ABAIXO TEXTOS - CRÍTICAS - ENSAIOS - CONTOS - ROTEIROS CURTOS - REFLEXÕES - FOTOS - DESENHOS - PINTURAS - NOTÍCIAS

Translate

sábado, 3 de novembro de 2012

IMPERDÍVEL ENCONTRO NO RIO DE JANEIRO


NOTÍCIAS


FIM DE MAIS UM CINEMA 
O cinema da praia de Ipanema está fechado e o contrato com a estação botafogo foi rompido por ganância ou incompetência do estado a quem foi doado o espaço. O Laura Alvim é administrado pela Secretaria de Cultura do Estado. O espaçofoi doado por sua última proprietária, Laura de Villalba Alvim (1902-1984),em 1983, para fosse utilizado como centro cultural. Além dos três cinemas, a casa abriga um café, uma livraria, um teatro com 245 lugares, uma galeria de arte e um museu. Dizem que uma nova licitação de ocupação das três salas já está em andamento. É esperar pra ver!!!
O CINEMA NIGERIANO NAS TELAS DA CAIXA CULTURAL RIO   Mostra “Nollywood – O caso do cinema nigeriano” reúne 12 filmes inéditos no Brasil e 4 mesas de debate com convidados internacionais A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 06 a 18 de novembro, a mostra “Nollywood – O caso do cinema nigeriano”, com uma seleção de 12 filmes produzidos em Nollywood, a indústria cinematográfica da Nigéria, que em 2012 celebra oficialmente vinte anos. Todos os filmes são inéditos no Brasil, selecionados pelos curadores Maria Pereira e Bond Emeruwa. A programação fornece ao público um panorama histórico das expressões e práticas de Nollywood, desde o clássico “Living in Bondage” até “Tango With Me” - grande produção recentemente em cartaz no circuito nigeriano e europeu -, e traz alguns de seus profissionais mais expoentes para mesas de debates na CAIXA Cultural.“Na escolha dos títulos, uma lista de dificuldades, a começar pelo desafio de eleger 12 filmes de uma cinematografia vastíssima e inédita no Brasil. Foram pré-selecionados 35 filmes a partir de sua relevância na história de Nollywood, seja pelo êxito comercial alcançado, debate que foi capaz de provocar na sociedade ou pela notoriedade obtida internacionalmente. Para este olhar histórico foram considerados três grandes períodos. Momentos que, segundo profissionais nigerianos e estudiosos sobre o tema, marcam propostas estéticas e estruturas de produção e distribuição da indústria: 1992-98 (conhecida como “The Beggining” ou “Classics VHS”); 1999-2007 (nomeada como o Boom); e 2008 até o presente (chamada de Nollywood Now ou New Nollywood)”, explica a curadora Maria Pereira. No período de 14 a 17 de novembro (quarta-feira a sábado), sempre às 19h, acontecem os debates com diretores dos filmes programados e especialistas como Zeb Ejiro, Kunle Afolayan, Mahmood Ali-Balogun, Marco Aurélio Marcondes, Julia Levy, Jonathan Haynes, além do curador Bond Emeruwa, cineasta e produtor nigeriano, também presidente da Associação de Cineastas, Entre os temas em pauta, o contexto de realização e difusão dos filmes  no continente africano e propostas alternativas para o cinema brasileiro inspiradas na experiência nigeriana. 

O Familiar é um ser terrível engendrado como fruto do pacto de Patrão com Zupay, uma entidade maligna, com o intuito de garantir terras e poder. Em troca, o sangue e a alma dos peões, que são violentamente explorados pelo Patrão, são destinados a Zupay, cabendo ao Familiar, que se manifesta por várias formas, o dever de manter o mando de Patrão sobre tudo e todos na região. No entanto, surge uma forma de resistência, liderada por outros seres que visam libertar os peões de sua escravidão.Filmado em Salta e Tucumán, em 1972, durante o governo do General Lanusse, El Familiar é exibido comercialmente na Argentina somente em outubro de 1975, após ter ficado censurado, durante anos. O filme, sob tom alegórico, retrata a ação do imperialismo estrangeiro, auxiliado pelas forças conservadoras nacionais (latifundiários e militares), em pugna com as organizações guerrilheiras do país. Getino se inspirou no folclore do Norte argentino para criar a sua alegoria de uma Argentina convulsionada pela violência política. Zupay é um ser maligno, às vezes interpretado como sendo o próprio diabo. É um ser que representa o mal, o sofrimento, o infortúnio. Por sua vez, o Familiar é o cão do diabo ou, às vezes, o próprio diabo, embora se manifeste sob outras formas, como o de uma grande serpente, chamada Viborón. Segundo as lendas da região açucareira de Tucumán, os senhores de engenho sacrificavam um peão ao Familiar, em troca de um ano próspero. É descrito como um enorme cão preto ou como um demônio, arrastando uma corrente, ou então, como um cão sem cabeça, que atravessa os canaviais atrás de suas vítimas. Octavio Getino nasceu na cidade de León, Espanha, em 6 de agosto de 1936. Fugindo do franquismo, se fixa na Argentina, em 1952, com os seus pais. Vinculado ao peronismo, cria ao lado de Fernando Pino Solanas o Grupo Cine Liberación e ambos realizam a mítica trilogia fílmica La hora de los hornos (1966/8). Em seguida, os dois fundadores do Grupo, junto com Gerardo Vallejo, codirigem os longas Perón: actualización política y doctrinaria para la toma del poder (1971) e Perón, la revolución justicialista (1971). É corroteirista de El camino hacia la muerte del viejo Reales (1968), de Vallejo. Escreve e dirige em 1972 o seu único longa de ficção, El Familiar. Com a posse do presidente peronista Héctor J. Cámpora, Getino é convidado a dirigir o Ente de Calificación Cinematográfica, o temível órgão de censura criado em 1969. Libera vários filmes até então proibidos, mas permanece poucos meses no cargo, retirando-se por divergências com o governo. Após o Golpe militar de 1976, exila-se no Peru e, em seguida, no México, onde inicia a sua profícua tarefa de pesquisador, realizando vários estudos sobre mercado audiovisual, comunicação e cultura na América Latina, com várias publicações importantes sobre o tema. Com a redemocratização da Argentina, regressa em 1987, e assume a direção do Instituto Nacional de Cinematografía (INC), de 1989 a 1990. Leciona na Universidad Nacional Tres de Frebrero e na sede argentina da FLACSO (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais).

