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sábado, 19 de junho de 2010

TEXTO


UM NOVO MUNDO

Todos sabem que sem o governo dar um aumento significativo nas verbas para promover uma reforma definitiva na educação e sem a defesa intransigente de nossa identidade cultural, o Brasil não vai muito além do que até hoje pode chegar.

Um país de cinqüenta milhões de famintos, outros tantos milhões de analfabetos, alguns milhões de alfabetizados mal informados e milhões de ignorantes deslumbrados, colonizados, escravos do sistema, frutos de uma classe média perdida e de uma elite que não quer saber de nada, formam uma corrente poderosa de predadores da arte, da educação e do saber, provocando e fazendo os nossos jovens, nós mesmos, todos nós, esquecermos totalmente do que é bom, do que é ser latino americano, brasileiro, sambista, cordial e solidário.

A nossa elite, educada nos melhores colégios, cada vez mais passa a privilegiar, admirar, enaltecer a cultura e a língua inglesa, consumindo doses diárias da pior droga do mercado para se diferenciar em uma sociedade onde o estrangeiro esperto sempre faz um bom negócio.

O nosso país está viciado no lixo midiático, estrangeiro ou não, propositalmente transmitido, dia e noite, pelos canais de comunicação que propositalmente, subliminarmente, inibem o sentimento natural de o homem querer sempre saber mais sobre sua identidade social e ter cada vez mais o direito ao conhecimento, ao lazer e a liberdade.

Estamos escravos de nós mesmos. Liberdade ou morte são propósitos defendidos há algumas centenas de anos passados por navegadores do grande rio das mulheres guerreiras. Muitas outras coisas estão acontecendo em sua volta sem que você possa ver. O brasileiro anda cego na história e precisa saber ver a existência em si de um novo mundo.

Vendo o país daqui do alto, pelas antenas do meu tempo, depois de viver quase toda uma vida dedicada ao audiovisual, ao estudo da poesia, da literatura e da arte, fico muito impressionado com os canais das televisões brasileiras que recebo em minha casa pela antena parabólica, e de como o lixo, o desperdício de energia, de tempo, são dissipados nas programações que ali são exibidas.

As antena parabólica, que se espalham por todo país, recebe 32 canais de tevê, alguns já digitalizados, 4 deles pertence as grandes redes nacionais e tem mais 6 canais para a TV pública e os outros 20 são distribuídos entre religiosos, comércio de bugigangas (TV shopping), e mais 2 (dois) que seriam rurais, mas só servem para transmitir leilão de gado. É inacreditável o desperdício em rede nacional de tempo e dinheiro com tanta boçalidade.

Um projeto de envergadura na educação do povo brasileiro, que realmente queira modificar o panorama cruel do saber no país, tem de passar pelos canais de televisão. São eles que cobrem, quase que completamente, essa população continental de telespectadores, de todas as classes sociais, transmitindo com qualidade digital, através de suas redes de afiliadas, para o Brasil de norte ao sul, para os milhões de espectadores que se ligam dia e noite na telinha vicejante e viciosa da televisão.

Antigamente era em preto e branco, com apenas 3 canais de transmissão de um sinal cheio de chuvisco e fantasmas, com pouco espectadores. Agora, com a digitalização das imagens e das transmissões, milhares de canais estarão disponíveis, com qualidade cinematográfica, cor perfeita, tela grande, som dolby e até o novo 3D. Evoluímos muito e em pouco tempo... Por que não aproveitamos e fazemos o mesmo com a educação, com o ensino e o saber cultural?

Como poderíamos mudar, reformar, esse sistema predatório em que se encontram as concessões públicas de rádio e tevê que os governos passados cederam aos grandes interesses das empresas de comunicação que comandam e/ou comandavam o grande circo eletrônico da mídia brasileira?

Utopia. Sinceramente eu não creio. Em fins da década de 90 eu, cineasta independente (do sistema), exibi, de graça, em rede nacional de tevês (Cultura SP; TVE RJ; TV Minas e associadas por todo Brasil) em horário nobre, o meu filme “O Rei do Samba” e soube, na antiga TVE - Rio, alguns dias depois, que se calculava em torno de 4 milhões de espectadores, em todo o Brasil, que tinham assistido ao filme. Eu acho que foram mais que isso, mas, enfim, foi um grande sucesso em um único dia de São Jorge guerreiro. Dia do samba, de Geraldo Pereira e Pixinguinha. Digo isso para mostrar a força de uma rede de televisão para o cinema brasileiro.

Não precisamos modificar nada do que ai esta colocado. Para começar só precisamos que o governo cedesse alguns canais de televisão, abertos nas parabólicas, para os artistas brasileiros. Na tevê a arte brasileira do cinema, da literatura, da música, do teatro, da poesia, das artes plásticas, da arte popular e dos artesões, estaria dando o primeiro passo em prol de uma revolução do ensino e do saber neste país.

Para que de fato tudo fosse modificado, conforme eu acredito, seria preciso dar alguns outros importantes passos em direção a uma educação transformadora e duradora.

Outro passo seria em direção a uma limpeza no lixo importado. No seu lugar: a arte brasileira. As tevês não poderiam mais exibir manifestações religiosas, por exemplo. No lugar desses cultos, aos deuses ocultos, programas culturais e educacionais.

Um passo definitivo e profundo seria levar a arte e os artistas brasileiros ao encontro dos jovens estudantes secundaristas e universitários de todo país. Concomitantemente ao retorno do projeto de Educação Integral do Professor Darcy Ribeiro.

E a partir de todas essas utópicas transformações nasceria as Universidades Livres do Brasil, um caldeirão de cultura e saber, onde um novo mundo, um novo homem, passaria a ser discutido e estudado.

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