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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Atualidades


Desesperado

A massificação do lixo e o endeusamento do luxo pela mídia; a falta de uma identidade cultural forte e consolidada; a educação compartimentada, positivista, distanciada e repressora; o exorcismo orgiástico de todo mal, o fanatismo descontrolado dos puros, propagado pelas igrejas messiânicas, pelos homens bombas e assassinos desesperados que em nome de uma religião se espalham pelo mundo, tem sempre consequências incontroláveis como essa que aconteceu ontem na escola pública de Realengo no Rio de Janeiro. É preciso entender por completo o histórico desse jovem de 22 anos, que armado até os dentes, depois de exaustiva peregrinação pelas ondas da internet, onde aprendeu de tudo um pouco e que em nome de deus, de Jesus e dos puros, rouba a vida de 13 crianças inocentes. É preciso entender e discutir esse fato de maneira mais científica, trocar a gênese patológica pela ótica filosófica, sociológica, psicológica, cultural e política, e assim tentar tomar conhecimento social e pessoal desta brutal energia que impulsionou esse jovem a cometer tal morticínio. Caso contrário, estaremos impedidos de evitarmos que novos fatos, trágicos como esse do bairro de Realengo, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, aconteçam.


Loucura Pouca é Bobagem
Muitas naves invadem os buracos negros que se multiplicam no sol.



Atualidade


O HORROR... Voltamos a Idade Média.

“...Mil corpos de homens e mulheres mortos durante o duplo cataclismo do dia 11 de março passado ainda estão apodrecendo nas poças d'água estagnadas ou entre os acúmulos de detritos ao redor da central nuclear de Fukushima. Ninguém os recolheu e ninguém os cremou, porque estão muito radioativos...” “As autoridades ainda não sabem o que fazer com quem, morto, incute o mesmo terror que, na Idade Média, provocavam os que tinham a peste...” (La Repubblica/IHU).




Dois Pensamentos Imperfeitos




1. O homem tem uma vida, o gato tem sete. O homem vive em média setenta anos, o urubu cem. O homem mata, o animal caça. O homem é civilizado, o animal selvagem. Só o homem é burro, besta, ignorante, boçal, cavalo, veado, mucura, estúpido, soberbo, tudo o que o animal não é e nem quer ser.

2. Ninguém deixa de ser o que é. O homem sábio refugia-se nos seus livros. O homem santo na caverna. O sábio prefere as letras. O santo o cravo. O sábio goza. O santo sofre. Trocando o cravo pelas letras, a caverna pelos livros, o gozo pelo sofrimento, o santo não fica sábio e nem o sábio vira santo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Poesia


Diálogo de Dois Poetas Nas Montanhas de Minas
Ouro Preto junho de 1976

- O que me importa a câmera lenta da distância
- Por longe se apaga a curva e por perto é onde se encontra as paralelas
- Retilíneas
- Fugidias...
- Quem se importa?
- Pois cego me vejo entre as sombras de quem não quer ser encontrado...
- Pois sonhos não se afinam no que é real
- Afirma-se nos moldes abstratos infindos do nada
- Quem se importa?
- Enfim desminta tudo que sabes de mim
E de tudo um pouco assim desminta também
- Do tudo de quem não quer nada saber
- Do tudo de quem só pensa um pouco em ser
- Do tudo acabado...
- Um pouco mais na frente e muito mais na frente ainda
Pode se vê perdido e aflito com o que não se pode ver
- O poeta maldito e o outro aflito em se tornar a ser
- Quem não se encontra, devem se encontrar
Disse o mago francês L’Herbie
- Disse você, disse eu, disse alguém a minha porta
- Disse-me ninguém uma poesia
Nenhuma identidade
Nenhum ser
- Alienígena talvez
- Só vocês, talvez você
Possa dizer
O que me importa ser...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Uma Nova Estrela

