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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

lagoa de araruama - celular - hoje no final do dia
Gazua Poética

O músico-poeta José Vieira, embora não seja Antônio, traz, tanto na música quanto nas afiadas e ocultas imagens poéticas perdidas no espaço-tempo de cada um de nós, o entendimento que domina o sentimento da língua-mãe em apenas três linhas (o quanto couber nestas três linha – velho Rui – Alma velha... idade do tempo... infinito instante... oriental cabeça – haicai! – trinca – bateu.


Alma que de tão velha não poderia ser minha
Marcada em cada vazio pela idade do tempo
Chorando o infinito instante de uma saudade só

José Vieira

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Poesia

SOLIPSISMO
Mais um ano chega ao fim.
A sociedade se entrega ao delírio do nada
Tudo é motivo de festa – até a hipocrisia comemora-se
E no FIM
Nada disso importa nós estamos condenados
A viver, ano após ano, escravos de um sistema ultrapassado
Corrompido na sua base de sustentação – a educação
A busca sem fim do saber, do ser perfeito
Da felicidade de ser livre para pensar e agir como um deus
Viajando no universo da imaginação
Rompendo os espaços paralelos
Esticando e encolhendo os limites do tempo
Navegando em si mesmo
Recompondo a imagem no sextante
Olhando as estrela no cérebro
Compreendendo o que não se pode ver
Vendo o inextricável ser
Lendo todos os livros da biblioteca de Borges
Revendo os inesquecíveis filmes
Fazendo cinema
E no FIM
Compreender que outros anos se passaram
Amigos partiram e inimigos ficaram
Apertam-se os torniquetes econômicos
Mais um ano sem trabalho
O que eu posso comemorar é o que não se compra
A minha liberdade é o seu presente
A arte e o estado criativo é a consagração
Não consigo ver o mundo de outra maneira
E no FIM
Sobra o caroço
O osso
O pão nosso de cada dia...
Nada
Assim mesmo devo ser feliz
Tanta fome e tanta miséria ao meu redor
Não passo fome mas às vezes eu perco o apetite
Tenho costume de não jogar nada fora
Não se joga nada fora
Tudo fica aqui mesmo
Como sempre foi
O mundo gira
Os cachorros ladram
A caravana passa
E no FIM
Desamparo
Abandono
SOLIDÃO

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Do nosso cineasta colaborador


