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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

NOVO MUNDO

Textos do cineasta Noilton Nunes direto do Fórum Social Mundial de 2003 em Porto Alegre.

Às 2 horas da madrugada integrantes do Movimento Nuestras Telas, ocuparam a sala de operações da Tv Globo de Porto Alegre e conseguiram botar no ar para todo o Rio Grande do Sul, um curta metragem sobre o Forum Social Mundial de 2003.
Na abertura do filme uma jovem não identificada explicou aos telespectadores
que o ato é preparatório para uma série de ações que o grupo vai desenvolver
até a Rio + 20, que acontecerá no Rio de Janeiro em junho próximo.
Justificou que a emissora exibe mais de 1000 filmes made in USA por ano em
detrimento da produção brasileira e ou latinoamericana. Completou que a
maioria desses filmes exibidos pela Tv Globo, são subsidiados pela indústria
bélica, com merchandisings de armas, publicidade do terror e propaganda da
violência, principais alvos de combate do Movimento, que luta por um mundo
mais pacífico, mais justo, mais humano e ecologicamente sustentável.
Lembrou ainda a jovem, que a emissora, com concessão do povo brasileiro, não
exibe o curta ou o documentário nacional, considerados dos melhores do
mundo; não aposta na diversidade cultural e comete crime de lesa cultura
diariamente. Por ironia do destino, a Globo estava no momento reprisando um
filme ianque estrelado por Orson Welles, onde o diretor, ator e produtor
anuncia através de uma rádio, uma suposta invasão da Terra por seres de
outro planeta. Os diretores da tv gaucha foram aconselhados pela direção
geral da empresa no Rio de Janeiro a não registrar a ocorrência na polícia,
com o argumento de que a divulgação do fato poderia incentivar novas ocupações.
Levantaram também a hipótese de que tal operação não poderia ser tão bem
sucedida se não houvesse a participação de simpatizantes do Movimento dentro
da própria estação. Hoje às 19 horas a Presidenta Dilma Rousseff estará no
Gigantinho e uma das perguntas que esperamos ela responda é: Se para onde
vão nossos filmes, vão nossos produtos, segue o nosso jeitinho de viver,
porque o Brasil ainda não dá a devida importância ao nosso querido cinema?

Noilton Nunes do Forum de Porto Alegre.

From: noiltonunes@hotmail.com

Subject: FORUM PORTO ALEGRE - 1: OCUPAR AS FÁBRICAS DE ARMAS
Date: Wed, 25 Jan 2012 17:32:22 +0000
"_ Ocupar as fábricas de armamentos, começando pela Taurus, aqui no Rio
Grande do Sul!"
Disse em alto e bom a bela jovem. Respirou fundo e continuou.
"_Depois que me vi aos 20 anos, nesse documentário sobre o Forum de 2003,
junto com centenas de outras jovens, ao por do Sol, orando pelo fim das
guerras... Depois que revi a cena do Eduardo Galeano dizendo para milhares
de pessoas, que a humanidade transpira violência por todos os poros...
Sabendo que nossos pais e nossos avós deixaram esse mundo cheio de defeitos
e que o sistema é burocratizador, fazendo de tudo para nos anestesiar, nos
alienar... Desejosa de criar meus filhos numa Terra pacífica... Cansada de
tanto blá, blá, blá... Quero participar de ações que possam chamar a atenção
do povo imediatamente. Proponho ocuparmos as fábricas de armas
pacificamente. Começando pela ocupação das mentes, dos corações, das
mulheres que trabalham nessas fábricas. Mostrar para elas que aqueles canos
de metralhadoras que elas ficam alisando, matam. Já mataram muito. Chega.
Chega. Mas, ocupar oferecendo opções aos donos das mortes para mudar o
destino de suas vidas e de milhões em todo mundo. Mudar o produto que
fabricam. A indústria da Paz é a única capaz de tornar nosso planeta
sustentável."
Esse foi meu primeiro impacto nesse Forum de Porto Alegre, preparatório para
a Rio + 20. Vieram muitos outros nesses primeiros dias. Posso afirmar que as
mulheres tomaram as rédeas da Revolução. As lideranças femininas estão cada
vez mais positivas e mais fortes, sem perder jamais a ternura.
O dia de hoje promete muitas emoções mais. Noilton Nunes

sábado, 28 de janeiro de 2012

POESIA



Parnasianas

Este fim de semana eu vou rever Nina
Ela vai passar o domingo em Búzios
Contemplando o mar e seus barquinhos de cor

Nove meses navegando morro acima
Estrela nascente no horizonte azul úvido
Formas ainda difusa de luz e calor

O velho e o novo na teoria dos contrários
Confraternizam-se na confraria dos magos
Eternizam-se na simplicidade dos afetos

Carinhosamente ela coloca no meu rosto a sua mãozinha
Emocionado com a nova vida eu lhe faço afagos
Seus olhinhos negros e vibrantes espelham amor

É Nina a minha netinha
De braços abertos e sorrisos largos
Moreninha fagueira abraçando o vovô


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

FIDEL CASTRO NOS MOSTRA A VENEZUELA DE CHAVES

A genialidade de Chávez

O presidente Chávez apresentou ao Parlamento da Venezuela seu informe sobre a atividade realizada em 2011 e o programa a executar no ano atual. Depois de cumprir rigorosamente as formalidades que essa importante atividade demanda, falou na Assembleia às autoridades oficiais do Estado, aos parlamentares de todos os partidos e aos simpatizantes e adversários que o país reúne em seu ato mais solene.


Por Fidel Castro

O líder bolivariano foi amável e respeitoso com todos os presentes, como é habitual nele. Se alguém lhe solicitava o uso da palavra para algum esclarecimento, ele concedia de imediato essa possibilidade. Quando uma parlamentar, que o havia saudado amavelmente, assim como outros adversários, pediu para falar, interrompeu seu informe e lhe cedeu a palavra, em um gesto de grande estatura política. Chamou minha atenção a dureza extrema com que o presidente foi increpado com frases que puseram à prova seu cavalheirismo e sangue frio. Aquilo constituía uma inquestionável ofensa, embora não fosse a intenção da parlamentar. Só ele foi capaz de responder com serenidade ao insultuoso qualificativo de “ladrão” que ela utilizou para julgar a conduta do presidente pelas leis e medidas adotadas.

Depois de verificar sobre o termo exato empregado, respondeu à solicitação individual de um debate com uma frase elegante e tranquila “Água não caça moscas”, e sem acrescentar uma palavra, prosseguiu serenamente sua exposição.

Foi uma prova insuperável de mente ágil e autocontrole. Outra mulher, de inquestionável estirpe humilde, com emotivas e profundas palavras expressou o assombro pelo que tinha visto e arrancou o aplauso da imensa maioria ali presente, que pelo estampido dos mismos, parecia proceder de todos os amigos e muitos dos adversários do presidente.

Chávez investiu mais de nove horas em seu discurso de prestação de contas, sem que diminuísse o interesse suscitado por suas palavras e, talvez devido ao incidente, foi escutado por incalculável número de pessoas. Para mim, que muitas vezes abordei árduos problemas em extensos discursos fazendo sempre o máximo esforço para que as ideias que desejava transmitir fossem compreendidas, não consigo explicar como aquele soldado de modesta origem foi capaz de manter con sua mente ágil e seu inigualável talento tal torrente oratória sem perder sua voz nem diminuir sua força.

A política para mim é o combate amplo e resoluto das ideias. A publicidade é tarefa dos publicitários, que talvez conheçam as técnicas para fazer com que os ouvintes, espectadores e leitores façam o que se lhes diz. Se tal ciência, arte ou como lhe chamem, fosse empregada para o bem dos seres humanos, mereceriam algum respeito; o mesmo que merecem os que ensinam às pessoas o hábito de pensar.

No cenário da Venezuela se realiza hoje um grande combate. Os inimigos internos e externos da revolução preferem o caos, como afirma Chávez, ao invés do desenvolvimento justo, ordenado e pacífico do país. Acostumado a analisar os fatos ocorridos durante mais de meio século, e de observar cada vez com maiores elementos de juízo a aleatória história de nosso tempo e o comportamento humano, aprende-se quase a predizer o desenvolvimento futuro dos acontecimentos.

Promover uma revolução profunda não era tarefa fácil na Venezuela, um país de gloriosa história, mas imensamente rico em recursos de vital necessidade para as potências imperialistas que traçaram e ainda traçam pautas no mundo.

Líderes políticos ao estilo de Rômulo Betancourt e Carlos Andrés Pérez careciam de qualidades pessoais mínimas para realizar essa tarefa. O primeiro era, ademais, excessivamente vaidoso e hipócrita. Teve oportunidades de sobra para conhecer a realidade venezuelana. Em sua juventude tinha sido membro do Birô Político do Partido Comunista da Costa Rica. Conhecia muito bem a história da América Latina e o papel do imperialismo, os índices de pobreza e o saque desapiedado dos recursos naturais do continente. Não podia ignorar que em um país imensamente rico como a Venezuela, a maioria do povo vivia em extrema pobreza. Existem filmes nos arquivos que constituem provas irrefutáveis daquelas realidades.

Como tantas vezes Chávez explicou, a Venezuela durante mais de meio século foi o maior exportador de petróleo no mundo; navios de guerra europeus e ianques em princípios do século 20 intervieram para apoiar um governo ilegal e tirânico que entregou o país aos monopólios estrangeiros. É bem sabido que incalculáveis fundos saíram para engrossar o patrimônio dos monopólios e da própria oligarquia venezuelana.

A mim me basta recordar que quando visitei a Venezuela pela primeira vez, depois do triunfo da Revolução, para agradecer sua simpatia e apoio a nossa luta, o petróleo valia apenas dois dólares o barril.

Quando viajei depois para assistir à posse de Chávez, no dia que jurou sobre a “moribunda Constituição” que Calderas apoiava, o petróleo valia 7 dólares o barril, apesar dos 40 anos transcorridos desde a primeira visita e quase 30 desde que o “benemérito” Richard Nixon tinha declarado que o câmbio metálico do dólar deixava de existir e os Estados Unidos começaram a comprar o mundo com papéis. Durante um século a nação foi fornecedora de combustível barato à economia do império e exportadora líquida de capital aos países desenvolvidos e ricos.

Por que essas repugnantes realidades predominaram durante mais de um século?

Os oficiais das Forças Armadas da América Latina tinham suas escolas privilegiadas nos Estados Unidos, onde os campeões olímpicos das democracias os educavam em cursos especiais destinados a preservar a ordem imperialista e burguesa. Os golpes de Estado seriam bem-vindos sempre que fossem destinados a “defender as democracias”, preservar e garantir tão repugnante ordem, em aliança com as oligarquias; se os eleitores sabiam ou não ler e escrever, se tinham ou não casas, emprego, serviços médicos e educação, isso não tinha importância, sempre que o sagrado direito à propriedade fosse defendido. Chávez explica essas realidades magistralmente. Ninguém sabe como ele o que ocorria em nossos países.

O que era ainda pior, o caráter sofisticado das armas, a complexidade na exploração e o uso do armamento moderno que requer anos de aprendizagem, e a formação de especialistas altamente qualificados, o preço quase inacessível das mesmas para as economias débeis do continente, criavam um mecanismo superior de subordinação e dependência. O governo dos Estados Unidos, através de mecanismos que nem sequer consultam os governos, traça pautas e determina políticas para os militares. As técnicas mais sofisticadas de torturas eram transmitidas aos chamados corpos de segurança para interrogar os que se rebelavam contra o imundo e repugnante sistema de fome e exploração.