O TEMPO ESTÁ A NOSSO FAVOR Brilha Uma Nova Estrela Quero exercitar o texto, mas sinceramente não quero falar de política, muito menos a cultural. Não quero falar de religião, seja ela qual for, sendo ocidental ou oriental, é tudo a mesma coisa. Deus morreu nos braço de Nietsche. Não quero falar do cinema, do cinema nacional nem se fala. Não quero falar da cidade onde moro, nem da casa onde eu vivo; nem da minha cachorra cega, nem do gato que agora me faz companhia. Não quero falar dos discos voadores, muito menos das piratarias e das bandalheiras. Não quero falar do meu novo roteiro de cinema, penso que posso morrer a qualquer momento, por isso não quero falar da morte. Não quero falar da minha dívida com o sistema financeiro internacional, muito menos com fisco, nada posso pagar, pois nada tenho e assim espero pacientemente elas envelhecerem... Não quero falar, enquanto tenho saúde, da minha aposentadoria, do meu seguro e dos remédios que terei de comprar. Não quero ficar de bode com o insolúvel produto que esse curto espaço de tempo me reserva. Não quero falar de toda uma vida dedicada ao cinema, à cultura brasileira e dos parcos recursos que deles recebi. Não quero falar dos prêmios e elogios que obtive pelos filmes que faço sem os recursos de produção que eles mereciam. Não quero falar de todas as minhas mulheres, nunca as mereci, nunca pude dar nada de material a elas, pois nunca nada tive para dar. Não quero falar de um mundo que não é meu, ao qual não pertenço e que sempre é o mesmo, repetitivo, obsessivo, ganancioso, cruel, em toda a sua história. Os homens do mundo que eu conheço, em sua grande maioria, permanecem iguais. Não mudam nunca. Não quero falar de tantas coisas que dariam para encher um livro. Mas tem uma coisa que ainda não existe que eu quero falar. Quero falar da esperança que surge quando uma nova vida desponta no nosso horizonte possível trazendo em sua aurora existencial a alegria natural dos que estão chegando. Quero hoje falar da Nina, que já prepara seu espírito, seus ouvidos, seus sentidos, sua memória, seus olhinhos para ver e descobrir o novo mundo que lhe será apresentado. Quero falar da alegria que é ter a primeira neta, ver nascer e crescer mais uma criança, uma nova mulher na minha família. Quero dizer da minha satisfação de poder assistir, ajudar, cuidar, amar, informar, mostrar, experimentar todos os paladares, todos os prazeres, que esse mundo idiota pode ainda oferecer a quem está chegando. Quero viver o suficiente para ouvir a sua voz, as primeiras palavras, as primeiras frases, a construção verbal de um pensamento, a primeira gargalhada, a primeira lágrima, o primeiro sorriso. Quero poder passear de mão dada com ela pelas areias do Arpoador onde me criei e chupar com ela o seu primeiro picolé de chocolate. Dar a primeira mordida divisória. Mergulhar nas ondas e afastar o medo. Mostrar que com seu avô ela pode se sentir protegida. E só depois de sentir que os seus olhinhos brilharão a me ver e que seu amor é tão grande quanto o meu, só assim poderei ir em paz para minha aventura espiritual, sabendo que aqui está tudo bem com aqueles seres que são para nós os melhores, pois nasceram da combinação cármico-cósmica de todas as estrelas do nosso universo particular. Sarava!

domingo, 3 de abril de 2011

Jogo de Memória

É sempre bom lembrar do grande político mineiro Tancredo Neves.
Foto de cena do filme Liberdade - Tancredo Neves; Ronaldo Brandão; José Sette; Paulo Laborne.

