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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Respostas dos amigos ao texto postado CPB

Querido amigo,
Compreendo e concordo plenamente com o seu sentimento e ponto de vista. Vivemos em todo o mundo num momento regressivo, em que os sonhos do passado vão sendo progressivamente aniquilados pela ideologia do mercado, pelo grande capital e pela ilusória avalanche de gadgets, quando não o são pelos mísseis de precisão guiados por satélite.
O nosso cinema atual que, com raras excessões é imitador do modelo da matriz, acentua ainda mais a sua mediocridade, agora sob o falso argumento da melhor qualidade técnica e de uma aparente heterogeneidade de assuntos.
Espero e torço para que você consiga o certificado de produto brasileiro, um título inteiramente desnecessário numa época em que se fala tanto em "liberalização do mercado", "desregulamentação" e outras conversas fiadas ao gosto dos americanos. O que é um produto audiovisual brasileiro? Suponho que seja - segundo as normas da globalização neoliberal - alguma coisa produzida por uma empresa sediada no País. Você se lembra de uma onda, há alguns anos atrás, de vários filmes brasileiros falados num inglês grotesco e macarrônico? Ainda assim, estas obras receberam o seu certificado de produto brasileiro.
Revendo o material do Milagre dos Peixes, acho que encontrei o plano de quebra da câmera. Como você já me disse que gostaria de revê-lo, estou enviando-o num formato muito comprimido que se ajusta às restrições impostas ao tamanho do e-mail.
A resposta às suas questões está no prelo e lhe será remetida logo. Espero que a sua mãe já esteja melhor.
Um grande abraço do
Sérvulo Siqueira

Zé....
estamos todos nós que
fazemos este "negócio" cinema
como força vital de vida e arte
fudidos com a imbecilidade
reinante. só existem formulas
únicas no tratar o cinema...
quem faz fora delas tem sofrer
no fogo do inferno. to de saco cheio
dos janotas burocratas do capital... mas
CONTINUO FAZENDO. NÓS
CONTINUAMOS FAZENDO.
grande abraço.
ricardo miranda

Zé,
você, além de entender, vai sentir: meu enorme abraço amigo.
Dileny Campos

Oi Zé,
Bonito. Forte. E triste. Parece que V., como todo mundo, quem diria, vai ficando velho. Que bobagem. Ninguém "fica" velho. Não nós. A gente viveu a juventude muito fortemente. Não tem jeito: ela está aqui. Mas sei que a gente tem tudo pela frente. Não há porque não fazer novos filmes. O futuro é dos persistentes. Depois que li o que V. escreveu, me deu vontade de ver um filme seu. Acho que está na hora de V. fazê-lo, novamente.
Uma juventude amadurecida? Existe? não sei. Seria perfeito.
Agora a gente tem mais o que dizer?
Eu acho que ainda vou começar. Fico até satisfeito por não ter feito muito antes. Acho que eu era muito sem noção.
Um abraço.
Carlão

Zé,
to de saco cheio
dos janotas burocratas do capital (2)
nos ferraram muito no nosso primeiro longa e deram até risada na nossa cara,
mas a gente seguiu na outra via, mais fodaços que a cris cyborg.
são tantas as outras vias fora destes dois únicos jeitos que os imbecis conhecem
que começo finalmente a pensar nosso segundo longa.
e, loucos demais, faremos do mesmo jeito, errado!!!
ancine? não sei nada sobre isto.
@biAhweRTHer

domingo, 25 de setembro de 2011

A Minha Arte

CPB

Uma coisa que o cinema me deu foi à consciência que estava no caminho certo. Às vezes apaixonado, outras vezes me deixando dominar por divagações, intuições, conhecimento e estudo, nunca por ganância, fiz cinema por amor à arte. Sei, por todos esses anos vividos, que a arte de ilustrar, com imagens e sons, palavras por mim escolhidas, geralmente escondidas, marginais, cantadas em textos de poesia e prosa, foi como diria Gilberto Vasconcellos “a minha (sua) única quimera”.

Fiz filmes criando imagens e sons rebuscando origens e segredos da nossa cultura, seus personagens e enredos, vozes do tempo que se entrelaçavam poeticamente através de uma linguagem experimental, sempre crítica, cortada no fio da navalha daquilo que eu queria contar. Acho que não consegui me fazer entender pela nova geração de cinéfilos.

O sistema aperta o cerco financeiro. Nunca tirei um só tostão, coloquei todo meu dinheiro no cinema. Estou mais pobre do que nunca. Mesmo assim continuo acreditando que esse é o caminho da minha arte, da minha liberdade criadora. Não vou tergiversar e corromper a minha resistência cultural participando desta festa mercadológica onde os incautos se banqueteiam com a doce ilusão do sucesso

A história da arte é composta em ciclos que pulsam na ação do tempo das suas diversas escolas. A minha escola cinematográfica é a rebelde revolucionária de 1968, nascida no arrocho da ditadura militar. Naquele tempo criou-se um cinema transformador e de resistência, um cinema antropofágico, oswaldiano. Através da liberdade paradoxal de um tempo cruel de repressão, o cinema de arte poética surgiu como a única nova forma de ver o mundo que mudava velozmente. Essa novidade cinética só foi possível existir através das lentes de aumento, da aproximação transgressora, da angulação transformadora de todo tabu em totem, podendo então se ver de perto e ter visões, como as tinha Paulo Villaça no filme do Sganzerla onde o cultuado bandido da luz vermelha, em uma sala escura de cinema, observava o filme na tela de binóculos.

Hoje não vejo mais perto, não tenho visões do meu tempo e da minha arte. Não consigo me interessar mais pelos filmes que abarrotam as prateleiras das locadoras. Não vou mais ao cinema. A cada novo lançamento, um susto. O meu cinema permanece escondido, oculto, marginal. Quando penso que o filme Amaxon foi a minha derradeira quimera, fico triste e perdido alguns minutos sem saber o que fazer... Nessas momentâneas ausências eu já pensei em dedicar os meus dez últimos anos de vida útil em inventar outras artes que me dão prazer ou total desprazer, como arrumar um trabalho como operário no cinema industrial, ser útil em uma produção; em uma televisão; em uma produtora; em uma biblioteca. Escrevo contos, poesias, roteiros; sou um bom diretor de fotografia e sei editar qualquer filme. Poderia ser professor, mas o sistema também não deixa – não tenho curso superior. Algumas pessoas acham que eu deveria mesmo era desistir do cinema... Eu digo que às vezes quero, mas o cinema não me deixa ir. Agora abandonar a criação de imagens e sons e depois poder editá-los, exibi-los mesmo que seja na internet, é um prazer que eu não vou dar ao sistema, nem aos meus inimigos. É como diria o Darcy Ribeiro: “Perdi todas as batalhas, mas não gostaria de estar do lado dos vencedores”.

No mais é torcer para que os mais sensíveis amigos e funcionários da Ancine providenciem, com a máxima urgência, o CPB (Certificado de Produto Brasileiro) do meu filme O REI DO SAMBA, para que assim eu possa entregá-lo, já que foi escolhido, a TV BRASIL e receber o que a ele é merecido.

Acontece em Juiz de Fora



sábado, 24 de setembro de 2011

NOTÍCIAS




UNICEF


confirma que Cuba é o único país da América Latina sem desnutrição infantil O último relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) intitulado "Progresso para a Infância, um Balanço sobre a Nutrição", determinou que, atualmente, existem no mundo 146 milhões de crianças desnutridas.

Resultado do jogo da: MEGA - 10 - 47 - 51 - 53 - 59 – 60 – Não sei como uma pessoa pode entrar em uma casa lotérica e escolher esses seis números em uma aposta com a sorte e com o seu destino.

