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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

CONSTATAÇÃO

Foram-se, com o passar dos anos, os sonhos da minha geração.
Às vezes eu me pergunto: o que eu faço ainda aqui neste mundo?
Nasci em 1948, três anos depois que explodiram a bomba atômica de Hiroshima; vinte seis anos depois da Semana de Arte Moderna; cinqüenta anos depois da invenção do cinema; trinta e um anos depois da revolução comunista; 64 anos se passaram e o mundo que sonhava, em todos os sentidos, caminha inexoravelmente para o caos.
Sempre estive convencido que sem uma mudança radical, uma reforma transformadora, uma nova edificação libertária na educação do nosso país, que não só passa pelas escolas, mas por todos os meios possíveis de comunicação, estaremos em muito pouco tempo sem a nossa identidade, sem lenço, nem documento, escravos do capital e do sistema que deseja unificar o mundo pela lei do mais forte.
É preciso ocupar e colocar em discussão todas as informações em todos os espaços de mídias disponíveis, se não estaremos condenados a barbárie cultural e seremos facilmente dominados por desejos e prazeres que não são os nossos e, nesse mundo unificado, imperializado, sem as suas diversidades geográficas e pontuais, seremos os infelizes da escadaria social mundial, onde os escravos que se alienam permanecem vagando por toda a eternidade. Como disse o mineiro Darcy Ribeiro: - “Perdi todas as batalhas, mas não gostaria de estar do lado dos que me venceram...”, querendo justificar a impotência perante a sua cruel contemporaneidade.
Embora com muito menos poder dado a mim, por eu ter trabalhado com arte cinematográfica em uma indústria que por aqui nunca aconteceu, também me julgo um frustrado na realização de todos os meus utópicos sonhos da transformação-político-cultural-cinematográfica-brasileira. Não me permitiram trabalhar o tanto que eu gostaria, mas o que mais me dói é saber que mesmo quando assumimos o poder no jogo democrático, pouca coisa ou quase nada podemos fazer.

CARNAVAL MINEIRO



Mario Drumond e Izabel Costa na concentração do desfile da Escola de Samba Cidade Jardim, neste carnaval de 2012.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

NOTÍCIA

“O Ministério Público Federal de São Paulo ajuizou ação pedindo a retirada dos símbolos religiosos das repartições publicas”.

Esta notícia, por não a julgarem importante, não repercutiu na mídia nacional. Mas em São Paulo, um Frade pega e prega pesado contra todo o sistema político brasileiro. Curto e grosso denuncia os defeitos do sistema, mas não se pronuncia sobre as causas, preferindo generalizar em cima dos políticos. O que você acha disso?

Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas…
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião. A Cruz deve ser retirada!
Aliás, nunca gostei de ver a Cruz em Tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são barganhadas, vendidas e compradas.
Não quero mais ver a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver, também, a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver, muito menos, a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa das desgraças, das misérias e sofrimentos dos pequenos, dos pobres e dos menos favorecidos.

Frade Demetrius dos Santos Silva
São Paulo/SP


Comentário do blog:
Concordo em grande parte com o que o padre diz a respeito das instituições, não só no Brasil, mas em todo mundo capitalista dito civilizado. É preciso entender que a igreja católica e cristã contribuiu muito (dois milênios) para a ascensão desses sórdidos e despreparados políticos. O digníssimo padre, em vez de generalizar, deveria citar os nomes desses infiéis e no mínimo excomungá-los. Se não, na lógica de um ex-governador de Minas Gerais, os padres, sendo visto por todas as notícias escandalosas publicadas e generalizando o nosso julgamento moral, são todos homossexuais e,ou, comedores de criancinhas, o que absolutamente não é verdade. Penso que esta campanha esta mal orquestrada. É como se diz em Minas: "Em baixo deste angú tem carne".

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Programa na TV

Pery Ribeiro
Filho de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins morreu aos 74 anos
Para reverenciar o cantor e compositor Pery Ribeiro, que
morreu nesta sexta-feira (24), a TV Brasil vai exibir na terça-feira (28), o
episódio do Samba na Gamboa, em que Diogo Nogueira conversou e cantou com o
filho do casal mais famoso da Era do Rádio. Outro convidado do programa é o
pesquisador, cantor e compositor Alfredo Del-Penho.
Quatro nomes marcantes da música brasileira viviam aos
tapas, mas também aos beijos. Das brigas nasceram obras-primas e o samba foi
o grande vencedor desses duelos. Noel Rosa e Wilson Batista agitaram o mundo
do samba durante a década de 30 e dessa polêmica foram criadas importantes
canções da música brasileira.
Já as estrelas do Rádio, Dalva de Oliveira e Herivelto
Martins cantaram ao mundo o fim de sua união. No repertório do Samba na
Gamboa, pérolas que nasceram dessas brigas, como "Palpite Infeliz", "Feitiço
da Vila" e "Tudo Acabado".

TV aberta
Rio de Janeiro - RJ
Canal 2 – Analógico
Canal 41 – Digital
Brasília - DF
Canal 2 – Analógico
Canal 15 – Digital
São Paulo – SP
Canal 62 – Analógico
Canal 63 – Digital
São Luís – MA
Canal 2 – Analógico
Belo Horizonte – MG
Canal 65 – Digital
Juiz de Fora – MG
Canal 51 – Analógico
Cabo Frio – RJ
Canal 44 – Analógico
Campos – RJ
Canal 47 – Analógico
Macaé – RJ
Canal 9 – Analógico
Tabatinga – AM
Canal 19 – Analógico

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

IDÍLIO DE UM ARTISTA
Jose Vieira
Vocês me aceitariam de volta?
No convívio íntimo entre vocês como um "igual!"?
Necessito voltar....Necessito voltar a viver...
Pressionado sempre como qualquer ser "vivo", e pressionado a "ser" diante de todas as condições adversas ...
Eu quero ser o NADA!Eu quero poder chorar!...
Não sou mimado... Sou um merda! (neste mundo) eu só sei viver a sonhar!
Eu não sei ser só ser (como a maioria é) uma merda!
Que merda é essa de vida que me foi colocada como caminho único?
Também não se pré ocupe com o NADA ...
Sou a favor do NIILISMO ATIVO, mesmo que catastrófico , autofágico (in) conseqüente ao encontro do ser ou do não ser. A vida enfim.
Na passagem do tempo, que de certa forma está ao nosso favor, cabem a nós as decisões; as fatalidades; os certos não certos; os ditos pelos omitidos; o gozo não gozado; a verdade tida e dita como mentira... Cabe tudo... Sei lá!
A bíblia diz que as moradas de meu pai são muitas...Eu só preciso de uma delas!... Posso nela viver mais...
Mas o que eu digo e peço, não no sentido de purificar o meu ser, mas em grandeza quantificada e em grandeza qualificante, é de estar, é de permanecer, de forma fiel ao meu sentir...
Sentimentos que não tem um valor agregado em si, como também nada nesse mundo da eterna usura têm, são impecáveis produtos dos sentidos...
Às vezes eu me sinto como um produto "mal acabado", com defeito de fabricação e impróprio para o consumo. Não sei quem eu sou, para o que sirvo, a não ser para o desgosto dos que sobre mim depositaram qualquer tipo de esperança...
Assim espero não ser por você recriminado sobre a impossibilidade do meu ser. Não que isso me sirva como desculpa de não saber ser o que de fato não sou.
Sou formas de sombra e luz em eterno desespero.
Somos a impossibilidade de sermos.
Somos a coragem que sobra do medo vigente e intransponível.
Não somos cromossomos!
Cronos, o deus temporal, o deus castrador, o deus restritivo.
Que vida é essa que se apresenta diante de nós com o seu mistério mais caro desvendado?
A transverberação do capital. A Moral residual da fraqueza. O suplício do perdão gratuito e do erro não cometido.
Meu deus que sofrimento é esse?
Filhos da puta, sacra crendice, frutos de ventres inférteis, putrefaço e histéricos...
Tenho que xingar! Ai meu deus! Que idílio que insiste em ser real é esse?