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

POLITICÓLOGO

O NEPOTISMO INSTITUCIONAL
Recebi do meu amigo L.C.Barros, um paulista-cabofriense sempre bem informado sobre a política partidária brasileira, pois trabalhou muitos anos como assessor da Câmara dos Vereadores de São Paulo, uma reflexão interessante sobre as eleições de 2014.
Afirma o prestigioso missivista, em seu clipping n.36, que o futuro da nação brasileira está nas mãos dos jovens herdeiros dos grandes nomes políticos da nossa recente história.
Em nosso país, principalmente, em quase todas as áreas sociais de expressão e poder, só tem vez os filhos, netos, e outros ditos notáveis oriundos das famílias abastadas e dos condomínios privilegiados da burguesia nacional, com raríssimas e nobres exceções nas artes e ofícios. Para saber a verdade é só pesquisar e confirmar.
Vamos então a uma parte desta realidade, a que está notadamente ligada às forças do poder.

OS NETOS PARA AS ELEIÇÕES DE 2014
  1. Senador Aécio Neves (PSDB – MG), neto do ex-presidente Tancredo Neves.
  2. Governador Eduardo Campos (PSDB – PE), neto do ex-governador Miguel Arraes.
  3. ACM Neto (DEM – BA), Prefeito eleito da Cidade de Salvador, neto do temível ex-governador Antonio Carlos Magalhães (conhecido na Bahia como Tiãozinho Malvadeza).
  4. Brizola Neto (PDT – RJ), neto do ex-governador, por dois estados RS e RJ, Leonel Brizola.                     (Acredito que esses são os nomes que, independente dos candidatos do PT, podem, na certa, formarem a chapa que disputarão a presidência em 2014).
Eis aqui o meu palpite para as chapas eleitorais:

  1. Pelo PT - LULA tendo como vice a Presidente Dilma (A chapa puro-sangue).
  2. Pela união das esquerdas – Eduardo Campos (PSB) tendo como vice Brizola Neto (PDT).
  3. Pela união democrática nacional – Aécio Neves (PSDB) tendo como vice ACM Neto (DEM).
Não duvide caro leitor – eleitor, em política e no Brasil tudo é possível!!!

Mauro Santayana
O Banco Itaú-BBVA recentemente promoveu, em São Paulo, um encontro dos dirigentes das 500 maiores empresas da América Latina – as que faturam mais de 100 milhões de dólares por ano – com os senhores Tony Blair, Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso. “Eles estiveram à frente de grandes potências mundiais e fizeram escolhas que mudaram a história. Agora eles vão ajudar a escrever novos capítulos” – diz o anúncio publicado nos jornais. Tudo isso faz lembrar o iconoclasta Karl Kraus, que se dedicou, a vida inteira, a destruir os mitos de seu tempo. Um de seus ensaios, de 1918, tem o título de “Os últimos dias da Humanidade”.
É até estranho que Clinton faça parte da trinca. É certo que continuou no uso alternado dos bombardeios e das ameaças ao Iraque, de seu antecessor, o primeiro Bush, mas na administração interna, tendo bons assessores econômicos, como Joseph Stiglitz (nos primeiros dois anos), seu governo não foi exatamente igual ao de Blair.
Embora usando da mesma linguagem, e propondo medidas democráticas (como a abolição da Câmara dos Lordes e sua transformação em Senado, a ser eleito pelo voto), Blair, como Thatcher, foi parceiro incondicional do governo norte-americano, também em matéria de política internacional – principalmente depois da eleição do segundo Bush. Tal como Bush Jr. ele enganou o mundo sobre o Iraque e as armas de destruição em massa, levando os soldados ingleses a morrer por uma mentira. Sua atuação interna foi de demolição da política social do trabalhismo britânico, que vinha desde a criação do Labour Party, em 1906. Deixou o seu país arrasado pelo desemprego, pelo sucateamento da saúde pública, pela desesperança.
Mas, dos três, quem mais merece a homenagem dos banqueiros e das 500 maiores empresas da América Latina é realmente Fernando Henrique Cardoso. O BBA foi fundado em 1988, numa associação de Fernão Bracher e Antonio Beltrán com o Banco Credistanstalt, de Viena, para operar no mercado de capitais. Em seguida, com a eleição de Collor e o início de seu programa de privatizações, o BBA se tornou a única instituição financeira a coordenar a participação de bancos estrangeiros no plano de privatização das empresas estatais no Brasil. No governo FHC teve situação privilegiada.
Os três grandes líderes do século, conforme a convocação do encontro, foram responsáveis, cada um deles de uma forma diferente, pela maior contrarrevolução social da História, ao impor o ultraliberalismo ao mundo, conforme a decisão do Clube de Bilderberg. O plano – de que ainda não desistiram – é o de uma ditadura mundial, a ser exercida pelos homens mais ricos do planeta, por intermédio dos governos dos países ricos e com o retorno dos povos periféricos ao estatuto colonial.
O sistema financeiro mundial, instrumento do projeto, está sendo julgado pela opinião pública, desde que muitos de seus crimes ficaram conhecidos. O Goldman Sachs, o Barclay’s, o HSBC e outros, da mesma dimensão, foram apanhados na manipulação de taxas básicas (a Libor), na especulação no mercado de derivativos e na prática do crime de lavagem de dinheiro do narcotráfico.
Enquanto Blair, Clinton e Fernando Henrique falam para os ricos, é dever dos trabalhadores exigir, do Congresso – como no caso da Ficha Limpa – legislação rigorosa de controle do sistema, proibindo que bancos de depósitos operem como os de investimentos; que atuem nos paraísos fiscais, que funcionem sem controle contábil rigoroso das autoridades nacionais.
Os governos europeus, para salvar seus banqueiros larápios, estão eliminando empregos, reduzindo os serviços de educação, de saúde e segurança. E se os trabalhadores brasileiros não mantiverem sua vigilância, essa nova onda em defesa dos ricos chegará até aqui. O encontro de São Paulo é um aviso do que nos espera

