ABAIXO TEXTOS - CRÍTICAS - ENSAIOS - CONTOS - ROTEIROS CURTOS - REFLEXÕES - FOTOS - DESENHOS - PINTURAS - NOTÍCIAS

Translate

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013


COMENTÁRIO DE UM CINEASTA AMIGO SOBRE MEUS FILMES NA NET.

Bravo Sette
Você sempre poeta, inventivo, criativo, remando contra a maré de uma burocracia kafkiana que tem como único objetivo dominar a arte e enforcar artistas.
Teu home theater é lindo, cheio de poesia e bom gosto. Como aprendo quando vejo cada obra tua e vc passando olímpico pelos temporais dos domadores de artistas. Obrigado por essa dádiva
Silvio Tendler
PS. Peguei carona e trouxe alguns penetras para teu cinema


Um Deus é Um Ser Revolucionário que não Pode 
Ser de Quinta Grandeza a Não Ser na Igreja do Diabo
Jose Sette
Tenho ouvido ultimamente em diferentes segmentos da sociedade, não só pelos jornais, como também por alguns amigos, jornalistas, escritores, cineastas, professores, alunos, médicos e vagabundos, em textos escritos ou falados, os maiores impropérios sobre pessoas como Brizola, Jango, Juscelino, Prestes, Getúlio, Mariguela-Lamarca, Lula-Dilma, falam de Mao a Lenine, de Fidel a Guevara e tudo aquilo que representa a vanguarda política da minha existência.  Agora o mais mal falado de todos é o dito ditador venezuelano Hugo Cháves, este bateu todos recordes do mal dizer! Falar de Chávez é invocar o diabo, satã... Caralho! São poucos os que se interessam para o que acontece de fato aquém de nossas fronteiras, do além poucos que leem os jornais sabem dizer, mas todos são geralmente mal informados e muitas vezes direcionados pelo noticiário de interesses políticos econômicos da televisão, do rádio e de toda a mídia brasileira.
Uma característica que noto em todos esses contestadores é que eles são religiosos e professam seu Deus, dentro de sua moral oculta, flutuando na sua Igreja, vociferando suas esperanças em dias melhores.  São muitos os deuses adorados e poucos os homens que sabem o que adoram.
Deuses generosos que proporcionam muitas riquezas para obter a falsa cultura do que é o melhor retirando o luxo do lixo – Essa é a verdade que sempre lhe é oferecida. Eles estarão ofuscando o seu parco conhecimento de poder consumir o pior nas sobras do grande banquete. É assim, mal alimentado, envenenado na mesa, agrointoxicado, que você obtém a licença de entrar nesse paraíso capitalista que é vendido diuturnamente pelo sistema e se sentir recompensado. É que você está acostumado a viver e a sonhar doando aos seus líderes espirituais o seu tempo- templo de adoração e muitas vezes a sua vida. Você não tem e não consegue ver – viver o futuro. Você está morto e ainda não sabe!
Meu amigo é nisso que eles se apegam! Na religião como cenáculo, templo de adoração e exorcismo, campanário do fanatismo e do terror! E você morrendo dia a dia de doenças incuráveis. Perdido em partidos e em políticos predadores, tornando-se sacerdotes e ovelhas de lobos famintos,  temente ao que não pode ser visto ou tocado, ao mistério de uma tradição que não pode discordar..
Palavras e sentimentos que em qualquer instância representam “O Ser Supremo, O Deus” – seja Ele quem for – é, no meu entender, um buraco negro e quem cair nesta lorota tem um nó na cabeça e precisa ser cuidado, ser curado e a partir daí, no desespero, vale qualquer coisa. Oh Madalena! – Se ela resistir na cultura Oriental, Ocidental ou Acidental, na explosão de tanta informação truncada, mentirosa, enganadora, esses deuses nascerão mortos ou estarão morrendo porque renasce na civilização o matriarcado novamente das Amazonas – Amaxon! E o mundo resistirá aos tiranos.
Faz parte da natureza fraca do homem destruir os seus mitos que já duraram muito e elevar-se dando o próximo passo revolucionário no universo em direção de si mesmo.
Uma força que se quer universal, ilimitada, absoluta, não pode ser contida em um frasco, pois explode lâmpadas, derruba paredes, destrói cidades e castelos, afunda continentes e divide os mares. Uma força como esta não pode ter limites, muito menos na terra, pois ela esgarça o espaço conhecido, rompe todas as fronteiras do cosmo, das galáxias de luz revela o oculto negro da solidão, e faz brilhar a maior de todas as estrelas que é mais luminosa quase 10 milhões de vezes do que o Sol e reina impávida Nesse conto, o Diabo funda uma Igreja e consegue obter adeptos e ouvintes todos os dias. Então, segundo as leis do Diabo, o mais importante na vida é promover prazeres de todos os tipos e não e preciso ter éticas nos negócios e nem tao popuco na política. Havendo condições para ganhar, mesmo que seja de forma desonesta, para a tal Igreja isso e que era válido.Também não seria preciso ajudar os outros ou então preocupar-se com os amigos e familiares. Que cada um cuide de si, diziam os padres da Igreja do Diabo. Com o andar do tempo, por mais apegados que os crentes estivessem no novo credo, as pessoas começaram a não acatar as tais leis. Às escondidas passaram esmolar aos mais pobres, e escutavam com certa atenção e cuidado os lamentos dos conhecidos e ofereciam os seus préstimos e amizade. Também os casados evitavam trair seus parceiros e os comerciantes e políticos honravam seus compromissos, mesmo que declarassem seguir à risca a hedonista lei do Diabo. Realmente o que Machado de Assis nos revela, é que todas as pessoas têm duas facetas e posições. Podemos ser amorosos com alguns e zangados com outros; honestos em certas circunstancias e ludibriar em outros aspectos. Qualquer que seja a lei, portanto, jamais se poderá compreender essa disparidade do ser humano. A lei escolhe um lado da oposição como certo e o outro como sendo errado, e isto demonstra que o nosso coração possui sempre dois aspectos antagônicos.