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

NÃO ASSISTI, MAS JÁ GOSTEI

Estúdio da CINEDIA


UM FILME SOBRE O CINEMA BRASILEIRO E A SUA INDÚSTRIA QUE NUNCA EXISTIU
Com a Direção de Arthur Autran


O Filme contextualiza as políticas de estado com
relação ao cinema brasileiro desde à criação dos grandes
estúdios nos anos 50 até os dias de hoje.

Ótimo para quem não chegou antes ou não estudou tudo
sobre o processo do desenvolvimento e repolitização
do setor audiovisual no Brasil.



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

domingo, 19 de fevereiro de 2012

ATENÇÃO

É CARNAVAL NO BRASIL


Durma-se com um barulho deste!

ATENÇÃO COM OS MAIS VELHOS


Na verdade o que mais me preocupa no momento é o destino ingrato de nossos velhos do cinema. Os mais novos tem muito tempo pra se virar. Vou insistir monotemáticamente na questão.

O estado em suas várias instâncias tem que buscar e amparar os necessitados companheiros artistas que construiram o nosso monumental acêrvo cultural e que vale zilhões.

Enviei pelo portal do ministério e publiquei nas listas e no encontro com a Sav uma sugestão para que se cuidasse do assunto que reputo ser o primeiro passo nas relações com o novo governo.

Não é assim que se faz. Sempre que encontro os nossos velhos da pesada rola uma afetividade testemunha de nossos trabalhos comuns mas sempre lembram um ou outro, não poucos, que passam maus momentos de saúde ou de vida.

Fico envergonhado, nós a elite sem vergonha do país ficamos aí disputando dinheiros e publicos e não cuidamos de garantir aos nossos trabalhadores sem os quais nada haveria senão papéis e sonhos um fim de vida digno e respeitável como foi a sua contribuição mesmo antes do espalhafato que os filmes andam fazendo por aí.

Ainda não tive resposta, e nem precisa, basta que ajam. Nossas pobres entidades perdidas, desorientadas tampouco se mexem. Ficam disputando gestões e conselhos ministeriais e perdem o norte que é cuidar de quem dizem representar e, claro, os velhos em primeiro lugar.

Aguardo providencias.

sergio santeiro.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Texto para um curta-metragem

Esta noite eu tive um sonho...

Sonhei que voltava para Roma.

Mas algo estava estranho com aquela realidade, algo não soava bem...

As imagens estavam desgastadas pelo tempo, como em um velho filme desbotado.

Independente disso sentia-me como um ser eterno, um deus, pois dominava os acontecimentos que me pareciam encadeados.

Sentei-me de frente para o computador neste quarto esfumaçado de cigarros franceses.

Muitas lembranças, poucas imagens...

No fim de tudo como pode cair aquele avião?

O reino da possibilidade é cair no esquecimento do colo de alguém.

Essa é a questão principal dessas minhas rápidas reflexões.

Cair é o primeiro sentimento do vôo eminente.

Depois de cair voa-se.

Assim foi no sonho.

Enquanto voava mil ninfas contemplava.

Tornei-me um pássaro vermelho e sobrevoei o meu quarto de pintor.

Depois voltei a Roma para fazer uma visita ao poeta Murilo Mendes.

Encontrei-me com Borges e Oswald de Andrade nas ruas de Roma.

A eternidade de Roma na história de todos os encontros.

Tomei um gole de uísque e ascendi outro cigarro Gitanes.

Naquele momento, sentado de frente do computador, sonhando, senti que poderia sofrer aquele estalo na epifania de um novo mundo, onde a todos os amigos pudéssemos encontrar quando quiséssemos conversar sobre os deuses e a eternidade.

Quem de nós quer ser eterno? Viver o eterno retorno? Voltar sempre, sempre, sempre...

Consciente ou inconsciente a eternidade pode ser um castigo.




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Reflexões rápidas

Foto de Jose Vieira em Búzios
Este Mundo É Um Hospício

A esquerda ganhou o poder no Brasil.
É claro que o império do Tigre de papel não abandonaria a presa tão facilmente.

Por mais paradoxal que seja, aqueles que conquistaram belicamente a liberdade, derrotando com a aliança dos países aliados os exércitos nazifascistas, a maior expressão ideológica de direita radical na história, bandearam-se e depois se cooptaram e novamente se agruparam detonando a explosão nuclear no Japão, matando, em um único instante, mais do que toda a guerra.
A morte de toda uma população civil desprotegida de duas grandes cidades japonesas foi o primeiro ato da barbárie de quem se pensava que iria se dedicar a pratica da liberdade e da democracia, mas, ao avesso da história, passaram a dominar o mundo com o pensamento, o saber e a tecnologia dos derrotados. Assim, em pouco tempo, puderam criar um poder mundial de direita, muito mais forte, organizado, sofisticado e inteligente, um complexo muito mais louco do que o ariano Adolfo poderia imaginar, destinado a privilegiar os escolhidos por eles e a massacrar, de formas sutis, os seus inimigos. A última vitória da direita mundial se deu com a derrubada o regime comunista da União Soviética.

Foram sessenta e sete anos de exploração e domínio das elites financeiras, donas dos bancos, fabricantes das doenças e dos remédios, incentivador da energia suja que move o planeta e do alimento envenenado pelo agro-tóxico, são eles os donos do grande mercado mundial dos aparelhos eletrônicos, são os donos do dinheiro de papel eletrônico e das máquinas sofisticadas onde se giram milhões e milhões de números de uma bolsa que nada significa para a grande maioria, são eles que vivem como nobres e comem do que de melhor pode ser comprado e o mundo continua sofrendo de fome, ignorância, miséria, doenças e a destruição de todas as tradições que compõem a pluralidade cultural-educacional dos povos e também são eles os causadores do que é de tudo o pior, pois aqui se anuncia o inexorável nos muitos distúrbios gerados pelos grandes interesses financeiros contra fatores naturais, provocando em todo mundo um grave desequilíbrio sócio-ambiental e o prenúncio do caos.

Por tudo isso é que hoje a política é um apêndice do grande circo dos interesses financeiro que se armaram de todo poder da mídia para enganar e desacreditar àqueles que conseguem por algum tempo colocar a cabeça para respirar o ar puro da liberdade. Mas quem são essas pessoas, famílias, tão poderosas?

Não vejo mais propósito corretos nos termos: direita e esquerda. Não vejo coerência de pensamento nos partidos e aglomerações políticas que elas representam. Uma hora a direita, para dar um golpe, como foi o caso do nacional socialismo na Alemanha de 1930, passa a ser de esquerda e a esquerda, conforme os interesses, passam a ser de direita, como foi no Brasil.

Hoje eu vejo no homem de vanguarda a única chance que o mundo tem de ressurreição. Existem no mundo vários tipos de homens. O guerreiro, o pensador e o criador. Muitos são religiosos, outros não. Todos podem ser inteligentes, expertos, educados. Dependendo das circunstâncias, uns tem sorte, outros não. Mas todos são guiados pela mídia e pela informação universal, para o bem ou para o mal. Eles vivem em todos os segmentos possíveis da natureza humana, podemos notar duas vertentes de comportamentos: um é de vanguarda e o outro de retaguarda. Um quer avançar o outro quer ficar ou voltar ao que nunca foi.