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

EXERCÍCIO DE MEMÓRIA


O GUERREIRO SONHADOR 

Darcy Ribeiro 90 Anos; O patriota que essa geração não viu.


Por Gabriel Siqueira
Nesta sexta feira (passada), 26 de outubro, o antropólogo, escritor, educador, político, inventor, o mestre Darcy Ribeiro completaria 90 anos de idade.                                                                                                                                                Essas pequenas e humildes linhas são resultado da minha indignação com o esquecimento proposital do mestre Darcy. Graças às belas lições dele é que posso dizer que sou um indignado e nunca vou me resignar. O Guerreiro Sonhador era sinônimo de coragem, inteligência e de vida. Uma vida em nome da pátria.                                                              Não se trata, necessariamente, de lembrar-se de Darcy Ribeiro, mas sim da sua trajetória de luta em defesa do Brasil e dos brasileiros. 
“É profanação o esquecimento vergonhoso dos mortos” José Martí

Poucas pessoas sabem quem foi Darcy Ribeiro, o que ele fez, ou qual sua importância para o Brasil. Um dos mais destacados pensadores do século XX tem sua memória constantemente embaçada pela fumaça do crack que saem da boca das crianças brasileiras e sua história que não pode ser escrita por quem não sabe escrever. Hoje, Darcy Ribeiro e sua obra vão sendo esquecidos pela maioria desse nosso Brasil pelo motivo que ele mesmo temia: a mediocridade. 
Enfim, é dura a vida dessa geração que não conheceu e nem viu Darcy, aquele fantástico ‘fazedor de coisas’, que fugiu do hospital pouco antes de sua morte para cumprir seu dever de patriota e terminar de escrever sua teoria sobre ‘povo brasileiro’ do qual fazia parte.
Esse Darcy que tanto escreveu, mas tanto fez, não foi visto nem pelos corredores acadêmicos da nossa querida UERJ que, em nome do academicismo e do conservadorismo, lhe negou o título de Doutor Honoris Causa. Essa mancha nos persegue até hoje, pois somos militantes da UERJ, a mesma Universidade dos cursos noturnos, dos negros índios e pobres, da zona norte, ou seja, do povo que Darcy tanto defendeu. Talvez, hoje, no infinito onde estiver, sinta até orgulho de ser lembrado por aqueles que lutam e não pelos que estão do lado contrário.     
Coube a Universidade de Sorbonne e Copenhagen lhe conceder esse título, entretanto os títulos pelo mundo não o fizeram feliz na sua terra, não foram suficientes para convencer as elites dominantes da urgência do CIEP, Xingu, da Universidade Necessária, e muito mais.
Darcy Ribeiro tem uma relação muito especial com o Rio de Janeiro, além de idealizar os projetos pedagógicos de 506 CIEP´s, criou a Universidade Estadual do Norte Fluminense. Segundo Darcy, aquela era a Universidade do 3° milênio, pois previu a presença da UENF em Macaé (RJ), aonde viriam a ser implantados os Laboratórios de Engenharia e Exploração do Petróleo (Lenep) e de Meteorologia (Lamet).  É preciso lembrar que o mestre fora o criador e o primeiro reitor da Universidade de Brasília (UnB) e autor de projetos de instauração ou reforma de universidades na Costa Rica, Argélia, Uruguai, Venezuela e Peru.
Darcy foi aquele melhor leu e estudou as teorias mundiais de esquerda, utilizando-as como ferramentas na montagem, ou melhor, na invenção de uma nova para nossa América e nosso Brasil. Amorenou o socialismo, que antes tão duro e frio não se encaixava na malemolência e na quentura da nossa “mulatisse” brasileira e indo-americana, adaptou uma escola ao espírito inventivo, mas empobrecido dos nossos meninos do Brasil e reinventou uma Universidade mais livre, incluída e preocupada com os problemas do povo.     
Arrisco-me a dizer que quase ninguém amou mais o Brasil do que Darcy Ribeiro, tão combatido pelo medo dos novos políticos carentes de política e tão criminalizado pela elite acadêmica, com raras exceções, colonizada, vaidosa e medíocre.
A sua incrível sagacidade ainda golpeou os golpistas de plantão, pois ele voltou ao Brasil após o exílio com a desculpa ou culpa de que morreria logo. Descobriu um câncer mortal em Paris, sendo a França o núcleo da medicina naquela época, os médicos haviam preparado sua operação em três dias, mas Darcy tinha outros planos. Deixando os médicos franceses de lado, o que torceu os narizes grandes arrebitados daquele país, pois preferiu operar-se no Brasil. Uma operação daquela magnitude tinha margem de 95% de chances de levar o paciente a morte. Contudo não era qualquer paciente, era o Guerreiro Sonhador. Darcy via as coisas de outro prisma, considerando não os 95, mas sim o 5% que vivem após aquela cirurgia.   
 A Ditadura permitiu que voltasse ao Brasil com a certeza e a ‘fé’ de que ele morreria logo, até o grande ‘adivinhador’ o General Golbery do Couto e Silva acreditava estar permitindo a volta de um Darcy moribundo e nada mais. Os militares ainda se preocuparam em “protegê-lo” de atentados, colocando sobre guarda de muitos soldados. Darcy achou ótimo e tratou de agradecer, mas pediu para ser protegido a pelo menos cinco metros de distância. Entre a morte que a ditadura acreditou estar ao lado dele e seu fim anos depois, estavam 506 CIEP´s, a UENF, eleições governamentais do Estado, Secretaria de Educação do Estado e mais alguns livros como “O povo brasileiro”. Após mais algumas façanhas Darcy previu agora com razão sua morte em confissões:                                                                                                                                       
"Termino essa minha vida exausto de viver, mas querendo ainda mais vida, mais amor, mais travessuras. A você que fica aí inútil, vivendo essa vida insossa, só digo: Coragem! Mais vale errar se arrebentando do que se preparar para nada. O único clamor da vida é por mais vida bem vivida. Essa é, aqui e agora, a nossa parte. Depois seremos matéria cósmica. Apagados minerais. Para sempre mortos."
Tenho certeza que é impossível escrever algo com a envergadura e profundidade da vida e luta desse gênio brasileiro e latino-americano. Ao receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília (UNB), o Guerreiro Sonhador mostrou que última coisa que deixaria morrer era sua inteligência perspicaz e vontade de lutar, de fazer o “Brasil dar certo”. 
Finalizo esse texto/homenagem com uma das suas últimas frases, já fraco e debilitado pela doença, quando recebeu o título que a UERJ lhe negara, mas a UNB que construiu não pôde fazer o mesmo. Na lembrança, na luta e no orgulho de ser brasileiro é que homenageamos este velho patriota. Enfim, para terminar ligando seu pensamento a nossa prática universitária, pois Darcy Pensou em reinventar a Universidade brasileira para o Brasil e assim reinventar o Brasil a partir da Universidade Brasileira: 
“Aquele espírito fraternal, aquela devoção profunda ao domínio do saber e a sua aplicação frutífera. Éramos uns brasileiros apaixonados pelo Brasil prontos a refazê-lo com um projeto próprio, que fosse expressão da vontade dos brasileiros.”

terça-feira, 30 de outubro de 2012

UM NOVO MERCADO PARA O CINEMA INDEPENDENTE DO BRASIL


Informações completas sobre os novos canais de exibição do audiovisual brasileiro. 

 

