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sexta-feira, 30 de agosto de 2013
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
TRANSCRIÇÃO
NEGRO LEO - VIA FACEBOOK
"Um amigo que trabalhava no ministério do Meio Ambiente na época de Marina Silva me criticava dizendo que essa minha conversa de ficar longe do Estado era romântica e absurda, que tínhamos que tomar o poder, sim. Eu respondia que, se tínhamos de tomar o poder, era preciso saber manter o poder depois, e era aí que a coisa pegava. Não tenho um desenho político para o Brasil, não tenho a pretensão de saber o que é melhor para o povo brasileiro em geral e como um todo. Só posso externar minhas preocupações e indignações, e palpitar, de verdade, apenas ali onde me sinto seguro. Penso, de qualquer forma, que se deve insistir na ideia de que o Brasil tem – ou, a essa altura, teria – as condições ecológicas, geográficas, culturais de desenvolver um novo estilo de civilização, um que não seja uma cópia empobrecida do modelo americano e norte-europeu. Poderíamos começar a experimentar, timidamente que fosse, algum tipo de alternativa aos paradigmas tecno-econômicos desenvolvidos na Europa moderna. Mas imagino que, se algum país vai acabar fazendo isso no mundo, será a China. Verdade que os chineses têm 5000 anos de historia cultural praticamente continua, e o que nós temos a oferecer são apenas 500 anos de dominação europeia e uma triste historia de etnocídio, deliberado ou não. Mesmo assim, é indesculpável a falta de inventividade da sociedade brasileira, pelo menos das suas elite políticas e intelectuais, que perderam várias ocasiões de se inspirarem nas soluções socioculturais que os povos brasileiros historicamente ofereceram, e de assim articular as condições de uma civilização brasileira minimamente diferente dos comerciais de TV. Temos de mudar completamente, para começar, a relação secularmente predatória da sociedade nacional com a natureza, com a base físico-biológica da própria nacionalidade. E está na hora de iniciarmos uma relação nova com o consumo, menos ansiosa e mais realista diante da situação de crise atual. A felicidade tem muitos caminhos".
(texto de Eduardo Viveiros de Castro)
sábado, 24 de agosto de 2013
UM CONTO DE REIS
CORAÇÕES PARTIDOS VÃO TOMAR NO OLHO DO
CÚ
Fábio Carvalho
Finalmente reencontrei o número do telefone
da Isabela, a dentista. Ela vai resolver este canal sem dor Os jovens são
inconseqüentes já disse alguém, muito bem dito, então porque será que eu na meia
idade ainda o sou? Seria imaturidade ou loucura, se for começar a me questionar,
jamais terminarei. Por que escondes de mim teu esplendor. Quero ver você nascer
de manhã. Nem esperanças perdidas, pra vida continuar é preciso que eu volte a
cantar. Céu de estrelas, agora com prazer, toda beleza que vens me oferecer. Céu
de estrelas deixastes brilhar teu luar. Nunca toquei assim como antes, oh porque
tudo é tão triste. É simples a resposta: tudo mudou como muda a todo instante.
Você nunca ouviu nada igual nem eu. A previsão sombria enfim se dissipou. Ela
que não é fácil nem difícil, já que só não basta tomá-la com ardor e calor antes
que a noturna brisa suave a desmaterialize. Não te espantes não, sou eu. Torno a
olhar a rua deserta. Repica aí que eu quero ver. A luz inicial. Foi um final de
semana completamente Moacir santos, e amanhã é Segunda Feira sem lei nem rei,
vamos ao Pernambuco visitar meu avô, mais ninguém, e imediatamente retorno para
as montanhas. Represar a emoção. No fundo da minha cabeça todas as Coisas
tocavam sem parar. Abalroado por sensações confusas e contraditórias, mais para
lá do que para cá, fui falar com o mestre Arquimedes, após anos de adiamentos e
indefinições. Superficialmente a motivação desta tomada de atitude fora a bebida
aditivada que me apliquei na veia durante aquele curto espaço de tempo do inicio
da lua cheia que vimos, refletida no vidro do carro estacionado bem na nossa
frente. Na verdade a causa era justamente ela. A lua branca de neve. Vasto é o
céu espelho do mar, bandida. Na Quinta fiz uma injeção nobre no aniversário do
Manga Rosa, que foi comemorado no botequim mais bem freqüentado de toda Serra.