Pensando em alguns aforismos que explicassem alguns pontos do que ando pensando, me deparei com alguns: “Na política a vanguarda não existe, estão todos na retaguarda. No trabalho de um medico a vanguarda é a antropofagia de todas as curas disponíveis e conhecidas em suas diversas manifestações, mas a sua retaguarda é acadêmica. Na arte a vanguarda é a rebeldia, a retaguarda pastiche. Na religião não há vanguarda, pois sua retaguarda é a fé”.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

CINEMA

COMÉDIA DO ESCRACHO
Quero voltar a fazer cinema em Minas Gerais...
Minha primeira comédia de escracho ao sistema capitalista de mercado.
Uma boa idéia:
“Os últimos dias de Pompeu”
(título provisório de um longa-metragem de baixíssima produção) – Pompeu, um velho cineasta de filmes de arte pornográficas, premiado muitas vezes no exterior, fez todos os seus filmes com as mulheres e as histórias brasileiras adaptadas para o cinema, mas sempre foi roubado e traído por Jimi, um sedutor e rico produtor americano.
Uma boa proposta:
Quem se aventura a produzir essa comédia? Vai ser um grande sucesso do cinema, mesmo sendo um filme de invenção e de arte. Um bom investimento capitalista para quem não tem medo de investir. Com 10.000 (X10 reais) de ingressos vendidos, o filme se paga e o resto é lucro. Melhor negócio que esse? – Sim! Hoje é possível fazer um filme com esse baixíssimo orçamento, sem precisar do famigerado edital do governo e ficar rico com a sua exibição nos cinemas e outras mídias digitais do país. Para que isso aconteça, só é preciso de uma boa idéia, atores amigos e técnicos talentosos.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ARTES-PLÁSTICAS

O enigmático e requintado artista-plástico Paulo Laender, me mandou 10 pinturas (por emeio), realizadas de dezembro para cá, que de certa maneira me fez retornar a sua época braqueana e me remeteu, ao primeiro olhar, aos seus desenhos que eu conheci e admirei no passado. É claro que as vendo hoje sendo, ao meu olhar, uma releitura desse passado com a sua forte influência do barroco mineiro, soa-me mais clara as cores em suas transparências e em seus relevos traçados como lápis de cor que realçam os objetos abstratos equilibrando-os no espaço da sua misteriosa escrita. Sempre achei que ele era melhor escultor que pintor, porém, este velho amigo, está sempre me surpreendendo. É como disse o poeta Murilo Mendes: - todo grande artista pinta sempre o mesmo quadro... Entre todas recebidas gostei muito desta que estou publicando aqui no blog. E digo se tivesse esse dinheiro eu a comprava.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

IMPERDÍVEL!

Revi hoje o filme “Cildo Meireles” do meu amigo Wilson Coutinho, é uma obra prima do cinema brasileiro que foi esquecido pelas mídias nacionais a quem ele dedicou a sua vida. Fotografado por Miguel Rio Branco, Sergio Otero e Renato Laclete, é um documento único e corajoso sobre a visão da arte brasileira em uma época deturpada pelo obscurantismo e pela repressão sob o comando das forças colonizadoras. Quem não conhece, precisa conhecer.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

ENTREVISTA

Galeano em Cuba: “Quero ser proibido como o país onde estou”

O escritor uruguaio Eduardo Galeano esteve em Cuba ao longo da semana, onde presidiu a premiação da Casa de las Américas, tradicional instituição cultural cubana. Na ocasião , ele falou à imprensa sobre temas variados e comentou seus mais recentes livros: Espelhos e Os filhos dos dias

Eis os principais trechos da entrevista.

“Lamentavelmente, é uma visita muito curta. Gostaria de ter ficado mais tempo, mas pude reencontrar-me com velhos amigos, que continuamos gostando uns dos outros como se o tempo não tivesse passado e também pude percorrer mais profundamente a cidade de Havana, o que é um prazer à parte”.

“Eu já tinha feito isso antes, na companhia de Eusébio, “O Criador”, e desta vez pude confirmar que ele merece um capítulo do Gênesis para substituir o que está na Bíblia, porque Deus criou o mundo em uma semana, mas ele em poucos anos fez a Havana Velha. Merece um texto sagrado que reconheça o trabalho criador desse louco lindo que com tropical loucura tornou belíssimo o bairro de Havana, que parecia condenado à ruína e que ele levantou com ese impulso criador que tem conseguido multiplicá-la , descobrindo a energia que eu não sabia que continha. Isso foi a coisa mais alentadora que encontrei, além da Casa de las Américas, que como disse nas palavras de abertura da premiação, também é minha casa”.

“Cuba está vivendo um período, mais que um momento, um período apaixonante de mudanças. Creio que eram mudanças que a realidade foi incubando, que não nasceram como Atenas da cabeça de nehum deus, nasceram da energia acumulada por uma sociedade que é capaz de mudar, e essa é a prova de que está viva. É evidente que tinha chegado por um caminho que teve seu sentido e foi imposto pelas circunstâncias, porque a Revolução Cubana fez o que pôde e não o que quis; por causa do bloqueio e mil e uma formas de limitações impostos de fora ao desenvolvimento de sua energia criadora, até chegar aos días de hoje, tentando heroicamente comunicar-me pela Internet desde o hotel onde estou”.

“Percebo uma indubitável boa vontade de todos para ajudar-me, mas temos nos chocado sempre com os problemas derivados de uma das formas de bloqueio, o bloqueio das comunicações, que raras vez se menciona mas que é muito importante. Então, me deparei com esse pequeno cartaz que diz “You want to enter from a forbidden country” (Você quer entrar vindo de um país proibido). Então, pensei: Como estou orgulhoso de ser quase um compatriota dos habitantes desse país proibido, porque a questão está em perguntar-se, proibido por quem, proibido por quê? Talvez proibido porque apesar de todas as suas contradições e dificuldades, continua sendo um exemplo de dignidade nacional para os outros países, às vezes desprezados, pobres, pequenos, que não têm direito ao patriotismo porque o patriotismo é privilégio dos países mandões, dos ricos, dos poderosos, que são os que julgam os demais e emitem sentenças”.

“Também proibido pelo perigoso exemplo da solidariedade, porque Cuba tem sido e continua sendo capaz de praticá-la, apesar de suas condições de vida muito difíceis. Eu creio que esses dois contágios têm posto tantas travas, tantos paus nas rodas dos processos de mudanças que esta Revolução necessita levar adiante e que daí advém o ‘”forbidden country” (país proibido). Se é por isso, eu também quero ser proibido, como o país onde estou”.

Espelhos tenta recuperar o arco-íris terrestre

“Agora em Cuba será publicado meu novo livro, que já deveria ter saído mas os gráficos nunca cumprem os prazos, em nenhum país do mundo. É gente muito boa, a mim me apaixona o ofício de impresor. Se eu tivesse nascido em outras vidas, teria querido ser Gutemberg, ou algum dos chineses que o precederam, porque a arte da impressão me enlouquece e sempre a pratiquei em Montevidéu, em Buenos Aires e outros lugares. Mas apesar de que reconheço e quero bem aos profissionais da impressão, também sei por experiencia que nunca cumprem os prazos, então se te dizem outubro, seria necessário precisar de que ano, porque nunca fica claro e parece que o livro não está pronto”.

O livro se chama Espelhos; é nada mais nada menos que uma tentativa de escrever uma história universal com o mundo visto através do olho de uma fechadura, através de pequenas histórias, histórias pequeninas que não dão importâancia às fronteiras do mapa nem do tempo e que tentam contribuir para a recuperação do arco-íris terrestre. Eu sou daqueles que creem que o arco-íris terrestre é mais belo e deslumbrante do que o arco-íris celeste, mas estamos cegos dessas cores, essas cores que nos demonstram que somos mais do que nos dizem que somos, porque carregamos uma herança de mutilações, que vem da época colonial e continua viva; mutilações universais, como, por exemplo o machismo, o racismo, o militarismo e outros ismos que nos deixam cegos de nós mesmos. Este livro tenta recuperar essas cores, esses fulgores”.

