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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Poesia

Liberdade e Cordialidade

Sombras de luzes difusas
Arquitetando sonhos
Acordando o dia
Sucumbindo o ontem

Mandrágora de um só destino
Nuvens no céu de cobre
Cata-vento de areia solta
Lagoa de sol e sal

Magia que vem de longe
Dos confins do Himalaia
Bode velho enterrado
Cobiça dos incautos

A cordialidade brasileira
Subiu as montanhas
Cortou o leito dos rios
Desceu pelo mar

A Terra salgou
São tão poucos hoje
Os homens cordiais
Um deserto de maldades

De iniqüidades e safadezas
A casa está cheia
A água está suja
O perverso predomina

Em cada esquina um desesperado
Um despreparado comanda o show
Uma barata atravessa a nado o canal
Um jet –set passa em disparada

A história é cíclica e está inteira no presente
O mar nunca mais vai se abrir para Moisés
A terra prometida estará perdida sem a cordialidade
Um carro de som explode num reclame de quinta

Um passante implica com o cigarro
Uma moto escarra a sua descarga aberta
Aumenta-se o som da tevê que não se vê
Ninguém mais fala todo mundo grita

O som de uma pequena cidade pode enlouquecer
Pode ser cruel aos ouvidos mais sensíveis
Quebrar uma vidraça ou matar um passarinho
O homem cordial está preso na gaiola

Liberdade é o diáfano de todo o conhecimento
É a substância de cordialidade entre os semelhantes
É o respeito do adversário pela força da verdade
É a natureza resgatada em sua exuberância

Liberdade e Cordialidade são as palavras chaves
Erva de caboclo para o ano do dragão chinês
Exorcismo de maldades em pescoço de galinha
Engolidor de sapos dos bares da vida

O homem caiçara cordial
Precisa se encontrar
Mudar a dinâmica do arraial
Onde ainda se encontra a cidade

Clarear as mentes e as águas poluídas
Escolher o bom e inexorável caminho
Dar dois passos à frente e abraçar a vida
Ou se deixar enganar mais uma vez

Reflita com o sol e a liberdade
Abandone a ausência de clareza
De limpidez e de perceptibilidade
Afaste-se do obscurantismo e da tormenta

Seja um novo homem
Livre num mundo melhor
Seja cordial
Seja feliz

domingo, 5 de fevereiro de 2012

UM ROMÂNTICO INCURÁVEL BARROCO



5 de Fevereiro de 2012 21:32
De José Vieira Para José Sette

Texto Bordado Em Lágrimas

Medo de perder meu espelho no qual minha visão refletida se faz bela
Medo de me perder em tua ausência sempre onipresente e potencializadora
Medo de não ter a quem falar, gritar ou chorar as lágrimas mais sinceras
Medo! substrato concreto que me resta e me é palpável
Medo de nunca mais ser compreendido mesmo que em forma de repreensão
Medo de nunca mais ser afagado por uma mão clarividente
Medo de nunca mais saber quem eu sou , o que represento e o que anseio
Medo de que as cordas se percam na falta de vontade própria de ecoarem