Como fui convidado compareci e a certa altura não podia acreditar no que meus
olhos viam, também já não viam nada obnubilados pelas lágrimas que lubrificavam
oleosamente os aros dos meus óculos entortados pelo andamento da carruagem.
Depois fui ao centro e subi o morro. Hoje sem sombra de dúvidas é amanhã. The
Bill Evans Trio. Desconfio que vou voltar a ver cinema.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
NOTÍCIA
O bravo cineasta mineiro-cabofriense José Sette de Barros será a presença de destaque na Aula Magna de recepção aos calouros do curso de História da Universidade Estácio de Sá, no dia 26 de agosto, segunda, as 19 horas, no próprio auditório da Universidade. Será apresentado o filme, O Labirinto de Pedra, que conta a história do escritor Pedro Nava. Após a apresentação haverá um debate com a participação dos alunos. O convite partiu do Coordenador do curso, Prof. Paulo Cotias.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
PENSANDO BEM
ARTEIRO
Roberto Wagner
Um artista não sabe fazer mais nada além de criar.
Sem a arte a educação não se consolida como parte da
cultura de um povo.
Burocratizar a arte é asfixiar o talento da criação.
Um artista não tem que depender do Estado, mas é o
Estado que depende do artista.
O Estado tem o dever de proteger os artistas e
oferecer a eles os meios de produção que necessitam na prática dos seus sonhos
diversos.
O jornalista, o cineasta, o escritor, o artista
plástico, o músico, todo grande artista, não precisa de diploma para poder
exercer os seus talentos criativos.
A arte só é verdadeira quando não é imposta pelo
sistema, pelo mercado, pelos interesses dos burocratas.
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
FATOS E FOTOS
Pedra Azul (tanga) Sagrada (muiraquitã) encontrada nas pedras banhadas pelo mar de Cabo Frio - RJ
Foto de Antônio Ângelo CF-RJ
terça-feira, 20 de agosto de 2013
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
NOTÍCIAS
GUIGNARD
IMAGINÁRIO
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GUIGNARD IMAGINÁRIO
Roteiro e direção de Isabel
Lacerda
Direção de produção de Fábio
Carvalho
Fotografia de Beto Magalhães
Figurinos de Wanda Sgarbi
Finalização de Chico de Paula
Música de Toninho Horta
===========================================================
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
Desde o dia 10 de
novembro de 2012, todos os sábados, publico no blog CORPO PORTÁTIL uma nova e breve
narrativa sob o título de Breviário.
Com 41 histórias já disponíveis e quase 13 mil acessos, gostaria de
convidá-lo(a) para uma visita no seguinte endereço:
Agradeço
antecipadamente a visita e a divulgação, bem como críticas e sugestões.
Cordiais saudações,
Fernando
Fiorese
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
NOTÍCIA
VIVA LUIS CARLOS PIRES!
Sempre que tenho a notícia da morte de um amigo,
lembro-me do poeta Murilo Mendes que dizia, no final de sua vida, não ter mais
prazer, nem alegria, de visitar o Rio de Janeiro e Juiz de Fora, sua cidade
natal - ele morava em Roma, e negava quando recebia os convites de viagem a sua
terra, pois lá quase todos seus amigos, aqueles que ele mais gostava e admirava,
já não estavam mais aqui na terra brasílica, haviam partidos para o além de nós
mesmos. Não gosto de dizer que eles morreram, pois não acredito na morte de
pessoas que me foram tão queridas - para mim eles permanecem vivos na memória e
no meu coração. Como dizia o velho político mineiro. Só não podemos encontrá-los
mais, abraça-los, vê-los e ouvi-los, é disso que reclamava o poeta e o deixava
distante do Rio e de Minas.
