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terça-feira, 30 de abril de 2013

Variados


NOTÍCIA
Dia 18 o cinema paulista amanheceu muito triste com a notícia da morte de Aloysio Raulino. Nascido no Rio, em 1947, Raulino fez praticamente toda a sua carreira de cineasta e fotógrafo em São Paulo. Era requisitado pelos diretores e amado pelos amigos. Nos últimos dias fora visto sempre frequentando as sessões do festival de documentários É Tudo Verdade. Morreu de repente, de causa não divulgada.

Foi como fotógrafo original e inspirado que teve seu nome marcado no cinema brasileiro. Sua assinatura se associa a alguns títulos fundamentais da filmografia recente, como Serras da Desordem, de Andrea Tonacci.

Serras da Desordem talvez seja o mais impressionante documento sobre a situação indígena no País.

Sua morte prematura foi uma perda irreparável para o cinema brasileiro.


LITERATURA VERSUS CINEMA VERSOS...
A FESTA ENCANTADA DA IMAGINAÇÃO
    Fábio Carvalho

Ela subiu lépida a escadaria em L passando direto para o outro salão do restaurante dentro de um vestido acinzentado e outonal apertado na cintura. Leve como brisa transparente. De pé na varanda, acompanhei detalhadamente através da minha mira treinada o movimento do recheio. Terminei uma conversa inóspita e a segui pelo cheiro.
A esta altura, o cinema explode os meus neurônios e me transmuta para uma gênese que, claro, não coaduna com a dos outros ao redor, vultos que transitam sem rumo e que não reconheço como do mesmo planeta que o meu. E não existe a culpa são apenas os acontecimentos naturais dos privilégios que nos são dados. Começo essa pequena falsa narrativa exatamente como Federico Fellini iniciou o seu Fazer um Filme, usando o texto do Ítalo Calvino intitulado: Autobiografia de um Expectador. Não que quisesse simplesmente copiar os mestres, e sim porque o que vivi aqui, eu já tinha imaginado antes. É curioso o poder da antevisão. Lá se foram os anos em que ia ao cinema quase todos os dias, e de vez em quando, até duas vezes ao dia. Era o período compreendido entre o ano de 1976 e o início dos oitenta – em suma, a adolescência. Época da sexualidade latente. Para mim, o cinema era o mundo. Quando vi pela primeira vez Oito e Meio numa mostra na Sala Humberto Mauro, amei o que não compreendi e vi mais quantas vezes pude. Aquele universo em preto e branco era o meu, aquelas dúvidas eram minhas e aquelas mulheres também. O mesmo aconteceu com O Desprezo no cine Nazaré. Só eu sabia. Agora em cor. Ela tinha pintado as unhas de vermelho. Comemos o peixe Robalo com legumes ao vapor e purê. O filme erótico era projetado dos olhos para os olhos, o canto da boca dela azul me mastigava e checava minhas fibras. Comecei a inventar dificuldades para minha condição de expectador nos cineclubes da província, e fui me meter a também fazer imagens. Nunca soube por que me sinto compelido a este risco reconhecidamente desnecessário. Bem sei que o mundo cinema não precisa de mim, sou eu que preciso dele. É minha forma existencialista. Enquanto eu esperava o garçom trazer a conta, ela foi ao banheiro e voltou com um meio sorriso enrolando com habilidade sua meia calça preta e guardando-a na bolsa. Na seqüência, depois de um breve silêncio, disse: tirei tudo, eu estava assando...
Olhei suas pernas e um roxo na sua panturrilha branca e firme chamou minha atenção.
Jean-Luc Godard: o que é que as pessoas fazem? Movem-se. As únicas coisas que não se movem são os objetos que as pessoas criam. Tudo criado pela natureza move-se o tempo todo. Esta mesa não se move, mas está na terra que gira. E é de tal forma angustiante uma mesa não se mexer que cada dois anos é preciso trocá-la de lugar. Vivemos fazendo isto.
Luis Rosemberg Filho: que tipo de objeto é a imagem?
Jean-Luc Godard: não é nada ela não existe. Por outro lado, é ela a ligação e o surgimento de alguma coisa que se materializa, exclusivamente ao brotar de um pensamento, de um sonho.
Paguei a conta e descemos pela a escadaria, ao lado do portão de ferro que dava para rua, ela se virou e se encostou levemente na pilastra, de uma forma que me recebeu de frente entre as pernas encaixando a boca na minha boca. Alguns segundos de eternidade. Saímos caminhando nas alturas pelas ruas daquela cidade toda branca que nem me lembro se era no Egito ou na Grécia. De súbito, para me cevar ainda mais, ela disse: fiquei molhada.
No mundo cinema era preciso que existisse esta coisa inconfessável que se chama imagem. Cedo percebi a dificuldade do cinema. Como novamente diz o Jean-Luc, é muito mais agradável estar no cinema do que fazer filmes. Fazer imagens para construir um filme te submete a uma quantidade tal de problemas que é difícil imaginar que um brasileiro preguiçoso assim como eu possa pensar nessa possibilidade. Também poderia recorrer à frase da Marguerite Duras: eu faço cinema porque não tenho a coragem ou a força de não fazer nada. De minha parte nunca me interessei por contar estórias, tantos acham que contam estórias, se escondem atrás das estórias e muitos contam mal as estórias.  Ninguém entende as estórias que eles contam, mas só o fato de ter a estória os faz acreditar que isto os redime de mal contá-las, sigamos em frente. Paramos em uma cafeteria e tomamos cada qual um Irish-coffee. Aumentou o calor. Continuamos o caminho para lugar algum e ela me pediu para morder a pele da sua mão que liga o polegar ao indicador, exigindo que a dentada fosse cada vez mais forte até marcar. Pareceu-me que ela gostava. Não me interesso em contar estórias e sim em mostrar, talvez me interesse em me mostrar um pouco, quem sabe. Sempre pensei em fazer os filmes antes de escrever os roteiros.
Jules Michelet escreveu: a natureza fê-las feiticeiras. É o espírito próprio da mulher e seu temperamento. Ela nasce fada. Pelo amor torna-se mágica. É vidente em certos dias; possui a asa infinita do desejo e do sonho. Pela finura e a malícia (muitas vezes fantasiosa e benéfica), é feiticeira e enfeitiça, ou pelo menos adormece e ilude os males. A imagem é mulher. Ela se movimenta em frente a mim.
Por outro lado a estória também pode ser mostrada, acho que essa é minha forma de ver o filme que faço. Podemos ir além como alguém já disse: uma vez imaginado o filme eu já o considero feito; se posso contá-lo vagamente então porque fazê-lo? De certo modo, hoje em dia é até mais fácil que antes se alguém quiser mesmo fazer seu primeiro filme, o problema consiste em como fazer aquele filme e não em como fazer cinema. Faço o filme que desejo e não o que sonho. Certamente é uma perseguição infinda e ininterrupta sem absorção. É filmando que se descobre o que é preciso filmar. Já que o cinema se faz com uma câmera pode-se perfeitamente suprimir o papel. A menos que não se queira ir tão longe.
Mário Alves Coutinho: Renoir já colocava em dúvida a influência imediata do cinema. A guerra estourou logo depois que ele fez “La Grande Illusion”, um filme pacifista.
Jean-Luc Godard: ah, sim! O cinema não tem a menor influência. Acreditou-se um dia, que a chegada de um trem à estação assustaria. Assustou uma vez e nunca mais. Eis porque nunca pude compreender, mesmo ontologicamente, a censura. Ela parte do princípio que o som e a imagem têm repercussão nas condutas individuais.
Mário Alves Coutinho: a influência do cinema é insignificante?
Jean-Luc Godard: sem dúvida, mas nem mais nem menos que o resto, ou seja, que tudo, pois todas as coisas têm influência de uma forma ou de outra. Se excetuarmos essa parte do cinema que se chama televisão, o cinema tem a mesma influência que as pesquisas de laboratório, a literatura ou a música clássica.
Sentamos um instante em um banco de praça, ela tirou um livro da bolsa e começou a ler um poema para mim, por debaixo dos seus cabelos acariciei sua nuca. Os olhos dela se reviraram e se enevoaram. Subimos correndo a escadaria de um hotel ali perto. Já dentro do quarto ela me pôs a esperar, e voltou inteiramente branca e nua. Ela se abriu e se exibiu para mim, sem que eu pudesse tocá-la. Ela a imagem.
O poeta Luís Nicolau Fagundes Varella (1941-1975), nascido em Rio Claro (RJ),  afirmava que a língua humana é a mais terrível da todas as “Armas”. 
ARMAS
Fagundes Varela
- Qual a mais forte das armas,
a mais firme, a mais certeira?
A lança, a espada, a clavina,
ou a funda aventureira?
A pistola? O bacamarte?
A espingarda, ou a flecha?
O canhão que em praça forte
faz em dez minutos brecha?
- Qual a mais firme das armas?
- O terçado, a fisga, o chuço,
o dardo, a maça, o virote?
A faca, o florete, o laço,
o punhal, ou o chifarote?
A mais trenda das armas,
pior que a durindana,
atendei, meus bons amigos:
se apelida: – a língua humana.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Daqui para frente só pode existir o pior...