O NOVO NO CINEMA



Jose Vieira é um Poeta reticente, um cineasta emotivo, um viajante do tempo e do eterno, um músico talentoso, só hoje vi que ele tem varios ensaios visuais e musicais postados, pena não poder assistí-los... Além de tudo tem um bom texto crítico.
"Eu sou o cinema!!! ou o que dele resta,,, cinema calado! cinema mundo!!!
Gostaria muito que você pudesse assistir a essa "brincadeira " que foi bem vista até pelos olhos da Ava. Não preciso obviamente pedir permissão para usar sua imagem que já me é por demais familiar... o "filme" já se encontra no ar sob o título "ideograma".
Seguindo com cautela e sábia desconfiança os preceitos Einsentanianos, creio ter conseguido atingir a luz , mesmo que em sua forma embrionária de centelha!!!
Assisti hoje ,agora há pouco o filme do N.Pdos S. sobre o tom ;;;; colo e copio aqui o que escrevi para sua irmã sobre tal película.
Aninha querida , a priori desejo saber de ti ,além do que estáticas imagens trasparecem...a viagem deve ter sido com certeza um barato né?...obs...acabei antes da notória "esbórnia"que me assisti. de assistir ao filme do Tom...do Nelson P.dos S.....adorei chorei rios de felicidade !!! sempre me emociono com o Tom maior!Ré maior e ré menor apesar de sempre optar pelo "ré médio".Achei de uma sinceridade confessa essa película do Tom...não haveria outra forma de se abordar tamanha persona se não essa...forma simples e falsamente despretenciosa.Todas as outras formas já foram por demais exaurídas em seu âmbito co-afeitvo e tecnicista... ele ...o N.Pdos S. achou o único caminho seguro a ser trilhado na busca da luz divina do Tom;...no mais é Blá blá blá;;; bjo grande em teu coração ! Jose Vieira.;
Ahhhhh ,,,,em minha volta já repleta de saudade de ti , comprei por 19,90 a "genealogia da moral" do Nietche...hoje após o filme fiquei numa mesa de bar convesando com dois professores de filosofia da UFJF sobre o livro que é fantástico,,,e como sempre mineiro, como de fato o sou ..."tendo a dúvida como fonte criadora" T. de almeida neves...tem esse almeida ou é delírio meu ?comecei a deixar transparecer meu indendimento sobre o que nietche realmente "atacava! sem economia de força. Apenas a maneira lindamente poética como ele escreve já seria suficiente para eu me encantar com o texto. Mas ele é demasiadamente irônico , deixando muitas das vezes obscuro os foco do seu "ataque"....o que dá margem a mil interpretações ...Creio que no fundo ele rejeita o Homem e ao mesmo tempo o idealiza de forma plena sem distinção ,apesar de seu evidente rancor para com o cristianismo judaico e todos os signos abrangidos por ele. Mesmo que como ele mesmo sabia , isso tudo tendo uma origem tão remota quanto a própria existência humana".



sábado, 4 de fevereiro de 2012

O transporte em um carro só



EU SOU UM COLETIVO
Fábio Carvalho

“O que nós temos é um inimigo do cinema brasileiro criado pelo

Estado chamado ANCINE (Agência Nacional do Cinema).

Antigamente tinha censura, hoje tem a ANCINE.

Trata-se de um monstro que impede que o

cinema brasileiro alcance seu público”.

Nelson Pereira dos Santos


A saudade pode me desesperar. Ah meu samba. Madrugada de azul. Aos ventos do Arpoador. Pela terceira vez senti à minha revelia que talvez embarcasse nessa canoa furada e antecipada. Eram os três sinais de Molière. Resolvi não concordar. Elas me salvaram com a comida natural verde escura além de vários merecidos esporros. Moramos dentro um do outro. No momento não tenho como resistir ao JOHNNY ALF. Ponha seus assuntos em dia, disse o médico ao seu paciente. Todo plano é um filme. Andava com o escritório na cabeça. Era verão. O fixo tocou insistente, tive que me deslocar depois de pensar duas vezes, para conseguir chegar até ele. Faltou uma terceira. Depois com muito esforço o alcancei, falei alô, algum tempinho se passou para que a voz do outro lado da linha dissesse: boa noite quem fala é o Vagner da operadora oi, eu gostaria de falar com a nossa senhora. Respondi: ela não está. Replicou ela: com quem eu falo? Consegui mandar essa: nem eu estou aqui, caro Vagner, saí com ela.
No que ela, a voz, tornou a perguntar: o senhor está fora de comunicação então? Tentei responder, não deu tempo já tinha desligado. Sempre o tempo. Essa voz não me interessa, vamos para outra, restrita só para quem for da nossa turma. Outra vez tive a sorte de rever a cópia que tenho do filme O SANTO E A VEDETE, e novamente voltei a mim, ao começo. Renasci. Depois do UM FILME100% BRASILEIRO no outro domingo, sem espanto era domingo. Domingo de carnaval em Janeiro. Acho que ando meio JAIRO FERREIRA assim vi claramente esta sintonia visionária que nos escancara a nós mesmos que é exatamente o que nos interessa. Vamos pensar no nosso umbigo. Na terça ainda tive a visita da LOLA, a nossa atriz que perdemos para um alemão na mesma hora em que a nossa YARA DE NOVAES e os nossos professores do Cinema chamado marginal passavam na televisão. Foi uma noite agradável, fui dormir cedo, numa boa. Sem falar da segunda que fui ver A MÚSICA SEGUNDO TOM JOBIM. Saí do shopping dançando. Só danço Samba. Até parece mil maravilhas. Passagem. Quem quebra galho é macaco gordo. Virei hipertenso sem ter imaginado, sou gente embora eu ainda não tenha percebido, tenho agora que tomar pela manhã um comprimidinho. Estou grilado. Dizem que minha potência vai diminuir. Isto me tocou. Ave Maria Nossa Senhora me ajude. Estamos todos juntos na teoria BORGEANA. A intercessão dos nossos sonhos é o que nos torna reais, nos faz existir, não há como duvidar.