Foi Leda Nagle, uma juizdeforana, repórter da
TVBrasil, que me passou, via tevê, a triste notícia do falecimento do meu amigo
Luis Carlos Pires.
Numa faísca de tempo muitas imagens passaram por
minha cabeça e todas contendo histórias que vivemos juntas desde quando o
conheci em Belo Horizonte militando no partido comunista.
Depois no Rio de Janeiro, produção de cinema e
produção musical, viagens lisérgicas, prisões e exílio. Volta a Minas e o reencontro
no Palácio das Artes, onde trabalhamos juntos. Os últimos encontros foram na
TVE, hoje Brasil.
Embora não o via, já fazia algum tempo, tinha por
ele grande carinho e pensava encontrá-lo quando da venda do meu filme para a
TVBrasil, mas não tivemos essa última oportunidade.
Enquanto viver eu guardarei a sua memória com
carinho e saudade.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
FATOS E FOTOS
Não vi, mas já gostei da ideia de se retratar tão importante
personagem da história moderna do Brasil.
público durante a Mostra de Longas Gaúchos do
Festival de Cinema de Gramado., “Dyonélio”, faz uma viagem
pela trajetória de um dos expoentes da literatura, psicanálise e do Partido
Comunista Brasileiro (PCB) no Rio Grande do Sul. A estreia da produção da
Manga Rosa Filmes em parceria com a Visom Digital ocorre na próxima
segunda-feira (12/08), às 14h, em Gramado.
Em uma produção que se apropria das linguagens da ficção e não-ficção,
tratando dois romances do escritor como documentário e a vida dele, como
ficção, Jaime Lerner se propõe a explorar possíveis contradições acerca da
emblemática figura de Dyonélio Machado.
A narrativa pretende abordar a vida do escritor, psiquiatra, político e
jornalista a partir do questionamento: quem foi Dyonélio? Fora um autor
premiado e aclamado pela crítica em seu romance de estréia Os Ratos (1935),
ou um escritor maldito que por mais de 20 anos não encontrara editor para seus
textos?
Seria Dyonélio um republicano chegado aos patrões do RS, ou fora um
comunista perseguido, preso e cassado por suas ideias políticas?
A obra Os Ratos, de Dyonélio Machado, se consolidou como uma das mais
influentes da segunda geração do Modernismo no Brasil, e o autor conquistou
o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, já O Louco do
Cati, seu segundo Romance o jogou no ostracismo editorial. Enquanto médico,
Dyonélio foi um dos precursores da psicanálise no Rio Grande do Sul.
Presente nos principais periódicos gaúchos, Dyonélio foi um dos fundadores
da Associação Rio Grandense de Imprensa. Militante, perseguido e preso
político, Dyonélio se elegeu deputado estadual pelo PCB em 1947.
Mais do que um resgate histórico, a releitura acerca da vida e obra de
Dyonélio Machado proposta por Jaime Lerner pretende aproximar o legado e os
traços de humanidade deste personagem emblemático às novas gerações. O
projeto “Dyonélio” teve financiamento do Fumproarte, da Prefeitura Municipal
de Porto Alegre.
pela trajetória de um dos expoentes da literatura, psicanálise e do Partido
Comunista Brasileiro (PCB) no Rio Grande do Sul. A estreia da produção da
Manga Rosa Filmes em parceria com a Visom Digital ocorre na próxima
segunda-feira (12/08), às 14h, em Gramado.
Em uma produção que se apropria das linguagens da ficção e não-ficção,
tratando dois romances do escritor como documentário e a vida dele, como
ficção, Jaime Lerner se propõe a explorar possíveis contradições acerca da
emblemática figura de Dyonélio Machado.