Loucura Pouca é Bobagem
Cientistas anunciam partícula que se move mais rápido que a luz
DA REUTERS (Folha de São Paulo) 22/09/2011 - 14h52
Uma equipe internacional de cientistas afirma ter encontrado partículas de neutrino que se movem mais rápido que a velocidade da luz.
Se confirmada, a descoberta pode alterar uma das leis fundamentais da física, a teoria da relatividade de 1905 feita por Albert Einstein. Pelos seus estudos, nada no Universo poderia ser mover mais rápido que a luz.
O pesquisador Antonio Ereditato, que trabalha no Cern (sigla em francês de Organização Europeia de Pesquisa Nuclear), disse que as medições nos últimos três anos, realizadas no LHC (Grande Colisor de Hádrons), mostraram os neutrinos se movendo 60 nanossegundos mais rápidos que a luz em uma distância equivalente ao que seria o trajeto entre as cidades de Genebra, na Suíça, e Gran Sasso, na Itália --cerca de 730 km.
"Temos grande confiança em nossos resultados. Mas precisamos que outros colegas façam e confirmem seus próprios testes", disse.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

MEMÓRIA VIVA

O FAMOSO CINEASTA ORSON WELLES RETORNA AS MINAS GERAIS E CAUSA NOVA POLÊMICA
Recebi do meu amigo escritor, crítico e autor de cinema, Sérvulo Siqueira, um emeio onde ele se espanta com a reportagem que alguns jornalistas mineiros tentam esquartejar (segundo suas palavras) a figura emblemática de Orson Welles na sua visita ao Brasil e principalmente a Minas Gerais usando para isso passagens escritas no seu livro publicado na Estante Virtual. Livro que todos que gostam do bom cinema deveriam se interessar em ler.
O emeio do Sérvulo Siqueira:
“...Estou muito triste porque fui vítima de um estelionato perpetrado por uma jornalista do Estado de Minas. Ela me procurou alegando que queria que fazer uma matéria sobre a passagem de Welles por Minas. No domingo passado, com a publicação da reportagem, verifiquei que se tratava na verdade da fabricação de um gancho destinado a promover um documentário ainda em sua fase inicial, que naturalmente se propõe a captar dinheiro público. Pura picaretagem: tanto a jornalista quanto a diretora não sabiam nada do assunto e se serviram dos meus conhecimentos para se promover. Pior ainda, a matéria realiza em esquartejamento explícito de um dos grandes gênios da arte do século XX, desfiando toda sua escatologia. Me sentí envergonhado em participar, involuntariamente, desta quadrilha. Coincidentemente, na semana passada a diretora do suposto "documentário" comprou um exemplar do livro na Estante Virtual....”
Matéria escrita pela jornalista Ana Clara Brant para o jornal O Estado de Minas em 14/08/2011 com observações do autor do livro citado:
Orson Welles adorou a luz da capital e gerou divertido folclore a respeito de suas aventuras. Conta a lenda que ele foi ao cabaré Montanhês e fez xixi de cima de um fícus na Praça Sete
A luminosidade de Belo Horizonte impressionou o cineasta Orson Welles. “Acho linda esta cidade, sempre esbatida de sol, de uma alegria solene e comunicativa. Vou vê-la melhor agora”, declarou ele ao Estado de Minas em 11 de março de 1942. Na entrevista, o americano elogiou o país e se disse surpreso com o que encontrou: “Nunca supus que pudesse haver tanto material filmável no Brasil. Creio que vou fazer muita cousa séria em torno deste país interessante e amável. Estou encantado com o Nordeste e os jangadeiros. Não sei como eles puderam permanecer tanto tempo desconhecidos do mundo”.
Não saiu no jornal, mas a passagem de Orson Welles por BH gerou verdadeira coleção de causos pitorescos. Há quem garanta que ele teria “enchido a cara” nos bares da Avenida Afonso Pena, chegando ao ponto de subir em uma árvore da Praça Sete. Teria dado trabalho à polícia. Foi visto no Montanhês Dancing e foi fazendo xixi em uma árvore da Rua Rio de Janeiro, assim que deixou o salão de dança. Teria se esbaldado não só com a bebida – trata-se de notório boêmio –, mas com a famosa culinária mineira.
“Quem sabia muitas histórias dele, inclusive os dois chegaram a trocar cartas, foi o falecido professor de teatro da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Francisco Pontes de Paula Lima. Ele comentava a empreitada do Welles pela noite da capital. Nos contava o episódio na Praça Sete, onde o diretor teria até subido em um fícus e urinado lá de cima. Se não é verdade, pelo menos virou lenda”, comenta o cineasta e crítico Paulo Augusto Mello Gomes, de 61 anos.O diretor Sérvulo Siqueira acha que, como Welles estava no país a serviço do governo norte-americano, ele pode ter mantido compromissos oficiais, inclusive em Belo Horizonte, onde teria se encontrado com o governador mineiro Benedito Valadares.
“Welles era emissário do governo dos Estados Unidos, que estavam perdendo espaço durante a Segunda Guerra Mundial. A América Latina tinha papel fundamental nessa história”, emenda Sérvulo. Entretanto, a missão e o filme que Orson Welles veio a fazer no Brasil acabaram tomando outro rumo. Isso talvez explique um pouco o “boicote” da imprensa em relação à estadia dele no país. “O diretor se encantou pela cultura negra, o samba e as favelas. Ficou muito amigo de um ator mineiro excepcional, o Grande Otelo. Não era isso que os governos norte-americano e brasileiro desejavam. Então, a imprensa, que sempre serviu aos poderosos, ficou do lado do governo e passou a boicotá-lo”, teoriza Sérvulo Siqueira, autor de livro sobre a estadia do artista americano no país.
Orson Welles nasceu em Wisconsin, em 6 de maio de 1915. Dirigiu 27 filmes entre os 113 que compõem seu currículo de ator, roteirista, montador e produtor. É dele um dos longas-metragens mais aclamados da história: Cidadão Kane, que completou sete décadas este ano. Welles também chamou a atenção com o programa Guerra dos mundos. Essa adaptação radiofônica do romance de H. G. Wells foi tão impressionante, com impactantes recursos dramáticos, que as pessoas em pânico fugiram de casa ao ouvir pelo rádio que marcianos haviam chegado à Terra. Locutor da façanha, Welles morreu em 1985.
A jornalista Laura Godoy, que prepara documentário sobre a visita de Orson Welles a Ouro Preto, diz que ele não teve tempo de conhecer muita coisa na cidade histórica, mas aposta na Matriz do Pilar como um dos lugares conferidos por ele. “A igreja era um dos pontos mais conhecidos e visitados”, teoriza ela.
O poeta ouro-pretano Guilherme Mansur, de 53 anos, chegou a escrever uma crônica fictícia sobre o ilustre visitante. Conta que o diretor teria sido visto debruçado na balaustrada da Ladeira de São José, completamente bêbado, amparado pelo fotógrafo Jean Mazon. Depois teria comido pé de porco e se embebedado nos botecos no Largo de Marília de Dirceu. Teria até se deliciado com pão de queijo e admirado o purgatório do Aleijadinho sobre a portada da Igreja do Bom Jesus. “Criei um roteiro. Ele até pode ter passado por todos esses lugares, mas não tenho provas. Só sei que adorava beber e comer. Vejo-o como um glutão que vai descobrindo Ouro Preto por meio das gulodices”, afirma.
Dá para imaginar Orson Welles, um dos gênios do cinema, esbaldando-se em pleno Montanhês Dancing, na zona boêmia de Belo Horizonte, e comendo pé de moleque em um boteco em Itabirito? Ou passeando pelas ladeiras históricas de Ouro Preto? Há quem jure: tudo não passa de lenda, tamanha a falta de registros e informações sobre a visita relâmpago do ator e diretor norte-americano ao estado. Mas é fato: em março de 1942, Welles conheceu Minas. Deixou o rastro de mistério, imaginação e dúvida.
“Eram tempos da política da boa vizinhança. Aos 26 anos, Orson Welles já havia filmado a obra-prima Cidadão Kane. Foi encarregado pelo governo norte-americano de aproximar os Estados Unidos do Brasil. A gente sabe muita coisa da visita dele ao Rio de Janeiro e ao Ceará, pois estava aqui para fazer o documentário It’s all true sobre o país. Mas o que ocorreu em outras cidades brasileiras por onde passou é meio obscuro. Para falar a verdade, quase todos os acontecimentos relacionados a Welles sempre são cercados da atmosfera de mito e realidade, para a qual ele contribuiu de forma proposital ou involuntária. Como a serpente que mordeu a própria cauda, ele acabou se tornando vítima dessa fantasia”, afirma o cineasta paulista Sérvulo Siqueira, de 64 anos, que acaba de lançar um livro sobre a temporada brasileira de Welles, FRAGMENTOS DE UM BOTÃO DE ROSA TROPICAL.
Setenta anos depois da visita, não apenas Sérvulo segue o rastro do diretor americano no Brasil. Há quatro meses, a jornalista Laura Godoy, de 31 anos, “come, dorme e acorda Orson Welles”, como define. Moradora de Ouro Preto, por conta própria ela decidiu pesquisar a passagem relâmpago de Welles pela antiga Vila Rica. Além da intenção de publicar artigo em parceria com o cineasta Luiz Carlos Lacerda, Laura está produzindo um documentário baseado nessa enigmática visita. “Meu pai tem um dos maiores acervos fotográficos de Ouro Preto e já pesquisava essa história. Sempre ouvi falar nela. Fiquei curiosa para saber até que ponto era lenda. A experiência vem sendo muito instigante. É trabalho de formiguinha, mas quero montar o quebra-cabeça e esclarecer quando exatamente ele veio, o que fez aqui. Nosso documentário pretende abordar todo esse imaginário”, adianta a jornalista.
Laura vasculhou arquivos e museus. “Não achei muita coisa sobre ele ou sobre Minas e Ouro Preto na década de 1940. O mundo vivia a Segunda Guerra Mundial, era esse o assunto que dominava os jornais. Além do mais, infelizmente, somos um país que não cultua muito a memória”, lamenta. De acordo com ela, tudo leva a crer que Orson Welles foi a Ouro Preto registrar as solenidades da semana santa. A jornalista apurou que a intenção dele era fazer contraponto ao carnaval carioca, documentado por ele em filme. “O mais estranho é: como Orson Welles filma isso, vem a Ouro Preto e não há nada comprovando essa passagem? Onde estão esses rolos? Esse tipo de lacuna ainda falta decifrar”, diz.
Sérvulo Siqueira diz que Welles pegou forte gripe na cidade mineira e por isso acabou não concluindo o projeto de documentar o evento religioso. “Segundo os relatórios de Lynn Shores, diretor de produção de It's all true, ele ficou doente e teve que voltar ao Rio. As filmagens em Ouro Preto foram dirigidas pelo roteirista Robert Meltzer e fotografadas por Gregg Toland, diretor de fotografia de Cidadão Kane”, acredita. Se os ouro-pretanos perseguem o fantasma do gênio do cinema, não há dúvida: o homem passou mesmo pela capital mineira. E há prova disso: “Belo Horizonte hospeda o Cidadão Kane”, manchetou o Estado de Minas em 11 de março de 1942. A reportagem conta que o “revolucionário de Hollywood” passou apenas um dia na cidade. Informa que ele percorria o país “em busca de originalidades que representem a vida dos brasileiros no que ela possui de mais característico e interessante”. Welles desembarcou no aeroporto da Pampulha em avião da extinta N.A.B, e de lá se dirigiu para o extinto Grande Hotel, onde hoje está o Edifício Maletta, na Avenida Augusto de Lima.
Ele era apenas um moço de 21 anos. Em certa manhã de 1942, deparou-se com um rosto hollywoodiano em plena ponte de Itabirito, a 55 quilômetros de Belo Horizonte. Não acreditou que o responsável pelo clássico Cidadão Kane estava ali, diante de seus olhos. “Eu o conhecia, admirava seu trabalho. Mas muita gente nem imaginava de quem se tratava. Fiquei pensando: ‘Meu Deus, o que o Orson Welles estaria fazendo em Itabirito?’”, conta o juiz e desembargador aposentado Alyrio Cavallieri, de 90 anos. O jovem mineiro trabalhava com o pai no Bar e Restaurante do Primo, que pertencia à família. E foi lá que o astro norte-americano passou pelo menos uma hora, depois de o carro enguiçar. “Welles ia de BH para Ouro Preto. O Bar do Primo era parada literalmente obrigatória para quem seguia aquele caminho, o único lugar em que se podia fazer xixi”, brinca o itabiritense, que fez carreira no Rio de Janeiro e se tornou famoso juiz de menores. Orson Welles caminhou pela rua principal. Alyrio Cavallieri logo tratou de pedir autógrafo, com seu inglês de ginásio. Em seguida, veio o insight. Correu para casa, trouxe a velha câmera Kodak. “Quando voltei, ele fechava a braguilha. De cima da ponte, acabara de ‘batizar’ o Rio Itabirito. Assim que se recompôs, pedi para fazer a foto. Ele foi bem simpático, tirou os óculos escuros e fez pose”, recorda. Orson Welles deu uma chegadinha no bar do Primo e se encantou com os doces expostos na vitrine. Não pensou duas vezes, tratou de experimentar o pé de moleque. “Quis agradá-lo e disse: ‘It’s free for you, mister!’. Lembro-me da resposta. Ou melhor, guardei o som, pois só fui entender as palavras mais tarde. ‘It’s foolish’, respondeu. Ele insistiu em pagar, mas não aceitei”, relembra Cavallieri.
Quem passar hoje por Itabirito vai, finalmente, encontrar um registro público da aventura mineira do Cidadão Kane. Perto da ponte onde ele “batizou” o rio que corta a cidade está a estátua do cineasta. Ao lado do monumento de bronze – que pouco lembra os traços do diretor –, a placa traz as palavras de Alyrio Cavallieri: “Uma visita digna de nota de um artista ilustre a Itabirito!”