Malatesta: Sabíamos que nada tínhamos a dizer de novo.

A vida de um militante naqueles dias de “entusiasmo”, quando a juventude estava  sempre disposta a qualquer sacrifício pela causa e nós estávamos animados pelas mais arrebatadas esperanças.

A revolução não é, e não pode ser, senão a repetição contínua, incansável, dos princípios que devem nos servir de guia na conduta que devemos ter nas diferentes circunstâncias da vida.
           
Repetiremos, portanto, com termos mais ou menos diferentes, mas no fundo constantes, nosso velho programa revolucionário.

A sociedade atual é o resultado das lutas seculares que os homens empreenderam entre si.

Entre o homem e a ambiência social há uma ação recíproca. Os homens fazem a sociedade tal como é, e a sociedade faz os homens tais como são, resultando disso um tipo de círculo vicioso: para transformar a sociedade é preciso transformar os homens, e para transformar os homens é preciso transformar a sociedade.

A miséria embrutece o homem e, para destruir a miséria, é preciso que os homens possuam a consciência e a vontade. A escravidão ensina os homens a serem servis, e para se libertar da escravidão é preciso homens que aspirem à liberdade. A ignorância faz com que os homens não conheçam as causas de seus males e não saibam remediar esta situação; para destruir a ignorância, seria necessário que os homens tivessem tempo e meios de se instruírem.

O governo é a conseqüência do espírito de dominação e de violência que homens impuseram a outros homens, e, ao mesmo tempo, é a criatura e o criador dos privilégios, e também seu defensor natural.

Quando o povo se submete docilmente à lei, ou o protesto permanece fraco e platônico, o governo se acomoda, sem se preocupar com as necessidades do povo. Quando o protesto é vivo, insiste e ameaça, o governo, segundo seu humor, cede ou reprime. Mas é preciso sempre chegar à insurreição, porque, se o governo não cede, o povo acaba por se rebelar; e, se ele cede, o povo adquire confiança em si mesmo e exige cada vez mais, até que a incompatibilidade entre a liberdade e a autoridade seja evidente e desencadeie o conflito.

Desejamos, portanto, abolir de forma radical a dominação e a exploração do homem pelo homem. Queremos que os homens, unidos fraternalmente por uma solidariedade consciente, cooperem de modo voluntário com o bem-estar de todos. Queremos que a sociedade seja constituída com o objetivo de fornecer a todos os meios de alcançar igual bem-estar possível, o maior desenvolvimento possível, moral e material.

Desejamos para todos pão, liberdade, amor e saber.

Sopra um vento de revolta em todos os lugares. A revolta é aqui a expressão de uma idéia, lá o resultado de uma necessidade; com mais freqüência ela é a conseqüência de uma mistura de necessidades e de idéias que se engendram e se reforçam umas às outras. Ela se desencadeia contra a causa dos males ou a ataca de modo indireto, ela é consciente e instintiva, humana ou brutal, generosa ou muito egoísta, mas de qualquer modo, é a cada dia maior e se amplia incessantemente.

É a marcha da história. É, portanto, inútil perder tempo a lamentar quanto aos caminhos que ela escolheu, pois estes são traçados por toda a evolução anterior.

O fim justifica os meios. Denegriu-se muito esta máxima: ela é, entretanto, uma regra universal de conduta. Seria melhor dizer: todo fim requer seus meios, visto que a moral deve ser buscada no objetivo, os meios são fatais.

A moral é a regra de conduta que cada homem considera como boa. Pode-se achar má a moral dominante de tal época, de tal país ou de tal sociedade, e achamos, com efeito, a moral burguesa mais do que má; mas não se poderia conceber uma sociedade sem qualquer moral, nem homem consciente que não tenha critério algum para julgar o que é bom e o que é mal, para si mesmo e para os outros.

Alguns indivíduos, de espírito limitado, mas providos de espírito lógico poderoso, quando aceitam premissas, extraem delas todas as conseqüências até que, por fim, e se a lógica assim o quer, chegam, sem se desconcertar, aos maiores absurdos, à negação dos fatos mais evidentes. Mas há outros indivíduos mais cultos e de espírito mais amplo que encontram sempre um meio de chegar a conclusões mais ou menos razoáveis, mesmo ao preço da violentação da lógica. Para eles, os erros teóricos têm pouca ou nenhuma influência na conduta prática. Mas, em suma, desde que não se haja renunciado a certos erros fundamentais, estamos sempre ameaçados por silogismos exagerados, e voltamos sempre ao começo.

Na verdade, os resultados eram pequenos porque éramos pouco numerosos, porque os objetivos sociais pelos quais se queria fazer a revolução eram desconhecidos e rejeitados pelo conjunto da população; porque, em suma, “os tempos não estavam maduros”.