Vamos juntos conseguir colocar a epígrafe e o título.
Da próxima prometo ser mais objetivo.

Amanhã vai ter lua cheia.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

AÇÃO!

CONTRACAMPO

Na criação só a antropofagia nos une, mas não é preciso comer o outro, é sim preciso não deixar ser comido. Cada país tem de preservar a sua cultura da voracidade com que o estrangeiro impõe a sua língua, o seu meio, a sua mensagem, sua visão e seus sentimentos sociais, que são totalmente distantes de nossas raízes e tradições. Almoçá-los antes de eles nos jantar. Devorá-los se for preciso. A criação tem de ser voraz e verdadeira. Não se importa e nem se exporta maciçamente as verdadeiras obras de arte de um país. Todos querem conservar as suas. Nós aqui temos que conservar as nossas. É preciso de imediato proteger a nossa melhor arte e deixar de se importar (com) o lixo estrangeiro. Já engolimos tudo que nos impuseram. Chegou a hora de vomitar. Mas isso, como tudo, passa. Vamos renascer mais fortes, só a grande arte sobrevive ao dilúvio e a babel. Por isso viva o teatro oficina livre e transformador. Viva o cinema de arte, a música experimental, a poesia pau-brasil. Viva as festas e os cancioneiros populares. Viva o chorinho, o baião e o samba. Viva a literatura de cordel. Viva a internet e a tecnologia da vanguarda. Viva o futuro moderníssimo discutindo o saber cultural do planeta nas universidades livres. Prevejo que um dia todos os internautas interessados estarão interligados na Grande Rede do Saber, repletos de gênios versados em todas as matérias, em todas as ciências do saber e da arte, onde tudo é discutido, informado, sabido e passado, um a um, por todas as formas e meios. Esta rede, totalmente diferente de um facebook, ainda está para ser criada. Pode ser construída por pessoas que falam e lêem o português, que vivem de norte a sul do país, nos mais sombrios recantos do planeta, esta universidade livre e de vanguarda cultural, antropófaga, bem que poderia nascer por aqui.
Militante inicia greve de fome acorrentado em frente à sede da Globo contra a criminalização de Pinheirinho



janeiro 30, 2012

Pedro Rios acorrentado em frente à central de jornalismo da rede Globo no bairro Jardim Botânico, Rio de Janeiro.
O militante Pedro Rios Leão, que esteve em Pinheirinho colhendo depoimentos dos moradores e registrando (veja o filme) as atrocidades cometidas pela PM de São Paulo e pela Guarda Municipal de São José dos Campos, iniciou neste domingo uma greve de fome em protesto contra a cobertura injusta que a rede Globo e a mídia deram ao caso. Em sua página no facebook, Pedro anunciou:‘Amigos entusiastas da ação direta: eu não aguento mais saber que existe uma cidade sitiada, com assassinos no comando, e ficar em casa e ninguém falar nada. Chamem de estresse pós traumático mas eu decidi me algemar por uma semana na frente da rede globo sem comer. Já que eu não me sinto seguro indo para São José. Vou radicalizar no Rio. A denúncia está sendo traduzida e veiculada internacionalmente. Pinheirinho depende de vocês. Lembre-se: Não curta! Compartilhe! - Espero que os jornalistas desse país (que eu sei que tem internet) em algum momento pensem ‘pô, aquele maluco lá fazendo greve de fome e eu calado em assassinato de criança por causa do meu emprego. Eu acredito no amor, no povo, no ser humano e na bondade. Estou me preparando psicologicamente para o protesto e vou abandonar o ambiente virtual. Deixo aqui dois relatos, que carregam a minha alma, enquanto o meu corpo estiver na Rua Lopes Quintas velando pelas crianças de Pinheirinho. manifesto na cinelândia. Assista o documentário curta-metragem “Eu queria matar a presidenta: depoimentos da guerra civil brasileira” filmado por Pedro Rios em Pinheirinho.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