Aprovada há mais de um ano, e regulamentada em junho, finalmente, passou a
valer, a partir do último setembro, a Lei 12.485/11, mais conhecida como Lei
da TV paga. Visando um público de mais de 14 milhões de assinantes, o setor
audiovisual está em ebulição. Mudanças previstas agora começam a tomar forma
e a previsão é de enorme crescimento. Uma das medidas responsáveis por isso
é a instauração dos chamados "canais brasileiros de espaço qualificado",
canais que exibem programas ficcionais e documentários brasileiros na maior
parte do horário nobre.
Recentemente, a Ancine publicou a lista dos canais de espaço qualificado,
atendendo a algumas particularidades da legislação. A lei determina que, em
todos os pacotes de assinatura ofertados, a cada três canais de espaço
qualificado, um deve ser brasileiro, tendo como limite máximo 12 canais
brasileiros de espaço qualificado. Desses canais, ao menos dois deverão
veicular, no mínimo, 12 horas diárias de conteúdo audiovisual brasileiro,
produzido por produtora brasileira independente, três das quais em horário
nobre. Quatro canais foram habilitados nesta categoria: CineBrasil TV, Prime
Box Brazil, Curta! O Canal Independente e Canal Brasil, sendo que apenas o
último não pertence a uma programadora brasileira independente – no caso, a
Globosat. "Esses canais são os que farão a diferença para a produção
independente. Os outros mais facilmente ficarão numa terceirização de sua                                                                                                        produção própria", afirma a diretora geral do CineBrasil TV, Tereza Trautman.                                         
 Tereza Trautman: "Os canais brasileiros independentes estão numa sinuca,de um lado o conteúdo, que vem a ser o seu insumo principal, disparando depreços, e de outro as operadoras querendo o canal grátis" A mudança e a necessidade de cumprir as cotas vêm sendo festejadas pelosetor, porque permite a funcionalidade de uma emergente indústriaaudiovisual brasileira. Mas nem todos veem assim. Trautman crê que a Ancinecometeu um grande erro ao referendar o autocredenciamento dos próprioscanais dentro dos regimentos – ou seja, quem diz se o espaço é qualificado eaonde se encaixa na lei é o próprio canal. Segundo Trautman, vários dessescanais tidos como espaço qualificado não obedecem à lei. "Isso criou falsasexpectativas no mercado que agora pretende a classificação desses canais,pelos quais nada ou muito pouco se paga, para o cumprimento das cotas decanais, e desta forma diminuíram ainda mais os parcos centavos por assinanteque as operadoras se predispunham a pagar pela veiculação dos verdadeiroscanais das cotas. Ou seja, os canais brasileiros independentes estão numasinuca, de um lado o conteúdo, que vem a ser o seu insumo principal,disparando de preços, e de outro as operadoras querendo o canal grátis. Éuma conta que não fecha", lamenta.A autodeclaração funciona quase como um voto de confiança nos canais, masa diretora colegiada da Ancine, Vera Zaverucha, garante que haveráfiscalização e haverá mudança no credenciamento se for o caso. "Afiscalização será feita com base nas informações que os canais estãoobrigados a nos fornecer", explica.Produção independente e mudanças no FSA "As cotas, como em outros segmentos, são apenas um fator impulsionadorpara uma indústria sustentável. Em países como o Canadá, por exemplo, issofuncionou perfeitamente, e hoje aquele país tem uma realidade sustentável.Portanto, além de maior visibilidade ao conteúdo nacional e um incremento deinvestimento no setor, certamente a lei beneficiará a atividade de produçãode conteúdo audiovisual como um todo. Este primeiro impacto foi muitopositivo. Algumas programadoras já haviam obtido excelentes resultados com aprodução independente brasileira e, com a lei, esta relação ficou mais clarae direta, houve um amadurecimento do setor", comenta Marco Altberg,presidente da ABPITV (Associação Brasileira de Produtoras Independentes deTelevisão). "Com a regulamentação, esperamos um equilíbrio daspossibilidades entre a produção de conteúdo dos canais por assinatura jáexistentes e os novos que serão criados. Quanto à criação de uma indústriaaudiovisual, essa responsabilidade não deve ser atribuída unicamente à TVpor assinatura, por ser este apenas um segmento importante e em francocrescimento", complementa.Marco Altberg: "Com a regulamentação, esperamos um equilíbrio daspossibilidades entre a produção de conteúdo dos canais por assinatura jáexistentes e os novos que serão criados"O aumento da demanda por produtos para cumprir as cotas diversas já vemsendo visto desde a aprovação da lei no ano passado e cada vez é maior."Temos sentindo um grande e natural aumento na busca de conteúdo