terça-feira, 20 de setembro de 2011

ATENÇÃO:

Peço desculpa aos leitores pelo terrível engano que cometi em publicar nesta página tão estúpido filme. A história do México deveria ser mais respeitada pelos produtores de roliude e seus artistas escravos. Deveriam pelo menos ter algum talento para glorificar a pseudo-ética do imperialismo lá existente. Confesso que não vi o filme todo, não agüentei. Imaginei que poderíamos ver narrado em tecnicolor a história de Pancho Villa, grande líder da revolução mexicana, assim como foi Emiliano Zapata. É preciso lembrar que o grande diretor Elia Kazan fez um belo filme para roliude sobre a mesma revolução. Desculpem-me pois não imaginava que a estupidez de um filme chegasse a tal ponto.

sábado, 17 de setembro de 2011



O CAPITAL CONTRA-ATACA A PEQUENA ABERTURA DADA PELO GOVERNO COM A POSSIBILIDADE DE SE EXIBIR PELA PRIMEIRA VEZ O PRODUTO BRASILEIRO EM SUAS REDES DE COMUNICAÇÃO.

NOTÍCIA DA MÍDIA:

Empresas planejam ir à Justiça contra nova lei de TV paga. A Sky informa que entrará com ação ''nos próximos dias'' contra as cotas de conteúdo nacional nos canais pagos

Renato Cruz - O Estado de S.Paulo

Muita gente comemorou a sanção da nova lei de televisão por assinatura pela presidente Dilma Rousseff, na segunda-feira. Mas as novas regras, que, entre outros pontos, acabam com a restrição à participação do capital estrangeiro na TV a cabo, estão longe de ser unanimidade. Empresas se preparam para ir à Justiça contra a nova lei.

O presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista, afirmou que a empresa deve entrar com uma ação contra as cotas de programação nacional "nos próximos dias". "Vamos esgotar todos os meios possíveis", disse ele. "O próximo passo é a Justiça."

A legislação obriga que os canais tenham até três horas e meia de programação nacional e regional por semana, em horário nobre, de acordo com o que for definido pela Agência Nacional de Cinema (Ancine). Metade dessa programação deve vir de produtores independentes.

Um terço dos canais do pacote de programação terá de ser brasileiro. Nos canais brasileiros, um terço da produção precisa ser independente e dois canais devem ter 12 horas diárias de programas brasileiros independentes.

"Nunca ninguém ligou para a central de atendimento da Sky para reclamar que falta conteúdo brasileiro no horário nobre", disse Baptista. "Quando a conta dessas cotas for apresentada para os assinantes, vamos lembrar a eles, a cada momento, quem foi que apoiou esse projeto."