Apesar disso, não poucos oficiais honestos, enfastiados por tantas sem-vergonhices, tentaram valentemente erradicar aquela embaraçosa traição à história de nossas lutas pela independência.

Na Argentina, Juan Domingo Peron, oficial do Exército, foi capaz de desenhar uma política independente e de raiz operária em seu país. Um sangrento golpe militar o derrubou, o expulsou de seu país, manteve-o exilado de 1955 até 1973. Anos mais tarde, sob a égide dos ianques, assaltaram de novo o poder, assassinaram, torturaram e fizeram desaparecer dezenas de milhares de argentinos, não foram sequer capazes de defender o país na guerra colonial contra a Argentina que a Inglaterra levou a cabo com o apoio cúmplice dos Estados Unidos e do esbirro Augusto Pinochet, com seu grupo de oficiais fascistas formados na Escola das Américas.

Na República Dominicana, o coronel Francisco Caamaño Deñó; no Peru, o general Velazco Alvarado; no Panamá, o general Omar Torrijos; e em outros países capitães e oficiais que sacrificaram suas vidas anonimamente, foram as antíteses das condutas traidoras personificadas em Somoza, Trujillo, Stroessner e nas sanguinárias tiranias do Uruguai, El Salvador e outros países da América Central e do Sul. Os militares revolucionários não expressavam pontos de vista teoricamente elaborados em detalhes, e ninguém tinha direito de exigir isto deles, porque não eram acadêmicos educados na política, mas homens com sentido da honra que amavam seu país.

Contudo, é necessário ver até onde são capazes de chegar pelos caminhos da revolução homens de tendência honesta, que repudiam a injustiça e o crime.

A Venezuela constitui um brilhante exemplo do papel teórico e prático que os militares revolucionários podem desempenhar na luta pela independência de nossos povos, como já tinham feito há dois séculos sob a genial direção de Simón Bolívar.

Chávez, um militar venezuelano de origem humilde, irrompe na vida política da Venezuela inspirado nas ideias do libertador da América. Sobre Bolívar, fonte inesgotável de inspiração, Martí escreveu: “ganhou batalhas sublimes com soldados descalços e seminus [...] jamais se lutou tanto, nem se lutou melhor no mundo pela liberdade…”

“… de Bolívar – disse – se pode falar com uma montanha como tribuna [...] ou com um monte de povos livres no punho…”

“… o que ele não deixou feito, sem fazer está até hoje; porque Bolívar ainda tem o que fazer na América.”

Mais de meio século depois, o insigne e laureado poeta Pablo Neruda escreveu sobre Bolívar um poema que Chávez repete com frequência. Em sua estrofe final expressa:

“Eu conheci Bolívar em uma longa manhã,
em Madri, na boca do Quinto Regimento,
Pai, lhe disse, és ou não és ou quem és?

E olhando o quartel da Montanha, disse:
‘Desperto cada cem anos quando o povo desperta ’.”

Mas o líder bolivariano não se limita à elaboração teórica. Suas medidas concretas não se fazem esperar. Os países caribenhos de língua inglesa, aos quais modernos e luxuosos navios cruzeiros ianques disputavam o direito de receber turistas em seus hotéis, restaurantes e centros de recreação, não poucas vezes de propriedade estrangeira mas que ao menos geravam emprego, agradecerão sempre à Venezuela o combustível fornecido por esse país com facilidades especiais de pagamento, quando o barril atingiu preços que às vezes ultrapassavam os 100 dólares.

O pequeno Estado da Nicarágua, pátria de Sandino, “General de Homens Livres”, onde a Agência Central de Inteligência através de Luis Posada Carriles, depois de ser resgatado de uma prisão venezuelana, organizou o intercâmbio de armas por drogas que custou milhares de vidas e mutilados a esse heroico povo, também recebeu o apoio solidário da Venezuela. São exemplos sem precedentes na história deste hemisfério.

O ruinoso Acordo de Livre Comércio que os ianques pretendem impor à América Latina, como fez com o México, transformaria os países latino-americanos e caribenhos não só na região do mundo onde é pior distribuída a riqueza, pois já é, mas também em um gigantesco mercado onde até o milho e outros alimentos que são fontes históricas de proteína vegetal e animal seriam substituídos pelos cultivos subsidiados dos Estados Unidos, como já está ocorrendo no território mexicano.

Os automóveis de uso e outros bens substituem os da indústria mexicana; tanto as cidades como os campos perdem sua capacidade de emprego, o comércio de drogas e armas cresce, jovens quase adolescentes, com apenas 14 ou 15 anos, em número crescente, são transformados em temíveis delinquentes. Jamais se viu que ônibus ou outros veículos repletos de pessoas, que inclusive pagaram para ser transportados ao outro lado da fronteira em busca de emprego, fossem sequestrados e eliminados massivamente. Os dados conhecidos crescem ano a ano. Mais de 10 mil pessoas estão perdendo a vida a cada ano.

Não é possível analisar a Revolução Bolivariana sem ter em conta estas realidades.

As Forças Armadas, em tais circunstâncias sociais, se veem forçadas a intermináveis e desgastantes guerras.

Honduras não é um país industrializado, financeiro ou comercial, nem sequer grande produtor de drogas, contudo algumas de suas cidades batem o recorde de mortos por violência por causa das drogas. Ali se ergue, ao invés, o estandarte de uma importante base das forças estratégicas do Comando Sul dos Estados Unidos. O que ocorre ali e já está ocorrendo em mais de um país latino-americano é o dantesco quadro assinalado, dos quais alguns países começaram a sair. Entre eles, e em primeiro lugar a Venezuela, mas não só porque possui grandes quantidades de recursos naturais, mas porque os resgatou da avareza insaciável das transnacionais estrangeiras e já desatou consideráveis forças políticas e sociais capazes de alcançar grandes conquistas. A Venezuela de hoje é outra muito distinta da que conheci há apenas12 anos, e já então me impressionou profundamente, ao ver que, como a ave Fênix, ressurgia de suas históricas cinzas.

Aludindo ao misterioso computador de Raúl Reyes, em mãos dos Estados Unidos e da CIA, a partir do ataque organizado e abastecido por eles em pleno território equatoriano, que assassinou o substituto de Marulanda e vários jovens latino-americanos desarmados, lançaram a versão de que Chávez apoiava a “organização narcoterrorista das FARC”. Os verdadeiros terroristas e narcotraficantes na Colômbia têm sido os paramilitares que forneciam aos traficantes norte-americanos as drogas, que são vendidas no maior mercado de entorpecentes do mundo: os Estados Unidos.

Nunca falei com Marulanda, mas sim com escritores e intelectuais honrados que chegaram a conhecê-lo bem. Analisei seus pensamentos e história. Era sem dúvidas um homem valente e revolucionário, o que afirmo sem vacilar. Expliquei que não coincidia com ele em sua concepção tática. A meu juízo, dois ou três mil homens teriam sido mais do que suficientes para derrotar no território da Colômbia um exército regular convencional. Seu erro foi conceber um exército revolucionário armado com quase tantos soldados como o adversário. Isso era sumamente custoso e virtualmente impossível de dirigir; torna-se algo impossível.

Hoje a tecnologia mudou muitos aspectos da guerra; as formas de luta também mudam. De fato o enfrentamento das forças convencionais, entre potências que possuem a arma nuclear, se tornou impossível. Não é preciso ter os conhecimentos de Albert Einstein, Stephen Hawking e milhares de outros cientistas para compreender isso. É um perigo latente e o resultado se conhece ou se deveria conhecer. Os seres pensantes poderiam tardar milhões de anos a voltar a povoar o planeta.

Apesar de tudo, defendo o dever de lutar, que é algo de per si inato no homem, buscar soluções que lhe permitam uma existência mais razoável e digna.

Desde que conheci Chávez, já na presidência da Venezuela, desde a etapa final do governo de Pastrana, sempre o vi interessado pela paz na Colômbia, e facilitou as reuniões entre o governo e os revolucionários colombianos que tiveram como sede Cuba, entenda-se bem, para um verdadeiro acordo de paz e não uma rendição.

Não me recordo de ter escutado Chávez promover na Colômbia outra coisa que não fosse a paz, nem tampouco mencionar Raúl Reyes. Sempre abordávamos outros temas. Ele aprecia particularmente os colombianos; milhões deles vivem na Venezuela e todos se beneficiam das medidas sociais adotadas pela Revolução e o povo da Colômbia o aprecia quase tanto como o da Venezuela.

Desejo expressar minha solidariedade e estima ao general Henry Rangel Silva, chefe do Comando Estratégico Operacional das Forças Armadas, e recém designado ministro para a Defesa da República Bolivariana. Tive a honra de conhecê-lo quando em meses já distantes visitou Chávez em Cuba. Pude apreciar nele um homem inteligente e são, capaz e ao mesmo tempo modesto. Escutei seu discurso sereno, valente e claro, que inspirava confiança.

Dirigiu a organização do desfile militar mais perfeito que já vi de uma força militar latino-americana, que esperamos sirva de alento e exemplo a outros exércitos irmãos.

Os ianques nada têm a ver com esse desfile e não seriam capazes de fazê-lo melhor.

É sumamente injusto criticar Chávez pelos recursos investidos nas excelentes armas que ali foram exibidas. Estou seguro de que jamais serão utilizadas para agredir um país irmão. As armas, os recursos e os conhecimentos deverão marchar pelos caminhos da unidade para formar na América, como sonhou O Libertador, “…a maior nação do mundo, menos por sua extensão e riqueza do que por sua liberdade e glória”.

Tudo nos une mais que à Europa ou aos próprios Estados Unidos, exceto a falta de independência que nos impuseram durante 200 anos.

Fidel Castro Ruz
25 de janeiro de 2012 às 20h32

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Memória

SALINAS MASSAMBABA

Este lugar merece um belo documentário com as fotografias de Antônio Ângelo. É a última salina que ainda existe em Cabo Frio, que pena!
















quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

foto de jose luiz vieira


É Hora de Ser Sensato
O carnaval vai passar e o ano eleitoral se inicia. É chegada a hora das definições políticas regionais. Aqui em Cabo Frio, onde moro, arma-se o palco bélico da disputa do voto com coronéis e soldados se movimentando do lado direito. Do outro lado, o esquerdo, se tenta agrupar as forças políticas progressistas em torno do novo, do quem vem aglutinando, pela sua história política, pelo seu passado de luta, o espírito libertário da transformação social e cultural desta cidade. Nunca foi tão importante essa união para derrotar o exército endinheirado, repleto de reacionários oportunistas, muito bem armados, que dominam o paço municipal há mais de quinze anos. Chega! É hora de ser sensato. Nada tem de ficar como está e muito menos voltar como foi. É preciso avançar para se ter uma sociedade protegida contra a ignorância, o privilégio, os assaltos ao cofre público, as péssimas administrações inchadas nas regalias nababescas perpetradas por homens vaidosos desprovidos de caráter. A eliminação definitiva da vida pública destes abnegados do poder que dizem impropérios enganadiços na mídia do beija mão (ou coração, como queiram) e na surdina trabalham sorrateiramente em prol dos seus próprios benefícios e conseqüentemente abandonando e arrasando esta belíssima comunidade praieira centenária (400 anos) a começar pelo simples desrespeito ao elementar preceito do equilíbrio da natureza que diz preservar a qualquer custo as suas fontes de águas límpidas e despoluídas. Cabo Frio é o Mar, é também a Lagoa, é o Canal. Pura água. Não vimos aqui, em todos esses anos, nenhuma ação pública voltada à proteção das águas dentro de um programa de turismo de qualidade, única fonte de renda do comércio e dos trabalhadores locais. Lembrem-se das salinas e dos moinhos de vento que durante anos foram os cartões-postais da região, não existem mais. Apegados a fortuna que o royalty do petróleo gera, esses desmiolados sentem-se, em época de eleição, no direito de se julgarem sábios provedores dos menos afortunados e usam da religião, e convocam o povo em nome de Deus, e distribuem benesses na ilusória proteção financeira aos mais carentes e, por outro lado, privilegiam com altos salários os mais incompetentes, os que não querem fazer nada, os baba-ovos do poder, que são geralmente membros, ou protegidos, de suas nobres e tradicionais dinastias políticas locais. Chega! Chegou à hora de mudar o rumo administrativo deste município na união de todos que querem fazer de Cabo Frio uma nova cidade, uma cidade universitária, inteligente, difusora de cultura e laser, onde o cidadão poderá viver em paz, sem violência, com saúde e educação de qualidade, em harmonia com a natureza.