por partedos canais. Esta procura se dá em dois sentidos: busca por conteúdo jáexistente, no qual estamos conversando com o mercado sobre projetos, como aminissérie 'Natália', os documentários 'Amores Expressos' e 'Histórias doRio Negro', além de longas-metragens como 'Natimorto' e 'Amanhã Nunca Mais',e produção de novos conteúdos, que já estamos negociando", conta PauloSchmidt, sócio do Grupo INK, que já trabalha em cinco novas séries, "OVigilante Rodoviário", "Destemperados", "Adorável Dora", "Santa Teresa" e"Zona Lost". Visando promover o desenvolvimento audiovisual de quem está tentando seafirmar na área, mas não tem tanta experiência, a regulamentação do FSA(Fundo Setorial do Audiovisual) prevê dois indutores: para produtorasestreantes e para estados da federação que não tenham sido contemplados naseleção inicial do edital de produção. Pela sistemática, cinco projetosserão de diretores estreantes e cinco para produtoras sediadas em estadosque não tenham tido projetos contemplados dentre os 30 selecionados. Ouseja, ao todo serão 40 projetos contemplados, com 10 obedecendo à regra deindução.Paulo Schmit: "A lei foi sábia em prever a possibilidade de recursos parafinanciar parte destes conteúdos que cumprirão cota de produção nacional"Um dos medos dos produtores – e do público – é a reprise excessiva doconteúdo brasileiro, desgastando-o – assim como costumam fazer com osprodutos estrangeiros –, especialmente buscando cumprir a cota semdesembolsar um pouco mais. "Não acredito que as programadoras façam reprisesexcessivas apenas para cumprimento das cotas. Temos que lembrar que oespectador tem o controle remoto na mão e que caso haja abuso nasrepetições, bastará mudar de canal. Desta forma, a diretoria optou por nãoregular o número de repetições permitidas, mas restringiu o tempo em que aobra poderá ser utilizada para cumprir a cota", explica Vera Zaverucha oporquê das reprises não serem normatizadas.A maior demanda de produtos pelos canais não tem como propósito aumentaros bolsos das produtoras e sim tornar possível que mais pessoas sobrevivamdo audiovisual, fazendo com que o mercado absorva mais profissionais, sejamtécnicos ou criadores de conteúdo. "As produtoras terão que estar prontaspara atender a uma grande demanda dos canais e isso envolveprofissionalização do mercado, tanto do ponto de vista de profissionais,quanto à estrutura e equipamentos prontos para suportar o aumento degravações. É necessária a criação de novos empregos para reforçar um mercadoque hoje é limitado e que, atualmente, os profissionais que dirigemprogramas de TV são do meio publicitário. Estamos falando de um verdadeiroboom de pessoal e estrutura. Aqui na casa, damos bastante atenção a novostalentos que nos procuram e mantemos profissionais criativos voltados apensar novas e interessantes possibilidades para as emissoras. Talentosescondidos serão revelados", pontua Paulo Schmidt.Produtoras aumentam custos de produção e licenciamentoA ideia é, também, que a maior demanda e o fluxo contínuo de projetosdiminuam os custos de produção desses novos produtos. "Está aberta atemporada de caça, ou seja, há uma possibilidade de negociação aberta parase chegar num ponto de equilíbrio entre o desejo da emissora e o daprodutora. Não creio que haverá um encarecimento na produção. Isso seriamuito ruim, pois em São Paulo já temos um alto custo de produção, emcomparação a outros estados e, principalmente, países vizinhos", comenta ocineasta Rubens Rewald, presidente da APACI (Associação Paulista de Cineastas).Rubens Rewald: "Antes de qualquer ação específica, temos que ver como osprodutores e realizadores de São Paulo irão se movimentar nos próximos meses""O desafio é que os produtores consigam propor modelos de negócio queatendam aos limites de investimento das programadoras independentesbrasileiras neste momento de consolidação, oferecendo alternativas deconteúdos de orçamentos variados, composto por um mix de projetos de grandeestatura e com produção diferenciada de alta qualidade, somados a projetosmais econômicos", afirma Cícero Aragon, diretor-presidente da programadoraBox Brazil. Vera Zaverucha também crê que não deverá haver inflação. "Osvalores de licenciamento não são tão elásticos a ponto de permitir que osvalores de produção aumentem de forma a inviabilizar o lucro. Considerandoque para a produtora ter um projeto de TV aprovado é necessário um contratode licenciamento com um canal de televisão, quanto mais alto o valor doorçamento, mais alto será também o valor de licenciamento. Desta forma, oprojeto terá que se adaptar aos valores praticados no mercado", argumenta."Os valores praticados em produção de TV são tradicionalmente bem menoresque os de cinema, mas existem características inerentes