Hoje nós só queremos o triunfo da liberdade e do amor.


sábado, 27 de abril de 2013

ALTERNATIVAS


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UM CONTO DE REIS

VISÕES E PRECIPITAÇÕES
 Fábio Carvalho

Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e que a
prata dos anos tinja sem perdão / penso /
espero que eu jamais alcance a imprudente idade do bom senso.
Maiakovski


Bom dia, flor do dia! Bem no pezinho do ouvido. Depois de novamente começada a confusão não há mais como fugir, aliás, nunca teve. Vamos ao ataque então. Hoje é o dia do choro, aniversário de Pixinguinha, gênio total da raça e deus do sorriso largo e Carinhoso. Deixou a emoção como herança e na sua sofisticação popular traz a percepção maior que a esperança é cega. Podemos ver além da realidade medíocre e insuportável se não, não vale a pena não. Vamos nos encarar olhos nos olhos, e nesta hora a sensualidade é fundamental. Quem não chora não mama.
Vamos ao próximo carnaval a chamada festa da carne. Toda lágrima deve ser respeitada. Vamos à fonoaudióloga, ela só tem que ser bonita, cabe ao doutor Lobo fazer a indicação certa. A pureza é um mito. Onze horas já. A voz nasceu em mim outra vez, veio sozinha límpida, sem comando começou no diafragma e ecoou no palato como deve ser. Surpreendeu-me falei para mim mesmo. Vou procurar descobrir o que seja realmente a voz. A voz do meu umbigo. Esqueci de dedicar o livro que fiz ao meu umbigo como deveria, a ele, que só vejo de cima sem aprofundar-me, desejo a superfície, só ela. A música está por cima, ela paira. O desejo me move se lá chegarei não sei, nem me interessa. Sei que a quero. De lábios azuis como a bela Romy Schneider em L’Enfer, o filme maldito do Clouzot, que de tão magistral não foi concluído. Triste para os amantes da beleza. Cabe a nós a redenção. Mistérios gozosos. Temos que atravessar os penetráveis do Hélio. Objetivo como o amor. Preciso amordaçá-la, ela a voz, se fazem necessários mais uns cinco dias e noites de repouso vocal, e não é fácil como parece. Também para quê as facilidades. Só temos que inventar o perigo e recriar as dificuldades, disse novamente o poeta, alcançar é a meta para pelo menos chegar perto. Howard Hawks integral, tenho perdido o imperdível me dedicando aos prazeres internos que madame convalescença propicia e incentiva. Para quê discutir com madame. Doce enlevo para sonhar, o carinho das quatro paredes que na seqüência vou pintar de azul.
Estavas desprevenida e por acaso eu também. Podemos brincar. Será que assobiar pode?
Eu bem que lhe disse: amar é tolice é bobagem é ilusão. Meia quatro meia é este o número. É necessário levar em si mesmo um caos, para por no mundo uma estrela dançante. Bradou o poderoso alemão Nietzsche para a minha estrela dançante baiana. E disse bem. Ela mesma me deu este conhecimento. A tragédia da música. O sol descamba para o mar. Não sinto mais saudades do Rio descobri que ele está em mim. Estou com saudades de morar em Lisboa onde nunca morei. Lá vou terminar O Monge Devasso sem mais delongas e sem pressa. Palavras Sem Pressa, doce e belo livro este que ela escreveu. Como é bom ver o mundo de dentro do infinito com água pura e sem fumaça. Que grau! Caminha ela linda e leve de botas brancas pela área nobre da cidade que ficou deserta só para ela passar. Todos embevecidos acenam em slow-motion. Foi o tempo que errou. A câmera filma o pensamento. Ela voltou de botas novas vermelhas vindas do sul. Brilhante novo astral. Uma valsa Rosa. Céu da boca.


PARAÍSOS DEVASTADOS

A MOSTRA CINE ÍNDIO BRASIL é a única mostra indígena do Estado Rio de Janeiro. Só filmes brasileiros. Realizada no Microcine Bonsucesso, do Ponto de Cultura Cinema Brasil, está na sua Quarta Edição sempre com o principal objetivo de promover a disseminação e o fortalecimento das culturas e tradições indígenas. Faz-se necessário destacar a importância de tal projeto no âmbito escolar para fazer valer a legislação vigente, Lei nº 11.645/08, que torna obrigatório incluir no currículo oficial da rede de ensino a temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. 
Neste ano de 2013, o tema central da mostra é a INVISIBILIDADE INDÍGENA. Haverá filmes e mesas de debates sobre este tema e outros subtemas. Seja quando uma aldeia é visitada, escrutinada, registrada e difundida por um ou mais antropólogos bem intencionados mas cegos aos reais valores da tribo; seja quando uma aldeia não é enxergada no meio da floresta ou no meio da cidade; seja quando o indígena não é visto ou considerado como cidadão brasileiro com todos os seus direitos; seja pela falta de informação sobre ascendências e ancestralidades que muitas vezes impede o indígena de se reconhecer a si próprio e seus valores culturais; seja pela sua capacidade de se misturar propositalmente à relva e aos galhos de árvores de forma a se proteger na selva dos ataques dos verdadeiros selvagens que chegam para destruir a floresta, seu habitat natural, a Invisibilidade Indígena é um tema apaixonante  que tem sido debatido desde as expedições de Cândido Rondon.
Por outro lado, uma série de obras audiovisuais feitas por cineastas indígenas sob a instituição “Vídeo Nas Aldeias”, presidida pelo antropólogo-cineasta francês Vincent Carelli demonstra que é possível o diálogo com  as
diversas etnias e  a organização de registros fílmicos sem distorcer ou limitar o campo de liberdade dos povos originários do Brasil, dando-lhes sobretudo protagonismo na edição e direção. Do choque cultural, Rondon dizia: “Morrer se for preciso, matar jamais”. Sumir com os índios, jamais.
As mesas de debates levantarão as principais questões da atualidade indígena, tais como os ainda recentes massacres de tribos Guarani-Kaiowá e Munduruku por agentes da agro-indústria, de que maneira foram manipuladas as informações pela mídia e pelas redes sociais. A invasão da Aldeia Maracanã pelo BOPE e pela PM do Rio, no cumprimento da ordem judicial para esvaziar o prédio histórico usado por Rondon, e ocupado por indígenas desde 2006, será abordada no documentário “ALDEIA MARACANÃ, RESISTE!”, de Reinaldo Cunha, que dá voz a diversos atores do processo.
No Brasil das grandes capitais, o povo mestiço, seja caboclo, cafuso, mulato, procura optar por um de seus troncos étnicos para resgatar sua cultura ancestral, mas ai dele se não optar pelo tronco branco. 
Já o longa-metragem “VALE DOS ESQUECIDOS”, de Maria Raduan, explora os diversos mundos que existem na fronteira faroeste entre o Araguaia e a bacia amazônica, permeia cada um desses universos com a pretensão de entender a disputa por terra colocando-se no lugar de índios, posseiros, fazendeiros e sem-terra. O documentário confronta o posicionamento de cada um desses grupos, examinando uma parte do país em que a violência se firma como primeiro idioma e o fogo consome uma mata que queima há quase cinqüenta anos. Uma obra que conta a história de um pedaço do Brasil em guerra contra si mesmo. Um Brasil esquecido, invisível, que cada vez mais se quer mostrar.
A MOSTRA CINE ÍNDIO BRASIL tem sido um caldeirão tentando produzir a poção da Visibilidade.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Anarquistas Graças a Deus


INCRÍVEL

São tantos os deuses que às vezes me confundo...