GIRANDO EM UM PEQUENO DESLIZE
Fábio Carvalho

Não fui eu que fiz.
Domínio público

O baterista é histriônico. E como toca. Vou ver qual é a deste baixista. Antes de cara a impressão era boa. Não posso me esquecer da filha do Viana. Como descobrir esta música sem utilizar os claros atalhos que me soam aleatoriamente sem concessão descendo pelo corrimão e ainda encontrando a evolução do plano na cabeça daquela correnteza. Ciências exatas. Tenho que terminar este líquido e tudo mais hoje. Finda a noite, amanhã é outro dia. Se bem que começo a entender que a noite pode continuar até amanhã. Se é que vale a pena, depende desta voz. Que é boa. Várias possibilidades se apresentam. Cada uma melhor que a outra. Mas é ela a melhor. Essa mesma aí bem visível, e como canta sem letra. Só dá ela. Quando vou chegar vendo-a linda dançando nua. Nunca ou talvez já sabendo, vejo através da janela desta limousine insuportável. A dália negra. Nem acredito no que tenho chance de ver com cheiro, som e balanço.Toda para mim. Me foi dada, que privilégio tenho tido. Também nunca cri. Quero poder aprender mais. É sim. Vamos lá atrás desta mesma melodia aprimorada. A emoção musical que ficou. Lhe diz logo em surdina com o vento da madrugada. Todas as suas luzes que não posso esquecer mesmo querendo. Ainda como chegar a nenhum dia. Deve caber aí mais uma vez uma interrogação. Nossa ela voltou e cantou. Como a deformação me impele a só nas horas vagas pensar em CINEMA, alguns anos depois do meu professor RICARDO MIRANDA ter me aplicado da MAIA DEREN, tenho visto repetidas vezes os filmes dela na internet. Descobri sem saber dizer por que, que ela é a única cineasta mulher que verdadeiramente gosto. Não me lembro de outra. Ou seja, estou ferrado. Já sabia. Como esquecer o inesquecível. Esta chuva me trás alguma falta daquela corda do violão arrebentada sem ser ainda reposta por mim. Eu nunca toquei nela a corda rebenta. Quero um dia poder tocá-la, para isto preciso amarrá-la. Deixa a índia criar seu curumim. O recebimento do e-mail do ALAIN BISGODOFU, me trouxe novamente para O MONGE DEVASSO, bom sinal para a inspiração chuvosa nesta sexta-feira antes da meia noite. Que venha. Não tenho mais como correr da ariana lição tentadora que me aguarda: OS CARRASCOS TAMBÉM MORREM. Não sei por que falo só dentro de mim.Vou tentar pensar nos outros. Apenas uma piada. Estou aqui a aumentar a frase para aportuguesar a prosa que anda resoluta demais e repleta de lições curtas, inúteis e bastante desprezíveis no momento que o relógio traduz. A hora é esta. Meu caro. Que faremos CAROLINO amigo? A noite vai ser boa. Na onda sonora ela surge bem branquinha com os cabelos pretos, lisos e desalinhados num corte moderno fora de moda, inesperadamente linda cantando águas DE MARÇO em francês, très sensual, sem defeitos aparentes. Bonita. Talvez bonita demais. Abre a janela. Bel prazer. Flor morena que mora no jardim, logo ali ao lado. Desejo te ver já vendo, e vendo bem, enquadrando de maneira inteiramente original só para te agradar. LANG e BRECHT. Noite alta é meu dia. Que dupla. A jardineira da floresta. A ANTA. Não falem desta mulher perto da mim. Para não lembrar da minha cor. Em homenagem ao meu longo périplo sem farol. Vou mantê-las longe errando no baixo acústico, e ainda tendo à carregá-lo. Ou não. Bom para divagar sem o guada-chuva, nem a sombrinha que desapareceu como nasceu, para ser perdida. Tenho aos poucos detestado o Surrealismo. A tendência sempre foi e é da boca para fora, detestar tudo de que me aproximo, é triste e tem sido. El Cid. Gosto com distância de pensar assim. Vi uma barriga hoje, nunca assim vista por mim, como vinha um homem era pontuda e a mãe jovem bonita e magra, me disse o quanto lhe faltavam posições, naquela etapa gerativa. Sonhei conseguir imaginar. Mas é claro, pensei em outras coisas neste momento. Imaginativo como nem me lembrava desde ontem. Aconteceu na mercearia do português. Ela comprou leguminosas. E ainda me disse que o tomate é uma fruta. Nunca pude imaginar tal verdade. O instrumento é difícil, mas a forma é minha. Por enquanto. A luz da manhã. Voltou a chover, não saio mais, desconfio que há uma vida me rondando aqui mesmo, pelo menos até amanhã com a procura do encontro com a minha bela frase perdida. Enfim conquistamos os desertos. Logo com ela mesma. Parece que é a primeira vez com a tensão dos caminhos conhecidos. Fica como se fosse melhor. Apenas para chover. Tantos cigarros e quantas cachaças na minha vista. Sem catarata. Chega! Finalmente cheguei a esta palavra e a esta exclamação. E hoje como continuar? Não termino mais com interrogações. Passei destas curvas, vou estudar esta nova condição para arriscar de novo como dedilhá-la, parece que para achar sua trilha pelo faro é só e apenas voltar para dentro, descobrir as entranhas entre as camadas das ondas e das espumas, suas páginas sobrepostas rosas e avermelhadas na medida do andamento interior. Molhada e quente. Esquecendo os pareceres e a pedra do muro. Peço para mim alguma perícia, sob o sol do maracujá. Levo sempre pelo ar da viagem a dúvida companheira e gostosa. Com fome sem bula.

sábado, 17 de dezembro de 2011

ARQUÉTIPOS FUTUROS

Por uma rebeldia sem ideologia


Por uma juventude sem causa

Por uma geração sem mácula


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Memória a dois

1966

Comerciantes fecham as portas e homens de ternos e
gravatas perseguem estudantes nas ruas do centro de
Belo Horizonte. Minas Gerais
Nesta arena em que se transformou a vida nacional, os
padres dominicanos, a igreja dos pobres e da renovação
política, nas capelas, onde velas acesas, presos apagados
e freiras comedidas se cruzam e se agitam nas ondas
revolucionárias da criação de um novo partido - os
trabalhadores da fé - o povo humilde reza o bandido.
O neonazista, torturador, profissional liberal, nascido da
miséria mental de uma burguesia moralista e mesquinha,
escondido como um rato nos ninhos sujos e
abandonados nos quartéis espalhado pelo território
nacional, mata, trucida com choque elétrico, porrada e
empalamento, os heróis da pátria. Onde foi parar a
educação, a cultura, a tradição de liberdade e cordialidade
do povo brasileiro? Por onde se perdeu a identidade secreta
das Gerais? Quantos desejam e tecem esta rede danada,
enquanto a arte sagrada de um povo é esquecida?
Pelos palácios esta infâmia vida se não se esquece
vira piada na boca suja de um governante corrupto.
Liberdade! Que merda é qque fizeram com você?
Foges da minha vista... Nunca mais quer me ver?