aos diferentesformatos que determinam os valores praticados em TV. A produção em maiorescala tende a reduzir os custos e isso é desejável, diferente da valoraçãoem licenciamento de produtos prontos que certamente será revista",complementa Marco Altberg.Aliás, o licenciamento de obras já prontas tem subido exponencialmente.Tereza Trautman aponta que, nos últimos três meses, subiu em 250%. CíceroAragon também notou aumento nos licenciamentos, mas está esperançoso. "Ovalor dos licenciamentos de conteúdos prontos tem subido mensalmente e,neste caso sim, a maior procura inflacionou. Todavia, acredito que a buscapor mais produtos vai gerar novas oportunidades para diversos produtores queantes não tinham para quem produzir e, neste caso, vai aumentar aconcorrência, com o surgimento de novos fornecedores e, consequentemente,uma tendência ao reequilíbrio de valores", aponta.Cícero Aragon: "Estamos em plena negociação com todas as empacotadorasbrasileiras. A Box Brazil nasceu pensando no mercado brasileiro e internacional"A fonte dos recursosAtualmente, todos os recursos federais disponibilizados ao audiovisual,através dos mecanismos existentes, figuram na casa dos R$ 500 milhões porano. Só o PRODAV tem R$ 55 milhões à disposição das produtoras que queiramproduzir projetos para TV. "Com os recursos novos que incre mentaram o FSA,teremos mais recursos que ajudarão, inicialmente, o processo de cumprimentosdas cotas da TV paga. No futuro, acredito que estes recursos poderão deixarde apoiar projeto a projeto e passar a apoiar as empresas. Existem diversasnecessidades apontadas pelo mercado que poderiam vir a ser contempladas comrecursos do FSA, tais como capacitação, empresas e núcleos de criação,desenvolvimento de formatos, pesquisa e inovação, entre outros", explicaVera Zaverucha. "O FSA passou a contar com recursos para as diversas açõesde fomento, garantindo assim uma quantidade de recursos capaz de alavancarde vez o setor, e assim competir com a indústria hegemônica estrangeira",complementa.A importância do FSA tem sido bastante grande nesse planejamento. Porconta disso, a Ancine tem tentado desburocratizar os processos, como, porexemplo, a aprovação de projetos. "Verificamos que cerca de 40% a 50% dosprojetos aprovados não captavam recursos suficientes para terem os valorescaptados liberados. Isto fez com que mudássemos a regra. Hoje, só passam poruma análise mais minuciosa os projetos que tem captação correspondente a,pelo menos, 20% do valor estimado aprovado quando da sua apresentação àAncine", esclarece Zaverucha.Essas medidas são cruciais, na opinião do produtor Paulo Schmidt,especialmente nos próximos dois anos, quando as três horas e trinta minutosde programação brasileira semanal já estiver em vigor. "A lei foi sábia emprever a possibilidade de recursos para financiar parte destes conteúdos quecumprirão cota de produção nacional. A utilização de recursos dos fundossetoriais e de renúncia fiscal será fundamental", aponta. "Imagina-se quecom o passar do tempo os canais comprem mais conteúdos nacionais além dacota estabelecida nesta lei e que os recursos necessários para a produçãovenham da receita do próprio canal, já que a aumento da base de assinantesterá um crescimento geométrico nos próximos anos", complementa, esperançoso.O governo do Rio de Janeiro, através da RioFilme, já está se mobilizandopara atender o setor. Até 2012, foram R$ 7,9 milhões investidos. Para 2013,os valores disponibilizados para TV serão equivalentes aos do cinema."Elevaremos o investimento em conteúdo para TV de modo que a indústriaaudiovisual carioca aproveite plenamente o contexto favorável do setor",explica o presidente da RioFilme, Sérgio Sá Leitão, que ainda não podedivulgar valores por conta da mudança de mandato. "Faremos investimentosreembolsáveis e não reembolsáveis, com critérios e normas distintos. Ter umcanal interessado no projeto será fundamental. Manteremos as parcerias com oCanal Brasil e a Oi TV. E estamos abertos a novas propostas", complementa.A RioFilme é uma empresa estatal que age no Rio de Janeiro, ou seja, temcomo mote alavancar a produção do estado. "Com o nosso investimento, serámais interessante para os canais selecionarem e investirem em projetos deempresas do Rio. Haverá um crescimento de pelo menos 10 vezes no número dehoras de conteúdo nacional exibido em TV paga no país", estima. São Paulo, o outro grande estado produtor audiovisual, em contrapartida,não tem projetos semelhantes. "Estamos sempre lutando por maiores aportes dopoder público para o setor, tanto junto ao estado como no município. Esseano, graças a nossa pressão, a Secretaria Municipal da Cultura teve umorçamento para o cinema maior que nos últimos anos e parte dessa verba foiaplicada para o