Texto do Jornalista Beto de Almeida

Foi um ultraje, um abuso, um desrespeito total ao povo brasileiro o fato de Obama ter usado o território brasileiro, e mais precisamente as dependências do Palácio do Planalto, durante audiência com a Presidenta Dilma, para dar as ordens de ataque com mísseis à Líbia! Não merece, em absoluto, o Prêmio Nobel da Paz, mas o da guerra! Mas, o episódio, mais um para a coleção de atitudes desrespeitosas com o povo brasileiro que dirigentes dos EUA praticaram - a mais grave de todas o Golpe de 1964, organizado a partir da Casa Branca que o pop star não mencionou - nos faz reviver um outro episódio. Eleito pelo Colégio Eleitoral, Tancredo Neves fez um giro por diversos países para comunicar a nova fase da política no Brasil a partir de 1985. O primeiro visitado foi os Estados Unidos. Recebido por Ronald Reagan, que na época sustentava a criminosa agressão contra a Nicarágua por meio de sabotagens e de apoio a grupos terroristas chamados de “contras”, Tancredo ouve com paciência o presidente estadunidense discorrer sobre América Latina e, praticamente, solicitar ou assediar o apoio brasileiro contra a Nicarágua Sandinista, por ele chamada de “expansão comunista-terrorista na região”. Mineirice e soberania Reagan só mais tarde foi compreender qual é a manha dos mineiros. Aparentemente, pelo comportamento de Tancredo na reunião privada, Reagan foi iludido acreditando que o mineiro estaria de acordo com os absurdos intervencionistas e criminosos que os EUA estavam lançando contra a Nicarágua. E por desdobramento, desrespeitando o povo brasileiro também convocando o Brasil para uma guerra contra um país irmão, a Pátria de Sandino. Pois Tancredo deixou a Casa Branca sem dizer palavra e dirigiu-se ao Congresso. Aí sim estava a caixa de ressonância de que precisava. Ao ser sabatinado por senadores e deputados, em meio a indagações protocolares, genéricas e as imbecilizantes de sempre, sem que ninguém lhe perguntasse, Tancredo declara em alto e bom som para surpresa de todos, inclusive de sua assessoria que sequer fora avisada: “o Brasil não vai admitir uma intervenção militar estrangeira na Nicarágua Sandinista!” O embaixador norte-americano no Brasil, um afrodescendente, ficou pálido com o que ouviu, segundo relato do experimentado jornalista José Augusto Ribeiro, assessor de imprensa de Tancredo, que também só naquele instante tomava conhecimento da postura do presidente brasileiro recém-eleito em defesa da autodeterminação dos povos, e, concretamente, em defesa do direito da Nicarágua de escolher seu modelo político soberanamente, reconhecendo seu sagrado exercício de independência. Fidel e Tancredo Imediatamente a declaração corajosa e soberana de Tancredo Neves, no Congresso dos EUA, minutos após ter se reunido com o presidente Ronald Reagan que lhe fez a proposta indecente, ecoava mundo afora pelas agências de notícias. Minutos depois um despacho das agências noticiosas chegava às mãos de Fidel Castro, que estava à tribuna num Congresso Internacional Contra o Pagamento da Dívida Externa, em Havana, quando também havia acabado de advertir para o risco de uma intervenção militar norte-americana na Nicarágua. Fidel pára seu discurso, lê o telegrama com as declarações de Tancredo Neves e fulmina da tribuna: “Invadir a Nicarágua é relativamente fácil, quero ver invadir o Brasil de Tancredo Neves!” Sabe-se que quando Obama foi interrompido por seu secretário à mesa de reunião com Dilma, ele deu a ordem de ataque que pode levar à morte milhares de civis líbios e destruir tudo o que foi construído pelo processo de transformações da Líbia. E, ato contínuo, teria comunicado sua decisão à Presidenta Dilma, como a querer apoio ou adesão ao ataque. Dilma, segundo os relatos, teria recusado e declarado “o Brasil é um país pacífico e não concordamos que a ação militar vá produzir os efeitos esperados”. Não aderiu. Mas não declarou publicamente. Desrespeito ao povo brasileiro Teria sido importante que Dilma, a exemplo do também mineiro Tancredo Neves, ecoasse esta declaração em cadeia de TV e rádio, enquanto Obama estivesse em território brasileiro. Era uma maneira de reprovar publicamente a abusiva atitude de Obama de usar o território brasileiro, em visita oficial, para determinar um ataque mortal contra um país com o qual o Brasil tem relações normais, incluindo a participação de empresas, técnicos e produtos no processo de transformação que levou a Líbia a ter o mais elevado Índice de Desenvolvimento Humano da África. Aliás, envolto em profundo simbolismo e em sintonia histórica com as declarações de Tancredo Neves está a recusa de Lula a comparecer ao almoço com Obama. Talvez esteja no gesto de Lula o que verdadeiramente Dilma e o Itamaraty queriam ou deviam dizer. Sabemos que os primeiros mísseis lançados contra Trípoli destruíram um hospital e mataram 48 pessoas, inclusive crianças. As agências de notícias controladas pela indústria bélica e pelo poder petroleiro com