NOTÍCIAS DO CINEMA BRASILEIRO

Nelson Pereira dos Santos se diz otimista com o cinema, mas é crítico com a burocracia "Estamos cada vez mais pluralistas, há histórias pra todo mundo e cada vez mais recuperamos nosso público". Apesar do otimismo, o cineasta mantém sua verve crítica intacta e faz questão de ressaltar que não vivemos num mar de rosas. Para ele, o cinema nacional só não está melhor por falta de apoio do Estado. "Nós, ao contrário da Argentina e da França, não temos nenhum apoio. O que nós temos é um inimigo do cinema brasileiro criado pelo Estado chamado ANCINE [Agência Nacional do Cinema]". Para o cineasta, a burocracia e regras impostas pela
agência vão de encontro ao princípio básico do cinema plural: a liberdade de
criação. Nelson arremata: "Antigamente tinha censura, hoje tem a ANCINE.
Trata-se de um monstro que impede que o cinema brasileiro alcance seu público".


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

PRESENTE

No fim do ano, no Rio de Janeiro, durante um desastrado encontro comandado por Baco(nin), eu recebi das mãos de Ricardo Miranda o DVD do seu novo filme de longa-metragem: Djalioh, que até hoje não consegui assistir, pois a cópia estava com defeitos digitais que tornaram impossível a sua projeção... Ah! Que saudade da película.
Passados alguns dias volto ao Rio e ganho de presente de aniversário, do meu dileto amigo Luis Rosemberg, um livro: O Sujeito na Tela, escrito pelo Arlindo Machado, professor da PUC em São Paulo e diretor de cinema. Estou lendo com atenção dobrada o livro que me foi presenteado. Sinto certa dificuldade com o texto, embora o assunto tratado seja do meu interesse cinematográfico, devo dizê-lo, vou devorá-lo, o cara é paulista e amigo do professor Gilberto. Estava começando a ler o capítulo três do referido livro, quando resolvi escrever estas mal traçadas linhas, pois parei subitamente de ler. Depois do “Enigma de Kane” e “Ubiqüidade e Transcendência” já não estava entendendo o que lia..., é que são muitas informações e citações conjugadas, emaranhadas, tornando-se, às vezes, cansativas por achá-las rebuscadas na técnica acadêmica da narrativa de teses didática, sem as devidas emoções literárias da descoberta e da transformação. Um texto, um filme, pra mim, tem de ter a poesia que orbita os grandes artistas, se não, por melhor que sejam escritos, tornam-se extremamente descritivo, enfadonhos em todos os possíveis significados subjetivos de um olhar vindo do ponto de vista deste insignificante espectador cego.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Brizola, o reformador

Ontem, se vivo fosse, Leonel "Itagiba" de Moura Brizola completaria 90 anos de idade. Pode-se dizer, sem exagero, Brizola Vive! Ele, Jango e Getúlio formam a trinca de políticos gaúchos mais importantes dos últimos 80 anos. Brizola ainda deslumbra seus admiradores pela coragem, pela ousadia, pelas grandes reformas - encampou duas empresas multinacionais incompetentes e parasitas - e pelo papel que desempenhou em relação à reforma agrária e à educação. Digo, depois de muito estudar, que Leonel Brizola foi o melhor governador da história do Rio Grande do Sul. Hoje também é o dia dos 50 anos do começo da luta por reforma agrária no Banhado do Colégio, em Camaquã, onde o agricultor Epaminondas Silveira e o padre Léo Schneider lideraram comboio de 2 mil pessoas, de carroça, charretes, a cavalo e a pé, por 10 quilômetros. Exigiam que o governo retomasse terras do Estado griladas por fazendeiros. Brizola entrou na parada e mudou o jogo.
É emocionante ler as manchetes dos jornais da época. Capa da Última Hora: "Camaquã imita Sarandi - Mais de 2 mil camponeses pedem terra". Outra da intrépida UH: "Colonos de Camaquã - Só a morte nos expulsa daqui". Os fazendeiros queriam que o III Exército fizesse o serviço sujo e expulsasse os sem-terra. Brizola preferiu um caminho inusitado como destaca Elio Copes: "Decretou a área do Banhado do Colégio (cerca de 20 mil hectares) de utilidade pública para fins de reforma agrária, deu apoio ao acampamento, tais como, alimentação, atendimento de saúde e iniciou um trabalho de inscrição dos acampados, levantamento da condição social de cada família, que serviria para a seleção para, mais tarde, receberem os lotes. Após cinco meses do acampamento, tempo que levou para providenciar na documentação dos lotes, o então governador Leonel Brizola esteve no Banhado do Colégio, onde fez a entrega dos primeiros 134 lotes, marcando, assim, um novo marco de desenvolvimento para o local". Algo nunca visto antes. Elio Copes organiza, em Camaquã, as comemorações desse cinquentenário da primeira reforma agrária realmente bem-sucedida do Brasil. Brizola era de faca na bota. Fez uma que cala todos os maledicentes. Promoveu reforma agrária na fazenda Pangaré, de sua propriedade, em Palmares. Distribuiu 1.080 de 2.300 hectares para pequenos agricultores plantarem arroz. Cada um recebeu um lote de 35 hectares, casa e três vacas holandesas. De fato, esse Brizola era muito perigoso, subversivo, assustador. Não cumpriu o papel tradicional de repressor de movimentos sociais, criou milhares de escolas, não se mixou para os americanos, enfrentou os interesses dos estancieiros donos do Rio Grande do Sul, suportou com galhardia o pau que levava diariamente dos setores conservadores da Assembleia Legislativa e, findo seu mandado de governador, elegeu-se deputado pelo Rio de Janeiro com um voto em cada quatro eleitores, como se diz, de cola em pé. Esse era de meter medo. Só podia virar inimigo público de todos os reacionários e dos golpistas de 1964.

Juremir Machado da Silva juremir@correiodopovo.com.br

INFORMAÇÕES

Edital
BNDES lançará edital em 17 de janeiro
A nova edição de seu edital de cinema, que apoia a produção e finalização de
obras de ficção, animação e documentários, terá inscrições abertas até 15 de
março.

Prêmio ABC
Inscrições abertas até 29 de fevereiro
A semana ABC acontecerá de 9 a 11 de maio na Cinemateca Brasileira, em São
Paulo.

Exibição
TV Câmera lança edital para aquisição de documentários
segundo concurso para licença para exibição de 42 documentários recebe
inscrições até 15 de fevereiro.

Festival de documentários
In-Edit Brasil recebe inscrições até 1º de fevereiro
Festival de documentário musical acontecerá de 3 a 13 de maio, em São Paulo
e no Rio de Janeiro.

Melhores de 2011
Críticos brasileiros elegem os melhores filmes de 2011
Abraccine divulga sua escolha para os melhores filmes de 2011.

Festival em Portugal
PUFF tem inscrições abertas para longas e curtas
O Portugal Underground Film Festival será realizado de 8 a 16 de junho.

Festival luso afro brasileiro
FestFilmes tem prazo de inscrições até 13 de abril
O Festival do Audiovisual Luso Afro Brasileiro será em Fortaleza, Ceará, de
13 a 18 de maio

domingo, 22 de janeiro de 2012

MEMÓRIAS DO RIO ANTIGO

Conheci o escritor João Carlos Rodrigues, faz muito tempo, como Joãozinho da Aníbal. Ele sempre foi um cara misterioso para mim. Sabia que ele gostava de cinema e do “underground” carioca. Tínhamos a mesma idade e vivíamos as mesmas angústias de nossa época. Amigos comuns, nós tínhamos muitos, mas nesta longa coexistência conversamos pouco. Minha irmã, Ana Sette, é quem se tornou grande amiga dele e, por ela, (através dela), tornei-me a encontrar com o velho amigo distante. Foi só agora que eu encontrei no Joãozinho o escritor, o cineasta, o crítico mordaz, vendo os seus filmes e lendo os seus livros editados. Li com enorme prazer o livro sobre o grande João do Rio “Vida, Paixão e Obra”, editora Civilização Brasileira, que é uma biografia escrita com tanto empenho e amor, que eu, logo no primeiro capítulo, com o passeio pelo Rio antigo, apeguei-me tanto ao talento narrativo do texto que dificilmente conseguia parar de ler, independente de suas 300 páginas.




Mas quero apresentar aqui, para quem ainda não conhece, parte do seu trabalho no audiovisual e alguns textos elucidativos retirados do facebook sobre este grande compositor da música brasileira na época da bossa nova... É imperdível! Viva! Johnny Alf e palmas para o escritor João Carlos Rodrigues.
Johnny Alf por João Carlos Rodrigues

“Na véspera da gravação no Vinicius eu saquei que, embora com duas câmeras, não havia quase nenhuma possibilidade de movimentação por falta de profundidade da sala, e a iluminação tb deixaria a desejar. Bem, dei uma de produtor mesmo: puxei o talão de cheques e contratei uma mesa de som de 30 tantos canais, mais um profissional, e isso possibilitou fazer os dois cds (depois que mixei num estúdio substituí no vídeo o som da câmera por esse novo som). Esses outros vídeos que o Vicente falou das cantoras tem a imagem mais definida (mais luz, além do Hélio Silva) mas o som não é tão bem mixado, embora saia da mesa de som, e não diretamente das câmeras. Volta e meia vou postar o pedacinho de um por aqui, outro ali, de vagarinho... Quanto ao cd, é realmente cult: ele toca até Villa Lobos e homenageia Dick Farney. Tem faixa com 10 minutos de duração, um atrevimento. Já ofereci a várias gravadoras e nenhuma quis relançar. Enfim, é o Brasil...”