Não tenho mais tempo!

Filme: Terra em Transe - Glauber Rocha

Neste janeiro de 1969 acontece o que todos previam: O Império mostra suas garras e os ratos saem pelos esgotos. Comemora-se com um ato fálico a vitoria em honra da burguesia - Não sei se é a festa que compõem o fato ou se é o fogo que constrói o fôlego - mas é o ato do fato que retrata o fogo da sociedade folgazona e boçal que usurparam o poder. A fera das américas está de volta, solta nos homens do ditador presidente, matéria fósmea - fodam-se - vamos a guerra revolucionária pela fome endêmica dos incautos na terra de Santa Cruz. Antônio das Mortes, de norte a sul um só povo, uma mesma língua - doente - indigentes - pobre - um banquete de mendigos num bangue-bangue de canalhas. De uma nação rica e nobre só restou miséria, indignação, escravidão e fome. 69 é o pão com mortandela no circo dos horrores. Nos pênaltis sofremos sôfregos soluços em jogo de bola - copa do mundo - identidade de um povo torturado pelo milagre . No carnaval o futebol deixa Brasília desesperada. O poder assume a propriedade das origens das famílias e dos colonos. A revolução agrária e todas outras reformas de base, do povo, transformaram-se no templo do nada. O brasileiro é um pobre sonhador que acordou derrotado pelas manhãs frias de um abril sem fim. Dia da mentira. Retrocedemos. Perdemos tudo sem um só tiro de morteiro na estupidez culta de um escritor burguês e na inteligência estúpida de alguns políticos oportunistas. A UDN que liderou essa bossa nova autofágica, deu-nos um golpe quase mortal e por tantos mortos apresentados fará a lenda tardar a se consumir. Hoje, imprime-se a realidade. Pobre imprensa, todo dia do Correio da Manhã o pais se esgota censurado no Jornal do Brasil - Inteligência militar - cultura de importação made América do Norte, um tiro de canhão, muita boçalidade, luta de espada, ungida com muita merda, hoje são as metas nacionais. 1969 - O país só é grande com a bola no pé. No Rio da praia ou em São Paulo do café, Pelé faz o gol, joga-se o certo com a alegria do pobre que dura pouco, forma-se um rei - Um rei da vela - Alienígena e genial João, Coltrane, Gilberto, Rosa, Cabral, equilibrando-se ao lado do AMOR SUPREMO, do eterno silêncio entre duas notas. A música faz o resto. Viajando nos poemas dedicados à Alice - descobrirmos o paraíso. E o Brasil sai perdendo sem Pixinguinha, Noel, Clementina, Mário Reis, Lupicínio, João do Rio, Machado, Augusto, Oswald, Goeldi, Stradelli, Nunes, Villa, Mauro, Peixoto, Euclides, Silva Ramos. Enlouquecido no ar - viajando no cometa - Jimi e Joplim - Oh! Divina Comédia - Augusto Conte - pálida dialética positivista da qual Rousseau é seguidor - Mestre Guilhotine e a revolução – Quero morar em Paris - Artaud, Baudelaire, Mallarmé - chega de ser o alimento do predador! Vocês não sabem do risco que me fizeram sofrer! Não nasci para ser herói – Cuidado: Este texto poderá me levar aos porões do capitão Leite no Dops da Avenida Afonso Pena...


quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

As garotas sax do nosso colaborador que cria no seu texto pontilhado solenemente os sons de uma pauta musical

SÓCRATES COMO EPÍGRAFE
Fábio Carvalho

As pessoas que amam a música são absurdamente irracionais.
Gostariam que todos ficassem perfeitamente calados justamente
quando gostaríamos de ser absolutamente surdos.
Oscar Wilde