desenvolvimento de projetos para TV", comenta Rubens Rewald.Dentro da APACI, a movimentação também não é muito maior. "Não há nenhumaação específica para o setor. O que fazemos é uma divulgação em nossa listade associados se haverá algum pitching ou edital aberto. Antes de qualqueração específica, temos que ver como os produtores e realizadores de SãoPaulo irão se movimentar nos próximos meses, para sentirmos as carências doprocesso e aí sim propor alguma ação", explica.Os canais para produção independenteSão três os canais brasileiros de espaço qualificado, programados porprogramadoras independentes, com mais de 12 horas diárias de produçãoindependente. São justamente eles que estão tentando realmente fazer a lei,e os ainda parcos recursos têm feito que encontrem soluções para veicularuma grade de programação de qualidade. Dos três, o CineBrasil TV é o maisantigo. São mais de oito anos. O Prime Box Brazil tem um ano e Curta! OCanal Independente ainda não está no ar.Segundo o diretor responsável pela Synapse Brasil, Julio Worcman, Curta! OCanal Independente ainda está em negociações com as operadoras, mas deveseguir a receita do portal de internet Porta Curtas, que permite que osusuários assistam online, gratuitamente, a mais de mil curtas do acervo,desde 2002. O canal já possui um acervo com 622 curtas-metragens e 505documentários brasileiros independentes, além de ter projetos de programasfeitos por produtoras independentes.O CineBrasil TV é comandado pela programadora Conceito A, de TerezaTrautman, voltado à cultura popular, com preferência por obras declassificação etária livre. Atualmente, negociando com a grandes operadoras,Net, Sky e Claro TV, o CineBrasil TV está sempre em busca de novos conteúdos(os produtores podem inscrevê-los via site www.cinebrasiltv.com.br), porémprefere obras prontas. A ideia é começar, agora com a valoração do canalpara as operadoras, a buscar fomentos para produções novas. "Uma coisa équerer, outra é poder. Tudo vai depender da distribuição que o canal tiver edo valor que as operadoras se predispuserem a pagar por ele. Se este valorfor muito baixo, mas a distribuição do canal tiver uma base de assinantesconsiderável, teremos que obter os recursos da publicidade, o que nãoacontece da noite para o dia. São ainda muitas as incógnitas. Por ora,estamos vivendo na expectativa", comenta Tereza.O Prime Box Brazil, voltado para o cinema e para o audiovisual, é oprincipal canal da programadora Box Brazil, que ainda conta com o Music BoxBrazil, voltado à música, o Fashion TV Brazil, voltado à moda, e o TravelBox Brazil, voltado ao turismo, todos classificados como canais brasileirosde espaço qualificado. Cícero Aragon quer, para a programadora, ser um dosmais importantes parceiros da produção independente brasileira. Segundo ele,mais de 80% dos conteúdos brasileiros exibidos nos canais serão licenciadosou coproduzidos com a produção independente brasileira. "Estamos em plenanegociação com todas as empacotadoras brasileiras e também com o mercadointernacional. A Box Brazil nasceu pensando no mercado brasileiro einternacional, formatada também para exportação, começando pelo Brasil comZ, que é como o país é conhecido internacionalmente, além dos nomes doscanais com nomes internacionais apesar do foco no conteúdo brasileiro", comenta.Atualmente, a Box Brazil busca filmes, séries, documentários e programasespeciais em geral e também com temas específicos como música, folclore,cultura, gastronomia, esportes, turismo, moda, comportamento e qualidade devida. "O grande desafio é encontramos projetos que pensem em volume deprodução, em valores muito competitivos por capítulo, em que todos ganhamcom o volume de contratação. Em geral, os projetos que recebemos têm um altovalor por capítulo e como um todo. Estes projetos são importantes,interessantes, mas é preciso que tenhamos uma maior oferta de conteúdos degrade, de baixo valor, para que consigamos ter um mix mais equilibrado deconteúdos quanto aos seus financiamentos", argumenta. "A referência seriaprogramas que fiquem, por capítulo, com preços próximos daqueles que se opróprio canal fosse contratar uma equipe básica fixa e produzi-los.Logicamente, o valor proposto pelo produtor independente precisa ter tambémuma taxa de produção, natural do negócio e da contratação", esmiúça. Ascoproduções e os licenciamentos de conteúdos serão financiados com um mistode recursos dos fundos, editais, leis de incentivo e recursos próprios."O mundo está olhado para o Brasil e certamente seus conteúdos passam ater um apelo infinitamente superior ao de anos atrás, dentro e fora do país.Como disse, este é o momento do Brasil e, em especial, o momento doaudiovisual brasileiro", conclui Cícero Aragon.Por Gabriel Carneiro