“Trecho do meu vídeo "Um retrato de Johnny",1997.Johnny Alf fala de suas primeiras gravações,em 1952,antes portanto de "Orfeu negro" e do João Gilberto.Mas como o Brasil é pátria madrasta,só fez seu primeiro LP em 1961,depois dos outros.Na renovação da música popular brasileira do pós-guerra e na bossa nova,podemos detectar duas correntes diversas.A fusão do samba com o bebop, feita pelo Alf.E a fusão do samba com o cool jazz,feita pelo João Gilberto.Podemos afirmar sem muito erro que se o João Gilberto é a linha reta,o Alf é a linha sinuosa.No instrumental e tb no canto.E é com as duas que desenhamos o mundo.O Tom Jobim,mais eclético,curtiu as duas com o maior desembaraço,mas sua origem está mais em Debussy,Ari Barroso e Villa-Lobos”.



“Johnny Alf continua a falar de sua discografia (final),entrevistado por mim,também produtor e diretor do video "Um retrato de Johnny",1997. Há poucas entrevistas dele e em quase nenhuma fala tanto e tão desembaraçadamente como aqui. Do meu baú particular para vocês e o mundo. Raro e interessante. Vejam. Depois dessa entrevista ele ainda gravou quatro cds: um da Lumiar com Leandro Braga sobre Noel Rosa; os dois ao vivo produzidos por mim; e mais um para o mercadão japonês que saiu aqui pela Guanabara Records com o título pouco imaginativo de "Mais um som"”.

http://youtu.be/Z-WMevW9qpM


“Esse post vai para Lulu Librandi, por tudo que fez pelo Alf e pouca gente sabe. Ele de certa maneira foi mestre e exemplo para o Tom Jobim, João Gilberto, João Donato, Roberto Menescal e toda turma da Bossa Nova. Muitos o chamam de precursor. Eu prefiro chamar de fundador do movimento, que os outros desenvolveram, pois ele já cantava e compunha assim em 1952, um pouquinho antes. Mas ele mesmo dizia que não era, embora a cronologia e outros fatos o desmintam. Convenhamos que era inteiramente inusitado para a época, quando ainda imperavam Chico Alves, Orlando Silva e Vicente Celestino. Em suma, era muito bom e merece ser melhor conhecido. No youtube tem muita coisa gravada já depois dele doente, com a voz fraca, magro. Aqui ele está no auge, já com setentinha, mas em ótima forma. Aproveitem. Escrevi uma biografia dele, cheia de particularidades interessantíssimas, para a prestigiada Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial de SP. Está pronta, aprovada e diagramada desde novembro de 2010 e a editora não lança, assim como dezenas de outros títulos. Que coisa! Faço aqui um apelo, uma reclamação etc. etc. e tal...”

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Colaboração

NUNCA FUI MULHER, NÃO SEI
Fábio Carvalho


Hemograma, creatinina, glicemia, psa, lipidograma e urina rotina.
Dr. Gilmar Barbosa de Souza

Nem mesmo o amor existe. Tenho uma memória de elefante, mas por vezes esqueço o que falei antes. Ninguém ajuda. A dor dela nasceu agora a pouco. Não doeu em mim, nem mesmo um tantinho do que ela sabe fazer. E a Flor está ouvindo e gostando deste piano com o baixo e esta bateria, é a cozinha antes das quatorze horas. Era o MILTON BANANA. Que era amigo do meu amigo. Como amigo me tirou deste verão inóspito, está na hora de sair. Ela estava lá me esperando naquele céu branco de neve enquanto aquela motocicleta subia em câmera lenta a rua de mão única. Era a SERRASÔNICA. Este céu já dura três dias. Ando sem paciência. MELANCOLIA DE MOSCOW. Consegui apagar o que tinha escrito como lembrar do que quero antes do almoço, isto sim é uma boa pergunta. Porque me falha a interrogação, deve ser porque ela acha que me conhece nesta nova temporada, enganada pelo violão que toca vindo do interior de alguém desconhecido. Ou sendo eu mesmo. Nunca gostei muito do cinema do Andrei TARKOVSKY, tenho que declarar, até descobrir o BRASIL, nele desencontro logo, lá em estado russo sem vodka imediatamente passei a gostar deste Cinema como das outras lindas que reclamam nesta mesma língua lépidas e disfarçadamente. Estou projetado em CINEMASCOPE. O SACRIFÍCIO. Nem sei da onde vieram tantas vírgulas. Muito menos aonde vão. Ninguém saberá. Ou saberão. É uma ou são várias? Finalmente ela chegou. Como me livrar delas? Sem chance, ou melhor, vou tocar trumpete na esquina mais próxima. Ainda bem temos as esquinas. Nunca me esqueci dela, a esquina. Que Cinema que nada, vou às mulheres e aos copos como se diria em bom português. Ou seja, com o perdão da palavra, estou sem saída. Oh. Acabei me saindo bem. E ela ainda canta magnificamente, mais gordinha de cabelo novo e cumprido. Olhando seu reflexo no espelho. Ela adora se ver. Ah vida. Cruel. Não, não dá mais sem marcar. Aquele freio não brecou, a sorte e a minha clarividência momentânea conseguiu me fazer escapar de mais esta. Desconfio que ouvindo a cantora, por hora posso me manter redivivo, ainda sem fazer os exames que o médico me pediu no ano passado. Graças a ela. Há algum tempo aquela atriz linda sem uma perna me disse na Lapa o seguinte: não me diga que vai me chamar para o filme, me chame. Ela fez uma omelete.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

EPIÓDIA

Não é necessário viver, somos milhões.
É necessário ler a vida, somos poucos.


A grandeza do homem está nele compreender a si mesmo e, neste mesmo processo dialético do conhecimento, entender a natureza das coisas que o envolve no mistério social do existir. A base do saber está na educação e na cultura circunstanciadas a família e aos amigos de toda uma vida. É a cultura que o faz se envolver com seus semelhantes. Enfim dentro desta engrenagem cósmica ele passa a possuir as chaves da comunidade onde nasceu e foi criado. Se ele transformar a chave em uma gazua, ele vai passar alem do que lhe foi apresentado, podendo ver, ler e ouvir tudo de melhor que milhares de anos de conhecimento a humanidade tem a lhe oferecer. Quando se lê um livro, ouve-se uma música, vê-se um filme ou contempla-se uma pintura, uma peça de teatro, não basta só isso para saber o que melhor da criação se coloca a sua frente. É preciso ouvir o texto que existe em todas as manifestações artísticas do homem. É preciso saber ler um filme ao vê-lo. Ler significa ir além das imagens, significa mergulhar no pensamento, na existência do criador e nas suas exegeses. Ter o estalo. Querendo ou não isso acontece com qualquer pessoa, só que uns se utilizam desta epifania e outros não. O que importa no caso é o que se vê, o que se ouve e o que se lê. O que se vai fazer depois é outro assunto. O homem que cresce em um meio desprovido de arte, de cultura, vai preencher essa lacuna com o que de pior existe e na certa vai sofrer o mesmo processo que o leva a compreender e a depender daquilo que não interessa, pois tem a sua gênese na ignorância e na alienação. Não é uma questão de gosto, é uma questão de saber gostar. Um louco pode comer lavagem com os porcos, como impedi-lo? Dando a ele qualquer outra coisa limpa ele na certa vai apreciar como se aquilo fosse um manjar dos deuses. Não me venha com essa que depende dele comer caviar. O trabalho escravo não lhe oferece caviar mas sim a cova rasa de sete palmos de terra depois da vida mais infeliz desse mundo, pois nada significou para ele ter vivido, além de uma falsa alegria quando se torna um pequeno burguês representado pelos amigos e familiares no churrasco de fim de semana ou em festas religiosas onde se vende a esperança da salvação de um mundo maldito que eles criaram. Que mundo é esse? Quando eu li o livro A Psicologia de Massa do Fascismo de Wilhem Reich, há muitos anos passados, eu não consegui entendê-lo na sua excelência, pois não conseguia ler o criador, assim quando ele dizia que não compreendia por que só alguns homens se revoltavam com os acontecimentos e não todos, eu só pude entendê-lo de fato agora. “... o que é necessário explicar não é que o faminto rouba, ou por que o explorado entre em greve, mas por que razão a maioria dos famintos não rouba e a maioria dos explorados não entra em greve”. Nada mudou e os fascistas fizeram e ganharam a guerra, dominam o mundo com uma ditadura financeira cruel e muitos poucos se incomodam com isso. Mas é sempre bom lembrar que no mundo há fascistas de direita (o que é natural) e também agora os de esquerda (o que é uma aberração) e também os fanáticos religiosos (o que é inevitável). Temos de separar o joio do trigo, tudo ficou mais difícil. Às vezes penso que este é um mundo condenado a existir assim, desigual, desleal, paradoxal, infernal, para sempre. Mas continuo lutando, é preciso acreditar em alguma coisa enquanto se viver. E depois o que me importa se a bicharia comer todo o meu corpo após a morte?

domingo, 15 de janeiro de 2012

CORRESPONDÊNCIAS NO BLOG

Oi Zé !!
Achei este vídeo antológico no youtube, com reflexões suas sobre o cinema e a TV na década de 80. Lembro que vi este vídeo na época, mesmo antes de te conhecer, numa mostra feita pelo Zé Maurício na FUNALFA. Muito bom !!! Segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=Of88WmZ251w&feature=related
Finalmente postei meus vídeos na rede. Inicialmente só os mais experimentais, que já estão digitalizados. Criei um blog onde estão todos os links para o youtube: http://rogerioterra.blogspot.com
Precisamos explorar mais esta ferramenta fantástica de divulgação, ainda dominada por 99% de lixo e banalidade.
Grande abraço, Rogério Terra
Resposta:
Meu querido amigo Rogério Terra,
A internet é uma sala de exibição ainda em consolidação, encontra-se nela arquivos de filmes interessantes, alguns que venho aleatoriamente achando tem alguma importância. Às vezes fico de saco-cheio de tanta merda. O pior da tevê. Como aqui onde moro, no mato, não há banda larga, faço tudo pela internet discada, você pode imaginar o meu dilema quando o assunto é vídeo, Tenho então que ir a cidade de Cabo Frio. Só num “cyber” pode-se assisti-los, assim sendo não assisti ainda os seus experimentais e também a velha “Europa em 5 minutos”.
Esse vídeo feito pelo Eder Santos no ano de 1986, por exemplo, é histórico pois estava morando na cidade de Belo Horizonte quando recebi a notícia que o meu filme tinha sido selecionado para o Festival de Berlim (Um Filme 100% Brazileiro) e eu já estava no carro pronto para viajar para o Rio de Janeiro quando o Eder apareceu na porta da rua sem me avisar, com um equipamento de vídeo novíssimo, implorando para eu dar uma entrevista sobre a nova tecnologia dos vídeos profissionais, sua qualidade de exibição e as contradições que passariam a existir com a velha e segura película. Dei a entrevista no carro e deu no que deu. Hoje, 26 anos passados, as películas deixam de existir, a Kodak fecha sua porta. A Arriflex não fabrica mais câmeras de filmar com película e lança no mercado a sua versão digital. A única coisa interessante nisso tudo é que hoje posso fazer um filme sem gastar nenhum tostão... Naquela época eu não acreditava que tudo isso pudesse acontecer... Desculpe-me mais vou fazer no dia 17 de janeiro 64 anos. O mundo mudou e a caravana continua passando. A saudade do velho cinema foi só o que ficou... Sinto falta também dos amigos que deixei ai nas montanhas mineiras de Juiz de Fora, abrace-os todos por mim... Mande-me notícias do Natálio Luz, ator do filme Labirinto de Pedra. Sonhei com ele a noite passada.
Um abraço fraterno
josesette

sábado, 14 de janeiro de 2012

VISITAS

Recebi
na semana passada a visita de dois amigos: o cineasta Fábio Carvalho e sua belíssima mulher, a atriz, editora e também cineasta Isabel Lacerda. Trouxeram com eles seis DVDs dos seus últimos trabalhos. Assisti aos três primeiros que saltaram aos meus olhos – Três amigos em cena – Neville de Almeida X Bracher, gravado em Ouro Preto. Sérgio Lara entre o misticismo e a cachaça de Baependi. Saraceni X Carlos Drumond, no filme da montagem de Ricardo Miranda.Falarei sobre todos em breve... Mas nunca vi nada mais mineiro.