“Vou apresentar também alguns pequenos trechos de outro libro que ainda não foi publicado mas que vai sair espero que em março na Espanha, Uruguai, Argentina e México. Chama-se Os filhos dos dias e se parece muito com Espelhos, está guiado pela mesma intenção de recuperar o arco-íris terrestre, mas tem uma estrutura diferente. É como um calendário e a cada dia corresponde uma história que pode ter ocorrido em qualquer ano e em qualquer lugar do mundo. Então se mesclam coisas que ocorreram duzentos anos antes de Cristo com coisas queocorreram no ano pasado. A cada dia corresponde uma história, e se chama Os filhos dos dias porque eu tinha guardado há alguns anos algumas coisas que escrevi quando estava na Guatemala, há muitos anos, ali por volta de 1966 ou 1967 e têm a ver com a cultura maia, que é deslumbrante; é uma cultura onde o tempo funda o espaço. Eu tentara fazer uma síntese do que tinha escutado nas comunidades para ver se alguma vez podia ajudar o mundo a se tocar com esas coisas. Por certo, é uma cultura muito manipulada por quem a usa mal, não os maias, mas pelos que a usaram para vender horóscopos falsos ou para vender medo, com toda esta história de que os maias disseram que em 2012 o mundo vai acabar; é um disparate total, nunca nenhum maia disse semelhante coisa”.

“Eu tinha feito algumas anotações, algumas síntesis e as guardei. Agora uma delas serve de introdução a este livro, diz o seguinte: ‘E os dias caminharam e eles, os dias, nos criaram. Nós, os filhos dos dias, os averiguadores, os buscadores da vida’ ”.

Roque foi assassinado por ser como era

“Roque foi meu amigo e para mim esse é um novo capítulo da história universal da infâmia (referindo-se à recente isenção de culpa aos assassinos de Roque Dalton), para a qual tanto contribuiu e continua contribuindo nossa América Latina. Lamentavelmente, é mais um capítulo a agregar aos muitos que nossos amos foram redigindo e no caso de Roque é um escândalo. Roque foi assassinado por ser como era, um tipo com um evidente, notório sentido do humor e do amor, muto ‘foda’, muIto divertido, e era absolutamente incapaz de obediência. Foi assassinado por alguns de seus compaheiros da guerrilha de El Salvador, que para mim são criminosos, porque creio que são tão criminosos os revolucionários que matam para castigar a discrepância como os militares que matam para perpetuar a injustiça.”

Não queremos morrer nem de fome nem de tédio

“Trabalhou-se na busca da unidade que é um camino que se pode discutir, diria que é imprescindível unir-se em um mundo no qual isto é necessário e somente unidos podemos defender-nos, mas sabendo que são procesos muito complexos, porque o motor da vida é a contradição. Queremos uma unidade latino-americana sem desconhecer que a América Latina é também um espelho das desigualdades do mundo, e muitas vezes essas desigualdades se projetam mal entre os países latino-americanos. Não se trata de que o Norte seja mau e o Sul bom; os dois têm contradições e se não entendemos ou tratamos de compreender essas contradições, não as poderemos superar para construir uma síntese diferente. As contradições existem, por isso é tão difícil que nos ponhamos de acordo em coisas tão obviamente necessárias, como esta iniciativa de Hugo Chávez que é o Banco do Sul e é difícil levá-la adiante justamente por essas contradições que há entre os países mais poderosos e mais débeis dentro do próprio espaço latino-americano”.


“Mas não se deve ter medo da contradição, ela é o motor da vida; somos contraditórios, por isso estamos vivos. Essa união de diversidades é complexa, mas será a única maneira de reconhecermo-nos a nós próprios em todas as nossas infinitas possibilidades de criação e de mudança, a partir do reconhecimento da diversidade, a partir da celebração da quantidade de mundos que o mundo contém, que é o melhor que o mundo tem e o melhor que nós temos. Por sorte somos diversos; mais de um iluminado em um debate público me dizia: ‘Que América Latina. O que um argentino tem a ver com um haitiano?’’. Eu o olhava com lástima, com pena. Pobre homem, ele não sabe que o melhor que te pode ocorrer é ser diverso, e nossa grande virtude é que contemos todas as cores, as cores do mundo na América Latina, na diversidade latino-americana. Se não fosse assim, estaríamos condenados a aceitar o que o sistema nos obriga a obedecer: ‘vamos ver, escolhe – de que queres morrer, de fome ou de tédio?’. Eu creio que temos que responder: ‘não queremos morrer, nem de fome nem de tédio’.

Fonte: Cubadebate

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

NOTÍCIAS

Reflexões II
No Brasil são mais de seis milhões de crianças fora da escola (números oficiais), deve ser um número muito maior, sem contar aquelas que recebem uma educação pífia, em uma escola sem professores, sem estrutura didática, repleta de crianças famintas e caindo aos pedaços. Ainda tem políticos que roubam a merenda escolar. É uma falta de vergonha, de educação e de cultura. Em uma verdadeira reforma do estado brasileiro, a Educação terá de se unir de vez com a Cultura. Uma não existe sem a outra. A maioria dos jovens de hoje que tem “educação até o II grau”, e também muitos universitários, são analfabetos culturais, nada sabem. Eles são guiados pelas mídias eletrônicas e também as impressas, que disputam um mercado alimentado com o pior que se faz no mundo em matéria de arte e de lazer cultural. E adoram! De nossas tradições nada sabem. São raras as exceções. Não há salvação se não se criar no Brasil as escolas de tempo integral, onde as crianças descobrirão o saber, dominarão o conhecimento e obterão, através da boa música, do bom teatro, da fina literatura, da bela poesia, das artes-plásticas e do cinema brasileiro, a sua identidade cultural.

Eu ouvi a afirmação na televisão que o que fez as lajes do prédio de São Paulo ruir foi um objeto que caiu do céu. Será que foi um avião? Ou será uma bomba perdida? Ou será o disco voador O fato é que morrem pessoas e não se chega a nenhuma conclusão definitiva do que provocou essas tragédias.

O tempo no mundo está bastante estranho, vocês não acham?

Um rapaz trabalhador viu um grupo de rapazes bem vestidos, jovens aculturados da classe média, espancando um mendigo habitante de rua e foi até lá para separar aquela barbárie. Assim que chegou ao local foi impiedosamente agredido com socos, pontapés e porretadas, indo parar, em estado grave, no hospital.

Os argentinos querem as Malvinas que está nas mãos dos ingleses a mais de um século. Acho os ingleses pernósticos e prepotentes, mas porque os argentinos não tomaram conta da ilha pacificamente, habitando-a com o seu povo e não deixando que hoje, quando todos que ali moram, responderão em qualquer plebiscito imparcial que querem ficar sob o domínio inglês. Mas em verdade o que importa ali naquela ilha fria é o petróleo. É a guerra do petróleo.

À direita enlouquecida republicana americana quer, de qualquer maneira, derrubar o Obama. Porque será? - Que será, será...

Estamos condenados a passar o primeiro carnaval sem lei. A PM estará de greve geral. O que vai acontecer? Imagine se nada acontecer. Se toda a bandidagem fosse pular o carnaval, o crime e o roubo cairiam a zero nos três dias do reinado de momo. Acorda amor!...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

NOTÍCIAS

Reflexões

O político separa de sua amada famosa e o seu grande e combatido projeto, a transposição do Rio São Francisco, está parado. As empreiteiras contratadas estão atrasadas pois precisam de mais dinheiro – os famosos aditivos - e só as obras que couberam ao Exército estão quase prontas. Ai eu pergunto: O Exército com suas máquinas e engenheiros, com a realização desse extraordinário fato, se credencia para realizar outras grandes obras em todo território nacional?