 Eu tinha 16 anos quando fui apresentado ao poeta Arthur Rimbaud e li o seu livro . Une Saison en Enfer - Uma Temporada no Inferno ou ainda Uma Estação no Inferno. Um poema extenso e extraordinário que influenciou artistas e poetas, em todas as épocas, pelo mundo afora.  Só algum tempo depois fui saber de sua história. Do seu romance com Verlaine e da sua investida na Comuna de Paris.

Você sabe o que foi a Comuna de Paris?
“Os teóricos que reconstituem a história deste movimento, colocando-se do ponto de vista omnisciente de Deus que caracterizava o romance clássico, mostram sem dificuldade que a Comuna estaria objetivamente condenada, que não teria superação possível. Mas para os que viveram o acontecimento, a superação estava ali. A guerra social de que a Comuna constitui um momento continua sempre (por muito que tenham mudado algumas condições superficiais). Sobre o trabalho de tornar conscientes as tendências inconscientes da Comuna” (Engels) ainda não foi dita a última palavra.” Apesar do curto período de existência, de março a maio de 1871, a Comuna de Paris inspirou um romance de Émile Zola (La Débacle, 1892), filmes de Grigori Kozintsev e Peter Watkins, e várias análises propostas por pensadores socialistas, a começar por A Guerra Civil na França, de Karl Marx, sobre o que o curto sucesso e o estrondoso fracasso da Comuna têm a ensinar aos muitos, sobre como reorganizar a sociedade.De fato, a única correção que Marx e Engels fizeram ao Manifesto Comunista brotou de lição da Comuna, a qual, escreveram eles, demonstrara que “a classe trabalhadora não pode apenas ocupar a máquina já existente do Estado para usá-la para seus próprios objetivos. A narrativa da Comuna tornou-se profundamente ideologizada, depois que as tropas da 3ª República francesa a esmagaram, ainda furiosas pela derrota da França na guerra franco-prussiana e pelo acordo punitivo de janeiro de 1871. A palavra “comuna” sugere “comunismo”, mas já era usada para designar o conselho da cidade, como autoridade local autônoma. A denominação tem raízes na Revolução Francesa, e já houvera uma comuna de Paris entre 1789 e 1795, a qual, sob controle dos jacobinos, recusara-se a obedecer ordens do governo central depois de 1792. A Comuna de 1871 aconteceu depois de Paris ter sido sitiada pelos prussianos, cerco que começou em setembro de 1870, depois do colapso do Segundo Império de Napoleão III. Preparando para o ataque iminente, a Guarda Nacional Francesa foi aberta para a classe trabalhadora parisiense, que elegeu seus próprios líderes do Comitê Central da Guarda. Muitos desses líderes eram radicais, republicanos ou socialistas jacobinos, sobretudo no norte, os mesmos que, adiante, tornaram-se líderes da Comuna.Essa guarda parisiense destinava-se a defender a cidade contra a invasão prussiana e pela restauração da monarquia, sobretudo depois que, nas eleições para a Assembleia Nacional, em fevereiro de 1871, os monarquistas perderam a maioria. Cada dia mais radical, a Guarda Nacional parisiense acumulou armamento pesado; até que, no dia 18/3/1871, Adolphe Thiers, eleito recentemente “Autoridade Executiva” do novo governo, e temeroso das consequências de a municipalidade em Paris estar tão pesadamente armada, ordenou que os soldados confiscassem toda a munição que havia em Montmartre. Os parisienses revoltaram-se; dois generais foram assassinados; Thiers recolheu-se, com todo o gabinete administrativo, para o Palácio de Versailles, deixando um vácuo de poder, que foi rapidamente preenchido pelo Comitê Central da Guarda Nacional parisiense. A Comuna nasceu sitiada, o que tornou absolutamente urgente e necessário distribuir comida, dinheiro e armas entre os communards; nasceu também constituída de trabalhadores; e a constituição operária do Comitê Central da Comuna de Paris tornou-o excepcionalmente interessante para Marx e seus seguidores. Embora separasse estado e igreja; tenha cancelado aluguéis a pagar durante o sítio; tenha abolido o trabalho noturno nas padarias e todos os tipos de juros sobre dívidas; e admitisse que os operários ocupassem lojas e fábricas abandonadas, a Comuna nunca foi formalmente socialista – as ideias de Marx ainda não haviam penetrado na esquerda francesa; e, em 1871, os teóricos utopistas, como Charles Fourier, já haviam saído de moda. Louis-Auguste Blanqui – que tentara assumir o poder em outubro de 1870; que viu seu projeto sobreviver apenas 12 horas; e que foi preso um dia antes de as tropas chegarem a Montmartre para desarmar a guarnição local – era, então, ainda, o pensador mais influente. Por isso os Communards fizeram várias tentativas para libertá-lo, tentando uma troca de prisioneiros: Blanqui, em troca de padres