NOVIDADES

Aldeia de índios isolados Mashco-Piro

(Foto: Gabriella Galli/Survival/Divulgação) A entrevista com José Celso Martinez Correa que não foi publicada pelo JORNAL VALOR ECONÔMICO

A gestão Ana de Hollanda no MinC foi alvo de críticas duras desde sua
nomeação, passando pelas polêmicas com o Creative Commons e a LDA. Por que
sua indicação foi tão contestada nos meios culturais? E até que ponto as
críticas que se sucederam são a suas políticas culturais e não apenas frutos
da disputa de grupos diferentes no poder (Gil/Juca x Grassi)?

Você considera que haja algum mérito nessa gestão que mereça ser destacado?

JOSÉ CELSO MARTINEZ CORREA
Há duas falhas trágicas acontecendo no Ministério da Cultura.
A 1ª é a Presidenta Dilma Roussef cortando dois terços do orçamento do
Ministério, conquistado brilhantemente na gestão de 8 anos do Governo Lula.

A 2ª é Anna de Hollanda ter aceitado o Corte.

Durante o Governo Lula, o Ministro da Justiça Thomaz Bastos recusou uma
tentativa de corte alegando que não haveria então o que fazer em sua pasta
se isto acontecesse. O Presidente Lula voltou imediatamente atrás.

JORNAL VALOR ECONÔMICO
Quais as principais críticas que podem ser feitas à gestão atual no que diz
respeito a suas políticas?

JOSÉ CELSO MARTINEZ CORREA
Na história do Brasil os grandes momentos de nossa existência como nação
vieram dos Presidentes que escolheram a Cultura como Estratégia Principal de
Governo. O poeta Carlos Drummond de Andrade, como Chefe de Gabinete do
"Ministro da Educação e da Cultura", e o próprio Ministro Gustavo Capanema,
com o apoio de Getúlio Vargas, proporciaram a Criação de uma Arte Pública,
que serviu de base para que as grandes interpretações do Brasil, como as de
Euclides da Cunha e Mário de Andrade, inspirassem a própria invenção
concreta do país, como Nação.

Daí vieram a criação da Rádio Nacional, irradiando toda criatividade da
cultura popular orgyástica carnavalesca irreverente brasileira, os corais de
Villa Lobos, os grandes livros publicados pela Editora Nacional sobre o
Brasil, a reconquista das terras indígenas, as leis sociais.

O próprio suicidio do Presidente Vargas e a potência literária trágica de
sua Carta Testamento, afastaram um golpe que seria dado pelos militares 10
anos depois. Isso propiciou o fenômeno da Arquitetura Brasileira de Lúcio
Costa, de Oscar Niemeyer, inteiramente apoiado pelo dançarino Juscelino
Kubischek. Temos que pular a presidência idiota de Jânio, que sobressaiu-se
pela proibição do biquini, do lança-perfume e de se estender roupas nas
fachadas dos prédios residenciais.

A seguir veio o Governo Jango, tendo no comando da estratégia cultural do
Estado o forte poder cultural do antropólogo Darcy Ribeiro, o que propiciou
as condições para o surgimento do Cinema Novo, da Bossa Nova, do Teatro
Oficina, e a ascenção do povo nas Escolas de Samba até o apogeu do
Sambódromo.
Lionel Brizola, que infelizmente não chegou à presidência, criou o PDT com
estatutos redigidos por Darcy Ribeiro: uma obra-prima de Plataforma Política
Cultural, trazendo como fruto especial os CIEPS.

Lula teve a esperteza de não chamar as pessoas ligadas à política
colonialista ¬ intrumentalizadora da cultura pela ideologia da velha
esquerda marxista ¬ e trouxe ao Poder Cultural a Tropicália, religada à
Antropofagia de Oswald de Andrade, única filosofia original brasileira, à
direção do Ministério da Cultura.