Procurando Godod

O DEUS QUE É OCULTO

O nome é Bakunim

A Revisão Anarquista

Três elementos fundamentais constituem as condições essenciais de todo desenvolvimento humano: o primeiro vem da animalidade humana, que domina a economia social e privada; o segundo constitui-se na ciência nascida do pensamento; o terceiro brilha na liberdade conquistada pela incontinente revolta.

Os nossos primeiros ancestrais, nossos Adão e Eva, foram animais inteligentes e ferozes, dotados, em grau maior do que o dos animais de todas as outras espécies, de duas faculdades preciosas: a faculdade de pensar e a necessidade de se revoltar.

Jeová, que, de todos os bons deuses adorados pelos homens, foi certamente o mais ciumento, o mais vaidoso, o mais feroz, o mais injusto, o mais sanguinário, o mais despótico e o maior inimigo da dignidade e da liberdade humanas, Jeová acabava de criar Adão e Eva, não se sabe por qual capricho, talvez para ter novos escravos. Ele pôs, generosamente, à disposição deles toda a terra, com todos os seus frutos e todos os seus animais, e impôs um único limite a este completo gozo: proibiu-os expressamente de tocar os frutos da árvore de ciência. Ele queria, pois, que o homem, privado de toda consciência de si mesmo, permanecesse um eterno animal, sempre de quatro patas diante do Deus "vivo", seu criador e seu senhor. Mas eis que chega Satã, o eterno revoltado, o primeiro livre-pensador e o emancipador dos mundos! Ele faz o homem se envergonhar de sua ignorância e de sua obediência bestial; ele o emancipa, imprime em sua fronte a marca da liberdade e da humanidade, levando-o a desobedecer e a provar do fruto da ciência.
O bom Deus, cuja presciência, constituindo uma das divinas faculdades, deveria tê-lo advertido do que aconteceria, pôs-se em terrível e ridículo furor: amaldiçoou Satã, o homem e o mundo criados por ele próprio, ferindo-se, por assim dizer, em sua própria criação, como fazem as crianças quando se põem em cólera; e não contente em atingir nossos ancestrais, naquele momento ele os amaldiçoou em todas as suas gerações futuras, inocentes do crime cometido por seus ancestrais.
Nossos teólogos católicos e protestantes acham isto muito profundo e justo, precisamente porque é monstruosamente iníquo e absurdo. Depois, lembrando-se de que ele não era somente um Deus de vingança e cólera, mais ainda, um Deus de amor, após ter atormentado a existência de alguns bilhões de pobres seres humanos e tê-los condenado a um eterno inferno, sentiu piedade e para salvá-los, para reconciliar seu amor eterno e divino com sua cólera eterna e divina, sempre ávida de vítimas e de sangue, ele enviou ao mundo, como uma vítima expiatória, seu filho único, a fim de que ele fosse morto pelos homens.
Isto é denominado mistério da Redenção, base de todas as religiões cristãs.
Ainda se o divino Salvador tivesse salvado o mundo humano! Mas não; no paraíso prometido pelo Cristo, como se sabe, visto que é formalmente anunciado, haverá poucos eleitos. O resto, a imensa maioria das gerações presentes e futuras arderá eternamente no inferno. Enquanto isso para nos consolar, Deus, sempre justo, sempre bom, entrega a terra ao governo dos déspotas.
O homem ignorando a história para tirar dali os seus proveitos se acha poderoso em suas mentiras. Os mundos não foram criados, as sociedades não se desenvolveram, as revoluções não transformaram os povos, os impérios não desmoronaram e a miséria, a doença e a morte não foram as rainhas da humanidade senão para fazer surgir uma elite de acadêmicos, flor desabrochada, da qual todos os outros homens nada mais são senão seu estrume.
Não é evidente que todos os governos são os envenenadores sistemáticos, os embrutecedores interessados das massas populares?

Entretanto, no mito do pecado original, Deus deu razão a Satã; ele reconheceu que o diabo não havia enganado Adão e Eva ao lhe prometer a ciência e a liberdade, como recompensa pelo ato de desobediência que ele os induzira a cometer. Assim que eles provaram do fruto proibido, Deus disse a si mesmo (ver a Bíblia): "Aí está, o homem tornou-se como um dos deuses, ele conhece o bem e o mal; impeçamo-lo, pois de comer o fruto da vida eterna, a fim de que ele não se torne imortal como Nós".

É evidente que esse terrível mistério é inexplicável, isto é, absurdo, e absurdo porque não se deixa explicar. E evidente que alguém que dele necessite para sua felicidade, para sua vida, deve renunciar à sua razão e retornar, caso seja possível, à fé ingênua, cega, estúpida; Nesse caso cessa toda a discussão e só resta a estupidez triunfante da fé.

Como pode nascer, em um homem inteligente e instruído, a necessidade de crer nesse mistério?

Todas as religiões, com seus deuses, seus semideuses e seus profetas, seus messias e seus santos, foram criadas pela fantasia crédula do homem, que ainda não alcançou o pleno desenvolvimento e a plena possessão de suas faculdades intelectuais. Em conseqüência, o céu religioso nada mais é do que uma miragem onde o homem, exaltado pela ignorância pela fé, encontra sua própria imagem, mas ampliada e invertida, isto é, divinizada.

A despeito dos metafísicos e dos idealistas religiosos, filósofos, políticos ou poetas, a idéia de Deus implica a abdicação da razão e da justiça humanas; ela é a negação mais decisiva da liberdade humana e resulta necessariamente na escravidão dos homens, tanto na teoria quanto na prática.

É preciso lembrar quanto e como as religiões embrutecem e corrompem os povos? Elas matam neles a razão, o principal instrumento da emancipação humana e os reduzem à imbecilidade, condição essencial da escravidão. Elas desonram o trabalho humano e fazem dele sinal e fonte de servidão. Elas matam a noção e o sentimento da justiça humana, fazendo sempre pender a balança para o lado dos patifes triunfantes, objetos privilegiados da graça divina. Elas matam o orgulho e a dignidade humana, protegendo apenas a submissos e os humildes. Elas sufocam no coração dos povos todo sentimento de fraternidade humana, preenchendo-o de crueldade.

Todas as religiões são cruéis, todas são fundadas sobre o sangue, visto que todas repousam principalmente sobre a idéia do sacrifício, isto é, sobre a imolação perpétua da humanidade à insaciável vingança da divindade.