As greves e a paralisação dos policiais militares, a corporação armada criada e incentivada pela ditadura, explode por todo país, colocando em risco a população civil desarmada, que fica totalmente desprotegida da grande quantidade de bandidos sanguinários que rondam as cidades indefesas. Atenção políticos!É boa hora para aproveitar e mudar essa dicotomia e realizar a necessária fusão das forças armadas no país. Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Federal, Estadual e Municipal e chega.
O que mais precisa acontecer para que os políticos compreendam a gravidade dos fatos?

Que vergonha! 607 mil crianças estão fora da escola só no Estado de são Paulo (dados oficiais que eu desconfio. Deve ser muito mais de milhão. É o que acontece com as crianças em todo país. Lembro-me com saudade dos dizeres da bandeira nacional da luta de Brizola/Darcy “Todas as crianças brasileiras na escola.”

O que os americanos do norte têm que se meter com todos os países que não estão aliados aos seus interesses?

Os painéis de Portinari na ONU foram restaurados, que beleza. O gênio brasileiro do passado brilhando, novinho em folha, nos corredores da babel, lugar por onde o mundo passou e passa há mais de sessenta anos. Quem hoje tem a consciência do valor de contribuição cultural que a grande arte (em todos os sentidos) tem para o povo Brasileiro?

Os bares no Brasil copiaram dos americanos uma de suas piores manias que é de ver tevê nos bares e restaurantes das cidades. O som bem alto das baboseiras que ali são exibidas; as propagandas enfadonhas e populares torram o meu saco enquanto eles comem seus horríveis sanduíches e tomam seu café ralo e doce. Bem dizia o poeta russo espantado viajando em um ônibus, ou seria no metrô? - “... Enquanto eu penso, eles mascam chicletes”

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Poesia

Liberdade e Cordialidade

Sombras de luzes difusas
Arquitetando sonhos
Acordando o dia
Sucumbindo o ontem

Mandrágora de um só destino
Nuvens no céu de cobre
Cata-vento de areia solta
Lagoa de sol e sal

Magia que vem de longe
Dos confins do Himalaia
Bode velho enterrado
Cobiça dos incautos

A cordialidade brasileira
Subiu as montanhas
Cortou o leito dos rios
Desceu pelo mar

A Terra salgou
São tão poucos hoje
Os homens cordiais
Um deserto de maldades

De iniqüidades e safadezas
A casa está cheia
A água está suja
O perverso predomina

Em cada esquina um desesperado
Um despreparado comanda o show
Uma barata atravessa a nado o canal
Um jet –set passa em disparada

A história é cíclica e está inteira no presente
O mar nunca mais vai se abrir para Moisés
A terra prometida estará perdida sem a cordialidade
Um carro de som explode num reclame de quinta

Um passante implica com o cigarro
Uma moto escarra a sua descarga aberta
Aumenta-se o som da tevê que não se vê
Ninguém mais fala todo mundo grita

O som de uma pequena cidade pode enlouquecer
Pode ser cruel aos ouvidos mais sensíveis
Quebrar uma vidraça ou matar um passarinho
O homem cordial está preso na gaiola

Liberdade é o diáfano de todo o conhecimento
É a substância de cordialidade entre os semelhantes
É o respeito do adversário pela força da verdade
É a natureza resgatada em sua exuberância

Liberdade e Cordialidade são as palavras chaves
Erva de caboclo para o ano do dragão chinês
Exorcismo de maldades em pescoço de galinha
Engolidor de sapos dos bares da vida

O homem caiçara cordial
Precisa se encontrar
Mudar a dinâmica do arraial
Onde ainda se encontra a cidade

Clarear as mentes e as águas poluídas
Escolher o bom e inexorável caminho
Dar dois passos à frente e abraçar a vida
Ou se deixar enganar mais uma vez

Reflita com o sol e a liberdade
Abandone a ausência de clareza
De limpidez e de perceptibilidade
Afaste-se do obscurantismo e da tormenta

Seja um novo homem
Livre num mundo melhor
Seja cordial
Seja feliz

domingo, 5 de fevereiro de 2012

UM ROMÂNTICO INCURÁVEL BARROCO



5 de Fevereiro de 2012 21:32
De José Vieira Para José Sette

Texto Bordado Em Lágrimas

Medo de perder meu espelho no qual minha visão refletida se faz bela
Medo de me perder em tua ausência sempre onipresente e potencializadora
Medo de não ter a quem falar, gritar ou chorar as lágrimas mais sinceras
Medo! substrato concreto que me resta e me é palpável
Medo de nunca mais ser compreendido mesmo que em forma de repreensão
Medo de nunca mais ser afagado por uma mão clarividente
Medo de nunca mais saber quem eu sou , o que represento e o que anseio
Medo de que as cordas se percam na falta de vontade própria de ecoarem


O NOVO NO CINEMA



Jose Vieira é um Poeta reticente, um cineasta emotivo, um viajante do tempo e do eterno, um músico talentoso, só hoje vi que ele tem varios ensaios visuais e musicais postados, pena não poder assistí-los... Além de tudo tem um bom texto crítico.
"Eu sou o cinema!!! ou o que dele resta,,, cinema calado! cinema mundo!!!
Gostaria muito que você pudesse assistir a essa "brincadeira " que foi bem vista até pelos olhos da Ava. Não preciso obviamente pedir permissão para usar sua imagem que já me é por demais familiar... o "filme" já se encontra no ar sob o título "ideograma".
Seguindo com cautela e sábia desconfiança os preceitos Einsentanianos, creio ter conseguido atingir a luz , mesmo que em sua forma embrionária de centelha!!!
Assisti hoje ,agora há pouco o filme do N.Pdos S. sobre o tom ;;;; colo e copio aqui o que escrevi para sua irmã sobre tal película.
Aninha querida , a priori desejo saber de ti ,além do que estáticas imagens trasparecem...a viagem deve ter sido com certeza um barato né?...obs...acabei antes da notória "esbórnia"que me assisti. de assistir ao filme do Tom...do Nelson P.dos S.....adorei chorei rios de felicidade !!! sempre me emociono com o Tom maior!Ré maior e ré menor apesar de sempre optar pelo "ré médio".Achei de uma sinceridade confessa essa película do Tom...não haveria outra forma de se abordar tamanha persona se não essa...forma simples e falsamente despretenciosa.Todas as outras formas já foram por demais exaurídas em seu âmbito co-afeitvo e tecnicista... ele ...o N.Pdos S. achou o único caminho seguro a ser trilhado na busca da luz divina do Tom;...no mais é Blá blá blá;;; bjo grande em teu coração ! Jose Vieira.;
Ahhhhh ,,,,em minha volta já repleta de saudade de ti , comprei por 19,90 a "genealogia da moral" do Nietche...hoje após o filme fiquei numa mesa de bar convesando com dois professores de filosofia da UFJF sobre o livro que é fantástico,,,e como sempre mineiro, como de fato o sou ..."tendo a dúvida como fonte criadora" T. de almeida neves...tem esse almeida ou é delírio meu ?comecei a deixar transparecer meu indendimento sobre o que nietche realmente "atacava! sem economia de força. Apenas a maneira lindamente poética como ele escreve já seria suficiente para eu me encantar com o texto. Mas ele é demasiadamente irônico , deixando muitas das vezes obscuro os foco do seu "ataque"....o que dá margem a mil interpretações ...Creio que no fundo ele rejeita o Homem e ao mesmo tempo o idealiza de forma plena sem distinção ,apesar de seu evidente rancor para com o cristianismo judaico e todos os signos abrangidos por ele. Mesmo que como ele mesmo sabia , isso tudo tendo uma origem tão remota quanto a própria existência humana".



sábado, 4 de fevereiro de 2012

O transporte em um carro só



EU SOU UM COLETIVO
Fábio Carvalho

“O que nós temos é um inimigo do cinema brasileiro criado pelo

Estado chamado ANCINE (Agência Nacional do Cinema).