Gilberto Gil e Juca Ferreira trouxeram uma amplidão de lente da cultura que
incorporou as revoluções de nosso tempo: a da Internet, a da Ecologia, a
valorização do índio nos Pontos de Cultura, a inclusão absoluta de uma
cultura esteticamente sofistificada, popular, extremamente "bárbara
tecnizada", à altura do crescimento do Brasil como nação líder no
Renascimento que anuncia a Economia Verde no mundo.

Quer dizer, o Brasil tem uma história de muitos Presidentes que se guiaram
pela estratégia da Cultura, ligada à Educação, ocupados com o cuidado da
Vida do Planeta, da ascenção não somente econômica do povo brasileiro, mas
sobretudo de sua grande potência criadora cultural. O Samba, o Rap, a
devoração do Rock, do Reggae, do Funk, a maneira de viver misturada,
antropófaga, além do bem e do mal, não vem da pobreza cultural da classe
média positivista, mas do povo fiel às celulas vivas da origem da vida.

Essa cultura, fora da Sociedade de Espetáculos dos Globais, estabeleceu
regras de meritocracia para os patrocínios de empresas como a Petrobras, e o
Cinema, as Artes Cênicas, a Dança, o Teatro, floresceram. O Brasil tinha, em
2011, engatilhada uma revolução cultural de nível planetário, acompanhando
seu poder emergente na Geopolítica Internacional.

O Governo Dilma, na medida em que castrou o MINC, revelou sua falta de
percepção para a Cultura, que é para a vida muito mais que a macroeconomia
para a infraestrutura do Capitalismo, como afirmado por Marx.

Este fato revelou sua não percepção da Revolução Ecológica caminhando para a
Economia Verde, da revolução digital, da importância dos Índios do Brasil,
de sua Justa Posse de suas terras, de seu saber arcaico, seu conhecimento
para a preservação da natureza, conhecimento das plantas medicinais. Dilma
não entende a importância da Maconha, dos alucinógenos na percepção do
admirável mundo novo e de sua importância inclusive na Economia Brasileira.
Partiu para uma política burra de repressão às Drogas, entrando numa guerra
mundialmente perdida.

Na Era do Conhecimento deixou para o Ministério de Ciência e Tecnologia um
orçamento miserável que determinou o afastamento no Brasil de grandes
cientistas brasileiros.

Quando "uma pessoa não sabe, nem se intera das coisas, sem enganos", como
canta em seu samba "Pérola Negra", Luis Melodia, é um Perigo Público.

Votei em Dilma. Sua Vitória deveu-se em grande parte à recepção calorosa que
os artistas cariocas lhe deram no Teatro Casa Grande no Rio, criando um
verdadeiro espaço de expressão Política, tão diferente dos comícios com
animação paga, caretas, programados por marketeiros. Por um raro momento
abriu-se, e até prometeu que o dinheiro do Pré-Sal iria para a Cultura. E
flui dela um discurso próprio de uma mulher sensibilizada mesmo. Uma
Presidente Mulher, não uma mulher travestida de Virago Patriarcal, uma Dama
de Ferro, isto é, um "Homem".

Que fazer pela sua mentalidade ainda da era analógica, seu
desenvolvimentismo que passa por cima de Belo Monte? É muito grave para o
Brasil esta falha cultural. Tenho muita admiração pela Presidente que, sendo
a 1ª mulher a presidir o Brasil, tem demonstrado competência técnica,
honestidade e exercício de Poder Humano, mas cuja falha trágica na Cultura é
FATAL e a metamorfoseia em tecnocrata, tão ao gosto da inculta classe média
brasileira.

Minha geração entregou seu corpo, como Dilma, à luta contra a ditadura.
Tanto os que foram pra Luta Armada quanto os que foram para a revolução do
Desbunde. E estes eram solidários até 1968.

Estou novemente em Portugal onde estivemos com o "Grupo Oficina Samba"
atuando ardorosamente na revolução portuguesa. Quando nos re-encontramos,
nós os exilados culturais e os exilados políticos, nos estranhamos. Os que
fizeram a Luta Armada envergonhavam-se nos ver sambando no Rossio, centro de
Lisboa. Criticavam as obras primas de Glauber Rocha, Rogério Sganzerlla,
porque queriam um cinema a la mediocridade estética de um Costa Gavras.

Tinham horror aos que viajavam nos alucinógenos ampliando sua percepção.
Ficaram caretas, presos mentalmente à Cultura Ocidental Patriarcal Moralista
Capitalista Cristã.