A narrativa pretende abordar a vida do escritor, psiquiatra, político e
jornalista a partir do questionamento: quem foi Dyonélio? Fora um autor
premiado e aclamado pela crítica em seu romance de estréia Os Ratos (1935),
ou um escritor maldito que por mais de 20 anos não encontrara editor para seus
textos?
Seria Dyonélio um republicano chegado aos patrões do RS, ou fora um
comunista perseguido, preso e cassado por suas ideias políticas?
A obra Os Ratos, de Dyonélio Machado, se consolidou como uma das mais
influentes da segunda geração do Modernismo no Brasil, e o autor conquistou
o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, já O Louco do
Cati, seu segundo Romance o jogou no ostracismo editorial. Enquanto médico,
Dyonélio foi um dos precursores da psicanálise no Rio Grande do Sul.
Presente nos principais periódicos gaúchos, Dyonélio foi um dos fundadores
da Associação Rio Grandense de Imprensa. Militante, perseguido e preso
político, Dyonélio se elegeu deputado estadual pelo PCB em 1947.
Mais do que um resgate histórico, a releitura acerca da vida e obra de
Dyonélio Machado proposta por Jaime Lerner pretende aproximar o legado e os
traços de humanidade deste personagem emblemático às novas gerações. O
projeto “Dyonélio” teve financiamento do Fumproarte, da Prefeitura Municipal
de Porto Alegre.
sábado, 10 de agosto de 2013
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
UM CONTO DE REIS
Gladys e Neville 1970
CARACOL DE
PERTURBAÇÕES LEVEMENTE CONTROLADAS
Fábio Carvalho
“Nas comédias,
como nas tragédias, no fim do terceiro ato a heroína hesita.”
“Uma Mulher é
Uma Mulher” o
filme.
A mulher e seus encantos. O amor louco tão
propagado pelos surrealistas, sempre foi para mim um tipo de sensibilidade
máxima do conhecimento a ser atingido, se possível fosse. A beleza nos leva a
crer que a razão e as normas preestabelecidas vão sempre nos incomodar e nos
conter num mundinho de realidades coercivas e latifundiárias. Sem risco. Mas
que nada um samba como esse tão legal. Ela pensando no que pensava pôs o
pezinho na raiz da árvore e quase caiu de novo. Vale a pena ver como ela anda
alegre sem se importar com o poder da gravidade e nem das possibilidades que
ela levanta. Também se assim não andasse não permitiria o desequilíbrio
motivador de todo o portamento, daquela dolorida bela voz que nos indicava as
saltitantes libélulas dos caminhos. Ela é quase Stevie Wonder no swing. O
deslize vocal tem me tornado o radical desejoso desta dificuldade. Difícil
ainda não vi como ela. Para quê as facilidades. A linguagem. Ralentamos a
melodia, assim é bem mais gostoso. Peço eu. Tenho andado meio ríspido sem saber
bem o porquê, ademais nunca sei o porquê dos porquês, nem procuro muito saber.
Vamos voar. O filósofo de “Viver a Vida”: “falar é inútil, seria agradável
vivermos a vida sem falar”. É uma solução provisória e instantânea do momento
presente, que poderíamos sentir sem muito esforço e talvez sem desgastes desnecessários
ao andamento sincopado. Imediatamente vamos comer uma muqueca de camarão na
baiana do acarajé. Digo sem pestanejar, apenas nós dois e como disse alguém,
não quero conhecer ninguém que não conheço. Está bom, até parece que não temos
asas para essas ocasiões. Ela aterrou no natural de saias e toda rosa. Diante
de tal escultural representação do paraíso visual o mundo poderia acabar. O fim
seria belo. A bientôt. Un scotch, un bourbon, une bier. La mer. Ouvindo ao
longe um imponderável bandoneon vindo lá da França. Novamente tenho que
trabalhar uma maldição Saturno. Nada pior para trazer a abjeta realidade, do
que contas a pagar. Organizando pequenas desavenças, consigo me voltar para o
que realmente interessa: o filme que estou a fazer.