Fábio Carvalho com a grande atriz brasileira Maria Gladys

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

POESIA

Quântico

Com nada expeço pelo tranço
Em delicadas folhas de papiro
A grande página do tempo

Composições de um só dia
Caleidoscópio de olhos aflitos
Decifrador de ouvidos atentos

Invento o jogo das horas partidas
Descalabro espelho de narcisos
Contra-senso logo penso e existo

Preso no núcleo do átomo
Esperando a força suprema
Explodir o elo espesso da vida

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

RELEMBRANDO

FALANDO COM O POETA

Não foi o poeta Murilo Mendes quem disse que um artista pinta sempre o mesmo quadro? Eu digo que um artista é todos os quadros pintados pelo poeta. Poeta transistor do caos moderno. Transgressor de todos os dogmas e conceitos. Mediador do absurdo. Poeta-fragmento de um cometa rastreador de palavras repletas de significados. Mnemônica dos deuses quando querem se lembrar dos homens. Linguagem aflita de quem corre grande perigo... O poeta é herói de fato! Mesmo que a fome do insignificante consiga alcançá-lo ele sobrevive. Não é fogo, nem cinza, é luz. O Poeta não tem a vida, tem o verbo que é língua e dedos como dados lançados à sorte. O poeta anda o seu caminho de volta com passos largos para frente. Vive os contrários. Mundos diferentes. Quanto mais caminha um se distancia do outro. Um é um o outro são dois. Trilogia de mistérios. Um poeta é três! Quem deles pode duvidar? O poeta transforma sempre o mesmo quadro em uma verdadeira obra de arte. Todo grande artista escreve sempre o mesmo livro em busca do seu fim que é a perfeição, o ser absoluto, a verdade que nunca vai existir, a combinação exata de todas as cores do universo, do negro total a luz que cega, do percorrer de todas as sombras a descobrir os labirintos até transpor todos os sistemas. O Poeta vive a gênese de todos os textos, sempre retorna ao princípio para começar tudo novamente. Neste mundo só a ele é dado esse direito de ver e ouvir o eterno, ser homem e deus em um só tempo, em um só momento, nos pequenos intervalos da criação. Ora! Porque no poeta tudo é arte, tudo é cultura. Nós não temos que diferenciar um bife a cavalo de uma moqueca de camarão? Pergunte ao Poeta e depois a um homem comum... Só a antropofagia nos une, o resto é bobagem! Ninguém respondeu. Para a poesia não há resposta! Só assim, meu caro poeta, eu consigo te entender.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Do nosso cineasta colaborador



MANHÃ 100% CINEMA
Fábio Carvalho



“Um homem sem profissão sob as ordens de mamãe”
Auto biografia de Oswald de Andrade


O que pode se querer mais da morte além do fim? Sempre esqueci lembrando. Temos que exercitar o músculo da imaginação como dizia DOM LUIS. De novo o plano de conjunto a entrar sem pedir licença e sem ser chamado. Que onda meu. Adieu COSTA AZUL. Como me avisaram não vi o JOEL BARCELOS. Ela me beliscou, começo a compreender esta minha queda pela orgia dentro do quadro, foi uma lição tomada na primeira pessoa fechada face a face que me fez, e ainda faz, desviar da detestável psicologia. E isto é somente o começo, soa como uma ameaça só que em tese não é. Apenas uma jogatina com várias personagens no mesmo cenário se movimentando nas suas individualidades. Ela tem que fazer a bailarina. Além de ter que ensaiar novas posições. Faça-me o favor eu preciso de você amanhã. Já disse que ela não é uma mulher cara é trabalhosa. Na varanda. Realmente esta música é boa para danar. Neste momento estou VALDICK SORIANO depois de ler sua entrevista no PASQUIM em 1972 na Ilha do Governador direto do Bar Taska. E me sinto muito bem. O que será SORIANO? Deve ter algum significado. Que música é esta? Melhorou. É uma festa, e eu estou dentro sou negro. O encantado do CAMARGO GUARNIERI. Gostei desta levada, devo e ainda posso melhorar. Vamos devagar, para que correr. Sem interrogação é muito melhor. Com este piano então. Que beleza de chuva. Na realidade a solidão nunca me deixou só. Descaradamente consegui roubar esta bela frase. Como fui o suficiente não tenho ido. Quem age deve ir às últimas conseqüências do seu ato sem se lamentar, disse o lobisomem KIMURA. Chove aos cântaros. Nesta manhã domingueira bastante escura revi pela primeira vez o filme que revi pela primeira vez em Caxambu, naqueles anos oitenta da mesma forma que antes já tinha revisto em outras ocasiões, como aquela visão à noite no extinto Cine PATHE. Eu era outro que ainda sem ser o mesmo, voltei a ser quem eu era quando nasci. Um adolescente púbere e priápico. Afinal. Mulheres mineiras lindas e nuas, que saudade. Todos nós lá reunidos no Cabaré. Entendi mais uma vez como este filme marcou minha retina pelas formas que me interessam. Lembrei de todos os filmes que vou fazer com a permissão da viagem necessária.Talvez tenha sido a primeira vez. Dizem que a segunda é melhor. De novo agora maturada em musgo de carvalho. Ela apontou o buraco da fechadura que estava logo ali com meus olhos a não enxergarem tal irrealidade. Duas voltas na utilidade da minha chave, a porta abriu e eu entrei muito bem. De repente ao telefone fiquei rouco, certamente esta rouquidão tem várias justificações. Todas incontestáveis. Que seria do ator se não fosse o medo. Sem sombra de dúvidas tinha que haver a interrogação. Deixamos temporariamente a Côte D’Azur por uma Via Lagos congestionada, obnubilada e bem molhada, com a discreta propensão aos acidentes trágicos que a imaginação realiza muito bem quando não é com você dormindo acordado neste mesmo trecho de antes. Dia 2, segunda-feira. Rumo ao Bosque do Peró, seguimos sem aparelho de som no carro, se o barco virasse ninguém ouviria música. Na seqüência acertamos o caminho. É uma boa. E que cantora estava ouvindo agora em francês no cenário pintado a óleo. A rúcula hidropônica vai participar do filé acrescido da pimenta viajada na garrafinha curvilínea. Vou ter que rever minhas restrições com relação aos Domingos, também nem sei para o que. Nem é uma pergunta é uma finalização. Piano. Piano. Pianíssimo. Como ninguém mais veio ao almoço de arroz com alecrim vou comer sem reservas. A BALADA DO VELHO MARINHEIRO. Novamente na varanda, enquanto uma chuva continuada sem vento teimava em não acabar, falamos sobre a bela morte do cineasta OSCAR MARON ao sol em Goa na velha Índia. A morte filmada. A extraordinária personagem GUARÁ veio nos receber no cais do porto quando lá aportou o transatlântico durante o carnaval. Não me diga mais quem é você. Ali neste instante me encontrei perdido na estrada que seguia até aquele dia. Variados sinais, tinha outra música mais para dentro, naturalmente fui lá sem pestanejar. Era só ouvir pelos olhos fechados na escuridão a musa. Eu que fugia dali não tive mais como fugir para a outra. É noite de carnaval, ninguém resiste. Só dá ela. Era o nome da chanchada. Milhões de diabinhos martelando as sombras do lado mais escuro. SIMÃOZINHO SONHADOR lá do Macapá. Durante estes dias dormindo de frente para o mar sonhei outros sonhos que ainda não tinha sonhado. Uma nova profusão de quadros que acendem e apagam, agora em outro patamar de maneira bem linear. Êxtase total, filmo quando chego lá. De manhã era Domingo.Vamos mudar de conversa. Falemos do fim que o Cinema procura, já que somos honestos. Convenhamos. A sequência é assim: uma pequena ajuda do The Balvenie temperado inesperadamente em uma garrafa de rolha, levitado pelo meu irmão CADU, especialista em aves que voam mais alto sem nenhum esforço. De noite a imagem é como um vento. Me volto para este filme que tenho que fazer. Porque o Cinema é uma arte extremamente singular, diferente de todas as outras - o Cinema é única arte noturna. Para se realizar é preciso que se apaguem as luzes e é na escuridão que o Cinema acontece. É o apelo à visão interior. E logo no início do Cinema esta coisa foi percebida. Disse o FERNANDO CAMPOS. Grande dois mil e doce para você. Continuo revendo este filme 100% deflagrador durante a madrugada desta segunda. Quem é o senhor o homem ou a natureza? Talvez seja ela a música. Diz a voz do filme. Flor oculta.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

AS MIL E UMA NOITES DE TERROR

FICAMOS CEGOS, SURDOS E MUDOS COM O QUE VEM OCORRENDO COM O NOSSO MUNDO E CONTINUAMOS IDOLATRANDO O TIGRE DE PAPEL ATÔMICO DE UM CLUBE DO QUAL NÃO PARTICIPAMOS.
FALA O COMANDANTE FIDEL