Essa lacuna foi por muitos superada, mas há os que ficaram nos tempos
coloniais, da pré-Tropicália.

Eu gostaria muito de conversar longamente com a Presidenta Dilma, pois estou
me referindo a fatos da História da Cultura que é em sí, Política no Brasil.

Tenho Amor por Dilma, que de qualquer maneira tem em seu DNA político,
Getúlio, Brizola. Tenho desejo de vê-la conversando pra valer com os
artistas, e não fazendo "Chás de Comadres" como foi seu encontro com as
cineastas brasileiras.

Estou falando de uma coisa muito concreta. É possivel haver uma mudança este
ano. Não bodifico Anna de Hollanda. É preciso ir direto aos fatos que
determinaram um ano praticamente perdido para o MINC.

Estivemos na Bélgica encerrando com "As Bacantes" o Ano Brasil na Bélgica.
Depois em Liscoa, no Teatro São Luiz, com esta Ópera de Carnaval Brasileira
da TragiComediOrgya, e já somos considerados o maior evento cultural de 2012
em Portugal.

Nossa peça, em cartaz desde 1996, é recebida com um entusiasmo e uma grande
emoção política relacionada com a Crise da União Europeia.

Há sede desta cultura libertária popular brasileira em plena Crise da
tristeza e depressão da Europa tiranizada pela TROIKA.

JORNAL VALOR ECONÔMICO
Você considera que haja algum mérito nessa gestão que mereça ser destacado?
O MinC fala muito em austeridade financeira e pagamento de dívidas para
defender suas ações. Existe alguma outra iniciativa que mereça ser elogiado?

JOSÉ CELSO MARTINEZ CORREA
A música Anna de Holanda e o ator Antônio Grassi tiveram uma atitude
exemplar com o encerramento do Ano do Brasil na Bélgica, ameaçado de
acontecer sem a apresentação de "As Bacantes" como estava previsto. O
diretor do Teatro de La Place, na Bélgica, onde seria apresentada esta
"Macumba Antropófaga", num dado momento mandou um auxiliar nos passar um
deselegante email por celular dizendo que não iria mais receber "BACANTES"
em seu Teatro.
Imediatamente Anna entrou em contato com o Embaixador do Brasil na Bélgica,
Maia Amado, que deve ser desta família de nobreza cultural notável que nos
deu Jorge Amado, Genolino Amado, Camila Amado, Gilberto Amado, todos Amantes
Amados da Cultura Brasileira. Um grupo da Funarte juntou-se imediatamente ao
Corpo de Produção do Oficina e juntos trabalharam para não gorar e não
broxar assim o "Ano do Brasil na Bélgica".

A Embaixada Brasileira, num esforço raro, responsabilizou-se pelo nosso
alojamento e por todo material Cyber com que trabalhamos no espetáculo.

Liderando uma equipe de brasileiros ligados ao Ministério da Cultura,
Antonio Grassi foi assitir em Liège "AS BACANTES" e pôde perceber o impacto
extraordinário causado pela cultura brazyleira, como escrevia Glauber Rocha,
com "y" e "z", no público europeu.

Este foi um ato altamente positivo de Anna de Holanda, por quem sempre tive
admiração enorme, sobretudo por sua delicadeza que soa cristalina em sua voz
até no telefone, como a de João Gilberto. Este ato coincidiu com uma foto
sua no Globo em que ela aparecia debaixo de uma cabeça de um Touro, animal
Tótem de Dionisios.

Para nós foi sua coroação como Ministra da Cultura. O caso não é destituir
ou não Anna de Holanda. Poderá vir para a Pasta gente até de grande
visibilidade, mas Anti-Cultura. Coisa que Anna não é. Eu sempre propus a ela
por emails que fôssemos juntos com muito artistas brasileiros tentar
conversar carinhosa e abertamente com Dilma sobre esta sua "Falha Trágica".
Mas parece que o Tabu "Corte Fiscal" e a personagem "Dama Papal" imobilizam
todos os movimentos dos que querem aproximar-se culturalmente deste governo.

Vou até enviar para esta matéria um díptico feito por um grande artista
fotógrafo de Campinas em que recria em dois quadros de Munch, a situação em
que se encontra Ana, entre "O Grito", protegendo-se da enorme bodificação
sobre ela, e a beleza de outra personagem, "A Madona", uma mulher sem medo,
forte e delicada como ela é.