que os Communards tomavam como reféns. Thiers rejeitou todas as propostas. Mas eram poucos, entre os Communards, os que partilhavam o desejo blanquista de implantar uma ditadura do proletariado; a maioria tendia a eleger membros para o Comitê e o novo Conselho Executivo. Para Lissagaray, o principal problema parecia ser a falta de ideologia e de organização. As eleições elegeram radicais, moderados e conservadores, e não havia qualquer linha partidária por trás da atividade da Comuna; os líderes consumiam tempo preciso em infindáveis discussões, quando o mais urgente seria agir contra a mobilização dos soldados de Thiers em Versailles. Lissagaray aponta, logo à primeira página, para a divisão insuperável entre a esquerda radical e a esquerda parlamentar (a esquerda parlamentar já aliada, de fato, a Thiers).  A desunião tornar-se-ia afinal pública, entre o Comitê Central e o Conselho Executivo da Comuna; separação provocada, pelo menos em parte, por o Comitê não se decidir a assumir o controle sobre Banco da França. “Naqueles cofres (...) há 4,6 milhões de francos” – Lissagaray lamenta –, “mas as chaves estão em Versailles; e, dada a tendência do movimento para conciliar-se com os prefeitos [delegados Varlin e Jourde, do Comitê Central da Comuna], ninguém se atreve a arrombar os ferrolhos e fechaduras.” Essa decisão tornou-se a mais amplamente criticada em todas as histórias que se escreveram depois. Foi bem claramente a decisão, considerada isoladamente, que Lissagaray mais profundamente lamenta. Escreveu que o governo da Comuna optou por “submeter-se ao Banco da França”, opção que potencializou o fracasso mais amplo de só fazer aprovar “legislação insignificante (...), sem plano militar, sem programa (...), deixando-se arrastar em discussões em que nada se decide e a partir das quais nada se faz.” O caos assim gerado – que se percebe no tom de absoluta urgência que há no texto de Lissagaray e, até, na dificuldade que o leitor encontrará, ainda hoje, para compreender e acompanhar as rápidas modificações na estrutura da Comuna – levou à ditadura. Em pouco tempo, um novo Comitê de Segurança Pública Soon sobrepujou o Conselho, que cometeu o erro de não admitir que o povo participasse de suas reuniões, o que gerou a imagem de que seria paranoico e antidemocrático; e assumiu a responsabilidade pela defesa de Paris. Daí em diante, a Comuna ficou à mercê dos líderes militares, cuja negligência e insuficiente competência tática – sobretudo ao instalar barricadas, já tornadas inúteis depois que o Barão Haussmann reformara Paris nos anos 1860s – a condenaram à derrota. A retaliação foi violenta: 3.000 parisienses mortos ou feridos nas batalhas de maio de 1871; e Lissagaray estima que cerca de 20 mil morreram até meados de junho – três mil a mais do que admitidos pela justiça militar do governo. Muitos mais foram presos, na França e nas colônias; só foram anistiados em julho de 1880. Os Situacionistas Guy Debord, Attila Kotányi e Raoul Vaneigem, em suas Teses sobre a Comuna de Paris[4] publicadas em março de 1962, procuraram separar a experiência da Comuna, de tentativas anteriores, para inferir dela uma teoria de como poderia funcionar uma ditadura do proletariado.                                                                                                      
Membros da Comuna sendo executados sumariamente                                    
  Escreveram que “A Comuna de Paris foi vencida menos pela força das armas que pela força do hábito. O exemplo prático mais escandaloso foi a recusa em recorrer ao canhão para tomar o Banco de França, quando o dinheiro fazia tanta falta. Enquanto durou o poder da Comuna, a banca permaneceu como um enclave em Paris, defendida por algumas espingardas e pelo mito da propriedade e do roubo. Os restantes hábitos ideológicos foram desastrosos sob todos os pontos de vista (a ressurreição do jacobinismo, a estratégia derrotista das barricadas em memória de 48, etc.)” Escreveram que “Há que retomar o estudo do movimento operário clássico de uma forma desenfeudada e em primeiro lugar desenfeudada das diversas classes de herdeiros políticos ou pseudo-teóricos, pois não possuem mais que a herança do seu fracasso. Os êxitos aparentes deste movimento são os seus fracassos fundamentais (o reformismo ou a instalação no poder de uma burocracia estatal) e os seus fracassos (a Comuna ou a revolta das Astúrias) são até agora os seus êxitos abertos, para nós e para o futuro” Talvez cada geração, posta ante diferentes crises do capitalismo, que as gerações anteriores não conheceram, identifique diferentes lições na Comuna (...)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Crítica Poética