Antigamente tinha censura, hoje tem a ANCINE.

Trata-se de um monstro que impede que o

cinema brasileiro alcance seu público”.

Nelson Pereira dos Santos


A saudade pode me desesperar. Ah meu samba. Madrugada de azul. Aos ventos do Arpoador. Pela terceira vez senti à minha revelia que talvez embarcasse nessa canoa furada e antecipada. Eram os três sinais de Molière. Resolvi não concordar. Elas me salvaram com a comida natural verde escura além de vários merecidos esporros. Moramos dentro um do outro. No momento não tenho como resistir ao JOHNNY ALF. Ponha seus assuntos em dia, disse o médico ao seu paciente. Todo plano é um filme. Andava com o escritório na cabeça. Era verão. O fixo tocou insistente, tive que me deslocar depois de pensar duas vezes, para conseguir chegar até ele. Faltou uma terceira. Depois com muito esforço o alcancei, falei alô, algum tempinho se passou para que a voz do outro lado da linha dissesse: boa noite quem fala é o Vagner da operadora oi, eu gostaria de falar com a nossa senhora. Respondi: ela não está. Replicou ela: com quem eu falo? Consegui mandar essa: nem eu estou aqui, caro Vagner, saí com ela.
No que ela, a voz, tornou a perguntar: o senhor está fora de comunicação então? Tentei responder, não deu tempo já tinha desligado. Sempre o tempo. Essa voz não me interessa, vamos para outra, restrita só para quem for da nossa turma. Outra vez tive a sorte de rever a cópia que tenho do filme O SANTO E A VEDETE, e novamente voltei a mim, ao começo. Renasci. Depois do UM FILME100% BRASILEIRO no outro domingo, sem espanto era domingo. Domingo de carnaval em Janeiro. Acho que ando meio JAIRO FERREIRA assim vi claramente esta sintonia visionária que nos escancara a nós mesmos que é exatamente o que nos interessa. Vamos pensar no nosso umbigo. Na terça ainda tive a visita da LOLA, a nossa atriz que perdemos para um alemão na mesma hora em que a nossa YARA DE NOVAES e os nossos professores do Cinema chamado marginal passavam na televisão. Foi uma noite agradável, fui dormir cedo, numa boa. Sem falar da segunda que fui ver A MÚSICA SEGUNDO TOM JOBIM. Saí do shopping dançando. Só danço Samba. Até parece mil maravilhas. Passagem. Quem quebra galho é macaco gordo. Virei hipertenso sem ter imaginado, sou gente embora eu ainda não tenha percebido, tenho agora que tomar pela manhã um comprimidinho. Estou grilado. Dizem que minha potência vai diminuir. Isto me tocou. Ave Maria Nossa Senhora me ajude. Estamos todos juntos na teoria BORGEANA. A intercessão dos nossos sonhos é o que nos torna reais, nos faz existir, não há como duvidar.

Vamos juntos conseguir colocar a epígrafe e o título.
Da próxima prometo ser mais objetivo.

Amanhã vai ter lua cheia.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

AÇÃO!

CONTRACAMPO

Na criação só a antropofagia nos une, mas não é preciso comer o outro, é sim preciso não deixar ser comido. Cada país tem de preservar a sua cultura da voracidade com que o estrangeiro impõe a sua língua, o seu meio, a sua mensagem, sua visão e seus sentimentos sociais, que são totalmente distantes de nossas raízes e tradições. Almoçá-los antes de eles nos jantar. Devorá-los se for preciso. A criação tem de ser voraz e verdadeira. Não se importa e nem se exporta maciçamente as verdadeiras obras de arte de um país. Todos querem conservar as suas. Nós aqui temos que conservar as nossas. É preciso de imediato proteger a nossa melhor arte e deixar de se importar (com) o lixo estrangeiro. Já engolimos tudo que nos impuseram. Chegou a hora de vomitar. Mas isso, como tudo, passa. Vamos renascer mais fortes, só a grande arte sobrevive ao dilúvio e a babel. Por isso viva o teatro oficina livre e transformador. Viva o cinema de arte, a música experimental, a poesia pau-brasil. Viva as festas e os cancioneiros populares. Viva o chorinho, o baião e o samba. Viva a literatura de cordel. Viva a internet e a tecnologia da vanguarda. Viva o futuro moderníssimo discutindo o saber cultural do planeta nas universidades livres. Prevejo que um dia todos os internautas interessados estarão interligados na Grande Rede do Saber, repletos de gênios versados em todas as matérias, em todas as ciências do saber e da arte, onde tudo é discutido, informado, sabido e passado, um a um, por todas as formas e meios. Esta rede, totalmente diferente de um facebook, ainda está para ser criada. Pode ser construída por pessoas que falam e lêem o português, que vivem de norte a sul do país, nos mais sombrios recantos do planeta, esta universidade livre e de vanguarda cultural, antropófaga, bem que poderia nascer por aqui.
Militante inicia greve de fome acorrentado em frente à sede da Globo contra a criminalização de Pinheirinho



janeiro 30, 2012

Pedro Rios acorrentado em frente à central de jornalismo da rede Globo no bairro Jardim Botânico, Rio de Janeiro.
O militante Pedro Rios Leão, que esteve em Pinheirinho colhendo depoimentos dos moradores e registrando (veja o filme) as atrocidades cometidas pela PM de São Paulo e pela Guarda Municipal de São José dos Campos, iniciou neste domingo uma greve de fome em protesto contra a cobertura injusta que a rede Globo e a mídia deram ao caso. Em sua página no facebook, Pedro anunciou:‘Amigos entusiastas da ação direta: eu não aguento mais saber que existe uma cidade sitiada, com assassinos no comando, e ficar em casa e ninguém falar nada. Chamem de estresse pós traumático mas eu decidi me algemar por uma semana na frente da rede globo sem comer. Já que eu não me sinto seguro indo para São José. Vou radicalizar no Rio. A denúncia está sendo traduzida e veiculada internacionalmente. Pinheirinho depende de vocês. Lembre-se: Não curta! Compartilhe! - Espero que os jornalistas desse país (que eu sei que tem internet) em algum momento pensem ‘pô, aquele maluco lá fazendo greve de fome e eu calado em assassinato de criança por causa do meu emprego. Eu acredito no amor, no povo, no ser humano e na bondade. Estou me preparando psicologicamente para o protesto e vou abandonar o ambiente virtual. Deixo aqui dois relatos, que carregam a minha alma, enquanto o meu corpo estiver na Rua Lopes Quintas velando pelas crianças de Pinheirinho. manifesto na cinelândia. Assista o documentário curta-metragem “Eu queria matar a presidenta: depoimentos da guerra civil brasileira” filmado por Pedro Rios em Pinheirinho.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

NOVIDADES

Aldeia de índios isolados Mashco-Piro

(Foto: Gabriella Galli/Survival/Divulgação) A entrevista com José Celso Martinez Correa que não foi publicada pelo JORNAL VALOR ECONÔMICO

A gestão Ana de Hollanda no MinC foi alvo de críticas duras desde sua
nomeação, passando pelas polêmicas com o Creative Commons e a LDA. Por que
sua indicação foi tão contestada nos meios culturais? E até que ponto as
críticas que se sucederam são a suas políticas culturais e não apenas frutos
da disputa de grupos diferentes no poder (Gil/Juca x Grassi)?

Você considera que haja algum mérito nessa gestão que mereça ser destacado?

JOSÉ CELSO MARTINEZ CORREA
Há duas falhas trágicas acontecendo no Ministério da Cultura.
A 1ª é a Presidenta Dilma Roussef cortando dois terços do orçamento do
Ministério, conquistado brilhantemente na gestão de 8 anos do Governo Lula.

A 2ª é Anna de Hollanda ter aceitado o Corte.