A Associação Brasileira de Programadores de Televisão por Assinatura (ABPTA), que reúne os canais internacionais de TV paga, também se opôs às cotas na época em que o então chamado Projeto de Lei da Câmara (PLC) 116 estava em votação.
Também no caso da ABPTA, o principal problema são as cotas. A associação informou que ainda analisa o texto sancionado.
A Rede Bandeirantes se opôs ao PLC 116, e preferiu não comentar a lei depois de aprovada. Na segunda-feira, porém, de acordo com o site Telesíntese, seu vice-presidente Frederico Nogueira anunciou que o grupo iria à Justiça.

A discordância da Bandeirantes, no entanto, é outra. A lei proíbe quem produz conteúdo de distribuí-lo. A Bandeirantes é dona da empresa de cabo TV Cidade. Para se adequar à lei, teria de vender o controle da operação.

Apesar da polêmica, o PLC 116 recebeu apoio das operadoras de telecomunicações, que eram impedidas de ter empresas de TV a cabo em sua área de concessão pelas regras antigas.

Com a mudança, a Embratel, que pertence à mexicana América Móvil, poderá comprar a participação da Globo na Net e, a espanhola Telefônica, a da Abril na TVA.

Além disso, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) colocará à venda novas licenças de TV a cabo. Faz mais de uma década que a agência fez o último leilão de cabo.

Celular. Baptista, da Sky, também criticou a posição das operadoras celulares sobre a quarta geração da telefonia celular (4G). Elas brigaram por vários anos para ficar com a maior parte da faixa de 2,5 GHz, ocupada pelas empresas de MMDS (TV paga por micro-ondas), argumentando que o espectro usado atualmente ficará rapidamente congestionado.

Depois de terem conseguido o que queriam, começaram a defender o adiamento do leilão, previsto para abril de 2012. "Esse desfecho é previsível e melancólico", disse o presidente da Sky. "Todos os movimentos das operadoras são no sentido de evitar a concorrência. Isso acaba prejudicando o cidadão brasileiro."

No mês que vem, a Sky vai lançar seu serviço de banda larga sem fio em Brasília, usando a faixa do MMDS. "Estamos animados", disse Baptista. Segundo ele, ainda falta sair a homologação dos equipamentos pela Anatel. A Sky está instalando 80 antenas para cobrir a cidade.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

ATENÇÂO

Os filmes escolhidos e aqui colocados
estarão posteriormente disponibilizados na página KTV

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

É melhor esquecer...

Salvador Allende morto


Chile
O 11 de setembro latino-americano
Enquanto os meios de comunicação de todos os quadrantes davam ampla repercussão aos 10 anos do 11 de setembro, com raras exceções alguns veículos recordavam outro 11 de setembro, o do Chile, quando um golpe de extrema direita derruba o governo do socialista de Salvador Allende que cai morto lutando contra os terroristas militares que invadiram o gabinete da presidencia.

terça-feira, 13 de setembro de 2011



Dez anos do golpe nos EUA

Adriano Benayon * - 11.09.2011

Há dez anos foi perpetrada a implosão das Torres Gêmeas em Nova York. No mesmo dia foi lançado míssel sobre uma ala do Pentágono, em Washington.

2. Está comprovado – exceto oficialmente, é claro - que esses crimes só podem ter sido mandados cometer por gente com poderes sobre as forças de defesa e segurança dos EUA, com autoridade sobre o território dos EUA, tendo à disposição recursos materiais e tecnológicos dos mais avançados.

3. Que isso surpreenda a maioria das pessoas ilustra o poder tirânico da oligarquia financeira anglo-americana, que controla a grande mídia e os formadores de opinião que a esta têm acesso. Demonstra, ademais, que essa oligarquia está obtendo os resultados da desinformação massiva e os do abaixamento do nível cultural, dos valores éticos e da capacidade de discernimento dos povos, que promove, desde há mais de um século, em escala crescente, para submeter a humanidade á sua tirania.

4. Atentemos para os esclarecimentos da Associação Arquitetos e Engenheiros pela Verdade, formada nos EUA por 1.500 engenheiros e arquitetos, acessíveis em http://www.truthout.org.

5. Em vídeo, mais de 20 engenheiros e arquitetos, altamente qualificados, expõem, com clareza, que as torres gêmeas - e o prédio ao lado, o WTC - ruíram verticalmente, em 7 segundos, por meio de implosão perfeita. O engenheiro brasileiro Thomas Fendel assinala que implosões convencionais não conseguem isso, nem em sonho.

6. A implosão realizada só podia ser feita por pessoal especializado e preparada durante meses. Têm de ser calculados os locais onde os explosivos de extraordinário poder calorífero (nanothermite) são colocados. Essa técnica fez derreter as vigas de aços especiais, sem o que as torres não cairiam como caíram. Foram literalmente pulverizadas, algo impossível sem essa técnica, à luz das leis da física elementar, como lembra Fendel.

7. Em 14.09.2009, o Prof. David Ray Griffin publicou artigo "The Mysterious Collapse of WTC Seven - Why NIST’s Final 9/11 Report is Unscientific and False” (Porque o Relatório Final do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia sobre o 11/9 é falso e não-científico). Cito: “Um relatório de cientistas, inclusive o quimico Niels Harrit da Universidade de Copenhague, mostrou que a poeira do WTC continha nanothermite, explosivo de alto poder – diferente da thermite ordinária, que é só incendiária. O relatório, assinado, entre outros, por Steven Jones e Kevin Ryan, só foi publicado em 2009.”

8. Como consta do site dos engenheiros pela verdade, o coronel-aviador Razer, da Força Aérea dos EUA, está 100% convencido de que as três torres do WTC foram destruídas por demolição controlada, implodidas com explosivos. Ele é um dos pilotos de maior experiência, no mundo, em todo o tipo de aviões, e em matéria de destrução de edifícios de aço e concreto. Para Razer está claro que a implosão não foi orquestrada por um bando de amadores muçulmanos liderados por um sujeito metido numa caverna no Afeganistão (Bin Laden).

9. Ademais, só pessoas autorizadas podiam ter acesso às Torres, para realizar o serviço, o que, claro, não inclui islâmicos desempregados, que mal falam inglês e não têm como obter visto de entrada nos EUA (os brasileiros que fazem fila nos Consulados norte-americanos conhecem as exigências).

10. Os islâmicos acusados pelo atentado, presos e torturados, jamais teriam: 1) formação, especialização e experiência para montar e realizar a implosão; 2) acesso aos edifícios conduzindo explosivos (nem eles, nem qualquer pessoa sem o respaldo dos serviços inteligência do governo dos EUA); 3) sequer a possibilidade de ingressar nos EUA sem o patrocínio desses serviços; 4) a menor condição de pilotar os aviões nas manobras para atingir as Torres, com cursinhos de piloto na Flórida no esquema montado pela CIA de recrutar os bodes expiatórios.

11. Pilotos profissionais e experimentados, de jatos como os Boeing 754, afirmaram que nem eles conseguiriam fazê-lo. Como os aviões bateram nas torres é pergunta que fica no ar. Telecomando? Não sei.

12 Conforme peritos, o calor gerado por queima do carburante de aviões não é, nem de longe, capaz de fazer derreter as estruturas dos andares atingidos, para nem falar dos demais, e tudo ruiu em bloco. Além disso, ruiu também o WTC 7, sem ter sido tocado por qualquer aeronave.

13. Outro ponto é o seqüestro dos aviões: como tudo foi facilitado desde ao aeroporto etc. Mais notável: os radares da Força Aérea dos EUA detectam o desvio de rota de qualquer avião e têm procedimento padrão para fazer imediatamente decolar seus caças supersônicos. Não corrigida a rota, depois do aviso, os pilotos dos caças o abatem.

14. Por que o desvio durou quase uma hora, até que os aviões se chocassem com as Torres Norte e Sul? Claro que os pilotos da Força Aérea receberam ordens para não sair do chão.

15. Isso se relaciona com a única das nove questões básicas da Comissão de Cidadãos dos EUA, respondida pelo governo estadunidense: “Everyone ‘goofed’ that day, according to the Bush administration and the 9/11 Commission (todos bobearam, segundo a administração Bush e a comissão oficial).

