentativas anteriores, para inferir dela uma teoria de como poderia funcionar uma ditadura do proletariado.                                                                                                      
Membros da Comuna sendo executados sumariamente                                    
  Escreveram que “A Comuna de Paris foi vencida menos pela força das armas que pela força do hábito. O exemplo prático mais escandaloso foi a recusa em recorrer ao canhão para tomar o Banco de França, quando o dinheiro fazia tanta falta. Enquanto durou o poder da Comuna, a banca permaneceu como um enclave em Paris, defendida por algumas espingardas e pelo mito da propriedade e do roubo. Os restantes hábitos ideológicos foram desastrosos sob todos os pontos de vista (a ressurreição do jacobinismo, a estratégia derrotista das barricadas em memória de 48, etc.)” Escreveram que “Há que retomar o estudo do movimento operário clássico de uma forma desenfeudada e em primeiro lugar desenfeudada das diversas classes de herdeiros políticos ou pseudo-teóricos, pois não possuem mais que a herança do seu fracasso. Os êxitos aparentes deste movimento são os seus fracassos fundamentais (o reformismo ou a instalação no poder de uma burocracia estatal) e os seus fracassos (a Comuna ou a revolta das Astúrias) são até agora os seus êxitos abertos, para nós e para o futuro” Talvez cada geração, posta ante diferentes crises do capitalismo, que as gerações anteriores não conheceram, identifique diferentes lições na Comuna (...)