Há um grande equívoco em fazer o mundo cair sobre a cabeça dela. Nós,
artistas brasileiros, populares-eruditos, temos de ir a Dilma e despertar na
Presidente os sentimentos culturais que a filha de Sérgio Buarque de
Holanda, a irmã de Chico, de Miúcha e toda família Buarque de Hollanda têm:
sensibilidade extrema cultural.

Por amor a Dilma, à sua pessoa e ao Brasil, a Presidente tem de ouvir a Voz
dos Artistas.

Na Ditadura fomos calados pela Tortura, Censura, mas sempre pudemos
construir com as estruturas de Poder uma Arte Pública avalancadora de um
Brasil mais que sem Miséria, luxuriosamente rico na Cultura Pública, Social,
Politica.

Estamos na Idade da Inteligência, coincidindo com a bancarrota da Ordem
Neoliberal do mundo das Energias Devastadoras.

Estamos vivendo um fim desta Idade Mydia, em que os Estados ainda são
submissos à sociedade Mercantil de Espetáculos. Estamos próximos a um
Renascimento.

Um país como o Brasil não pode estar drogado pelos peidos das celebridades,
pelos chiliques dos reality shows, pelo fundamentalismo evangélico.

Por não tocar na Cultura em sua eleição Dilma deixou que este lugar nobre
fosse tomado pelo besteirol moralista de um findamentalismo político. Quer
que o Brasil vire um Irã de Jesus!?

Há políticos que não engolem a Arte Popular Orgyastica e Anarquista
brasileira e querem levar para o povo a cultura falida da idade Mydia: o
Palco Italiano por exemplo. Há exemplos de Políticos que acham que o Povo
deve ter acesso à mesma mediocridade da Cultura Enfeite que a mediocridade
Burguesa e Pequeno Burguesa produz no Mercado Cartorial da Arte Careta. E
vêem nisso uma forma de Justiça Social.

Há grande Valor Econômico na cultura das massas, que já há muito fabricam os
"finos biscoitos" oswaldianos, produzindo dinamização do Crescimento Social,
Estético e trans-humano de um Povo. Sentimentos culturais motores do desejo
desta Mudança de Era.

Não vamos marcar passo com falsas polêmicas.

Vamos direto aos Tabús.

E fazer deste ano do Dragão um ano de Grande Prosperidade da Vida Cuidada
Culturalmente, sem o chicote dos cortes e da escravidão à uma Burocracia que
se mete na área da Cultura, que quer nos escravizar, miserabilizar. Não
suporto mais esta Tirania da Burocracia que sofremos todo 1º Ano do Governo
Dilma.

Nós Artistas, nós Povo Brasileiro, temos de trazer a Revolução que os árabes
trouxeram de Volta, dando ênfase na área em que o Brasil é poderoso, rico,
brilhantes: a CULTURA Antropófaga, Mestiça, progressiva, universal. A Babel
que deu certo.

http://blogdozecelso.wordpress.com a-babel-que-deu-certo-entrevista-nao-publicada-ao-jornal-valor-economico//2012/01/26/

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Diálogos Infames



- A cantora Rita Lee deitou e rolou com os meganhas.
- O show tem que continuar...
- Chega de hipocrisia!
- Ela não é uma criança....
- Liberdade sem medo.

Diálogo de dois sujeitos, um alto e magro o outro baixo e cabeçudo. Eles se encontram em um açougue comprando carne e peixe. Depois, desentendendo-se, trocam socos e pontapés.
- O peixe é fresco?
- Pega no rabo!
- Um quilo de maminha!
- Outro dia estive com sua mãe e com seu pai, Eva e Adão...
– O quê é isso? Meu pai não éviadão, não é não. O seu é que é!
- Ave César! Ave Adão! Entendeu a piada?
- Viadão é você seu puto...
- Que pré-conceito é esse cabeçudo?
- Vou te mostrar o cabeçudo!

Diálogo de dia chuvoso em um ponto de ônibus.
- Como chove!
- Chuva pau!
- Chupo sim!

Diálogo de dois atores pintando um grande cenário de um filme sobre um andaime.
- Estive com o Fellini
- Como ele está?
- Mandou você ir tomar no cú.