CINISMO GENOCIDA
REFLEXÕES DE FIDEL CASTRO


Nenhuma pessoa sã, especialmente aquelas que tiveram acesso aos conhecimentos elementares que se adquirem em uma escola primária, estaria de acordo com que nossa espécie, de modo particular as crianças, os adolescentes ou jovens, sejam privados hoje, amanhã e para sempre do direito de viver. Jamais os seres humanos, ao longo de sua turbulenta história, como pessoas dotadas de inteligência, conheceram experiência semelhante.
Sinto-me no dever de transmitir àqueles que se ocupam em ler estas reflexões, o critério de que todos, sem exceção, estamos na obrigação de criar consciência acerca dos riscos que a humanidade está correndo de forma inexorável, rumo a uma catástrofe definitiva e total, em consequência das decisões irresponsáveis de políticos a quem o acaso, mais que o talento ou o mérito, pôs em suas mãos o destino da humanidade.
Sejam ou não os cidadãos de seu país portadores de uma crença religiosa ou céticos com relação ao tema, nenhum ser humano, em seu juízo são, estaria de acordo com que seus filhos, ou familiares mais próximos, pereçam de forma abrupta ou vítimas de atrozes e torturantes sofrimentos.
Depois dos crimes repugnantes que, com frequência crescente, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, sob a égide dos Estados Unidos e dos países mais ricos de Europa, vem cometendo, a atenção mundial se concentrou na reunião do G20, onde se devia analisar a profunda crise econômica que hoje afeta todas as nações. A opinião internacional, e particularmente a europeia, esperava respostas à profunda crise econômica que, com suas profundas implicações sociais, e inclusive climáticas, ameaça todos os habitantes do planeta. Nessa reunião se decidia se o euro podia manter-se como a moeda comum da maior parte da Europa e, inclusive, se alguns países poderiam permanecer dentro da comunidade.
Não houve resposta nem solução alguma para os problemas mais sérios da economia mundial, apesar dos esforços da China, Rússia, Indonésia, África do Sul, Brasil, Argentina e outros de economia emergente, desejosos de cooperar com o resto do mundo na busca de soluções aos graves problemas econômicos que o afetam.
O insólito é que logo que a OTAN desse por concluída a operação na Líbia – depois do ataque aéreo que feriu o chefe constitucional desse país, destruiu o veículo que o transportava e o deixou à mercê dos mercenários do império, que o assassinaram e o exibiram como troféu de guerra, ultrajando costumes e tradições muçulmanas – a Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas, uma instituição que deveria estar a serviço da paz mundial, lançou um informe político, carimbado e sectário, que põe o mundo à beira da guerra com o emprego de armas nucleares que o império ianque, em aliança com a Grã-Bretanha e Israel, vem preparando minuciosamente contra o Irã.
Depois do “Veni, vidi, vici” do famoso imperador romano há mais de dois mil anos, traduzido para o “vim, vi e morreu” transmitido à opinião pública através de uma importante rede de televisão logo que se tomou conhecimento da morte de Gadafi, as palavras são desnecessárias para qualificar a política dos Estados Unidos.
O que importa agora é a necessidade de criar nos povos uma consciência clara do abismo para onde a humanidade está sendo conduzida. Duas vezes nossa Revolução conheceu riscos dramáticos: em outubro de 1962, o mais crítico de todos, em que a humanidade esteve à beira do holocausto nuclear; e em meados de 1987, quando nossas forças enfrentavam as tropas racistas sul-africanas, dotadas com as armas nucleares que os israelenses as ajudaram a criar.
O xá do Irã também colaborou junto a Israel com o regime racista e fascista sul-africano.
O que é a ONU? – uma organização impulsionada pelos Estados Unidos antes do final da Segunda Guerra Mundial. Essa nação, cujo território estava consideravelmente distante dos cenários de guerra, tinha-se enriquecido enormemente; acumulou 80% do ouro do mundo e, sob a direção de Roosevelt, sincero antifascista, impulsionou o desenvolvimento da arma nuclear que Truman, seu sucessor, oligarca e medíocre, não vacilou em usar contra as cidades indefesas de Hiroshima e Nagasaki, no ano de 1945.
O monopólio do ouro mundial na posse dos Estados Unidos e o prestígio de Roosevelt permitiram o acordo de Bretton Woods, que atribuiu aos Estados Unidos o papel de emitir o dólar como única divisa que se utilizou durante anos no comércio mundial, sem outra limitação que seu respaldo em ouro metálico.
Os Estados Unidos, ao finalizar aquela guerra, eram também o único país que possuía a arma nuclear, privilégio que não vacilou em transmitir a seus aliados e membros do Conselho de Segurança: Grã-Bretanha e França, as duas mais importantes potências coloniais do mundo naquela época.
À URSS, Truman nem sequer informou uma palavra sobre a arma atômica antes de usá-la. A China, então governada pelo general nacionalista, oligárquico e pró-ianque Chiang Kai-shek, não podia ser excluída daquele Conselho de Segurança.
A URSS, golpeada duramente pela guerra, a destruição e a perda de mais de 20 milhões de seus filhos pela invasão nazista, consagrou ingentes recursos econômicos, científicos e humanos para equiparar sua capacidade nuclear com a dos Estados Unidos. Quatro anos depois, em 1949, testou sua primeira arma nuclear; a de hidrogênio, em 1953; e em 1955 seu primeiro megaton. A França dispôs de sua primeira arma nuclear em 1960.
Eram apenas três os países que possuíam a arma nuclear em 1957, quando a ONU, sob a égide ianque, criou a Agência Internacional da Energia Atômica. Alguém imagina que esse instrumento dos Estados Unidos fez algo para advertir o mundo sobre os terríveis riscos a que se exporia a sociedade humana quando Israel, aliado incondicional dos Estados Unidos e da OTAN, situado em pleno coração das mais importantes reservas do mundo em petróleo e gás, se constituía em perigosa e agressiva potência nuclear?
Suas forças, em cooperação com as tropas coloniais inglesas e francesas, atacaram Port Said quando Abdel Nasser nacionalizou o canal de Suez, propriedade da França, o que obrigou o primeiro-ministro soviético a transmitir um ultimato, exigindo o cessar daquela agressão, que os aliados europeus dos Estados Unidos não tiveram outra alternativa senão acatar.
Para termos uma ideia do potencial da URSS em seus esforços para manter a paridade com os Estados Unidos nesta esfera, basta assinalar que quando se produziu sua desintegração, em 1991, na Bielorrúsia havia 81 ogivas nucleares, no Cazaquistão 1.400 e na Ucrânia aproximadamente 5 mil, as quais passaram à Federação Russa, único Estado capaz de sustentar seu imenso custo, para manter a independência.
Em virtude dos tratados START e SORT sobre a redução de armas ofensivas, assinados entre as duas grandes potências nucleares, o número destas se reduziu para vários milhares.
Em 2010, foi assinado um novo Tratado deste tipo entre ambas as potências.
Desde então, os maiores esforços foram consagrados ao aperfeiçoamento dos meios de direção, alcance, precisão e engano da defesa adversária. Imensas quantias são investidas na esfera militar.
Muito poucos no mundo, salvo raros pensadores e cientistas, se dão conta e advertem de que bastaria a explosão de 100 armas nucleares estratégicas para pôr fim à existência humana no planeta. A imensa maioria teria um fim tão inexorável como horrível, em consequência do inverno nuclear que seria gerado.
O número de países que possuem armas nucleares, neste momento se eleva a oito, cinco deles são membros do Conselho de Segurança: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, e China. Índia e Paquistão adquiriram o caráter de países possuidores de armas nucleares, em 1974 e 1998, respectivamente. Os sete mencionados reconhecem esse caráter.
Israel, ao avesso, nunca reconheceu seu caráter de país nuclear. Contudo, calcula-se que possui entre 200 e 500 armas desse tipo, ficando indiferente quando o mundo se inquieta pelos gravíssimos problemas que ocorreriam, em decorrência da eclosão de uma guerra, na região onde se produz grande parte da energia que move a indústria e a agricultura do planeta.
Graças à posse das armas de destruição em massa é que Israel pôde desempenhar seu papel como instrumento do imperialismo e do colonialismo, nessa região do Oriente Médio.
Não se trata do direito legítimo do povo israelense a viver e trabalhar em paz e liberdade, se trata precisamente do direito dos demais povos da região à liberdade e à paz.
Enquanto Israel criava aceleradamente um arsenal nuclear, atacou e destruiu, em 1981, o reator nuclear iraquiano de Osirak. Fez exatamente o mesmo com o reator sírio, em Dayr az-Zawr, no ano de 2007, um fato sobre o qual estranhamente a opinião pública mundial não foi informada. As Nações Unidas e a AIEA conheciam perfeitamente o ocorrido. Tais ações contavam com o apoio dos Estados Unidos e da Aliança Atlântica.
Nada tem de estranho que as mais altas autoridades de Israel proclamem agora sua intenção de fazer o mesmo com o Irã. Esse país, imensamente rico em petróleo e gás, tinha sido vítima das conspirações da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, cujas empresas petrolíferas saqueavam seus recursos. Suas forças armadas foram equipadas com o armamento mais moderno da indústria bélica dos Estados Unidos.
O xá Reza Pahlevi também aspirava a dotar-se de armas nucleares. Ninguém atacava seus centros de pesquisas. A guerra de Israel era contra os muçulmanos árabes. Os do Irã não, porque tinham se transformado em um baluarte da OTAN, que apontava suas armas para o coração da URSS.
As massas dessa nação, profundamente religiosas, sob a direção do aiatolá Khomeini, desafiando o poder daquelas armas, desalojaram o xá do trono e desarmaram um dos exércitos melhor equipados do mundo sem disparar um tiro.
Por sua capacidade de luta, o número de habitantes e a extensão do país, uma agressão ao Irã não guarda semelhança com as aventuras bélicas de Israel no Iraque e na Síria. Uma sangrenta guerra se desencadearia inevitavelmente. Sobre isso não deve haver nenhuma dúvida.
Israel dispõe de um elevado número de armas nucleares e da capacidade de fazê-las chegar a qualquer ponto da Europa, Ásia, África e Oceania. Eu me pergunto: A AIEA tem o direito moral de sancionar e asfixiar um país, se tenta fazer em sua própria defesa o que Israel fez no coração do Oriente Médio?
Penso realmente que nenhum país do mundo deve possuir armas nucleares e que essa energia deve ser posta a serviço da espécie humana. Sem esse espírito de cooperação a humanidade marcha inexoravelmente rumo a sua própria destruição. Entre os próprios cidadãos de Israel, um povo sem dúvida laborioso e inteligente, muitos não estarão de acordo com essa disparatada e absurda política que também os leva ao desastre total.
De que se fala hoje no mundo acerca da situação econômica?
As agências internacionais de noticias informam que “O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu par chinês, Hu Jintao, apresentaram agendas comerciais divergentes […] ressaltando as crescentes tensões entre as duas maiores economias do mundo.”
“Obama usou seu discurso ― afirma a agência Reuters ― para ameaçar a China com sanções econômicas, a menos que comece a ‘jogar segundo as regras do jogo’…”. Tais regras são, sem dúvida, os interesses dos Estados Unidos.
“Obama ― afirma a agência ― está envolvido na batalha pela reeleição, no próximo ano, e seus opositores republicanos o acusam de não ser suficientemente severo com a China.”
As notícias publicadas na quinta-feira e sexta-feira últimas, refletiam muito melhor as realidades que estamos vivendo.
A agência estadunidense AP, a melhor informada desse país, comunicou: “O líder supremo iraniano advertiu os Estados Unidos e Israel de que a resposta do Irã será enérgica se seus arqui-inimigos lançarem um ataque militar ao Irã…”
A agência noticiosa alemã informou que a China tinha declarado que, como sempre, acreditava que o diálogo e a cooperação eram a única forma de aproximação ativa para resolver o problema.
A Rússia se opôs igualmente às medidas punitivas contra o Irã.
A Alemanha rechaçou a opção militar, mas se mostrou partidária de fortes sanções contra o Irã.
O Reino Unido e a França defendem fortes e enérgicas sanções.
A Federação Russa assegurou que fará todo o possível para evitar uma operação militar contra o Irã e criticou o informe da AIEA.
“‘Uma operação militar contra o Irã pode acarretar graves consequências e a Rússia terá que fazer tudo de sua parte para aplacar os ânimos’, afirmou Contantín Cosakov, chefe da comissão das Relações Exteriores da Duma” (Parlamento) e criticou, segundo a agência Efe, “as afirmações por parte dos Estados Unidos, França e Israel sobre o possível uso da força e de que o lançamento de uma operação militar contra o Irã está cada vez mais próxima”.
O editor da revista estadunidense Executive Intelligence Review, Edward Spannaus, declarou que o ataque contra o Irã desencadeará a Terceira Guerra Mundial.
O próprio secretário da Defesa dos Estados Unidos, depois de viajar a Israel, há alguns dias, reconheceu que não pôde obter do governo israelense um compromisso de se consultar previamente com os Estados Unidos sobre um ataque contra o Irã. Chegou-se a esses extremos.
O subsecretário de Assuntos Políticos e Militares dos Estados Unidos desvelou cruamente os obscuros propósitos do império:
“Israel e Estados Unidos se envolverão nas manobras conjuntas ‘mais importantes’ e ‘de maior transcendência’ da história dos aliados, declarou no sábado (12) Andrew Shapiro, subsecretário dos Assuntos Políticos e Militares dos Estados Unidos”.
“…no […] Instituto Washington para a Política do Oriente Médio, Shapiro anunciou que participarão nas manobras mais de 5 mil efetivos das forças armadas estadunidenses e israelenses e simularão a defesa de mísseis balísticos de Israel”.
“‘A tecnologia israelense é essencial para melhorar nossa segurança nacional e proteger nossas tropas’, acrescentou…”
“Shapiro destacou o apoio do governo de Obama a Israel, apesar dos comentários da sexta-feira por parte de um alto funcionário estadunidense que expressou sua preocupação de que Israel não avisasse os Estados Unidos, antes de levar a cabo uma ação militar contra as instalações nucleares do Irã.”
“Nossa relação com a segurança de Israel é mais ampla, mais profunda e mais intensa do que nunca antes.”
“‘Apoiamos Israel porque é de nosso interesse nacional fazê-lo’ […] É a pura força militar de Israel o que dissuade os possíveis agressores e ajuda a fomentar a paz e a estabilidade.”
Hoje, 13 de novembro, a embaixadora norte-americana na ONU, Susan Rice, disse à rede BBC que a possibilidade de uma intervenção militar no Irã não só não está fora da mesa, mas é uma opção real que está crescendo, por culpa do comportamento iraniano.
Ele insistiu em que a administração norte-americana está chegando à conclusão de que será necessário acabar com o atual regime do Irã para evitar que este crie um arsenal nuclear. “Estou convencida de que a mudança de regime vai ser a nossa única opção aqui”, reconheceu Rice.
Não é necessário nem uma palavra mais.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Nosso Cinema