A severa lógica que me dita estas palavras é muito evidente para que eu necessite desenvolver esta argumentação. E me parece impossível que os homens ilustres, tão célebres e tão justamente respeitados não tenham sido tocados e não tenham percebido a contradição na qual eles caem ao falar de Deus e da liberdade humana simultaneamente.

Proclamar como divino tudo o que se encontra de grande, de justo, de real, de belo, na humanidade, é reconhecer implicitamente que a humanidade, por si própria, teria sido incapaz de produzi-lo; isto significa dizer que abandonada a si própria, sua própria natureza é miserável, iníqua, vil e feia. Eis nós de volta à essência de toda religião, isto é, à difamação da humanidade pela maior glória da divindade.

Deus aparece, o homem se aniquila; e quanto maior se torna a Divindade, mais a humanidade se torna miserável. Esta é a história de todas as religiões; este é o efeito de todas as inspirações e de todas as legislações divinas. Na história, o nome de Deus é a terrível espada com a qual os homens abateram a liberdade, a dignidade, a razão e a prosperidade dos homens.
Tivemos inicialmente a queda de Deus. Temos agora uma queda que nos interessa mais, a do homem, causada pelo aparecimento da manifestação de Deus sobre a terra.

Tomai um louco, qualquer que seja o objeto de sua loucura, e vereis que a idéia obscura e fixa que o obseda parece-lhe a mais natural do mundo, e que, ao contrário, as coisas da realidade que estão em contradição com esta idéia, parecem-lhe loucuras ridículas e odiosas. Bem, a religião e uma loucura coletiva, tanto mais poderosa por ser tradicional e porque sua origem se perde na antigüidade mais remota. Como loucura coletiva, ela penetrou até o fundo da existência pública e privada dos povos; ela se encarnou na sociedade, se tornou, por assim dizer, sua alma e seu pensamento. Todo homem é envolvido por ela desde o seu nascimento; ele a suga com o leite de sua mãe, absorve-a de tudo o que toca, de tudo o que vê. Ele foi, por ela, tão bem nutrido, envenenado, penetrado em todo o seu ser que, mais tarde, por poderoso que seja seu espírito natural, precisa fazer esforços espantosos para se livrar dela, e ainda assim não o consegue de uma maneira completa.

Que um gênio sublime, como o divino Platão, tenha podido estar absolutamente convencido da realidade da idéia divina, isto nos demonstra o quanto é contagiosa, o quanto é todo-poderosa a tradição da loucura religiosa, mesmo sobre os maiores espíritos. Por sinal, não devemos nos surpreender com isso, pois mesmo nos dias de hoje, o maior gênio filosófico desde Aristóteles e Platão, que é Hegel, esforçou-se em repor em seu trono transcendente ou celeste as idéias divinas, das quais Kant havia demolido a objetividade por uma crítica infelizmente imperfeita e muito metafísica. E verdade que Hegel portou-se de uma maneira tão indelicada em sua obra de restauração que matou definitivamente o bom Deus.

A grande honra do cristianismo, seu mérito incontestável e todo o segredo de seu triunfo inaudito, e por sinal totalmente legítimo, foi o de ter-se dirigido a este público sofredor e imenso, ao qual o mundo antigo impunha uma servidão intelectual e política estreita e feroz, negando-lhe inclusive os direitos mais simples da humanidade. De outra forma ele jamais teria podido se disseminar. A doutrina que ensinavam os apóstolos do Cristo, por mais consoladora que tenha parecido aos infelizes, era muito revoltante, muito absurda do ponto de vista da razão humana, para que homens esclarecidos tivessem podido aceitá-la. Com que alegria também o apóstolo Paulo fala do "escândalo da fé" e do triunfo desta divina loucura rejeitada pelos poderosos e pelos sábios do século, mas tanto mais apaixonadamente aceita pelos simples, pelos ignorantes e pelos pobres de espírito!

Depois do exposto o que mais podemos pensar sobre o absolutismo de todos os deuses sobre a terra e os homens?

quinta-feira, 25 de abril de 2013

AVE POETAS


POESIA

Sorriso Cerrado

Do Guimarães fez-se rosa
Enveredada, sorriso teu.
Teu sorriso fez-se corte,
Espinhaço orgulho meu.

Corre sangue peito aflora
Forte escuro feito breu
Entrelaçado ao buriti
No sertão que se perdeu.

José Vieira


DEBAIXO DO TREM

de Tavinho Paes
tô indo não sei pra onde
vindo sem direção ao encontro de alguém
movido por desejos e sonhos
me perdendo no mundo e me sentindo zen
na minha frente, o futuro corre
atrás de um passado que não me contém
sou inocente e não me sinto culpado
de estar apaixonado sem saber por quem…
indo para não mais voltar
voltando de onde ninguém vem
só vendo trilho passar sem parar
no chão que corre e se move
… por debaixo do trem! 
tô descarrilhando a mais de cem
não tenho tempo pra saber onde vou
posso ir para qualquer lugar
mas só posso parar no lugar onde estou
a solidão da minha memória
deletou uma história que o vento levou
meu sonho sem sono não dorme
não preciso saber nem quem fui nem quem sou
indo para não mais voltar
voltando de onde ninguém vem
só vendo trilho passar sem parar
no chão que corre e se move
… por debaixo do trem! 
paguei com minha identidade
o preço da passagem que ninguém me cobrou
no meu vagão não tem ninguém
desde aquela estação em que você saltou
já até tentei parar esse trem
mas o freio de aço, na hora, falhou
meu amor é de quem me tem
e sofre sentindo falta do que me sobrou
indo para não mais voltar
voltando de onde ninguém vem
só vendo trilho passar sem parar
no chão que corre e se move
… por debaixo do trem!
… acho que vai dar um rock daqueles em que o blues mede o compasso e faz a guitarra chorar…
… acho que o trem do filme sobre a peça,finalmente, vai chegar numa estação e parar…
… eu é que não sei mais aonde vou parar! 



IN MUNDO
Tavinho Paes

O RIO DE JANEIRO NO EFEITO COLATERAL DA CAÇADA HUMANA in BOSTON 
PAZ = + segurança - Liberdade
o efeito colateral - o tempo quântico -
uma charada ética global
          a 
juventude não muda o mundo,
                   mas o mundo 
muda com ela
                       e só ele permanece
 jovem...
                   o mundo não é novo...
                          nem 
rejuvenesce...
                               o mundo é 
jovem..
>> para entrar nos Anais da história carioca

... segundo fontes da CNN/CBS-GloboNews, ontem foi uma loucura nas salas de nomeados do Piranhão!
O prefeito Eduardo "Carlos Lacerda" Paes passou o dia reunido com seu secretariado maltês assistindo a caçada aos jovens terroristas chechenos, em Boston...
... visivelmente emocionado, Eduardo "Carlos Lacerda" Paes não vê o dia em que também possa pedir/ordenar para a população carioca ficar sem sair de casa o dia inteiro, com a polícia ligando sirenes pra lá e pra cá...