16. Por essa resposta pode-se, sem muita ironia, dizer que o governo dos EUA nem precisa responder as demais. Se ele tivesse alguma seriedade e dissesse a verdade, os militares e civis responsáveis, no melhor dos casos, pela injustificável negligência teriam de ser submetidos a corte marcial e exemplarmente punidos.

17. Mas que aconteceu? Eles foram promovidos. Como não supor que foram recompensados? Por que? Por terem sido cúmplices, cumprindo ordens contrárias aos regulamentos, às Leis e à Constituição de seu país. Pior que isso: ordens de traição a seu país, a não ser que se confundam os EUA com a oligarquia financeira que ali exerce sua tirania.

18. Eis, a seguir, perguntas da Comissão de Cidadãos dos EUA (omito as de ns. 5 e 7 por pouco acrescentarem ao dito acima):

1. Como poderiam ser sequestrados quatro aviões comerciais, que voaram no espaço aéreo dos EUA durante até 46 minutos sem envolvimento militar?

2. Como dois aviões comerciais poderiam causar implosão semelhante à das demolições planejadas nos dois edifícios mais altos do mundo, dotados de estruturas de aço?

3. Como o FBI identificou os 19 “sequestradores árabes”, se nenhum nome árabe aparece na lista de pasageiros nem da de triplutantes em qualquer das aeronaves?

4. O trabalho rápido do FBI em identificar os 19 “sequestradores” e a rede Al Qaeda de Bin Laden (sem provas) não sugere que o governo tinha conhecimento prévio de um ataque?

6. Por que empreiteiros começaram a retirar destroços antes de os investigadores estudarem a cena do crime?

8. Por que não foram achadas partes do Boeing 757 - asas, fuselagem, trem de aterrissagem, motores? Por que não havia restos de passageiros nem de suas bagagens?

9. Dúzias de câmeras de vigilância dentro e fora do Pentágono teriam gravado imagens de alta qualidade do que aconteceu. Por que nenhuma foi usada como prova para sustentar a teoria governamental do Boeing 757?

19. Em razão do que precede e à luz do que o governo dos EUA fez após os fatos de 11 de setembro de 2001, é lícito concluir que eles foram um golpe de Estado de terríveis consequências para quem mora nos EUA ou ali vai, e ainda piores no exterior. Isso será objeto de outro artigo.

20. Desde já, diga-se que o povo dos EUA vem sendo aterrorizado e ludibriado. Com a aprovação da Lei Patriot II (a Patriot I o fora na época de Clinton, após outro atentado), foi ainda mais radicalizado o estado policial, podendo ser presa qualquer pessoa sem ordem judicial, em função de simples suspeita por parte dos órgãos de segurança.

21. Que dizer dos países vitimados pelas bombas de urânio que mísseis e aviões dos EUA e de seus satélites lançaram, em seguida, no Afeganistão e logo no Iraque, depois em outros países e recentemente na Líbia, destruindo infra-estruturas e matando mais de um milhão de pessoas?


* - Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”, editora Escrituras. abenayon@brturbo.com.br

domingo, 11 de setembro de 2011

O TEMPO PASSA

Vício Incontrolável

Comecei a querer fazer cinema quando morei na cidade de Belo Horizonte em 1966. Foi durante os estudos do vestibular para escola de medicina que escrevi o meu primeiro roteiro: “Cidade Sem Mar”. Produzi o primeiro filme do meu amigo Neville de Almeida, recém chegado de Nova York: “O Bem Aventurado” e fiz em seguida o som para os filmes: “Joãozinho e Maria” de Márcio Borges e “Dona Olímpia” de Sartori. Em 1969, eu e Geraldo Veloso, editamos e sonorizamos o filme do Sylvio Lanna: “Sagrada Família”. Sai e retornei ao Brasil no início de 1970 e só consegui realizar o meu primeiro filme em 1975: “Bandalheira Infernal”.

Faço essa introdução biográfica para dizer que nesses 45 anos nunca arredei o pé do meu compromisso inicial com a arte, a cultura e a identidade mnemônica e cinematográfica do meu país. Realizei, com produção própria, 22 filmes entre curtas e longas-metragens. Todos esses filmes abordam temas relacionados aos grandes personagens da nossa história que, de uma maneira ou de outra, estavam esquecidos ou mal interpretados no meu tempo. Revisitei assim com o meu cinema Osvaldo de Andrade, Blaise Cendrars, Machado de Assis, Augusto dos Anjos, Murilo Mendes, P.W.Lund, Pedro Nava, Goeldi, Krajcberg, Daibert, Camargo Guarnieri, Geraldo Pereira, Nunes Pereira, Tancredo Neves e outros tantos autores nacionais citados em quatro filmes de ficção experimentais: Misterius, Inside, Bandalheira Infernal e Amaxon.

Meus filmes foram premiados e participaram dos festivais de cinema no Brasil e na Europa. De todos os meus filmes só três tiveram financiamento públicos. Primeiro foi pela Embrafilme. Depois um curta pelo Ministério da Cultura e um longa musical pela Cemig e Prefeitura de Juiz de Fora. Hoje eu consegui, com muito sacrifício, digitalizar doze desses meus filmes para fita Beta digital. Na esperança de exibi-los na televisão remeti há quase um ano os 12 DVD com os filmes para o Canal Brasil e até hoje não obtive nenhuma resposta. Não consigo exibi-los. Meu último filme “Amaxon” continua inédito. Imagino que eles não querem os meus filmes da mesma maneira que nunca mais consegui um financiamento para os meus projetos. Às vezes fico pensando: o que pode mais acontecer contra um artista que dedicou sua vida ao cinema brasileiro, este vício incontrolável e sem vergonha?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Não vi, mas já gostei...