sanguinária voracidade pelo óleo negro líbio continuam a mentir, agora dizendo que nenhum alvo civil foi atingido. Isto não está autorizado pela Resolução 1973 da ONU. É terrorismo pura e simplesmente! Por isso Brasil, Rússia, China, Índia e Alemanha abstiveram-se, provavelmente sabendo das extrapolações criminosas - já preparadas há tempo - dos termos da Resolução para apoiar a contra-revolução. O precedente é gravíssimo e pode ser aplicado até mesmo contra o próprio Brasil ou qualquer país que tenha robustas riquezas energéticas. Com a quantidade de agentes de serviços de informação que atuam no Brasil disfarçados de ongueiros, conforme denunciam autoridades brasileiras, é o caso de atentar para o perigoso precedente aberto pela decisão da ONU. Tancredo mandou fechar base militar dos EUA no Brasil Num dia em que até ministros de estado brasileiros foram bruscamente revistados por seguranças de Obama, o exemplo da sabedoria de Tancredo recobra atualidade e vitalidade. Foi também Tancredo que, como primeiro-ministro, mandou fechar uma Base Militar que os EUA tinham no arquipélago de Fernando Noronha. Porém, Tancredo não fez declarações, apenas consultou as forças armadas no último dia do prazo para a renovação do contrato para a permanência da instalação militar estadunidense, e, mandou publicar o decreto determinando a retirada do dispositivo estrangeiro no Diário Oficial. Com isso retirou o espaço e tempo de manobra dos vassalos sempre postos a defender os interesses da metrópole contra nosso próprio povo. Só no dia seguinte a opinião pública veio a saber do episódio, também relatado por José Augusto Ribeiro. Tancredo foi insistentemente indagado pelos jornalistas se iria normalizar as relações com Cuba, um modo de conflitá-lo com setores militares. Tancredo respondia com gargalhadas bem humoradas: “Mandei fechar uma base militar dos EUA e ninguém nunca me perguntou nada sobre isto. Mas, agora, só querem saber de Cuba, Cuba, Cuba”. Se bem já não estamos mais na etapa em que um chanceler brasileiro chegava a agachar-se para retirar os sapatos em obediência a um guardinha de alfândega nos EUA, há sinais confusos sobre a necessária e imperativa continuidade, com mais consolidação e audácia, da política externa elaborada e praticada durante o governo Lula. Seja porque todas as sanções ou ações militares delas decorrentes que os EUA arrancam no grito do Conselho de Segurança da ONU jamais deixaram de ser, de verdade, nada menos que agressões armadas contra povos e governos que têm posição de independência em relação à Casa Branca. As mais recentes destas sanções resultaram em destruição e morte na Yugoslávia, no Iraque, no Panamá, no Afeganistão e, agora, recém começada, na Líbia, prevendo-se a demolição de toda uma infra-estrutura que levou a Líbia a superar o atrasadíssimo regime monárquico e passar do tribalismo à construção de uma experiência socialista, ainda longe de ser alcançada. Demolição do estado Líbio Mas, é emblemático o fato de que os primeiros bombardeios lançados de porta-aviões dos EUA sobre Trípoli tenham demolido um hospital público, uma das conquistas deste processo de transformações, que também inclui um avançado sistema público de educação, canais de irrigação, indústria petroleira estatal, alvos que, demolidos, podem fazer o país recuar no tempo socio-economico. Aliás, está claro porque se levanta a bandeira da monarquia hoje por lá, com o apoio do Pentágono e da máquina macabra da OTAN. Com toda certeza, o Brasil tem uma experiência histórica que nos anima a dizer que tem faltado mais protagonismo ao Itamaraty na crise Líbia, como indicamos em artigo anterior. Vale lembrar, por exemplo, que Vargas, intimado pelos EUA, recusou-se a colocar o Brasil na Guerra da Coréia. Em Angola, o Brasil apoiou o governo de Agostinho Neto, do MPLA, sendo o primeiro país a reconhecer a Independência da ex-colônia portuguesa. A agressão à Líbia não passa de uma guerra de rapina do petróleo e numa ação para intimidar todo o processo de libertação política do mundo árabe, sempre cuidando de proteger os interesses dos EUA na região, como se vê na hipocrisia contida no apoio descarado de Hillary Clinton à invasão militar da Arábia Saudita ao Bahrein. O Brasil construiu uma política externa que lhe rendeu prestígio e autoridade mundial. Não pode retroceder e aparecer associado ou até mesmo passivo diante de monstruosas maquinações midiáticas e bélicas para sustentar uma política neocolonialista, como agora neste criminoso ataque contra a Líbia. Quando a Presidenta Dilma iniciou sua campanha eleitoral por Minas Gerais, exatamente com um gesto emblemático de depositar flores no túmulo de Tancredo Neves, saudamos a escolha da iniciativa. Com a esperança de que muitos dos ensinamentos deixados pelo estadista mineiro ajudem a iluminá-la nas horas mais difíceis. E a pronunciar o que o gesto de Lula afirmou. Beto de Almeida é Jornalista, Membro da Junta Diretiva da Telesur. 21 de Março de 2011