A respeito do público que assistiu ao meu filme AMAXON e não entendeu ou não o respeitou, lembrei-me do Cão de Charles Baudelaire e do Inferno anárquico de Rimbaud... em resposta:
                                                                                             O Cão e o Frasco
Charles Baudelaire - Pequenos Poemas em Prosa

- Meu lindo cachorro, meu bom cão, querido totó! Aproxime-se, venha respirar um excelente perfume comprado na casa do melhor perfumista da cidade.
E o cão, sacudindo a cauda, o que me parece ser, nesses pobres seres, um sinal correspondente à gargalhada e ao sorriso, aproxima-se e pousa curiosamente o focinho no frasco aberto. Mas depois, recuando bruscamente, assustado, late contra mim, à guisa de censura.
- Ah! miserável cão, se eu lhe tivesse oferecido um punhado de excremento, você ofarejaria com delícia e talvez o devorasse. Até você, indigno companheiro de minha vida triste, se parece com o público, ao qual nunca se devem apresentar perfumes delicados que o exasperem, mas sujeiras cuidadosamente escolhidas.

Uma Estação no Inferno                                                          Artur Rimbaud

Antigamente, se bem me lembro, minha vida era um festim no qual todos os corações exultavam, no qual corriam todos os vinhos.

Uma noite, sentei a Beleza em meus joelhos. - E achei-a amarga. - E injuriei-a.

Armei-me contra a justiça.

Fugi. Ó feiticeiras. ó miséria, ó ódio, a vós é que foi confiado o meu tesouro!

Tudo fiz para que se desvanecesse em meu espírito a esperança humana.

Como um animal feroz, investi cegamente contra a alegria para estrangulá-la.

Conjurei os verdugos para morder, na minha agonia, a culatra de seus fuzis.

Conjurei as pragas, para afogar-me na areia, no sangue. Fiz da desgraça a minha divindade. Refocilei na lama. Enxuguei-me ao ar do crime. E preguei boas peças à loucura.

E a primavera trouxe-me o horrível gargalhar do idiota. Ora, por último, chegando a ponto de quase fazer o trejeito final, sonhei encontrar a chave do festim antigo, no qual talvez recobraria o apetite.

A caridade é essa chave. - Esta inspiração prova que tenho sonhado!

"Sempre serás hiena, etc..." exclama o demônio que me coroou de tão amáveis papoulas. "Vence a morte com todos os teus apetites, com todo o teu egoísmo e todos os pecados capitais".