Notícias da Antiguidade Ideológica: Marx, Eisenstein, O Capital

Máscaras de Marx

Por Jorge Grespan

Como filmar O Capital, de Marx? Era o problema de Eisenstein entre 1927 e 1929, depois de ter dirigido filmes que lhe valeram reconhecimento mundial. É o problema retomado por Alexander Kluge, importante escritor e cineasta alemão, em Notícias da Antiguidade Ideológica: Marx, Eisenstein, O Capital [lançado agora em DVD no Brasil pela Versátil em parceria com o Instituto Goethe].
Os dois projetos coincidem pela oportunidade: o primeiro no vértice da maior crise capitalista ocorrida até então, e o segundo também, realizado no ano de 2008.
Coincidem ainda no fôlego: em suas nove horas de duração, o filme de Kluge nos informa que Eisenstein, tendo recebido apoio e condições excepcionais do Comitê Central do Partido Comunista soviético, chegou a filmar 49 mil metros, que deveria cortar para 2 mil, isto é, para um filme de 90 minutos.Não conseguiu, adoeceu, mudou de projetos.As dificuldades são de fato enormes. Embora trate de um objeto essencialmente histórico e tenha longas passagens descrevendo a gênese e o desenvolvimento do capitalismo, o livro de Marx não é um livro de história.
Nele são desdobradas umas das outras as formas da sociabilidade contemporânea a partir da contradição existente já nas mais simples – mercadoria e dinheiro. As análises são densas, as deduções dialéticas, precisas. Como então passá-las para a tela?
A questão fica em aberto e atravessa de modo persistente todo o filme de Kluge, estruturado não como tentativa de simplesmente resolvê-la, mas de fazê-lo pela sua explicitação e aprofundamento. A discussão será todo o tempo a da tradução de uma linguagem a outra.
Diversos caminhos são explorados – entrevistas com sociólogos e filósofos para esclarecimento de O Capital; leituras de trechos não só deste livro mas de outros de Marx; discussão de alguns filmes e peças teatrais que abordam temas correlatos; às vezes o mero registro de músicos executando obras eruditas do século 19 e 20; imagens soltas e clássicas de fábricas e supermercados, em que na produção e no consumo o fetiche da mercadoria é encenado; imagens articuladas por letreiros, à moda do cinema mudo, mas com composição inspirada nos anúncios de propaganda comercial das revistas de antigamente; esquetes curtos com diálogos e cenas aparentemente sem relação com o assunto.
Em tudo isso, fragmentos sem unidade narrativa ou causal visível.Odisseia da humanidade. É verdade que Kluge começa voltando ao problema de Eisenstein. Para ele também a solução estava muito mais em encadear livremente associações, em catalogar seus impulsos criativos e ocorrências episódicas. Kluge faz questão de falar do talento de Eisenstein para idiomas, e principalmente de como ele usava palavras de diferentes línguas na mesma frase, escolhidas conforme sua expressividade.
Nesse processo, porém, um fato decisivo é relatado. Depois de estrear o filme Outubro, Eisenstein interessou-se também pelo Ulisses, de James Joyce, a quem vai encontrar em Paris nas semanas seguintes a outro outubro, o da crise de 1929.
Joyce achava que só Eisenstein e Walter Ruttmann seriam capazes de filmar seu livro. E Eisenstein concebe a reunião dos dois projetos, de modo que O Capital seria representado por um dia na vida de uma pessoa comum, de um operário que encerra a sua jornada e volta para casa, onde o espera a mulher com uma sopa rala.
Mais do que uma história, há aqui a oportunidade de fazer todas as determinações formais da sociabilidade capitalista aparecerem tal como aparecem em nossas vidas ainda hoje.
Na odisseia desse homem comum, mais uma vez, apareceria sintetizada a odisseia da humanidade, com o trabalho morto das gerações passadas, com os condicionamentos e os desafios do presente, do futuro como luta (de classes); enfim, um filme sobre as “forças essenciais” do homem, na interpretação de Homero e de Joyce por Kluge.
A ideia em si mesma não se realiza, como já sabemos, mas permanece de certa forma no fundo da motivação, talvez também de Kluge.
Trata-se, em primeiro lugar, de saber como o capital poderia dizer “eu”. E, em torno disso, encontram seu lugar os sucessivos fetichismos do mundo atual, que compõem círculos fechados e autônomos – correlatos ao da “autonomia da arte” – numa arquitetura rigorosa a descrever o cotidiano melhor do que qualquer relato ou pesquisa empírica.
As imagens soltas ou coordenadas do filme começam a fazer sentido. Mas continuam como fragmentos, abrindo novos sentidos.
O problema da tradução é reposto, de um idioma para outro (como dizer “alma” em russo?), de uma forma artística para outra, da forma da filosofia para a da técnica. A entrevistados como Enzensberger, Negt, Sloterdijk, é feito com insistência o mesmo pedido de sugestões de imagens que pudessem representar cinematograficamente O Capital. E é interessante ver que nenhum deles tem pleno sucesso em atendê-lo.
Qual é a saída?
Ao mesmo tempo em que esse problema é posto, outro menos evidente, mas igualmente crucial, vai se tramando. Afinal, para que filmar O Capital? Intriga a decisão de Eisenstein: é a única “saída formal” possível. Por quê?
Ele queria com isso realizar um cinema de tipo novo, jamais visto. Kluge experimenta várias fórmulas, explora de várias maneiras as possibilidades próprias ao filme. Ele quer fugir assim de todo didatismo, seja na forma, seja no tema – isto é, fugir da explicação fechada da obra de Marx pelo marxismo.
Quanto a esse último ponto, deve-se dizer que a perspectiva geral da abordagem é a da chamada Escola de Frankfurt. Há uma grande valorização de Korsch, citações de Adorno e Benjamin, críticas ao marxismo soviético, com a clara intenção de impedir no expectador a associação com uma história que, principalmente para a Alemanha, dividida até pouco tempo atrás, é bastante problemática.
A ênfase é posta na atualidade de Marx como o intérprete mais bem equipado das crises sociais e, por elas, do mundo dominado pelas coisas.
A busca desse Marx fica extraordinariamente representada na parte do filme que revela não estar o seu corpo de fato enterrado no túmulo de Highgate encimado pelo famoso monumento. Os funcionários do cemitério conduzem-nos a um périplo por trilhas cobertas de mato, até encontrar uma lápide simples, rachada, num canto reservado para judeus e demais indesejáveis. Ali de fato está o corpo de Marx.
O filme de Kluge pode ser aqui talvez resumido. E a sugestão dada a ele por Sloterdijk por fim é certeira.
A saída “formal” que Eisenstein nesse ponto de sua obra procurou na filmagem de O Capital guarda um raro paralelo com a Odisseia de Homero e de Joyce pela via de Ovídio e das Metamorfoses: no dia de qualquer homem moderno reproduzem-se e condensam-se as muitas formas e as muitas mudanças de forma do valor que se valoriza, da sociabilidade nele autônoma e por ele imposta.
Não se trata mesmo de filmar uma história, mas esse desdobramento de formas sociais pela troca de máscaras do capital. A história que aí começa, a verdadeira história digna de tal nome, é a da metamorfose na “alma” de quem apreende a enfrentar as coisas e seu poder.

Jorge Grespan é professor no Departamento de História da USP

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Notícia de Belo Horizonte


DESCOBERTA DA TERRA

Conhecer Délcio Teobaldo é desfrutar do antigo mais novo que o novo mas antigo da musicalidade brasileira pode oferecer. Música gravada, mixada, com a direção musical de Emiliano Sette em seu estúdio Garimpo da Gávea no Rio de Janeiro.
Link para a página:
http://www.mundeiro.com.br/

UM FILME DE RICARDO MIRANDA

Djalioh é um ser estranho. Nascido no Brasil vai para França aos 16 anos e apresenta-se de maneira não convencional, revelando-se “o idiota da família”. Incompreendido pela sociedade, sofre por amar Adèle, que está de casamento marcado com o primo Paul, Pai de criação de Djalioh.
Em Flaubert, Djalioh acaba por matar e morrer em frustrado processo de compreensão da sociedade européia. Sem poder falar, desejar e agir socialmente este herói romântico vai se transformar “na indignidade social dos homens”.
O filme é uma adaptação livre do conto “QuidQuid Volueris – estudos psicológicos”, de Gustave Flaubert, escrito em 1837, ano em que Flaubert tinha 16 anos.

com: BARBARA VIDA, MARIANA FAUSTO, OCTÁVIO III.
atores convidados: HELENA IGNEZ, TONICO PEREIRA
participação especial: CÁTIA BASTOS

http://www.youtube.com/watch?v=Jqz2oQhwkFg

domingo, 4 de setembro de 2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

REVENDO AL JOLSON VEJO MAMÃE

GRANDE MOMENTO DO CINEMA AMERICANO - THE JAZZ SINGER - 1927 - (O primeiro filme falado)



video

Grande Jamahira Árabe Popular Socialista da Líbia (Jamahiriya al-'Arabiya al-Libiya ash-sha'biya al-ishtirakiya)











AS 1001 NOITES DE TERROR ESTÃO CHEGANDO SIMPLESMENTE AO FIM?

LÍBIA - País do norte de África, limitado a norte pelo Mar Mediterrâneo, a leste pelo Egito e pelo Sudão, a sul pelo Chade e pelo Níger e a oeste pela Argélia e pela Tunísia. Antiga possessão cartaginesa, a Líbia foi dominada pelos romanos, invadida pelos árabes no século VII e posteriormente tomada pelos turcos otomanos. Em 1911 foi anexada como colônia pela Itália. Na década de 1950, tornou-se Reino Unido da Líbia. Em 1969, Moammar Al Qadhafi ascendeu ao poder, mediante golpe de Estado, dando início ao regime totalitário que dura até os dias de hoje.

O QUE ERA A LÍBIA COM KADDAFI

Independente dos erros que um regime totalitário possa cometer KADDAFI comandou a Líbia por mais de 40 anos e com o poder financeiro que o petróleo lhe fornecia pode unir as tribos do deserto e modernizar o seu país, de tal maneira, que a própria ONU constatou em 2007 que ali existia o maior índice de desenvolvimento humano (IDH) da África (até hoje é maior que o do Brasil). Na Líbia do KADDAFI o ensino é gratuito até a Universidade;10% dos alunos universitários estudam na Europa, EUA, com tudo pago; Ao casar, o casal recebe até US$50.000 para adquirir seus bens; Sistema médico gratuito, rivalizando com os europeus. Equipamentos de última geração, etc.; Empréstimos ao povo pelo banco estatal sem juros; Inaugurado em 2007, maior sistema de irrigação do mundo que vem tornando o deserto (95% da Líbia) em fazendas produtoras de alimentos.