Durante o Governo Lula, o Ministro da Justiça Thomaz Bastos recusou uma
tentativa de corte alegando que não haveria então o que fazer em sua pasta
se isto acontecesse. O Presidente Lula voltou imediatamente atrás.

JORNAL VALOR ECONÔMICO
Quais as principais críticas que podem ser feitas à gestão atual no que diz
respeito a suas políticas?

JOSÉ CELSO MARTINEZ CORREA
Na história do Brasil os grandes momentos de nossa existência como nação
vieram dos Presidentes que escolheram a Cultura como Estratégia Principal de
Governo. O poeta Carlos Drummond de Andrade, como Chefe de Gabinete do
"Ministro da Educação e da Cultura", e o próprio Ministro Gustavo Capanema,
com o apoio de Getúlio Vargas, proporciaram a Criação de uma Arte Pública,
que serviu de base para que as grandes interpretações do Brasil, como as de
Euclides da Cunha e Mário de Andrade, inspirassem a própria invenção
concreta do país, como Nação.

Daí vieram a criação da Rádio Nacional, irradiando toda criatividade da
cultura popular orgyástica carnavalesca irreverente brasileira, os corais de
Villa Lobos, os grandes livros publicados pela Editora Nacional sobre o
Brasil, a reconquista das terras indígenas, as leis sociais.

O próprio suicidio do Presidente Vargas e a potência literária trágica de
sua Carta Testamento, afastaram um golpe que seria dado pelos militares 10
anos depois. Isso propiciou o fenômeno da Arquitetura Brasileira de Lúcio
Costa, de Oscar Niemeyer, inteiramente apoiado pelo dançarino Juscelino
Kubischek. Temos que pular a presidência idiota de Jânio, que sobressaiu-se
pela proibição do biquini, do lança-perfume e de se estender roupas nas
fachadas dos prédios residenciais.

A seguir veio o Governo Jango, tendo no comando da estratégia cultural do
Estado o forte poder cultural do antropólogo Darcy Ribeiro, o que propiciou
as condições para o surgimento do Cinema Novo, da Bossa Nova, do Teatro
Oficina, e a ascenção do povo nas Escolas de Samba até o apogeu do
Sambódromo.
Lionel Brizola, que infelizmente não chegou à presidência, criou o PDT com
estatutos redigidos por Darcy Ribeiro: uma obra-prima de Plataforma Política
Cultural, trazendo como fruto especial os CIEPS.

Lula teve a esperteza de não chamar as pessoas ligadas à política
colonialista ¬ intrumentalizadora da cultura pela ideologia da velha
esquerda marxista ¬ e trouxe ao Poder Cultural a Tropicália, religada à
Antropofagia de Oswald de Andrade, única filosofia original brasileira, à
direção do Ministério da Cultura.

Gilberto Gil e Juca Ferreira trouxeram uma amplidão de lente da cultura que
incorporou as revoluções de nosso tempo: a da Internet, a da Ecologia, a
valorização do índio nos Pontos de Cultura, a inclusão absoluta de uma
cultura esteticamente sofistificada, popular, extremamente "bárbara
tecnizada", à altura do crescimento do Brasil como nação líder no
Renascimento que anuncia a Economia Verde no mundo.

Quer dizer, o Brasil tem uma história de muitos Presidentes que se guiaram
pela estratégia da Cultura, ligada à Educação, ocupados com o cuidado da
Vida do Planeta, da ascenção não somente econômica do povo brasileiro, mas
sobretudo de sua grande potência criadora cultural. O Samba, o Rap, a
devoração do Rock, do Reggae, do Funk, a maneira de viver misturada,
antropófaga, além do bem e do mal, não vem da pobreza cultural da classe
média positivista, mas do povo fiel às celulas vivas da origem da vida.

Essa cultura, fora da Sociedade de Espetáculos dos Globais, estabeleceu
regras de meritocracia para os patrocínios de empresas como a Petrobras, e o
Cinema, as Artes Cênicas, a Dança, o Teatro, floresceram. O Brasil tinha, em
2011, engatilhada uma revolução cultural de nível planetário, acompanhando
seu poder emergente na Geopolítica Internacional.

O Governo Dilma, na medida em que castrou o MINC, revelou sua falta de
percepção para a Cultura, que é para a vida muito mais que a macroeconomia
para a infraestrutura do Capitalismo, como afirmado por Marx.

Este fato revelou sua não percepção da Revolução Ecológica caminhando para a
Economia Verde, da revolução digital, da importância dos Índios do Brasil,
de sua Justa Posse de suas terras, de seu saber arcaico, seu conhecimento
para a preservação da natureza, conhecimento das plantas medicinais. Dilma
não entende a importância da Maconha, dos alucinógenos na percepção do
admirável mundo novo e de sua importância inclusive na Economia Brasileira.
Partiu para uma política burra de repressão às Drogas, entrando numa guerra
mundialmente perdida.

Na Era do Conhecimento deixou para o Ministério de Ciência e Tecnologia um
orçamento miserável que determinou o afastamento no Brasil de grandes
cientistas brasileiros.

Quando "uma pessoa não sabe, nem se intera das coisas, sem enganos", como
canta em seu samba "Pérola Negra", Luis Melodia, é um Perigo Público.

Votei em Dilma. Sua Vitória deveu-se em grande parte à recepção calorosa que
os artistas cariocas lhe deram no Teatro Casa Grande no Rio, criando um
verdadeiro espaço de expressão Política, tão diferente dos comícios com
animação paga, caretas, programados por marketeiros. Por um raro momento
abriu-se, e até prometeu que o dinheiro do Pré-Sal iria para a Cultura. E
flui dela um discurso próprio de uma mulher sensibilizada mesmo. Uma
Presidente Mulher, não uma mulher travestida de Virago Patriarcal, uma Dama
de Ferro, isto é, um "Homem".

Que fazer pela sua mentalidade ainda da era analógica, seu
desenvolvimentismo que passa por cima de Belo Monte? É muito grave para o
Brasil esta falha cultural. Tenho muita admiração pela Presidente que, sendo
a 1ª mulher a presidir o Brasil, tem demonstrado competência técnica,
honestidade e exercício de Poder Humano, mas cuja falha trágica na Cultura é
FATAL e a metamorfoseia em tecnocrata, tão ao gosto da inculta classe média
brasileira.

Minha geração entregou seu corpo, como Dilma, à luta contra a ditadura.
Tanto os que foram pra Luta Armada quanto os que foram para a revolução do
Desbunde. E estes eram solidários até 1968.

Estou novemente em Portugal onde estivemos com o "Grupo Oficina Samba"
atuando ardorosamente na revolução portuguesa. Quando nos re-encontramos,
nós os exilados culturais e os exilados políticos, nos estranhamos. Os que
fizeram a Luta Armada envergonhavam-se nos ver sambando no Rossio, centro de
Lisboa. Criticavam as obras primas de Glauber Rocha, Rogério Sganzerlla,
porque queriam um cinema a la mediocridade estética de um Costa Gavras.

Tinham horror aos que viajavam nos alucinógenos ampliando sua percepção.
Ficaram caretas, presos mentalmente à Cultura Ocidental Patriarcal Moralista
Capitalista Cristã.

Essa lacuna foi por muitos superada, mas há os que ficaram nos tempos
coloniais, da pré-Tropicália.

Eu gostaria muito de conversar longamente com a Presidenta Dilma, pois estou
me referindo a fatos da História da Cultura que é em sí, Política no Brasil.

Tenho Amor por Dilma, que de qualquer maneira tem em seu DNA político,
Getúlio, Brizola. Tenho desejo de vê-la conversando pra valer com os
artistas, e não fazendo "Chás de Comadres" como foi seu encontro com as
cineastas brasileiras.