... ao fim da caçada, reuniu-se com seus magnânimos secretários (especialistas em Choques de Ordem) para traçar estratégias prioritárias de Segurança para a cidade que, nos próximos 36 meses vai receber 3 eventos Esportivos Internacionais (nenhum evento Cultural - Rock in Rio é outra coisa: um marketing-mix de shopping center com show de rock, sem precisar que as bandas toquem rock and roll - além da Bienal do Livro - essa farra de marketing cultural para analfabetos funcionais comprarem volumes para bibliotecas decorativas) e, o mais importante: o "Encontro dos Jovens Católicos", cujo deficit de hospedagem já chega a casa das 400 mil vagas (eles não usarão os milhares de quartos de 4 e 5 estrelas financiados aos milhões pelo BNDES e pelo COI local) 

...a questão preocupante é que estes jovens,por serem religiosos e estarem prstes a ver o Papa não vão beber a única coisa que está liberada e propagada entre as novas gerações: a cerveja!
... assim sendo,essa multidão estimada em mais de 2 milhões de jovens não atenderá aos anseios dos acionistas das principais marcas da gigantescaAmBev (talvez bebam LIBER - cerveja patrocinadora oficial do evento religioso e dona da campanha publicitária: LIBER - se beber, dirija!)
... isto sem falar no desgosto entre os imigrantes internos (a grande maioria do estado do Ciro Gomes), donos dos bares que dominam a cidade, desde que o processo de provincianização dela, iniciada com a Fusão da Guanabara com os fluminenses, orquestrada pelo General Golbery do Couto e Silvano intuito de desestabilizar a oposição do MDB dos anos 60, praticamente completada com as gestões Garotinho-Rosinha (pra não falarmos da família política do paraibano de Catolé do Rocha - César Maia), que tornou o Rio dos Toms, Vinícius e Pasquims num Campos dos Goytacazes, onde a Garota de Ipanema deixou de ir à praia, deu meia volta e caminhou em direção ao bar para encher a cara com cerveja açucarada - única forma de lazer conhecida, autorizada e propagada entre as novas gerações...
dura lex, sed lex
...observadas todas as imagens, cujos detalhes não escapavam à perspicácia dos secretários (que a tudo anotavam em Moleskines da moda), nosso candidato a vice do Pezão, pelo PMDB do Cabral no próximo pleito, logo após a Copa do Mundo, já traçaram metas para tornar o Rio mais seguro que uma instalação da NASA.
... as medidas ansiosamente aguardadas pelos eleitores serão tomadas a partir de justificativas logísticas inquestionáveis e referendadas pelo Mossad - este grupo que auxilia o que comanda as famosas AMAs dos bairros boêmios da Zona Sul, apesar dos dramáticos desafios que terão que assumir para por em prática um plano de faxina 
ética (não confundir com étnica, nem deixar de ficar de olho vivo para que não vire), serão:

01) observando como se vestia a dupla de delinquentes terroristas (boa parte do secretariado é formado por mulheres da barra da Tijuca que se interessam por moda), o governo municipal fará ser votada em regime de urgência, no Palácio Pedro Ernesto (Cinelândia), Leis de amplo espectro anunciando a...

1.1 - PROIBIÇÃO SUMÁRIA DO USO DE BONÉS POR ADOLESCENTES EM ÁREAS PÚBLICAS CONSIDERADAS DE RISCO E TURISMO - A dupla eurasiana, guris com cara de cosacos vindos de países desconhecidos até por Marco Pólo, tão tranquilos e pacíficos que os russos resolveram por no território deles, quartéis contendo misseis nucleares ... os de irmãos heavy-metal usava boné como disfarce contra cameras de segurança;
1.2 - 
PROIBIÇÃO SUMARIA DO USO DE MOCHILAS POR ADOLESCENTES EM ÁREAS PÚBLICAS CONSIDERADAS DE RISCO E TURISMO - A DUPLA usava mochilas para camuflar explosivos caseiros; 
1.4 - 
PROIBIÇÃO DA VENDA DE FOGOS DE ARTIFÍCIO que possam fornecer pólvora para confecção de artefatos caseiros com poder de destruição letal; reservando ao Estado a guarda e o manuseio destes luzes capazes de tornar novo um ano, de um dia pra outro ...à meia-noite ... zero hora!!
1.5 - PROIBIÇÃO DA VENDA DE PANELAS DE QUALQUER TIPO,com especial atenção às chamadas PANELAS DE PRESSÃO (sonho de consumo de quem passou a ter fogão à gás, posto que, em fornos primitivos ou à lenha, este tipo de utensílio não funciona adequadamente) - os vereadores eleitos com doações das Casas Bahia e do Ponto Frio Bonzinho (que não vendem Panasonic feita na Zona Franca) vão adendrar ao projeto de Lei a criação de uma nova Secretaria de Fiscalização (com milhares de novos contratados em regime de urgência) para que a venda deste produto seja controlada e disponha de novos impostos a serem brindados como incentivos fiscais - sem precisarem ser repassados ao consumidor, mas contribuindo para o aumento da margem de lucro dos empresários do setor, aumentando o PIB ... e, PIMBA: mandando o país pra frente ... como já vem acontecendo com os donos de supermercados e seus tomates transgênicos, depois dos cortes nas contas de luz, descontos em produtos da cesta básica e outras cegueiras microeconômicas...
1.6 - 
PROIBIÇÃO DO ESTACIONAMENTO DE BARCOS EM QUINTAIS DOMÉSTICOS - os secretários estão estudando a possibilidade de discutirem com "Pezão" o apoio do Cabral (que supostamente representa os desejos do governo federal) para interceder junto ao Ministério da Marinha para fecharem todos os Iates Clubes de pequeno porte ao longo da Rio-Santos, passando pelas prefeituras petistas de Angra até Paraty, onde novíssimas favelas e áreas de habitação cedidas às vítimas de desabamentos garantem o voto local (já que os "ricos", culpados por todas as mazelas que atingem os menos favorecidos (os trabalhadores do lumpen-protelariat), não possuem endereços eleitorais nessas áreas, onde só possuem casas de veraneio e olhe lá);
1.7 - PROIBIÇÃO E FECHAMENTO IMEDIATO DE TODAS AS ACADEMIAS DE LUTAS MARCIAIS DA CIDADE, já que os guris chechenos gostavam desta modalidade de esporte,altamente lucrativo e,apesar de amador, sem representação olímpica - embora encontrem resistência nos jornalistas da SportTV, nos fabricantes de energéticos e casas de apostas clandestinas, sejam on-line (na web) ou não...