domingo, 28 de outubro de 2012

IN MUNDO


O TEMA DE HOJE
(Notícia colhida da Tribuna da Imprensa)
O tema é a Refinaria de Manguinhos no Rio de Janeiro.
Refinaria que vulgarmente é conhecida no meio político como a Lavanderia do Zé Dirceu, do Marcelo Sereno e deste que governa o Rio, Sérgio Cabral!
Há quatro anos, o braço direito de Zé Dirceu, Marcelo Sereno, adquiriu na bacia das almas a Refinaria de Manguinhos.
Essa refinaria de petróleo, que pertencia ao grupo Peixoto de Castro, é a mesma que ontem, em 1964, na tentativa de sua estatização pelo governo trabalhista do PTB, precipitou um dos muitos motivos que derrubou o presidente João Goulart e justificou o golpe militar.
Essa refinaria estava falida e tentavam vendê-la a qualquer preço... Vislumbrou-se ali um negócio da China e ela foi vendida para três espertinhos.
O grupo integrado por José Dirceu e  Marcelo Sereno comprou a refinaria por R$ 7 milhões.
Agora,o governador Sergio Cabral anunciou a desapropriação da refinaria entre 170 e 200 milhões de reais, na maior operação de lavagem de dinheiro nunca antes vista no Brasil!
A sua desapropriação custará quase TRINTA VEZES  o valor da aquisição, em menos de quatro anos!!!                                                                                                                                                                                                                                          
Um pequeno lucro que as benesses do poder concederam ao ex-chefe da Casa Civil, que ele entendia como sua, lógico!
É difícil engolir a lógica política de certos personagens “socialistas” da recente história da república democrática do Brasil. 

sábado, 27 de outubro de 2012

INATURA


CHINA

Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo) Tribuna da Imprensa
Leio a monumental História da Inglaterra de David Hume, filósofo, historiador e escritor inglês do século XIX.
Hume, um dos grandes ideólogos do liberalismo, viveu e morreu como um verdadeiro filósofo. Era um homem simples, frugal, honesto, leal, corajoso, moderada até em sua única vaidade — literária. Segundo seu amigo e admirador Adam Smith, Hume chegou moralmente ao ponto mais alto que a fragilidade humana permite.
Vários trechos da A História da Inglaterra me despertam a atenção admirada. Num deles, no capítulo que trata de Carlos I, o rei inglês que se bateu com o Parlamento e acabou deposto e decapitado em meados do século XVII na primeira revolução burguesa da humanidade, Hume lança um olhar para a influência da religião entre os britânicos nos dias do monarca infeliz.
Assim disse Hume: “De todas as nações europeias  a Grã Bretanha era naquele momento, e por muito mais tempo, a mais influenciada por aquele espírito religioso que tende mais a inflamar o fanatismo do que a promover a paz e a caridade.”
São palavras eternas.
Lamentavelmente, ao longo da história, a religião tem servido muito mais para piorar do que para melhorar as pessoas e a sociedade. Quem acaba dominando-a não são os moderados, os tolerantes, aqueles que aceitam a diversidade. São os radicais, os fanáticos, os que acham que podem matar os infiéis em nome de seu Deus, seja qual for.
O filósofo inglês Bertrand Russell atribuiu ao judaísmo, no Ocidente, a semente da ideia de que uma religião é melhor que outra ao estabelecer que os judeus eram o povo escolhido. Os cristãos, posteriormente, trucidaram ignominiosamente os judeus por entender que escolhidos, na verdade, eram eles. Depois os cristãos se destruíram uns aos outros, quando Lutero inventou o protestantismo. Os muçulmanos já surgiram com a convicção de que Alá é o único deus genuíno.
Tenho para mim que um dos maiores fatores do fenômeno chinês está na ausência de religião e da figura de Deus. A China era a civilização mais adiantada do mundo quando foi pilhada pelos britânicos no século 19, superiores em uma única coisa: canhões. Depois dos britânicos, outras potências militares ocidentais foram tirar sua fatia da China — já então um mercado cobiçado de 400 milhões de pessoas. E quando parecia que nada mais poderia castigar a China apareceram seus vizinhos japoneses.
A China poderia ter virado um figurante no mundo. Mas não: se reergueu depois de tantas agressões predatórias, e ninguém acredita que em dez anos ela já não tenha ultrapassado os Estados Unidos como superpotência número 1. (Sempre existe a possibilidade, é claro, de que os americanos inventem um pretexto para declarar guerra à China.)
A impressionante resistência chinesa deve muito à inexistência de religião tal como conhecemos. Confúcio, o grande filósofo que estabeleceu as bases éticas que governam a China há 2 500 anos, acabou fazendo o papel de Deus para os chineses com a vantagem de não ser Deus e nem ser entendido como tal. Confúcio pregou três coisas, essencialmente: os jovens devem ser muito bem instruídos; os amigos devem ser leais uns aos outros; e os filhos devem cuidar exemplarmente dos velhos.
Confúcio deu aos chineses um guia de conduta prático e sempre atual. A musculatura interior veio do budismo, em que não existe a figura de Deus. Buda era um ser humano como todos nós — entregue às tentações, cheio de dúvidas, repleto de tentações. Na fraqueza aparente de Buda diante dos deuses de outras religiões estava, paradoxalmente, a força do budismo — e em consequência da China.