Agora o descompasso me ajudou. Vejo o Rio de
Janeiro. Escandaloso e inaudito será viver a vida que se apresenta. O escândalo
não é mais possível disseram eles em 1955.
A alegria é a prova dos nove. Chegaremos lá aos
setenta? Preciso de um tanto mais, avançaremos na suavidade bem utilizando o
tapete voador se desenrolando como “Tempo do Mar” música do Tom Jobim. Passos
terra (depois do carro) continuam no close da jovem Yara. Vamos falar da
montagem. Relação da forma por analogia ou por contraste no tom e no movimento
dos planos. Corte na imagem e no som. Só o conflito revela a atração. Vou
copiar um pouquinho do pensamento que sempre achei que era o meu. Há os que
buscam o ângulo, o efeito. Por outro lado, há os que apreendem o real tal como
é. Ela parece conter a diferença, entre os cineastas que acreditam na imagem e
os que acreditam na realidade. A imagem é a realidade e a realidade é a imagem
de um texto mais ou menos torto. Estou junto com os últimos, aqueles que
acreditam na realidade imagem. Sejamos capazes de nos aprofundar nesta
especificidade. Cuidado verniz fresco, assim estava escrito com tinta vermelha
no papel branco pregado na parede do corredor do prédio quando cheguei.
Estranhamente esta frase me acompanha até agora. Com ela na cabeça de súbito,
encontro após anos sem vê-la, com a minha atriz Luciene Vianna no butequim da
esquina, justamente quando a escalamos para viver uma das alunas do
Guignard. Doce encontro. Voltei a acreditar. Mistério e cinema.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
UM DIA TRISTE
UMA PALHAÇADA NA CULTURA
O que acontece comigo aconteceu com mais violência e
desespero aos artistas de outros tempos da história do homem. Não
é novidade, mas não deixa de ser constrangedor. O DESRESPEITO. É preciso que todos saibam
disso: Sou inocente! Nunca tive a intenção... Mas Não vou desistir de
realizar o meu ultimo trabalho que é matar o artista que resiste em mim. CHEGA
DE REMAR CONTRA A MARÉ!
Embora existindo no mesmo espaço de vida, eu acho que o meu tempo é
diferente destes senhores que viveram suas existências muito bem aparelhadas
pelas benesses do sistema. Vivi cercado de incertezas no meio
de boçais por mais de meio século. NADA MAIS RESTA A FAZER
SEM COMENTÁRIO
É O FIM
terça-feira, 6 de agosto de 2013
PAGODE
PARALELAS
As normas existenciais
Exercidas durante a vida
Perderam-se com o tempo
Fluíram com o vento
Não as vejo mais
Foram lidas
Ainda
Cedo
Amanhã
Quem sabe
Posso vê-las
Novamente fluírem
Sobre as nuvens
Fora do tempo
Em mundos paralelos
Uma nova vida
domingo, 4 de agosto de 2013
UMA NOTA - É HOJE!
ATENÇÃO
Na próxima SEGUNDA-FEIRA, DIA 5 DE AGOSTO, 12,30 hs na Rua do Acre n. 80 Praça Mauá será realizada audiência pública na JUSTIÇA FEDERAL sobre a ação jurídica de RETORNO dos indígenas À ALDEIA MARACANÃ. ALDEIA MARACANÃ CONVIDA TODOS QUE POSSAM APOIAR: A LUTA pela retomada do prédio NUNCA PAROU! O Grupo de (R)Existência da ALDEIA (tekohaw) MARACANÃ, tem como compromisso lutar pela transformação do prédio - de comprovada tradição indígena - em LOCAL DE REFERÊNCIA DA CULTURA DOS POVOS ORIGINÁRIOS. |
O FATO
Médicos brasileiros formados em Cuba destacam as diferenças nos métodos de formação utilizados na área da saúde brasileira e cubana
“Medicina cubana ensina a atender o povo com qualidade e humanismo”
A saúde no Brasil tem sido tema de grandes debates nas últimas semanas, provocados tanto pelas manifestações das ruas, que exigem melhoras e mais investimentos na área, quanto pelas propostas recentes do governo em trazer médicos de outros países para trabalhar em regiões mais carentes.