... filhote de César Maia, o prefeito deverá encaminhar junto às proposituras das novas leis, uma Súmula que prevê cobrança de Multas pela Guarda Municipal para moderar e institucionalizar as novas leis; bem como, apresentar projeto para instalação imediata (sem licitação - em regime de urgência) de câmeras de segurança ao longo de ciclovias e outras áreas utilizadas por esportistas saudáveis para a prática de corridas de qualquer distancia...
... dizem que o projeto prevê a criação imediata de novas áreas de esportes a serem tratadas com a construtora-empreiteira DELTA, empresa com certificado de competência expedida pelo Governo Estadual da dupla de sushis Cabral-Pezão com contas aprovadas no TCE do Garotinho e pela Central de Atendimento Renan Calheiros, cujos serviços prestados à Nação são um capítulo de excelência na nossa história republicana.
... entretanto, com todas as "Venias" oferecidas ao Judiciário, a mais polêmica das Leis a serem votadas em plenário, obra prima da literatura forense traduzida em miúdos pelo mais ativo dos Secretários palacianos, lotado na Secretaria Especial do "Não pode Isso Não Pode Aquilo" é a que prevê o seguinte:
"A partir desta data, fica peremptoriamente instituído que:
 FICA PROIBIDO, em todo território da cidade do Rio de Janeiro, PROIBIR QUE O PREFEITO PROÍBA QUALQUER COISA DURANTE SEU MANDATO..."

quarta-feira, 24 de abril de 2013

SONHOS


CONTO
de Fábio Carvalho


             EU MUDO
                                                                                
A arte não se faz com boas intenções.
É mesmo necessário um pacto com o diabo
para se criar alguma coisa.
André Gide