Meu amigo Noilton, um cara que ama o cinema e que sabe usá-lo muito bem para documentar o povo brasileiro, deveria ser mais respeitado pelos burrocratas do sistema. Viva a arte de resistência! Viva Noilton Nunes nos seus 65 anos!


(Texto retirado da lista ABD de cinema)

N... A... D... A...
QUANDO ESSAS LETRAS FORAM FORMANDO SONORAMENTE A PALAVRA NADA, PALAVRA QUE SAIA DA BOCA DA SRA. INÊS AISENGART MENEZES, QUE SE APRESENTAVA NA REUNIÃO DE TENTATIVA DE SOLUCIONAR IMPASSE DE MAIS DE DEZ ANOS, COMO DIRETORA CULTURAL DA RIOFILME, NO ULTIMO DIA 6, DIA DE REIS, CONFESSO QUE FUI FICANDO ENVERGONHADO...

QUE VERGONHA RIOFILME. QUE VERGONHA SÉRGIO SÁ... QUE VERGONHA ADRIEN...
EU NÂO SENTIA VERGONHA POR ALGUM ATO COMETIDO PELA MINHA PESSOA, MAS, SENTIA VERGONHA PELAS PESSOAS QUE TERÃO QUE LEVAR ESSA VERGONHA POR ANOS E ANOS, DÉCADAS E DÉCADAS...

O EUCLIDES DA CUNHA TINHA RAZÃO QUANDO DIZIA:

_ "AS NOSSAS ELITES ESTÃO CEGAS AOS QUADROS REAIS DAS NOSSAS VIDAS".

SÉRGIO, VOCÊ SE DEIXOU CEGAR...
VOCÊ QUE ACOMPANHA A HISTÓRIA DESSE FILME HÁ ANOS...
VOCÊ QUE SABE MUITO BEM QUE TEMOS EXEMPLOS NA HISTÓRIA DA CINEMATOGRAFIA MUNDIAL DE FILMES QUE RESISTEM...
QUE NÃO SE ENTREGAM...
A PAZ É DOURADA É UM DOS FILMES DE MAIS LONGA GESTAÇÃO...
É UMA OBRA QUE VAI SENDO CONSAGRADA A CADA EXIBIÇÃO...

E ESSE FILME DE LONGA METRAGEM INSPIRADO NA VIDA E OBRA DO AUTOR DE "OS SERTÕES", SEGUNDO INÊS, NÃO TEM DIREITO A NADA NA RIOFILME.
NÃO SERÁ LANÇADO... NÃO TERÁ CARTAZ.
NÃO CHEGARÁ NAS ESCOLAS DE NOSSA MARAVILHOSA CIDADE...
A PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO VAI JOGAR NO LIXO, QUE ESPERO SEJA NO RECICLÁVEL, A PAZ É DOURADA...

QUE VERGONHA.

LOGO AGORA QUE AS CARAVANAS EUCLIDIANAS VÂO VOLTAR, RECOMEÇANDO PELO BURACO QUENTE DA MANGUEIRA. PAZ DOURADA PARA AS UPPs...
LOGO AGORA QUE OS FRANCESES E OS ALEMÃES DESCOBRIRAM O FILME.
O FILME VAI PASSAR EM PARIS E BERLN EM MARÇO E QUE É QUE EU VOU DIZER NO LE MONDE? NO LIBERATION? NO FIGARO? NA TV FRANCO ALEMÃ??? SOBRE A DISTRIBUIÇÃO E EXIBIÇÃO NO BRASIL???
QUE VERGONHA.

NOILTON NUNES
8 DE JANEIRO DE 2012 -
QUANDO COMPLETO 65 ANOS
E PASSO A TER OFICIALMENTE TODOS OS DIRETOS RESERVADOS PELA CONSTITUIÇÃO AOS IDOSOS DO BRASIL.

PRA QUEM SABE E PRA QUEM NÃO SABE...