POR QUE DETONAR A LÍBIA?

Tomar seu petróleo de boa qualidade e com volume superior a 45 bilhões de barris em reservas. Fazer com que todo o Mar Mediterrâneo fique sob controle da OTAN. Só falta agora a Síria. Foi preciso lembrar ao mundo capitalista que o Banco Central Líbio não é atrelado ao sistema financeiro mundial . Suas reservas são toneladas de ouro, dando respaldo ao valor da moeda, o dinar, e desatrelando-o das flutuações do dólar. Foi a resposta do sistema financeiro internacional que ficou possesso com Kaddafi, após ele propor, e quase conseguir, que os países africanos formassem uma moeda única desligada do dólar.

O ATAQUE HUMANITÁRIO PARA “LIVRAR” O POVO LÍBIO

A OTAN, comandada pelos EUA, já bombardeou as principais cidades Líbias com milhares de bombas e mísseis que são capazes de destruir um quarteirão inteiro. Os prédios e a infra-estrutura de água, esgoto, gás e luz estão seriamente danificados; As bombas usadas contêm DU (Urânio); tempo de vida 3 bilhões de ano (causa câncer e deformações genéticas); Metade das crianças líbias está traumatizada psicologicamente por causa das explosões que parecem um terremoto e racham as casas; Com o bloqueio marítimo e aéreo da OTAN, principalmente as crianças sofrem com a falta de remédios e alimentos; A água já não mais é potável em boa parte do país. De novo, as crianças são as mais atingidas; Cerca de 150.000 pessoas por dia estão deixando o país através das fronteiras com a Tunísia e o Egito. Vão para o deserto ao relento, sem água nem comida. Se o bombardeio terminasse hoje, 4 milhões de pessoas estariam precisando de ajuda humanitária para sobreviver (água, comida e remédios) de uma população de 6,5 milhões de pessoas. Em suma: O “bombardeio humanitário” acabou com a nação Líbia. Nunca mais haverá a nação Líbia. A união das tribos volta ao deserto ou já foram varridas do mapa. Simplesmente assim. Não há nada que possa mudar esse resultado.
É preciso saber o que de verdade vem acontecendo no mundo árabe e até onde toda essa história de absurdos vai chegar.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Fabio Carvalho em memórias do século passado

BAHIA DE TODOS OS SAMBAS OU VIAGEM AO FIM DO MUNDO
Para o Tau

“Quando se for esse fim de som doida canção que não fui eu que fiz verde luz verde cor de arrebentação sargaço mar sargaço ar deusa do amor deusa do mar vou me atirar beber o mar alucinado desesperar querer morrer para viver com Iemanjá”