sábado, 2 de abril de 2011

`Poesia


SÓ CONSIGO PENSAR EM FILMAR

Há dias não consigo escrever uma linha
Ando de saco cheio com tudo em volta
Comigo mesmo
Com meus projetos
Na dúvida de criar
Continuar criando
Desenvolvendo idéias
Alimentando a paixão
De fazer cinema
Contar a minha história
Por almas livres
De outros artistas
Sempre foi assim
Mudar o mundo ao ver
Experimentar a nova visão
Naquilo que já foi visto
Tudo que é belo foi escrito e pintado
Dizia Tolstoi a respeito da arte
Pela arte me sinto agora assim
Feio como alguém que está nascendo
Buscando na escrita a beleza
Achando a forma correta
Compondo com adorno e arte as partes
A nova estética de se apresentar ao mundo
Assim estou tal qual o barro a modelar
Inconsistente e preguiçoso
Inerte a espera da mão do mestre
Com quem passei meus últimos dias
Na solidão do meu barraco
Escuta irmão!
É sobre ele que quero te dizer
Nas poucas linhas de um poema
Toda a emoção de conhecê-lo
Mais é melhor filmar o enredo
Já que tudo foi escrito sem medo
Você sabe quem?
James que é João é também ninguém
Quebranto do passado ao futuro
Personagem do presente
Epifania de luz envolvente
Simonia de solvente
Gnômon de jardim
Cinema pra mim é assim
Poesia sem fim
Luzes sem camarim
Última morada da arte
Embate de titãs
Uma das sete partes
De uma mente sã
E outros seis desastres
Comandados por satã
Assim estou
Sem escrever uma linha
Sequer...

Março 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Poesia


SANTO INQUÉRITO



Liberdade!
Deixa-me levantar é demanda
O meu quarto está trancado lá fora
Se meu santo me ajudar nesta hora
Ponho tudo no lugar sem demora
Vou-me embora
Inocente de enigmas
Na luta de todas as lidas
Estigma de todos os loucos
Poeta de todos
Ricos e pobres
Que este país não é livre
Dos escrotos sem memória
Na contra mão do sofrimento
Presos no cipoal da história
Se é que ainda se vive
Na miséria e no tormento
Em um país como este
Só me resta ir pra fora
Sem demora!

RJ dezembro 1969