A Inglaterra quer controlar a Amazônia dos brasileiros Chico Araújo


Verão de 1969, apartamento de Hanbury-Tenison, Londres. Maio de 2008, Clearence House, residência do Príncipe Charles, Londres. São 39 anos de uma reunião para outra. Aí você pode se perguntar: o que isso tem a ver com a Amazônia? Tudo. O establishment inglês cria nesse primeiro encontro a organização não-governamental (ONG) Survival Internacional. Sua finalidade expressa: criar no Brasil o Parque Ianomami.
Vale dizer:
se intrometer em assuntos internos do Brasil, que só aos brasileiros dizem respeito. O Brasil jamais se meteu em assuntos internos da Inglaterra.
Quatro décadas depois, o príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, reúne autoridades e parlamentares da Amazônia com representantes de instituições financeiras e das indefectíveis ONGs. Discutiram-se ali temas relacionados diretamente com a região: agricultura, meio ambiente, infra-estrutura, finanças, saúde, e educação. Charles é mais ousado. Oferece-se para ser uma espécie de interlocutor privilegiado entre as personalidades brasileiras envolvidas nas questões amazônicas e as lideranças britânicas interessadas na ‘proteção’ da floresta amazônica.
Ali estavam presentes os governadores Ana Júlia Carepa, do Pará; Waldez Góes, do Amapá; e José de Anchieta Júnior, de Roraima. O Acre e o Amazonas foram representados pelos senadores Tião Viana (PT-AC) e Arthur Virgílio (PSDB-AM). O encontro reuniu ainda executivos de grandes empresas, entre as quais Rio Tinto, Shell, Deutsche Bank, Goldmann Sachs, Morgan Stanley e MacDonald's. Também não faltaram os dirigentes do WWF, Greenpeace, Friends of the Earth (Amigos da Terra). Até o líder indígena Almir Suruí esteve por lá.
Para quem não sabe:
Rio Tinto é uma das maiores mineradoras do mundo. Shell uma das maiores produtoras de petróleo do mundo. Interessante, não ?
Sete dias após o encontro, Charles lança sua própria ferramenta de ‘proteção das florestas tropicais do planeta’ (leia-se Amazônia). É um site contra o desmatamento e o aquecimento global. A iniciativa é anunciada um artigo altamente apelativo no jornal britânico The Telegraph e convenientemente intitulado ‘Ajude-me a salvar as florestas tropicais’, no qual Charles explica que o portal faz parte de uma outra iniciativa sua, muito mais abrangente, o Rainforests Project (Projeto Florestas Tropicais).
O Projeto foi delineado por Charles em outubro do ano passado durante um jantar especialmente realizado pelo WWF por ocasião do lançamento de seu mais novo programa, a Iniciativa Amazônica (Amazon Initiative). Em seu discurso, Charles prestou comovente homenagem ao WWF e a seu pai, o príncipe Philip (fundador e presidente emérito da ONG), e deixou claro qual é a orientação do Projeto:
‘Senhoras e senhores, as florestas (tropicais) precisam ser vistas como elas são – gigantescas utilidades globais, provedoras de serviços públicos para a humanidade em vasta escala.’
Ao referir-se aos esforços empreendidos pelo Brasil e outros países para reduzir o desmatamento, Charles afirma que:
‘Nenhum desses países pode resolver sozinho o problema do desmatamento pois, freqüentemente, ele é causado pela demanda de países em desenvolvimento por óleo de palma, carne e soja. O ponto aqui é que todos nós – o mundo todo – estamos juntos nisso e é por isso que, juntos, precisamos garantir que todas as medidas necessárias (para conter o desmatamento) sejam empregadas. E isso é exatamente o que a Iniciativa Amazônica do WWF está determinada a alcançar’. [..]
‘Senhoras e senhores, a Iniciativa Amazônica do WWF é da maior importância possível. Ela precisa do nosso apoio, e é por isso que estou muito satisfeito que o WWF esteja trabalhando em conjunto com o meu próprio Projeto Florestas Tropicais que estou anunciando hoje’. [..]
‘Nós trabalharemos com o setor privado, governos e especialistas ambientais para desenvolver um leque de soluções práticas que podem começar a ser implementadas nos próximos dezoito meses. Isso é importante, pois é nesse período que o G8 e a ONU vão estabelecer as prioridades no durante as negociações (da extensão) do Protocolo de Kyoto.
‘A tarefa é revisar, desenvolver e propor mecanismos, incluindo soluções legislativas e de mercado e outras idéias que reconheçam o valor real dos serviços do carbono e do eco-sistema proporcionados pelas florestas (tropicais) remanescentes’.
‘Financeirização da floresta’
O empresário brasileiro Jorge Pinheiro Machado foi um dos organizadores do convescote. Sua impressão da reunião do príncipe Charles com os governadores da Amazônia é a seguinte: Sua Alteza quer ser interlocutor privilegiado entre as personalidades brasileiras envolvidas nas questões amazônicas e as lideranças britânicas interessadas na ‘proteção’ da floresta amazônica e promover uma espécie de ‘financeirização’ das florestas nativas via remuneração dos ‘serviços ambientais’ que elas prestam à humanidade. A linha de ação do esquema prevê a melhoria da qualidade de vida dos povos da floresta — leia-se índios — para que se transformem em ‘guardiões das florestas’.
Para isso, os ingleses pretendem fazer investimento pesado. Segundo Machado, a comunidade britânica estaria disposta a desembolsar cerca de 10 bilhões de libras esterlinas (mais de R$ 50 bilhões) para remunerar os serviços ambientais prestados pelas florestas. O que se discute agora são as formas de captação desses recursos, se por pagamento de ‘bolsas-floresta’, por aporte direto aos fundos estaduais de meio ambiente, por projetos específicos ou ainda por outros mecanismos financeiros.
A ‘financeirização’ segue o script antigo daqueles que cobiçam a Amazônia: mantê-la despovoada e desconectada do restante do Brasil. Desta vez, porém, as ações acontecem às claras, e não mais à surdina como até bem pouco tempo. A Casa Real britânica faz questão de explicitar que participa direta e abertamente desse processo. Roberto Smeraldi, chefão da Friends of the Earth (Amigos da Terra) no Brasil, deixa isso bem evidente, quando diz:
Alguns dos convidados brasileiros deixaram perplexos os participantes britânicos ao defender iniciativas tidas por eles como pouco compatíveis com o desenvolvimento das populações locais, o foco principal do encontro:
- é o caso do governador Anchieta de Roraima, que afirmou ter ‘apoio de 80% da população indígena’ para promover o cultivo de arroz no leste de seu Estado;
Para quem não sabe:
a partir desse momento os ingleses montaram terrível pressão internacional para conseguir a criação da Reserva Raposa Terra do Sol em área contínua, vizinha a área que haviam tomado do Brasil via rei da Itália - caso Pirara - e expulsar os plantadores de arroz e outros brasileiros que já estavam na região há mais de 100 anos, com títulos legais, tudo sob o manto da proteção do STF-Supremo Tribunal Federal.
- e do secretário executivo do MME, Márcio Zimmermann, que defendeu a realização de grandes projetos para barrar os principais rios da região, como o Madeira, o Xingu e o Tapajós.
Para quem não sabe:
começou aí a campanha internacional contra a construção das hidrelétricas, sendo a mais violenta contra Belo Monte, na qual foi utilizada até artistas da Rede Globo para enganar a opinião pública brasileira. A razão é muito simples: não podem deixar que a região seja efetivamente ocupada pelos brasileiros; ela tem que ficar disponível para a cobiça internacional.
Encontro em Belém
Embasbacados com as gentilezas de Sua Alteza, os políticos brasileiros não fizeram cerimônia. De pronto, e sem uma avaliação profunda das reais intenções da Casa Real britânica, marcaram a segunda etapa do encontro a ser realizada no Brasil — mais precisamente em Belém, lugar do Brasil recorde em trabalho escravo e vice-campeão em desmatamento. Pelo acertado, a reunião seria realizada 90 dias após o encontro com o Príncipe Charles.
As atuações do Príncipe Charles em assuntos da Amazônia sempre foram de imposições sobre o Brasil.
Em abril de 1991 o herdeiro do trono britânico fez uma visita do País. À época, Charles promoveu um seminário de dois dias a bordo do iate real Brittannia, ancorado sintomaticamente no rio Amazonas. Ali estavam David Triper, ministro de Meio Ambiente da Inglaterra; William Reilly, diretor da Agência de Proteção Ambiental dos EUA; Carlo Ripa di Meana, coordenador do Meio Ambiente da Comunidade Européia, e Robert Horton, presidente da British Petroleum.
Para quem não sabe:
a British Petroleum, além de produtora de petróleo, é uma das maiores mineradoras do mundo. Já esteve operando na mineração no Brasil; teve que encerrar suas atividades devido a dispositivo expresso na Constituição de 1988. Paira sobre a empresa a suspeição de estar levando para fora do país minerais radioativos. Uma das princesas inglesas veio inaugurar a sede na empresa no Rio de Janeiro, na rua Voluntários da Pátria, Botafogo, cidade do Rio de Janeiro. Com a promulgação da Constituição de 88 deixpu o Brasil. A British Petroleum é controlada pela Família Real Inglesa.
O então presidente Collor de Mello e seu ministro do Meio Ambiente, José Lutzenberger também estiveram por lá.
Para quem não se lembra:
meses depois, Collor de Mello criou a gigantesca reserva ianomâmi, etnia inventada por antropólogos da Survival International, braço indígena do WWF.
A reserva foi criada pelo então presidente Collor de Mello, em 1991, por pressão da oligarquia inglesa e do presidente George Bush, o pai, que ofereciam a ilusão do Brasil ao ingresso ao clube do chamado Primeiro Mundo.
Resultado: o Brasil não entrou no seleto grupo.
Apenas criou uma espécie de nação, a Ianomami, na região fronteiriça entre o Brasil e a Venezuela. A reserva tem 5 milhões de hectares — eram apenas 2,4 milhões quando criada — e concentra a maior reserva de ouro e diamantes do mundo.
A ampliação da reserva se deu com base nos resultados do levantamento dos recursos minerais da Amazônia executados pelo Projeto Radam-Brasil, de 1975.
Para quem não sabe:
“Esta ampliação permitiu que as grandes reservas de minerais nobres (ouro, estanho, nióbio e materiais radioativos) detectados pelo Radam-Brasil ficassem dentro da reserva”.
Alerta do coronel Hiram Reis e Silva, no artigo Amazônia, cobiça e ingenuidade. O artigo de Silva está no site do Cosif — Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional. Vale a pena ler.
Sempre por perto
Coincidência ou não, o Príncipe Charles sempre está por perto toda vez que esquenta a disputa em torno das reservas indígenas de Roraima, particularmente a Raposa-Serra do Sol.
Foi assim em 2000 quando ocorreram as primeiras reações contra a criação da reserva em área contínua. À época, Charles visitava a vizinha Guiana onde participou pessoalmente da inauguração da reserva ambiental de Iwokrama.
A reserva, com 400 mil hectares, situa-se na região do rio Rupunini, que já foi território brasileiro.
Para quem não sabe:
essa é a região que foi roubada do Brasil pela Inglaterra, mediante o “arbitramento” fajuto do rei da Itália. O caso “Pirara”.
Seis meses antes, o secretário do Ministério de Relações Exteriores do Reino Unido, Paul Taylor, e o secretário da embaixada britânica no Brasil, John Pearson, estiveram em Roraima para ‘conhecer de perto a realidade indígena’ do Estado. Desde o ano passado, o governo da Guiana resolveu se auto-transformar em ‘protetorado verde’ sob a administração britânica, tendo Iwokrama como modelo.
Agência Amazônia de Notícias
ADITIVO AO ARTIGO - Responda, se puder:
1. Só haviam cerca de 2.700 índios no lado brasileiro e foi criada uma reserva (Ianomani) de área contínua maior que Portugal. Por qual razão Collor não seguiu a orientação dos militares brasileiros, que eram contra a Reserva Ianomani em área contínua e sim em “ilhas”, dando para os índios as áreas onde eles realmente ocupavam? Será que existiu grana na parada ? Ou foi patente negligência ?
2. Nas vésperas do STF–Supremo Tribunal Federal aprovar a Reserva Raposa Terra do Sol em área contínua, o príncipe Charles veio fazer uma “visita” à Amazônia brasileira. Será que foi apenas uma visita de “cortesia” ou veio tratar de “negócios” ?
3. E a FUNAI, apenas uma FUNDAÇÃO, teria poderes constitucionais para, em atos isolados – sem a aprovação do Congresso Nacional -, demarcar reservas indígenas e criar condições objetivas que permitam a subtração territórios brasileiros ?
4. Partindo da posição que não tenha existido suborno em nenhum dos casos que envolveram “reservas” indígenas até agora, os atos consumados podem ser entendidos como de traição ao Brasil ?
5. E a posição do Brasil na ONU, aprovando a “OIT – Convenção 169 de 7/6/1989” e a “Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas” - os Estados Unidos, o Canadá, a Nova Zelândia e a Austrália se recusaram a aprovar essas resoluções, sob a argumentação que violavam a legislação interna de seus países -, com textos que criam condições objetivas para a subtração de territórios atualmente brasileiros foram atos de traição ao Brasil ?

CHICO ARAÚJO
chicoaraujo@agenciaamazonia.com.br

sábado, 7 de janeiro de 2012

Memória

MORRE A ÚLTIMA SOBREVIVENTE DA CELA 4
2 de janeiro de 2012
Luiz Antônio Ryff


Morreu, aos 102 anos, Beatriz Bandeira, a última sobrevivente da famosa cela 4 – onde foram presas, na Casa de Detenção, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, as poucas mulheres que participaram da revolta comunista de 1935 no Brasil.
Foi na cela 4 que ficaram confinadas Olga Benário (esposa do líder da intentona, Luiz Carlos Prestes), a futura psicanalista Nise da Silveira, a advogada Maria Werneck de Castro e as jornalistas Eneida de Moraes e Eugênia Álvaro Moreyra.
Por conta dessa passagem, Beatriz virou personagem de livros como “Memórias do Cárcere”, o relato biográfico de Graciliano Ramos, que também esteve preso por causa da revolta.
Pouco antes, como militante comunista e da Aliança Nacional Libertadora (ANL), Beatriz conheceu seu marido, Raul, que viria a ser jornalista e secretário de Imprensa do governo João Goulart (1961-1964). Com ele se casou três vezes.
Os dois foram exilados duas vezes. Em 1936, depois da libertação, foram expulsos para o Uruguai. Em 1964, após o golpe militar, receberam abrigo na Iugoslávia e, posteriormente, na França.
Ao regressar ao Brasil, Beatriz continuou a militância política nos anos 70 e 80. Foi uma das fundadoras do Movimento Feminino pela Anistia e Liberdades Democráticas, que lutou pelo fim da ditadura no País.
Beatriz nasceu em uma família positivista. Seu pai, o coronel do exército Alípio Bandeira, foi abolicionista. Como militar, trabalhou no Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e ajudou o Marechal Cândido Rondon na instalação de linhas telegráficas no interior do País e no contato com tribos isoladas – Alípio liderou o encontro com os Waimiri Atroari em 1911, por exemplo.
Além de militante política, Beatriz foi poeta (publicou “Roteiro” e “Profissão de Fé”) e professora (foi demitida pelo regime militar da cadeira de Técnica Vocal do Conservatório Nacional de Teatro). Também escreveu crônicas e colaborou para o jornal A Manhã e as revistas Leitura e Momento Feminino. Há dez anos ela contou um pouco de sua história em uma entrevista à TV Câmara.
Beatriz morreu na noite de segunda (dia 2) após um AVC. Foi enterrada no final da tarde de hoje (dia 3) no Cemitério São João Batista, em Botafogo.
Uma nota pessoal
Beatriz Bandeira Ryff era minha avó. Nos últimos anos de sua vida centenária a senilidade tinha lhe tirado totalmente a visão. Ela quase não falava e mal se comunicava com o mundo.
Há uns dez dias, fui visitá-la levado pelo meu filho de 8 anos que queria dar um beijo na “bisa”. Encontramos ela mais presente do que em todas as visitas nos anos anteriores. Chegou a cantarolar algumas músicas que costumava embalar o sono dos netos quando pequenos, como os hinos revolucionários “Internacional”, “A Marselhesa” (embora ela também cantasse obras não políticas, entre elas a “Berceuse”, de Brahms).
Ao me despedir, perguntei-lhe se lembrava o trecho do poema “Canção do Tamoio”, de Gonçalves Dias, que ela costumava recitar. Ela assentiu levemente com a cabeça e começou, puxando do fundo da memória. Foram suas últimas palavras para mim.
“Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar.”
(“Canção do Tamoio”, Gonçalves Dias)