Ah! estou farto de tudo isso:  - Mas, querido Satã, eu te conjuro a que não me fites com pupila tão irritada! e à espera das pequenas covardias atrasadas, para vós outros que admirais no escritor a ausência das faculdades descritivas ou pedagógicas, para vós arranco algumas hediondas páginas do meu caderno de condenado.

 

FOTO DE VIAGEM

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

ADIVINHE QUEM É ?...


ROGÉRIO SGANZERLA _ O PRESIDENTE ALMEIDA SALES _ PAULO CESAR SARACENI _ JOSE SETTE   EM SÃO PAULO - LA PELOS IDOS DE 1976. ( Os outros dois eu não me lembro quem são).

POESIA DE PESO

GRANDE. MERECE ESTAR NO KYNOMA - FORTE ABRAÇO, LCDBARROS

Poema da Noite

Estão remixando o fascismo 

Tavinho Paes

o primeiro papa do século 21
vestiu o uniforme nazista
e atuou na retaguarda
dos exércitos do 3º Reich
que invadiram a pátria do papa
que ele substituiu
e manteve vivo às caneladas
por mais de duas décadas
enquanto sua maçonaria centenária
apossava-se dos cargos-chave
da burocracia eclesiástica
preparando-se para enfrentar
os exércitos do islão desembestado
numa nova guerra fanática

estão remixando o fascismo
como DJs remixam músicas antigas
em suas maquininhas
tecnológicamente corretas
em noites de raves azougueadas
preparadas para as quarentenas
das futuras epidemias anunciadas

enquanto os tribunais puritanos
preparam a nova inquisição
sob a aparente calmaria política
e a total paralisia das vanguardas
num mundo sem utopias
e cheio de ideologias vagas
um novo fascismo
está sendo cultivado pelos pamonhas
como o ôvo de uma serpente
chocado num ninho de cegonhas

os novos infames agem nas sombras
instalando seus exércitos de imbecis
nos sub-escalões da administração pública
nos meios artísticos
nas redações dos jornais...

são batalhões de idiotas
infiltrados em todos os lugares
para evitar que algo fora do anunciado
possa quebrar o protocolo
são reacionários preparados
para engessar processos criativos
interromper reformas estruturais
impedir o tráfego de informações novas
evitar qualquer processo revolucionário

graças à segmentação do trabalho
e ao monitoramento da informação midiatizada
estes monstros estão camuflados na sociedade
como camaleões esfomeados
capazes de pequenas audácias

muitos sequer desconfiam
que estão sendo recrutados
ou tratados como cobaias
e não é raro flagrar alguém de esquerda
defendendo teses da direita
bebericando stolichnaya

vários agentes do novo fascismo
estão orbitando em torno de gente famosa
paparicando pessoas endinheiradas
como cortesãos de segunda classe
acreditando absorver por osmose
características dos seus senhores
sobrevivendo numa pseudocorte
de uma Maria Antonieta restaurada
amealhando sobras de brioches
e aguardando o momento exato
para afiarem a guilhotina
e se apossarem dos brincos
da cabeça cortada

por conta da vaidade narcisista
acreditam-se simpáticos
e merecedores de atenção
embora sejam insolentes
e donos de princípios éticos
de baixíssimo calão

avaliam e selecionam as pessoas
pelo saldo na conta bancária
pela aparência, pelo status-quo
adoram ser porteiros de alas vips
distribuindo pulserias seletivas
aos acessos de áreas de exclusão
onde empresas pagam a conta do porre
e alugam o lazer e o ócio
de quem não é mais capaz
de expressar nenhuma opinião

estes vampiros laicos
trabalham em barricadas e trincheiras
protegendo seus escolhidos
do assédio de quem quer que seja
estabelecendo um feudo
do qual são porteiros
...e carcereiros!