Estou falando de uma coisa muito concreta. É possivel haver uma mudança este
ano. Não bodifico Anna de Hollanda. É preciso ir direto aos fatos que
determinaram um ano praticamente perdido para o MINC.

Estivemos na Bélgica encerrando com "As Bacantes" o Ano Brasil na Bélgica.
Depois em Liscoa, no Teatro São Luiz, com esta Ópera de Carnaval Brasileira
da TragiComediOrgya, e já somos considerados o maior evento cultural de 2012
em Portugal.

Nossa peça, em cartaz desde 1996, é recebida com um entusiasmo e uma grande
emoção política relacionada com a Crise da União Europeia.

Há sede desta cultura libertária popular brasileira em plena Crise da
tristeza e depressão da Europa tiranizada pela TROIKA.

JORNAL VALOR ECONÔMICO
Você considera que haja algum mérito nessa gestão que mereça ser destacado?
O MinC fala muito em austeridade financeira e pagamento de dívidas para
defender suas ações. Existe alguma outra iniciativa que mereça ser elogiado?

JOSÉ CELSO MARTINEZ CORREA
A música Anna de Holanda e o ator Antônio Grassi tiveram uma atitude
exemplar com o encerramento do Ano do Brasil na Bélgica, ameaçado de
acontecer sem a apresentação de "As Bacantes" como estava previsto. O
diretor do Teatro de La Place, na Bélgica, onde seria apresentada esta
"Macumba Antropófaga", num dado momento mandou um auxiliar nos passar um
deselegante email por celular dizendo que não iria mais receber "BACANTES"
em seu Teatro.
Imediatamente Anna entrou em contato com o Embaixador do Brasil na Bélgica,
Maia Amado, que deve ser desta família de nobreza cultural notável que nos
deu Jorge Amado, Genolino Amado, Camila Amado, Gilberto Amado, todos Amantes
Amados da Cultura Brasileira. Um grupo da Funarte juntou-se imediatamente ao
Corpo de Produção do Oficina e juntos trabalharam para não gorar e não
broxar assim o "Ano do Brasil na Bélgica".

A Embaixada Brasileira, num esforço raro, responsabilizou-se pelo nosso
alojamento e por todo material Cyber com que trabalhamos no espetáculo.

Liderando uma equipe de brasileiros ligados ao Ministério da Cultura,
Antonio Grassi foi assitir em Liège "AS BACANTES" e pôde perceber o impacto
extraordinário causado pela cultura brazyleira, como escrevia Glauber Rocha,
com "y" e "z", no público europeu.

Este foi um ato altamente positivo de Anna de Holanda, por quem sempre tive
admiração enorme, sobretudo por sua delicadeza que soa cristalina em sua voz
até no telefone, como a de João Gilberto. Este ato coincidiu com uma foto
sua no Globo em que ela aparecia debaixo de uma cabeça de um Touro, animal
Tótem de Dionisios.

Para nós foi sua coroação como Ministra da Cultura. O caso não é destituir
ou não Anna de Holanda. Poderá vir para a Pasta gente até de grande
visibilidade, mas Anti-Cultura. Coisa que Anna não é. Eu sempre propus a ela
por emails que fôssemos juntos com muito artistas brasileiros tentar
conversar carinhosa e abertamente com Dilma sobre esta sua "Falha Trágica".
Mas parece que o Tabu "Corte Fiscal" e a personagem "Dama Papal" imobilizam
todos os movimentos dos que querem aproximar-se culturalmente deste governo.

Vou até enviar para esta matéria um díptico feito por um grande artista
fotógrafo de Campinas em que recria em dois quadros de Munch, a situação em
que se encontra Ana, entre "O Grito", protegendo-se da enorme bodificação
sobre ela, e a beleza de outra personagem, "A Madona", uma mulher sem medo,
forte e delicada como ela é.

Há um grande equívoco em fazer o mundo cair sobre a cabeça dela. Nós,
artistas brasileiros, populares-eruditos, temos de ir a Dilma e despertar na
Presidente os sentimentos culturais que a filha de Sérgio Buarque de
Holanda, a irmã de Chico, de Miúcha e toda família Buarque de Hollanda têm:
sensibilidade extrema cultural.

Por amor a Dilma, à sua pessoa e ao Brasil, a Presidente tem de ouvir a Voz
dos Artistas.

Na Ditadura fomos calados pela Tortura, Censura, mas sempre pudemos
construir com as estruturas de Poder uma Arte Pública avalancadora de um
Brasil mais que sem Miséria, luxuriosamente rico na Cultura Pública, Social,
Politica.

Estamos na Idade da Inteligência, coincidindo com a bancarrota da Ordem
Neoliberal do mundo das Energias Devastadoras.

Estamos vivendo um fim desta Idade Mydia, em que os Estados ainda são
submissos à sociedade Mercantil de Espetáculos. Estamos próximos a um
Renascimento.

Um país como o Brasil não pode estar drogado pelos peidos das celebridades,
pelos chiliques dos reality shows, pelo fundamentalismo evangélico.

Por não tocar na Cultura em sua eleição Dilma deixou que este lugar nobre
fosse tomado pelo besteirol moralista de um findamentalismo político. Quer
que o Brasil vire um Irã de Jesus!?

Há políticos que não engolem a Arte Popular Orgyastica e Anarquista
brasileira e querem levar para o povo a cultura falida da idade Mydia: o
Palco Italiano por exemplo. Há exemplos de Políticos que acham que o Povo
deve ter acesso à mesma mediocridade da Cultura Enfeite que a mediocridade
Burguesa e Pequeno Burguesa produz no Mercado Cartorial da Arte Careta. E
vêem nisso uma forma de Justiça Social.

Há grande Valor Econômico na cultura das massas, que já há muito fabricam os
"finos biscoitos" oswaldianos, produzindo dinamização do Crescimento Social,
Estético e trans-humano de um Povo. Sentimentos culturais motores do desejo
desta Mudança de Era.

Não vamos marcar passo com falsas polêmicas.

Vamos direto aos Tabús.

E fazer deste ano do Dragão um ano de Grande Prosperidade da Vida Cuidada
Culturalmente, sem o chicote dos cortes e da escravidão à uma Burocracia que
se mete na área da Cultura, que quer nos escravizar, miserabilizar. Não
suporto mais esta Tirania da Burocracia que sofremos todo 1º Ano do Governo
Dilma.

Nós Artistas, nós Povo Brasileiro, temos de trazer a Revolução que os árabes
trouxeram de Volta, dando ênfase na área em que o Brasil é poderoso, rico,
brilhantes: a CULTURA Antropófaga, Mestiça, progressiva, universal. A Babel
que deu certo.

http://blogdozecelso.wordpress.com a-babel-que-deu-certo-entrevista-nao-publicada-ao-jornal-valor-economico//2012/01/26/

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Diálogos Infames



- A cantora Rita Lee deitou e rolou com os meganhas.
- O show tem que continuar...
- Chega de hipocrisia!
- Ela não é uma criança....
- Liberdade sem medo.

Diálogo de dois sujeitos, um alto e magro o outro baixo e cabeçudo. Eles se encontram em um açougue comprando carne e peixe. Depois, desentendendo-se, trocam socos e pontapés.
- O peixe é fresco?
- Pega no rabo!
- Um quilo de maminha!
- Outro dia estive com sua mãe e com seu pai, Eva e Adão...
– O quê é isso? Meu pai não éviadão, não é não. O seu é que é!
- Ave César! Ave Adão! Entendeu a piada?
- Viadão é você seu puto...
- Que pré-conceito é esse cabeçudo?
- Vou te mostrar o cabeçudo!

Diálogo de dia chuvoso em um ponto de ônibus.
- Como chove!
- Chuva pau!
- Chupo sim!

Diálogo de dois atores pintando um grande cenário de um filme sobre um andaime.
- Estive com o Fellini
- Como ele está?
- Mandou você ir tomar no cú.