Dorival Caymmi

Começo pelo acontecimento de 1988 no século passado. Fui a São Paulo para o FOTÓPTICA VIDEOBRASIL com o vídeo O MUNDO DE ARON FELDMAN, imediatamente após ter passado pelo RIOCINE e conquistado vários prêmios. A situação lá era diferente, depois de todas as mordomias do RIOCINE, com direito a hotel 5 estrelas e muito mais, me hospedei por minha conta num pardieiro zero à esquerda na Praça da República. Situação que me agradava dado ao meu temperamento de jovem rebelde, mais pro lixo do que para o luxo. Talvez pela formação mineira católica culpada. O interessante era que no Rio os prêmios se materializavam em troféus e alguma notoriedade, em São Paulo os prêmios eram em dinheiro e, o que é pior, muito dinheiro. Eu estava com a bola cheia. O vídeo já tinha sido selecionado para logo depois ir ao Maranhão, a Canela - em paralelo ao festival de Gramado - e convidado para uma mostra na cidade de Pisa, na Itália.
Afora isto estava sendo cortejado por vários tipos de prateleiras do audiovisual, coisa que me colocava ainda mais arredio do que já era. Vou evitar descrever os belos e enriquecedores dias que por lá passei durante o festival, me concentrando na noite da premiação que tem tudo a ver com o estado ao qual este texto se dedica. Vamos lá. Depois de um dia repleto de álcool com meus amigos músicos fui empurrado muito a contragosto para dentro de um bonde elétrico que subia a Rua Augusta, no centro de tudo, rumo a Avenida Europa para ir ao MUSEU DA IMAGEM E DO SOM sede do festival situado nos Jardins. Estava chovendo, pulei do bonde na altura dos últimos botequins antes de iniciar o deserto da Avenida Europa.
Claro que eu queria tomar mais uma e chegar bastante atrasado na solenidade da premiação. Saí dali, daquele último botequim, num leve estado de total embriaguez, chutando poças de água e me permitindo xingar mentalmente a tudo e a todos. Já na Avenida Europa a um quarteirão do MIS, de súbito aparece um carioca conhecido que vem correndo do outro lado da rua para me encontrar. Fiquei cabreiro. Ele entra na minha passada e começa a me falar que era para eu não ficar chateado porque nada premiado no Rio era premiado em São Paulo. Entre grunhidos eu respondi que era para ele ir se foder que eu não estava nem aí para isto. Para me agradar ele me chama para entrarmos na rua que contorna por traz o Museu e degustarmos o “presentinho” que ele trazia no bolso. Topei. Foi difícil me desvencilhar daquela mala. Claro que dentro do Museu lotado fui para o bar e tomei mais uma caríssima. Ai, se eu escutasse o que mamãe dizia. Mas esse mundo é feito de maldade e ilusão. Fiquei ali em pé no balcão
sem poder me mexer em estado de aliteração com tanta gente ao redor. Me vi sem salvação. E tinha que ver também pelos vários monitores espalhados no roda teto o que acontecia no andar de cima. A premiação no auditório. Fui para dentro de uma árvore. Incrível, mas ali tinha uma árvore com uma sala no oco do tronco. Saí de lá melhor. Voltei ao balcão do bar. A alma do pênalti. Rosas mimosas. O poeta Fernando Pessoa dizia que “quando é alto e grande o pensamento, súbito a forma o busca.” Esta citação está na quinta frase da página 56 do livro CINEMA: SONHO E LUCIDEZ do baiano Fernando Coni Campos de quem vou falar na seqüência. Voltando ao MIS fiquei assombrado ao ver nos monitores o apresentador da noite, aquele ainda desconhecido e já careca Cazé, vestido de mulher, com uma peruca enorme e multicolorida, falando piadinhas tipicamente paulistas. Um horror. Cabeça faz quem têm. Tudo ia piorar. Vem uma mulher enorme de gorda com o cabelo vermelho e um mini vestido preto, carregando uma mochila preta e estufada nas costas, ela girou em frente a mim para falar com a punk que vinha atrás e nessa virada sua mochila mandou meu copo de chopp no espelho do outro lado do balcão. Nem uma gota resvalou em mim. Porém acertou em cheio um cara de óculos que estava despistando lendo o programa do festival. No mesmo movimento, vejo e ou escuto o Cazé dizendo: melhor documentário vai para: O MUNDO DE ARON FELDMAN. Tomei um choque e fiquei ali paralisado vendo ele me chamando ao palco ao lado de uma modelo com uma antena de TV dourada numa mão e na outra um envelope. Não fui. Ele ficou dizendo que sabia que eu estava lá. Passado um tempinho meio sem saber o que fazer, emendou: vamos então para o melhor vídeo o vencedor é O MUNDO DE ARON FELDMAN. Mesmo que eu quisesse ir não haveria como chegar lá, o caminho estava todo lotado. Vejo então, com seu belo sorriso de sempre, o Éder Santos subindo ao palco e, como também é mineiro, recebendo os prêmios em meu nome. Depois de milhões de intermináveis gracinhas o Cazé anuncia o vencedor do prêmio especial de criatividade Mario Gusmão oferecido pela Secretaria de Cultura da Bahia. O MUNDO DE ARON FELDMAN. Neste momento o poeta levantou-se e perguntou:
- E o que fazes dos milhões de crianças desnutridas, dos chagados, dos tuberculosos?
A morte, chocada, respondeu:
- Mas isso é um caso de polícia.
Alguém da organização veio me procurar e disse que eu tinha que ir à sala de imprensa porque o Mário Gusmão em pessoa estava lá e queria me entregar o prêmio em mãos. Eu não sabia quem ele era. No corredor branco, em frente à porta da sala de imprensa, vejo dois senhores de pé. À medida que me aproximo eles sorriem para mim. Ao mesmo tempo que não subiria naquele palco nem que vacas tossissem, eu estava meio sem graça pela minha atitude de desrespeito ao protocolo oficial. O senhor baixinho e gordinho aperta minha mão e me apresenta o outro senhor um pouco mais alto e bastante magro com um cavanhaque e os cabelos prateados como o Mário Gusmão. Ele me disse que tinha gostado muito do meu filme e me dá os parabéns. Com a outra mão ele tira um gordo envelope do bolso do modesto paletó e me passa abrindo-o para que eu visse o conteúdo, dizendo que era meu. Sem compreender muito bem olhei e vi o equivalente hoje a dez mil reais dobrados em dinheiro vivo. Fiquei de novo paralisado com aquela bomba na mão. Após alguns segundos de branco o Mário me olha carinhosamente e pondo a mão no meu ombro pergunta por que eu não tinha subido ao palco. Consegui responder que foi uma espécie de loucura que me acometeu não me permitindo que eu compactuasse com aquele espetáculo. Para meu espanto ele tornou a me olhar e disse que tinha me entendido perfeitamente. Ser entendido era exatamente para o que não estava preparado. Tive que me encostar na parede do corredor branco. A pressão baixou. Sem nenhuma violência ele me perguntou se eu gostava do cinema do Glauber Rocha. Não sei de onde saquei que quem não gostava era ruim da cabeça ou doente do pé. Pareceu e claro ficou que a ponte foi atravessada. Me equilibrei. Assim ficamos amigos. O ANJO NEGRO. A partir daí tudo ficou fácil. Ele era o DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO e a IDADE DA TERRA. Depois de tudo tive que voltar ao bar do Museu. No balcão em frente de onde estava antes, tinham duas antenas douradas de TV. Apareceu o Evandro Rogers, ficamos jogando conversa fora, enquanto várias pessoas que eu não conhecia me cumprimentavam. Fugi fingindo que ia ao banheiro. Voltei para a velha Praça da República para ver meus amigos Mosquito e Zara tocarem. É certo que cheguei ali completamente duro e saí com 45 mil, sendo que as cartas de crédito da Secretaria de Cultura de São Paulo, no valor de 35 mil, só vi depois de muito trabalho, uns três meses a frente. Os troféus antenas foram levados pelo mala carioca. Considero até hoje a melhor solução para aquelas peças horrorosas. Era uma fábula. Não sei se deveria agradecer aos céus ou à Bahia. Minha jangada vai sair pro mar. Vou trabalhar meu bem querer. Se Deus quiser quando eu voltar do mar um peixe bom eu vou trazer. I’m losing you. The magic chip or perfect harmony, well. Lost in confusion. Não senhor! E para explicar melhor serei obrigado a contradizer o que disse há pouco sobre a unidade das artes. Não é verdade que toda forma de arte tenha o mesmo objetivo. Existe uma grande diferença entre a poesia e as outras formas de arte. Enquanto nestas existe o silêncio aspirando a ser fala querendo ser palavra, na poesia a palavra que existe como dado inicial, aspira ultrapassar-se e ser silêncio. Há algum tempo tenho preferido vitimizar a ser a próxima vítima. É um duro aprendizado. Já sei que é assim mesmo. Me livrei de culpas. Penso como Vinícius. O samba é meu, mas a culpa é sua. Funciona como no Cinema; não importa o que quer dizer. A palavra sou eu. Tenho que montá-las para revelá-las por completo. Exibí-las. A expressão está por vir. A língua não é da poesia que deriva da literatura. A imagem ainda em invenção. CINEMA DE INVENÇÃO. Jairo Ferreira. Na primeira edição deste livro, tive a curiosidade despertada quando li no III- Processo Dialético. Sintonia Intergalaxial. O pequeno texto do verbete Fernando Coni Campos, que transcrevo a seguir. – Grande experimentador da boa terra: VIAGEM AO FIM DO MUNDO/1969, UM HOMEM E SUA JAULA/1971, e O MÁGICO E O DELEGADO/1983. Que arquiteto cineasta seria este. À margem de seu tempo. Contemporâneo e não codificado. Tive que procurar saber. E não soube muito. Até hoje não consegui ver VIAGEM AO FIM DO MUNDO. Baiano secreto é coisa rara. Na investigação me deparei com algumas pistas. Nem sei se conto todas. Não sou bom contador de estórias feito ele. Se tudo é carnaval eu não devo chorar, pois preciso me encontrar. BATATINHA. Eu e meu violão. Em terra tão distante. Vi LADRÕES DE CINEMA no extinto Cine Guarani na Rua da Bahia. Deixa cantar de novo o trovador. Que lindo isto. E não tem nada a ver com o texto. Dentro de um livro. Dentro da noite veloz. Vale tudo e as mulheres não vão entender. Longo o desejo do amador perdida. Pudesse eu ver a estrada. Doce luz. Sem medo. Tão fácil te perder. Num bar à beira mar.
Sei como continuo. É triste. Vou continuar amanhã. Finalmente me encontrei com o Fernando. Era ele ali no Caçapa. Quem diria. Só podia contar o que já contei. Que bom que amanhã é domingo. Ou seja, hoje. Nada me resta. A emoção musical que ficou. É apenas um slogan da madrugada. Olhos elétricos. Tocava baixo agora toco guitarra. O doutor Rosemberg me disse no bar Aurora que embora ele fosse da geração do cinema novo era na verdade identificado com a geração posterior que remava contra a maré. Fernando morreu vendo a Esther Williams em ESCOLA DE SEREIAS. Além das pálpebras. A criatividade estava ebuliente. A Roma Negra. Dez horas da noite. Na rua deserta. Quanto mais distante mais triste o lamento. O cineasta italiano Gianni Amico que era apaixonado pela música brasileira e também muito ligado ao grupo do Cinema Novo, vem ao Brasil convidar os músicos baianos para fazerem uma grande manifestação cultural em Roma em homenagem a Glauber Rocha, algum tempo após a sua morte. Daí nasceu o filme documentário BAHIA DE TODOS OS SAMBAS. Acho que o título é uma corruptela e uma menção à ficção BAHIA DE TODOS OS SANTOS do hoje líder espiritualista e escritor Trigueirinho Neto. A ficção reunia os jovens grandes atores baianos Geraldo Del Rey, Antonio Pitanga e Anecy Rocha, enquanto o ducumentário registra os shows dos grandes músicos baianos em Roma. Este demorou mais de dez anos para ser terminado. Durante este período um de seus diretores Leon Hirzsman veio a falecer e em seguida o seu produtor Gianni Amico. Sobrou para o Paulo César Saraceni finalizá-lo. A maldição do Cinema. Momentos raros são revelados pelas imagens dos fotógrafos Dib Lutf e Luis Carlos Saldanha. As baianas do acarajé passeando em volta da Fontana Di Trevi. Os capoeiristas dando seu show na rua.
E as incríveis interpretações dos mestres da música popular brasileira lá presentes. Um filme para ser visto e ouvido. O que é que a baiana tem? É uma boa pergunta sem sombra de dúvidas. Todo mundo quer saber. Nada como ser Rosa na vida. Rosa mesmo ou mesmo Rosa mulher. Sempre me dei bem com as baianas e com os baianos também. Como somos de estados fronteiriços, ainda nos miscigenamos num tipo particular que é o baianeiro. Tipos que figuraram e figuram em minha vida como uma saída esperta. Sinto que devo me aprofundar nesta questão. O Baiano não nasce: estréia. E aqui nas Minas a alegria é guardada em cofres, talvez sejamos complementares. Desconfio que sim e preciso me entregar a um mergulho neste mar e nesse ar do Abaeté, aonde tem uma lagoa escura arrodeada de areia branca.
Um dia chego neste terreiro com cabelos de prata tal qual o que eu era. E continuo sendo.
Se a noite é de lua.
A vontade é contar mentira.
É se espreguiçar...
Deitar na areia da praia.
Que acaba onde a vista não pode alcançar.

Fábio Carvalho, BH, agosto de 2011.