 Calo na corda vocal. Devo procurar uma calista para dar uma raspada nisto, temos também o fino corte ou a poderosa e violenta decepada de cutelo do mesmo açougueiro bipolar que dizem que era francês. O cinema nasceu mudo. Esta é uma afirmação sem contestação. Não pode ser retrucada, é um fato histórico. Também para que fatos, se só interessa a lenda. Ou muito mais a versão. Tergiversando.
Vamos juntos deambular por aí? Finalmente cheguei à desejada interrogação. Para que eu não sei. Temos que continuar. Não é por nada não, está muito bom, pode melhorar. Nunca sei o motivo do plural, se estou aqui dentro. Se não houvesse o amor. Quanto mais tempo demora, mais violento vem. Mentirinha. O Fernando me falou no bar do Salomão que sua irmã Leninha também sofreu do mesmo infortúnio que eu. Curou se cuidando. Sem dúvidas é a melhor forma de se curar. As mulheres nascem sabendo se cuidar, a nós nos resta aprender com elas, ouvindo-as. Aonde chegaremos assim. Ninguém responder soube, muito menos eu. Curaçau. Plural insuportável. Só a mulher salva. E saliva. A luz dos olhos seus. Caminhar faz você gastar não sei quantas calorias por quilômetros rodados, isto se você beber água. Salvando minha alma da vida. Encontrei na madrugada de sábado com meu amigo mais viajado, um lingüista que se depurou em Praga, ainda na época Tchecoslováquia. Ele, que também é grande conhecedor de culturas secretas, me contou que na Jamaica acontece um estranho ritual. Os nativos entopem um vidro cilíndrico do tamanho de um antebraço com um fumo muito doido chamado camarão de cabelo, na seqüência eles despejam meia garrafa de rum, sacodem e enterram na areia da praia por sete dias. Depois dessa maturação e de ser preparado para ser fumado em um cachimbo batizado, você é adentrado numa filosofia sensual, solar e transbordante. Pode acontecer de você ser o escolhido por uma das feiticeiras para vê-la dançar nua. Como Isadora fez com Oswald.
No nosso interior produzimos a bela enzima endorfina, as cordas e as correntes que arrebentem se abrindo em posição picante. A produção sempre leva na tarraqueta. O processo de produção do capital. Tomo 03. São quinze horas e dez minutos. Claro evidente. O meu tratamento é simplesmente parar de fazer o que eu mais faço: fumar, beber e falar. Que bela a síncope. Sincopada. Tenho detestado os acentos menos o circunflexo que sempre admirei, exatamente por isto me chateia que a tão agressiva prepotente nova ortografia resolva exterminar com ele e ainda com a trema e o hífen. Deve ser a paranóia, que de vez em quando reaparece mesmo sem ser chamada. Assim trabalho aqui no êxtase com meus amigos doidões, gosto do embalo, graças a certas conquistas bem frágeis desvalorizadas sem razão verdadeira. A epifania tem chegado atrasada, chegou junto com a vírgula, que é chatinha, mas tem seus encantos curvilíneos. Não vejo o cristo da janela e nem desejo. As pessoas mulheres são incríveis, acreditam como sendo merecido pelo o que possuem, que estaremos sempre à sua disposição. Elas detêm o total domínio. Ao seu bel prazer, então está bom, ao som da flauta. Nós outros que estamos em retirada, já podemos encontrar algo que supra a falta da pérola escondida, teimosa em não saber ser usada. Ainda penso em tentar bastante sem desistir. É triste e é verdade. A tristeza é bela. Bom dia tristeza. Sorvo-te e cuspo depois. Com muito prazer, bem maior que o seu, imagino no chuveiro. E muita saliva. Já não preciso que tenhas prazer, basta o meu. Só o meu. Já desminto. Invertidos horizontes. Qual é? É isto mesmo, falo e pergunto para vocês todas que olham daí com cara de pitanga. Lindas. Tudo mentira no primeiro de Abril. As prateleiras acham que não se enganaram, e sim se conformaram. Entraram na forma. Eu é que não vou desenformá-las. Mais este trabalho não topo. É tão bom discutir. Por vezes dói. A dor é de quem vai amar. Cada momento o espaço é tão pouco que parece que nem se chama espaço. A respiração é fundamental, não nascemos para essa situação de elevador cheio, já disse alguém. O Tom. Ouvidos de mercador, esta é a solução. Nascemos para desfrutar o paraíso. A partir de agora vou seguir todas as aulas que me deram. Só, claro, dos bons professores. Eles mesmos que são difíceis de aparecer. Basta não esquecer e observar, o que parece até fácil diante da dificuldade de subir estes degraus que nos apresentaram, simples como esta leitura, quando o sol se por avermelhado refletindo no mar. A doutora Janaína me revelou este diagnóstico imagético em foto e DVD impresso incontestável em papel e disco: ao exame nota-se lesão vegetante em toda a extensão da prega vocal direita; movimentação reduzida da prega vocal direita. Intensa estase salivar em valécula lingual (sic). Poderia por entre aspas, prefiro não. Já que também vem de mim este relatório. Só a escrita que nesta hora não era da minha condução. E ela é uma baixinha bonita e competente, com idade pra ser minha filha. Não é. Ainda pode ser que já tenha que continuar. Para quê reclamar se está tão fácil. Posso te comer agora, ouviu a empadinha. Amanhã é outro dia e não vou poder, tenho que trabalhar. Estou condenado à falta de sentido. E não aceito. Livro-me momentaneamente através da argumentação. Amadas saídas. Por vezes indecifráveis e intangíveis. Procuro-as com medo e indecisão. Tenho que enfrentar as incapacidades, muito belas que são. Atraentes e impenetráveis como a Monalisa e a Lulu, aquela cartesiana francesa de boina que me incomoda intermitentemente. Espirrei no deserto, tanto búlgaro aqui, nem um Tristão por perto. Simples trocadilhos. Detesto as cobranças, não tenho como fugir, não era isto que ia escrever. Vou começar a falar de cinema para escapar bem do nó cego que eu mesmo me dei. Não é um nó de marinheiro, senão estaria perdido. A balada do velho marinheiro com gravuras em metal e tudo. Hoje perdi o senso, ouvi estrelas. Não conto de quem é o que eu disse antes, quem não sabe não merece consideração. Poemas um tanto um quanto piegas que um dia ao luar, nós dois em plena solidão tentamos ao tempo recitar sem alcançar aquela cor do céu de abril. Catulo da Paixão Cearense. Quincas Laranjeiras e Ernesto Nazaré. Reza a lenda todas estas sintonias. Por ter o prazer de ver as lágrimas pelos olhos a sofrer e a escorrer pelo corrimão daquele rosto delicado e angelical. Um fabuloso nariz adunco se intrometeu naquela presumível paisagem tornando-a surpreendente. Pouco vale o que ficou para trás. O tempo que passa em dor maior. Não sei de muita coisa do que se passa ainda. Novamente ouvidos de mercador. Ando tocando baixo muito bem e ainda posso melhorar, como tenho tido chances novas a cada armadilha que se me apresenta conferindo a ambiência celestial. Ela disse: hoje Dom Luís faz duzentos e oitenta anos, logo compreendi que por isto estava sentindo alguma coisa indesculpável. Perguntei: só? Por isto também tantos encontros. Era hoje quem poderia acreditar. Ou dizendo melhor quem diria? Ótima bela cantora. Cura todo calo na voz e ainda canta em falso francês. Só ouvi, adoro as falsas, se tivesse visto imediatamente teria me apaixonado outra vez. Era apenas mais uma possibilidade. Vamos para as outras. Outro bar quem sabe. Todas elas recheadas de inutilidades indubitáveis. Degustáveis. Vou mudar de instrumento, das cordas para o sopro. Acho que não. Ainda prefiro o piano que é tudo. Bill Evans. Não volto mais a este assunto. Louis Armstrong que gênio. Ajudem-me. Liberta meu coração Isabel. Cantou o gênio do compositor Geraldo Pereira. Quem se utiliza de vários pontos finais em frases curtas não sabe escrever, dizia com certeza de um ataque direto, o desenhista secreto Márcio, de sua altura no canto daquele balcão provinciano, como era costume acontecer sempre que eu ali me aprochegava. Como a vida é difícil, pensava eu. Para que pensar também? Perguntava a galera do Galo só para meus ouvidos é claro. 2102 Serra. Este é o ônibus que não anda pelo trilho. A coisa é mais divinal do que material. Disse o velho flautista respondendo à linda voz da jovem locutora da rádio. Cansou parou. Pois já não sei quem sou, sem ela. Nunca ninguém desejei, como desejo a ti. Linda. Deixa de asneira que eu não sou limão. Maria a vida é esta: subir Bahia descer Floresta. Eu tinha a liberdade como um homem. Neste domingo Pascoal antes do almoço da nova ressurreição, brindamos com um vinho rouge chamado Saint Lambert, um inovador cruzamento de uvas Malbec e Bonarda, parceria da qual nunca tinha ouvido falar, coisa que era também totalmente desconhecida aos presentes ali servidos, para sem titubear bebermos a um resultado argentino. Com imenso prazer. Quem sou eu para sufocar solidão na mesma boca. Céu triste e belo do fim de março. Anteriormente aconteceu o que vou descrever agora justo quando ainda era verão. Não foi um sonho dormido, acho eu. Voltamos a Adega do Timoneiro ali na Rua Visconde de Itaborahy, depois de termos dado uma grande volta por aquele misterioso e surpreendente deserto Rio antigo ao som dos violinos no inicio do fim do domingo com a esperança de descobrir algum botequim aberto. O Botafogo acabara de ganhar a Taça Guanabara do Vasco da Gama, acontecimento que gostei bastante e os portugueses que me rodeavam não, fazer o quê. Hoje que era outro dia, ela estava untando com manteiga o pirex de vidro refratário para o desejado assado antes do jogo, com clareza de mais um show do Galo, que ultrapassava qualquer possibilidade remota de conciliação. Enfim sós.Voltemos então juntos à narrativa palatável. Eram mais ou menos seis e quinze da tarde e o sol escaldante se retirava lentamente trazendo o lusco fusco no centro urbano. Fim do verão feroz em Março do ano treze, à noite viria tempestade.
Enquanto caminhávamos eu, o Big e o Gabriel de Cataguases, lembrei que minha filha Jade quando era pequena dizia que o Big e eu formávamos um desastre ecológico. Havia também aquela cantora que disse que gravaria a música só para mim. Se ela visse o trio agora o que diria? O curioso inesperado para os distraídos, deveria ser o Big com seus um metro e quarenta, eu com os meus médios um e setenta e taus e o Gabriel com seus mais de metro e noventa, andando juntos, cada qual na sua passada no passeio em frente às portas rolantes de aço cinza cerradas sem nenhum acompanhamento. Exatamente, era o trio parada dura caminhando na mesma direção, completamente em desalinho, pelo menos parecia. Consegui assim, sem saber como, me transportar e ficar de fora ao longe vendo a cena de camarote. Ao menos meus olhos nus puderam ver. Era engraçado. Demos esta redondilha pelo velho centro com louvor porque quando pela primeira vez chegamos, o velho garçom da Adega disse que já estavam fechando sem nenhuma abertura. Neste retorno tivemos que implorar a morena bonita do caixa para que bebêssemos uma de pé em frente ao balcão enquanto eles lavavam o chão do salão do bar. O cinema é uma forma que pensa. É curta a vida, curto o dinheiro, o tempo escasso e o mar imenso. Essa é do capixaba Rubem Braga. O estado do Espírito Santo. Continuando a estória, enquanto tomávamos a nossa suada conquista, entrou no bar um rapaz alto, bem vestido e sorridente, dando início ao seguinte diálogo com a morena do caixa: por favor, a senhora me empresta um minutinho o seu isqueiro, que logo eu trago de volta?  - (ela não gostou de ser chamada de senhora) ascenda aqui mesmo, disse de costas.
Tentei e não consegui continuar esta estória que era boa. Inclusive o dedo escapou daquela mão e depois voltou como sonhei. Em noite atribulada.
Era para mim muito importante ouvir, antes de nada, ouvir esta música. Mário meu ator ainda inconquistado me falou das lágrimas das virgens quando tinha som acústico. Como decifrar a Esfinge.
Voltamos para o cinema para ver meu filme na tela grande. O problema começou de novo. Vejo minha sombra em alegre movimento. Só. Mais uma mentira.
O resultado é humano o esforço é divino, esqueci quem disse isto. Durante toda a filmagem, eu sabia que o Guará estava por lá. De novo a nova era medieval.