A Página do MST conversou com Augusto César e Andreia Campigotto, ambos formados em medicina em Cuba, sobre o tema.Essas propostas, assim como a obrigação dos estudantes de universidades públicas em cumprir dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS), tem sido alvo de fortes críticas das associações de médicos, que afirmam que essas não seriam as soluções para os problemas.
Nascido em Chapecó e com 25 anos de vida, Augusto César ainda não exerce a profissão. Está estudando para fazer a prova de revalidação do diploma cubano e, assim, poder atuar no Brasil. Quando conseguir seu registro, pretende trabalhar na área rural, atendendo os Sem Terra e os assentados da Reforma Agrária.
Andreia Campigotto tem 28 anos e nasceu em Nova Ronda Alta (RS). Trabalha em Cajazeiras, no sertão paraibano, como residente em medicina da família em uma unidade básica de saúde, que atende uma comunidade de 4 mil pessoas.
Formato
O curso de medicina cubano dura seis anos. Para estudantes de outros países, ele se inicia na Escola Latinoamericana de Medicina, localizada em Havana. Depois de um período inicial de dois anos, os estudantes são enviados para as diversas universidades do país. Augusto e Andreia foram para a universidade da província de Camagüey.
O curso de medicina cubano não se difere muito do brasileiro, do ponto de vista curricular.
“Os dois primeiros anos trabalham com as ciências médicas. Estudamos fisiologia humana, anatomia humana e desde o primeiro ano temos contato com os postos de saúde. Quando somos distribuídos para as universidades, vivenciamos o sistema público de saúde. Comparado com o Brasil, o nível teórico é igual, mas o nível de prática é maior”, afirma Augusto.
“Um estudo do governo federal mostra a compatibilidade curricular dos cursos de medicina de 90% entre Brasil e Cuba. Então, não há grandes diferenças teóricas”, conta Andreia.
A diferença principal entre os dois cursos está na concepção de medicina e de saúde na formação dos médicos. “O curso brasileiro é voltado para as altas especialidades. Tem essa lógica de que você faz medicina, entra numa residência e se especializa. Já em Cuba o curso se volta à atenção primária de saúde, para entendermos a lógica de prevenção das doenças e o tratamento das enfermidades que as comunidades possam vir a ter”, diz Augusto.
Em contrapartida, “saúde” e “medicina” no Brasil são sinônimos de pedidos de exames e tratamento com diversos medicamentos, calcados em sua maioria na alta tecnologia. Com isso, a medicina preventiva fica em segundo plano, alimentando uma indústria baseada na exigência destes procedimentos.
“No Brasil, temos uma limitação na formação do profissional, pois ela é voltada ao modelo hospitalacêntrico, que pensa só na doença e no tratamento. Em Cuba isso já foi superado. Lá eles formam profissionais para tratar e cuidar com qualidade, humanismo e amor cada paciente; aprendemos de verdade a lidar com a saúde do ser humano”, analisa Andreia.
Ela destaca que os médicos formados na ilha são capazes de atender a população sem utilizar somente a alta tecnologia, condição que não necessariamente limita um atendimento com qualidade à população que mais carece.
“É mais barato fazer promoção e prevenção de saúde. No entanto, isso rompe com a ditadura do dinheiro. Com isso, os médicos aguardam o paciente ficar doente para pedir um monte de exames e dar um monte de medicamentos”, afirma Augusto
De acordo com ele, essa estrutura fortalece o complexo médico-industrial, que se favorece sempre que há alguém internado ou que precise tomar algum medicamento.
“Não negamos a necessidade de medicamentos e equipamentos, porque precisamos dar atenção a esse tipo de paciente. Mas não precisamos esperar que todas as pessoas fiquem doentes para começar a trabalhar a questão da saúde”, acredita Augusto.
José Coutinho Júnior, Página do MST
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