quando estabelecidos em gabinetes e palácios
filtram informações, agem como censores
tirando proveitos pessoais
dos segrêdos, boatos e fuxicos
que interceptam e promovem aos cochichos

como cupins num compensado
espalham-se para todos os lados
rezando a missa ao contrário
em nome do padre
do espírito santo
opus-dei, amém

estes pilantras disciplinados
sentem-se à vontade
para falar de deus
fazendo a faxina dos demônios
como a que, nos balcãs
ameaçavam os seus

as celebridades que estão na moda
não passam de sub-lideranças úteis
manipuladas em suas vaidades fúteis
como marionetes travestidas de artistas
sustentadas e pagas pelos gestores do capital
e sua máquina publicitária global
garantindo-lhes a visibilidade
em troca de energia vital

para passarem as tropas em revista
e manterem sob controle
os mal-sucedidos e os arrivistas
nazistas batidos nas fronteiras
ganharam a batalha
50 anos depois da derrota capitulada
unificando a moeda européia na marra
com parâmetros do marco alemão
conquistando por dentro
todos os estados europeus
evitando os assaltos
das divisões armadas

posando de bem-feitores da humanidade
novos fascistas estão indo à luta
em meio à era da política corrupta
aceitando provisórias lideranças farjutas
como à Cristo, um dia, Judas aceitou
até chegar o momento propício
para trair seu comando fictício
e o derrubar com escândalos políticos

estão remixando o fascismo
como DJs de boates gays
remixam músicas do passado
e, desta vez, até você que era contra
se não estiver atento e não tomar cuidado
pode sentir-se atraído e fascinado
pela reinvenção do estado
num mundo cibernético
e celibatário

mesmo os judeus mais ortodoxos
que sobreviveram com remorsos de seus mortos
estão com seus interesses financeiros
comprometidos no mercado dos capitais voláteis
e do jeito que este mundo está indo
assimilarão o novo modelo recauchutado
e decerto participarão dos seus resultados

estão remixando o fascismo
na cara de todo mundo
com um cinismo descarado
que se sustenta às custas da apatia
das ideologias sem doutrina
evaporadas como éter na cirurgia
de um passado enterrado num porre de vodka
entre as cinzas da glasnost e da perestroika

estão remixando o fascismo
e, desta vez, você não vai poder
escolher o lado nem os adversários
desta vez: a repetição da história como farsa
trabalhada pelos publicitários
será um excepcional conto do vigário!

Tavinho Paes é poeta e compositor. Como poeta publicou mais de 100 títulos em edições independentes. Fez parte da chamada "geração mimeógrafo" dos anos 70. Como compositor, assina letras de mais de 200 músicas gravadas por artistas como Caetano Veloso, Gal Costa, Bethânia, Marina Lima, Marisa Monte, Gilberto Gil, Lobão, Rita Lee, Ney Matogrosso. Foi editor de O Pasquim e Rio Capital. Tavinho é um poeta multimídia, tem mais de 10 canais ativos na web e figura emblemática da cena poética do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

FILMES FESTIVAL


 ATENÇÃO PARA OS 12 NOVOS FILMES (Brasileiros) DO FESTIVAL YOUTUBE

1 Documentário Josué de Castro - Cidadão do Mundo (1994) por Silvio Tendler

2 lampiao.e.maria.bonita com Nelson Xavier por Paulo Afonso Grisolli


 3 Pixote (1981) Hector Babenco
 

4 O Bandido da Luz Vermelha por Rogério Sganzerla

 http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=UfUpwNO0KCg&list=PL9CBB5A6C86BEA452

 

5 Terra em Transe por Glauber Rocha

 
6 Amarelo Manga por Claudio Assis

 7 O Baile Perfumado por Lírio Ferreira
 8 Garrincha - Alegria do Povo por Joaquim Pedro
 9 O Desafio por Paulo Cezar Saraceni

 
10 A IDADE DA TERRA por Glauber Rocha


11 Ganga Bruta por Humberto Mauro

 
12  Dias de Nietzsche em Turim por Julio Bressane

domingo, 6 de janeiro de 2013

FESTIVAL DE FILMES DO YOUTUBE VOTE OU ESCOLHA O SEU PREFERIDO - São 64 filmes escolhidos que serão postados aqui - A ESCOLHA É SUA

1 "Eclipse Total" - Rimbaud e Verlaine 


2 SODOMA E GOMORRA por Robert Aldrich


                                                                              3 Moby Dick (1956) com Gregory Peck por John Huston

http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=8jhj9KfIghw


 4 Satyricon "Federico Fellini" 1969

5 Barbarella (1968) com Jane Fonda por Roger Vadin

6 O Retorno de Frank James (1940) com Henry Fonda por Fritz Lang

7 O Matador (1950) com Gregory Peck por Henry King


8 1984 (1956) - com Edmond O'Brien por Michael Aderson


9 O Ataque Vem do Polo (1957) por Fred Sears


 

10 A Invasão Secreta (1964) com Stewart Granger por Roger Corman

11 O Planeta dos Vampiros (1965) com  Norma Benguel


12 Armadilha do Destino (1966) de Roman Polansky