De novo olhar estes seus olhos me faz voltar a mim. Não é fácil. Basta aprender sambar dobrado. Como você escreve o que já escreveu? Sou eu tocando neste teclado com um domínio violento e carinhoso além de mim. Ave Maria Nossa Senhora. O BARBEIRO DE NITÉROI. Ah! Helena do Almirante, linda flor de Cascadura, juro pela falsidade das mulheres, que faço tudo o que quiseres. Por ti serei poeta e trovador. Apenas uma exclamação já basta. Então foi assim. E agora por onde ir nesta região do Rio que conhecia tão bem, no entanto esqueci. Considerando que ninguém ouviu A NOIVA DO CONDUTOR, muito menos eu, vou resolver a questão deste filme de uma maneira musical sem ficar contanto historinhas para as criancinhas dormirem. Elas que pelo direito mereciam já estar dormindo, bem acomodadas, sonhando em conjunto com todas as outras adultas reunidas nesta acolhedora embarcação solta no mar. Participando ativamente do sono do crescimento salutar. Juntos até jamais. Não quero fazer parte desta e nem de outra rede contrária ao horário da infância, ou melhor, para não perder o fio da meada, que se dane a nossa vizinhança, considerando todo tempo do mundo que já acabou. Acolá ao soar desta clarineta, good lucky my baby, ela pôs meu prato. Night blue. Belo espaguete à putanesca com mangericão. Da Rússia ou da Prússia, pode ser a pergunta e no espaço está havendo alguma invasão, como você continua depois de uma vírgula? Refiro-me àquilo que eu já tinha escrito, ou podemos começar a pensar. Mais uma vez sem saber por que falo no plural. Esses os modernistas que se explodam, eu também, ainda para tudo aceitamos que devemos justificações. Temos que conceder. É uma pergunta. Coloco ponto ou interrogação? Existe o ponto e vírgula, como todos sabemos. Aonde posso usá-lo? Não quero e não aceito. Nem me permito repetir. E ainda tenho que perguntar: para quê? Tenho exasperado para me conter. Chega a ser até fácil com esta cantora cantando esta música. Não devemos dar uma parada tão profunda quanto a do ponto e vírgula, ela disse. Novamente no plural. Ela vai tomar banho, fico só imaginando o que é uma boa para a hora. De novo. Logo ela. A imagem. O cinema brasileiro está tão ruim que só pode melhorar. Pior impossível. Mandou o ROGÉRIO SGANZERLA, há muito para hoje em dia. Quem sabe até o amanhã. Copacabana meu amor. Tudo é importante. A metafísica do bar. Uma serena paciência, que figurava extraordinária exalando deste presidente gênio: ALMEIDA SALES. No paraíso o tempo não corria, e o homem nasceu para viver na eternidade. Disse ele. Todos sempre soubemos, mas tivemos que nos adequar, não encontramos como fugir. Até amanhã sei me livrar do perigo, o pior é que o sol já está nascendo. Como chegar ao samba na sua mais ampla tradução? As lágrimas candentes caíram sobre a sua bela liberdade. De quem, mais uma pergunta sem resposta. Cantantes como o duo feminino quando ali se apresentava naquela inadequação. O submarino está demais. Vou ver se me lembro o que ia escrever. Variadas distrações agradáveis me distraíram e desviaram a minha flecha certeira que lancei naquela recepção. Daqui a pouco acerto ou pelo menos tento. De dentro dos meus olhos e da evolução do fogo nesta aparente paz dominical, enquanto as meninas conversam lá embaixo, vislumbro que almoçar é o melhor a fazer. Vamos ver se ela dá a reabilitação a partir daí. Sonho de mulher. A subida daquela fugidia imaginação fez escurecer aquela tarde que ainda era clara, nada mais que o inconfundível despertar da loucura. Como um homem sobrevive? Não houve nenhuma palavra. Veio o temporal.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

POESIA

Gozo


Esta luz de néon invade o cosmo
Vinda do fundo do cabaré

Na minha alma um sonho
Um átomo, um corpo estranho
Tamanha luz, incêndio não é

Entre estranhas entranhas conhas
Penetro procurando o coração
Câmaras, caminhos, passos

Apressados insistentemente
Pêndulos sem nenhum propósito
Balançam na gangorra
Roubam na escuridão

O insólito ar dos meus pulmões
Deseja no sono do seu quarto
Declamar a triste trova do delírio

Empuxo extraordinário, correio de mão
Gritos de princípio, coelho do mato, luz
Credo cruz, fim da matéria, puro martírio